Reflexão bíblica sobre a Paternidade partindo do texto de Gênesis 5:1-3
O mês de maio é reconhecido
como o mês para se honrar as Mães, o que acaba despertando o sentimento mais
familiar nas pessoas.
Todavia
o que acalora o meu coração é lembrar que sentados à mesa em família (sem
precisar do Dia das Mães) era plantado em nós valores singulares e preciosos
que moldaram o nosso CARÁTER. À mesa
aprendemos sobre: RESPEITO, GRATIDÃO, GENEROSIDADE, HONESTIDADE, PERDÃO
... Poderia seguir com a lista com esses
valores do céu, mas não é necessário (Mt 7:16).
Foi
à mesa, ouvindo as Escrituras, no culto doméstico, onde sentimos nosso coração
queimar e os nossos olhos foram sendo abertos por causa da PRESENÇA DE JESUS conosco
(Lc 24:13-35). Foi lá que, quando Jesus
batia à porta, papai e mamãe conscientemente abria e ELE ceava conosco (Ap
3:20).
O
exemplo permanece.
Ainda
hoje nos reunimos com mamãe em volta da mesa e em nossas casas também. A família cresceu: noras, genros, netos.
Apesar
da falta de papai, o legado de ensino e fé deles continua tatuado em nossa
existência. Não tem como remover.
Nos
reunimos à mesa e nela continua presente JESUS. Fazendo o coração queimar e os
olhos da NOVA GERAÇÃO se abrirem.
Não
pensem que somos perfeitos. Mas à mesa
também aprendemos que nesse lugar podemos perdoar e recomeçar em nossos
relacionamentos.
Nessa
mesa, além da comida que sacia a fome física, SEMPRE é oferecido alimento
espiritual e continuamos forjando em nossa nova geração o caráter de Jesus como
aprendemos.
Por
que não vem de nós é DOM DE DEUS (Ef 2:8).
SOLI
DEO GLORIA
Obrigado
mãe e pai (in memoriam)
O
que é servido à mesa em sua casa?
Texto escrito por Elda Nogueira (minha
esposa)
Escrevendo aos cristãos de Éfeso, o apóstolo Paulo faz o seguinte registro: ... por esta razão dobro os meus joelhos para o Pai ... pelo qual toda a família nos céus e na terra é nomeada (Ef 3:14-15).
Mas
antes de refletir sobre a mensagem apostólica, quero fazer dois destaques linguísticos
– creio que vão ajudar na compreensão do texto.
(1)
O verbo que o texto grego usa para se referir a ação de dobrar os joelhos (κάμπτω τὰ
γόνατά) indica uma atitude de reverência religiosa, quase que com intimidade
(Paulo usou essa palavra também em Fl 2:10).
(2) Deus é pai – mas preferi colocar o título em inglês: GOD IS PARENTS. Observe: Chamar Deus de Pai é bastante comum para todos nós. Aprendemos isto desde pequenos e repetimos como modelo de invocação mediante a Oração do Pai Nosso. Mas esse conceito masculino de Deus não lhe faz jus. Deus não é macho nem fêmea. Esses são conceitos humanos e culturais. Deus é Pai/Mãe. Então entendi que a maneira como os ingleses chamam expressa melhor o conceito para nós modernos (e vai assim mesmo no plural, de propósito!) – GOD IS PARENTS.
Vamos ao texto de Efésios.
É
verdade bíblica, doutrinária e teológica que o nosso Deus é o Senhor Todo-Poderoso,
régio criador do universo. Mas também é
um PARENTS amoroso e cuidadoso.
Deus
é nosso PARENTS porque é ele quem nos dá a vida e dele provém tudo o que
somos e temos, pois todas as
coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez
(Jo 1:3).
Mas
também, Deus é nosso PARENTS porque ele nos instrui e cuida de nós. Com carinho ele chama: ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, para que se multipliquem
os anos da tua vida (Pv 4:10).
Deus,
como PARENTS interessado, está sempre com suas melhores intenções
voltadas para seus filhos e disposto a os amparar e guiar.
Então,
eu dobro os meus joelhos e me aconchego diante de um PARENTS que se fez
digno de minha reverência por ter sido morto e com seu sangue comprado toda
tribo, língua, povo e nação – inclusive eu (Ap 5:9).
Sim. GOD IS PARENTS. E eu o louvo por isso.
Sem dúvida alguma a presença de filhos recebidos como herança do Senhor é motivo de grande alegria ao coração de servas e servos de Deus.
Creio que todos cantamos com convicção que belo é um nenezinho e que prazer um filho traz...
E o sábio vai além: "Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos." (Pv 17:6a).
Sabemos que todo privilégio traz junto a si iguais responsabilidades. Então a partir da leitura bíblica de Provérbios quero apontar alguns dos deveres dos pais em relação aos seus filhos.
A primeira citação que quero fazer está em Pv 13:22. O verso fala literalmente em herança deixada às gerações seguintes mas posso compreendê-lo como uma instrução livre para que cada pai e mãe deixe para seus filhos um exemplo digno de ser seguido.
Nesta linha de interpretação mais livre é como se dissesse que cada pai e cada mãe têm que trabalhar e se esforçar para servir como ponto de partida, referência e motivo de orgulho para toda a vida de seus filhos (leia a parte final do verso Pv 17:6).
Outra obrigação a se observar é que pais devem garantir à suas casas primeiramente a paz e a tranquilidade (afinal é melhor um pedaço de pão seco numa casa em paz do que o banquete entre brigas, como diz Pv 17:1).
Mas, usando a descrição da mulher virtuosa que de longe traz mantimento para sua casa (veja Pv 31:14), é dever também prover o sustento adequado para seus filhos não ocasionando que eles venham a ser forçados a trabalhar para ganhar a vida antes do tempo próprio.
Duas outras responsabilidades estão sobre os pais e devem ser lidas com partes da mesma tarefa: é preciso instruir seus filhos (leia especificamente Pv 22:6) e corrigi-lo quando necessário (inicialmente leia Pv 29:17).
Em diversas passagens a obrigação de instruir, disciplinar e corrigir os filhos aparece como responsabilidade primária que os pais têm em relação aos seus filhos. É como se o texto bíblico compreendesse que as crianças que nos foram dadas como herança precisam ser conduzidas até poderem tomar suas próprias decisões e assumirem eles mesmos suas vidas.
Indo mais a fundo nesta leitura, vejo que quem não instrui e disciplina seu filho não o ama (dito claramente em Pv 13:24, mas veja também Pv 3:12) e a falta de ambas acaba produzindo vergonha à própria mãe (como está alertado em Pv 29:15).
Contudo devo enfatizar que o objetivo da instrução e da correção é produzir futuro e esperança sadia para nossas crianças e não lhes infligir dor e morte, nem ser motivado por vingança (a advertência está em Pv 19:18).
Finalizando: Como pai, assuma o seu papel de garantir com carinho e amor a instrução, formação e seja o exemplo adequado que seu filho deverá seguir (tenha a coragem de dizer como Paulo em 1Co 11:1).