Na
última quarta-feira, enquanto aguardava uns irmãos de fé para um estudo bíblico
aqui em casa, percebi uma coruja pousada tranquilamente no parquinho infantil
aqui no condomínio. Era uma coruja que
conhecemos como buraqueira.
Parêntese 1. A foto é o registro do flagrante.
Parêntese 2. Lá no final, vou listar
algumas curiosidades.
Eu me
aproximei devagar – receando que a ave voasse – e com o celular na mão. Queria ter uma foto para contar.
Mas
ela ficou bem ali, paradinha. Olhou para
os lados, esticou as asas (como se estivesse se espreguiçando), depois, acho
que percebeu minha presença, então ficou me encarando.
Posicionei
o celular para a foto. Ouso pensar que a
coruja fez até pose! E fiz a captura da
imagem.
Depois
ficamos alguns instantes apenas parados.
Apenas nos olhando. Ela e eu. E foi minha mente que voou...
E, de
uma ideia à outra, de uma referência à outra, de lembrança à outra, viajei ali. Vou tentar aqui refazer por onde vagueei.
Primeiro
lembrei do mau agouro do canto estridente da coruja. Dizem que seu piado anuncia a morte (mas a
coruja no parquinho permaneceu em silêncio).
Depois
fui pousando aqui e ali – sem me deter em nenhuma cultura ou referência.
Os
egípcios diziam que a ave podia transitar entre os mundos dos vivos e dos
mortos. Por isso representava a deusa
Néftis.
Atena,
deusa grega da sabedoria, tinha a coruja como sua companheira – talvez por
conta de seus grandes olhos.
Entre
os exércitos romanos, o voo de uma coruja sobre as tropas era um sinal que a
batalha seria perdida.
Já
para os hindus, a coruja apontava para a necessidade de ir além de objetivos
materiais e procurar paciência, inteligência e sabedoria.
Rapidamente
pensei que estava indo já longe, então deixei o caminho de lendas e culturas e
simplesmente fui à popular descrição da coruja como essencialmente um bicho
feio (e até me lembrei de uma antiga colega minha que era tão fã da ave que tinha
uma coleção delas: de souvenirs a pinturas).
Independente
do gosto estético popular ou das internações culturais, a coruja-buraqueira
continuava ali, parada, com os grandes olhos em minha direção. Impassível.
Imponente. E essa foi a impressão
que ela me causou: uma pequena ave de rapina que sabe seu lugar na grande
cadeia alimentar, e por isso mesmo voa e pousa com nobreza.
Daí a
deixei ali parada no parquinho e segui meu caminho para meu estudo bíblico.
Até
tentei pensar em um final mais épico ou reflexivo, mas confesso que não me
ocorreu nada. Era apenas uma coruja no parquinho.
Algumas curiosidades
sobre corujas:





