terça-feira, 13 de abril de 2021

ALEXAMENOS ADORA A DEUS

  


Na metade do século XIX, trabalhadores escavavam o Domus Gelotiana, antiga residência do imperador Calígula no Monte Palatino – centro de Roma, quando encontraram um grafite gravado em gesso com a imagem do que seria um crucificado com cabeça de asno e um jovem prostrado diante dele com a inscrição em grego: Αλεξαμενος ϲεβετε θεον (Alexamenos adorando a Deus – numa tradução livre).

Ainda há muita controvérsia entre os principais estudiosos quanto a detalhes importantes do achado.  Quem? Quando? Para quê? Interpretação adequada?

Então, deixando os aspectos técnicos de lado, quis me imaginar naquela sala olhando o grafite recém desenhado (um pouco de imaginação ajuda).

A Seita do Caminho – assim eles chamavam os cristãos na época – ainda era um grupo que se reunia escondido e, como tudo que não se sabe exatamente do que se trata, era alvo de toda sorte de perseguições, calúnias e bullying populares.

Acho todo brasileiro gaiato por natureza!  E foi assim que olhei ali.  Com o viés satírico e debochado de minha alma brasileira, até parece que estou vendo alguém querendo tirar onda(!) com esse tal de Alexamenos e, sem muita base nas evidências e fatos, implica com sua fé, acusando de adorar um asno.

 

— Quem seria o verdadeiro burro no caso?

 

E, cá entre nós, ando meio assustado com tantos grafites on line por aí de tantos que, em nome da fé no establishment dito cristão, têm postado suas asneiras acusando a outros irmãos.

 

Mas há um detalhe.  Continuando as escavações, encontraram uma outra câmara pouco adiante com uma inscrição em latim que dizia: Alexamenos fidelis (o fiel Alexamenos – também numa tradução livre).  Provavelmente uma resposta à primeira imagem.

Assim, penso naquele cristão como alguém que entendeu e vivenciou o dito apostólico:

 

O que nós estamos pregando, porém, é Cristo crucificado,
e isso é armadilha para os crentes e asneira para os entendidos
.

(livre a partir de 1Co 1:23)

 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Série Mulheres da Bíblia – ANA, A FIEL

  


Uma mulher em especial me chama a atenção nas narrativas iniciais do Evangelho.  Ana, a quem eu atribuo o título de a fiel.

Lucas, em sua narrativa, ocupou apenas três versículos para citá-la.  Não parece muita coisa.  Mas se você quiser vir comigo para a porta do Templo em Jerusalém naquele dia, penso que poderemos conhecer essa mulher extraordinária.

Vamos lá.

Junto com o povo que se dirige ao Santuário e ao pátio que circunda está o casal José e Maria trazendo o seu filho para uma primeira visita àquele lugar de adoração.  Eles vão oferecer ao Senhor a oferta devida pelo nascimento do seu primogênito Jesus.

Entre outros tantos, está também Ana.  Algumas características me chamam logo a atenção: ela já é bastante idosa e é bem conhecida por aqui por sua vida de devoção e por sempre ter a palavra de Deus em sua boca.

Todos que a conhecem dizem que o próprio Deus fala pela boca daquela mulher.  Então é aconselhável sempre ouvir o que ela tem a dizer.  Assim ela tem se tornado uma referência a ser consultada por peregrinos e fieis ao se dirigirem à Casa de Oração em busca de ouvir conselhos e consolo.

Mas, buscando saber mais sobre a vida daquela senhora, identifico que ela deve ter se casado muito jovem ainda – as mulheres de Israel por aqui são entregues muito cedo!

Ana, porém, não viveu muito a vida de casada.  Após apenas sete anos de casada, seu marido veio a falecer e ela foi levada a uma viuvez precoce.

Acontece que tal condição não fez dela uma mulher triste, rabugenta, amarga.  Ela não vive resmungando ou maldizendo.  Pelo contrário, sempre é possível ouvir dela palavras de adoração a Deus.

Aqui, agora olhando aquela velha senhora, eu imagino ela passando pelos desejos da juventude, pelos calores da menopausa, pelas fadigas da velhice, mas sempre se mantendo fiel a Deus em tudo.

Por mais de oito décadas aquela mulher viu a vida passar, os anos se sucederem, pessoas irem e vivem.  E ela ali, fiel a um Deus que ela passou a conhecer a cada momento com mais intimidade.

Não duvidaria se ela dissesse que algumas vezes sua mente duvidou e seu corpo cansou.  Só que ela se manteve fiel dia e noite.  Adoração, jejum e presença constante diante do Altíssimo se tornaram o seu jeito próprio de levar a vida.

E o Pai Eterno olhou para ela.  Eu sei que é sempre assim. 

Ela agora tem o menino Jesus em seus braços.  Então consigo notar entre as rugas que testemunham a fidelidade de anos, bem ali num canto qualquer de sua face, uma alegria que ninguém sabe explicar, nem disfarçar – é contagiante.  Valeu o sacrifício de ser fiel todos esses anos: chegou a redenção de Jerusalém!

Então posso voltar a minha vida e expectativa de história com o padrão que essa fiel mulher deixa para mim.  Os anos de fidelidade podem trazer para meus braços o acalanto de Jesus de Nazaré.  Isso sim, vale a pena!

Que eu possa também aprender com ela.

 

Leia mais sobre as mulheres da Bíblia

Priscila, a artífice link

Abigail, a sábia – link

Hulda, a profetisalink

Lídia, a empreendedoralink

Abisague, a cuidadora link

Dorcas, a dedicadalink

quarta-feira, 7 de abril de 2021

CONTINUOUS ESCREVINHANDO: A DECADE LATER

  


On April 6th, 2011, a Wednesday, I opened Escrevinhando with the post VOLTEI A ESCREVER.  Then, on April 5th, 2016, a Tuesday, I celebrated CINCO ANOS ESCREVINHANDO.  Now, April 6th, 2021, again a Tuesday, CONTINUO ESCREVINHANDO: UMA DÉCADA DEPOIS.

 

— Even I'm impressed!

 

In the past few months I have come to plan to do something to celebrate the 10 years I have been on the Internet, but the pandemic and other circumstances have not given me the opportunity now to carry out such celebrations. Thus, some ideas I have simply discarded and others I am leaving in stand-by (at some other time it will be possible to realize them).

However, the question of this occasional text of the Escrevinhando decade is now presented. If I can't get people together in person (I wanted a gathering to celebrate); I should at least bookmark the record here in a virtual way.

 

— Ten years is a long time !!!

— And even more between bits, virtual worlds and social media!!!

 

So, let me just point out a few things today:

First. I have now returned to both the initial and the five-year-old texts. In fact, I don't have much to add about the task of working with the text, besides what is already there. And I am happy to see that even though they have grown and matured in several aspects, I managed to be faithful and consistent with the original proposal.

Second. I had read the preface to the book Grace Notes, by Philip Yancey, where he discusses the exercise of being a writer. I even thought about taking those paragraphs as a basis to talk about my writing experience.  But the truth is that now I find this comparison very petulant. So I decided to leave Yancey with his craft as a writer while I continue to be a scribbler.

Third. Escrevinhando continues to be an amateur job – a term purposely used in two senses. I love the task of weaving the words in the plot of the text. And here, I do it not as a professional duty.

Also, Taking advantage of the advertisiment. PARÁBOLA DAS COISAS is the first collection of texts by Escrevinhando and is already available as a book (sales directly on the internetlink). And there are other titles already triggered to be released soon.

 

So I close this decade of Escrevinhando with the apostolic words:

 

"For everything starts with him, proceeds according to him and is destined for him, then all the glory be to him forever. Amen"

(Rm 11:26)

 

Translation by: André Linhares Lima Nogueira - @andrellnogueira

terça-feira, 6 de abril de 2021

CONTINUO ESCREVINHANDO: UMA DÉCADA DEPOIS

 


No dia seis de abril de 2011, uma quarta feira, eu abri o Escrevinhando com o post VOLTEI A ESCREVER.  Depois, em cinco de abril de 2016, uma terça feira, eu celebrei CINCO ANOS ESCREVINHANDO.  Hoje, seis de abril de 2021, novamente uma terça feira, eu CONTINUO ESCREVINHANDO: UMA DÉCADA DEPOIS.

 

— Até eu estou impressionado!

 

Nesses últimos meses cheguei a planejar fazer algo para festejar os 10 anos em que estou na internet, mas pandemia e outras circunstâncias não me deram a oportunidade agora de levar adiante tais celebrações.  Assim, algumas ideias eu já simplesmente descartei e outras estou deixando em stand-by (em algum outro momento vai dar para realizar).

Mas, apresenta-se agora a questão desse texto ocasional da década Escrevinhando.  Se não posso reunir gente de forma presencial (queria aglomerar para celebrar); devo, pelo menos, marcar o registro aqui de modo virtual.

 

— Dez anos é muito tempo!!!

— E entre bits, mundos virtuais e mídias sociais então!!!

 

Então, me permita apenas pontuar algumas coisas hoje:

Em primeiro lugar.  Voltei agora tanto ao texto inicial como ao dos cinco anos.  Na verdade, não tenho muito a acrescentar sobre a tarefa de labutar com o texto, além do que já está ali.  E me alegro em ver que, embora tenham crescido e amadurecido em vários aspectos, mas consegui ser fiel e coerente com a proposta original.

Em segundo lugar.  Tinha lido o prefácio do livro Sinais da Graça, de Philip Yancey, onde ele aborda sobre o exercício de ser escritor.  Cheguei a pensar em tomar como base aqueles parágrafos para falar sobre minha experiência Escrevinhando Mas a verdade é que agora estou achando muita petulância essa comparação.  Então resolvi deixar Yancey com seu ofício de escritor enquanto eu vou continuar como escrevinhador.

Em terceiro lugar.  Escrevinhando continua sendo um trabalho de amador – termo propositalmente usado em dois sentidos.  Amo a tarefa do alinhavo das palavras na trama do texto.  E aqui não o faço como dever de ofício profissional.

E ainda, aproveito a propaganda.  PARÁBOLA DAS COISAS é a primeira coletânea de textos do Escrevinhando e já está disponível em livro (vendas diretamente na internetlink).  E há outros títulos já engatilhados para breve.

 

Então fecho essa década Escrevinhando com as palavras apostólicas:

 

"Por tudo começar nele, prosseguir de acordo com ele e se destinar a ele, então toda a glória seja a ele para sempre. Amém"
(Rm 11:36).

terça-feira, 30 de março de 2021

DA PÁSCOA DOS FILHOS DE ISRAEL

 


A celebração da Festa da Páscoa entre os filhos de Israel é o ponto alto de seu calendário litúrgico e também o mais significativo evento de demonstração da fé nacional e pessoal.  É uma cerimônia familiar revestida de uma mistura de lembranças, esperanças, celebração, nostalgias, sensações, ditos, profecias, liturgias sagradas e simbolismos ocultos e revelados.  Normalmente se celebra entre canções, orações, comida, poesia, companhia, fraternidade, aconchego, leituras e recitações de textos e frases sagradas.

Alguns elementos contidos na Páscoa dos filhos de Israel não foram introduzidos nas celebrações cristãs, mas mesmo assim podem trazer lições que fortalecem nossa fé, culto e esperança ainda hoje.

O texto de Êx 12 que narra como o próprio Senhor instituiu a Páscoa naquele momento de saída – passagem – do Egito nos apresenta pelo menos dois destes elementos: quanto ao conteúdo e quanto à forma.

Quanto ao conteúdo: a festa deveria ser comida acompanhada de ervas amargas (Êx 12:8).  Em meio à comida e bebida – símbolos de alegria – as ervas ali presente deveriam manter viva a lembrança dos anos amargos vividos no Egito e que se findaram no êxodo.

Hoje, como um fel em nossa boca, devemos ainda lembrar o tempo em que fomos escravos pelo pecado e como isso nos foi amargo, para que a alegria da libertação oferecida por Cristo Jesus possa sempre ser evidenciada em nossas celebrações e para que nunca mais sequer uma nuvem de saudade pese sobre nossa nova vida cristã.

Já quanto à forma da celebração, a instrução era para que comesse prontos para sair (Êx 12:11): o cajado na mão, o cinto no lombo e comendo com pressa.  Esta forma de comer deveria sempre lembrar aos filhos de Israel que já havia chegado o momento de Deus interferir e agir na história deles e que o povo deveria estar preparado para ir com o Senhor para a terra prometida.

O sentido de pressa também tem que estar presente no modo de viver e celebrar nossa vida e fé.  Agora é o tempo de Deus intervir e agir em nossa história e devemos estar em prontidão e em condição de participar desta ação miraculosa do Senhor.  Ele tem demonstrado que está intervindo em favor do seu povo e devemos celebrá-lo prontos para a jornada.

Que o Senhor nos faça celebrar como os antigos filhos de Israel.

(Publicado originalmente no sitio ibsolnascente.blogspot.com em 14/08/2009)