terça-feira, 14 de julho de 2026

QUAL O MEU DESTINO?



A última grande questão humana a ser respondida sob a luz da crença monoteísta é sobre o destino do ser humano – a questão da finalidade da existência humana.  Tendo determinado a essência do seu ser e qual a função que tem a desempenhar nesta existência, falta-lhe determinar qual o destino que espera o ser humano.  A princípio podemos constatar que uma teoria que ignore uma possibilidade de resposta à questão do destino humano, tende naturalmente a se tornar uma teoria niilista na sua essência.  Se não há destino a ser buscado a existência torna-se vã – nula.  Ora, tal nulidade acaba por enfraquecer qualquer resposta que tenha sido dada às questões anteriores.  Se o homem não tem para onde ir e tudo acaba aqui então todo o seu esforço para dar significado a sua existência está fadado a fracassar num abismo vazio.

Otimista ou pessimista, todos os mitos contados pelas culturas antigas incluíam em suas narrativas a certeza de que haveria vida e destino para o ser humano depois desta vida agora.  Os egípcios construíram suas pirâmides aguardando a passagem dos seus faraós para vida futura.  Os orientais japoneses ainda hoje reverenciam os seus ancestrais fazendo com que os vivos se saibam parte deste destino comum.  Entre os gregos, Caronte é o barqueiro que tem a responsabilidade de levar os homens para o reino de Hades.  Igualmente os mitos babilônicos conclui a Epopeia de Gilgamexe com a expressão: "este é o destino da humanidade".  As palavras bíblicas parecem concordar com toda esta certeza de ter a vida humana uma finalidade e um destino: "... sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (1Co 15:58).

Um detalhe, entretanto, não pode escapar à nossa observação.  Em todas as narrativas o destino da humanidade está profundamente ligado aos seus deuses.  Para onde o ser humano vai, como e por que são questões que estão na competência de seus deuses decidirem.  Além de ter a certeza de que a existência humana não se encerra nesta vida e, por isto mesmo, tem sua destinação apontada para o além; ao atrelar seu destino aos deuses a humanidade cerceia a própria liberdade de escolha.  Se por um lado a certeza de que se esperamos somente nesta vida somos os "mais miseráveis entre todos os homens" (1Co 15:19); por outro é o próprio Deus quem nos destinou para sermos "conforme a imagem de seu Filho" (Rm 8:29).

Mas, enquanto aguarda a vida além, o ser humano continua vivendo nesta vida e traçando planos cuja realização não extrapolam a vida presente.  Numa analogia com a linguagem freudiana: enquanto a espera pela vida futura seria a supremacia do princípio do prazer – quando todos os males do presente serão superados e o paraíso enfim será estabelecido – os imperativos da vida presente representaria um triunfo do princípio da realidade – quando a incapacidade de realizar por conta própria o futuro faz o homem se ocupar na construção do tempo presente.

Com este quadro, a crença politeísta poderia ser uma hipótese de solução satisfatória.  Se tenho na minha relação de sagrado a presença de dois ou mais deuses, então posso atribuir a cada um deles em separado as incumbências de resolver os problemas do aqui e do além.  Mas a crença no politeísmo não contribui para a integração do ser, logo, tendo o ser desintegrado pela crença em vários deuses, sem identificação existencial e funcionalidade objetiva, como pode esta crença compor para que a integridade do ser seja estabelecida no que concerne à sua destinação?

Então resta-nos a opção da crença monoteísta, e certamente a formulação doutrinal cristã da esperança escatológica é mais consistente englobando no seu bojo todos os elementos de destinação e realização aqui e no além.  Nesta perspectiva, a análise que Gustavo Gutiérrez faz da escatologia cristã deva ser a resposta mais significativa para a questão: Qual o meu destino?

Não basta por isto reconhecer que a escatologia se dá no futuro e no presente.  Isto, com efeito, pode afirmar-se ficando no nível de realidades "espirituais", futuras e atuais.  Dir-se-á então, com uma expressão que nos pode levar a engano, que a escatologia desvaloriza a vida presente; mas se por "vida presente" se entende só "vida espiritual presente", não estamos diante da correta compreensão da escatologia.  Sua atualidade é uma realidade intra-histórica.  O conflito graça-pecado, a vinda do reino, à espera da parusia são também, necessária e inevitavelmente, realidades históricas, temporais, terrenas, sociais, materiais.

(...)

As promessas escatológicas vão-se cumprindo ao longo da história, mas isto não quer dizer que se identifiquem pura e simplesmente com realidades sociais determinadas; sua obra libertadora vai além do previsto e desemboca em novas e insuspeitadas possibilidades.  O encontro pleno com o Senhor porá fim à história, e este já se dá na história.

 

 


Você pode ler um ensaio completo sobre esse tema no livro ENSAIOS TEOLÓGICOS – Volume 2

Disponível no:
Clube de autores
amazon.com

Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse
DE ADÃO ATÉ HOJE – Um estudo do Culto Cristão
PARÁBOLA DAS COISAS

terça-feira, 7 de julho de 2026

SOBRE CIDADES, CAMPO E ÁGUA

 


O texto bíblico diz que “o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida” (Gn 2:7).  Pela compreensão sagrada, nossa vida está intimamente relacionada com a terra e o chão.  E até na sentença pronunciada após o pecado, a relação com a terra está explícita: “maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida” (Gn 3:17).

É do chão que sempre o ser humano tirou seu sustento; e em vários aspectos a própria existência depende do nosso relacionamento com a terra.  Desde os princípios da cultura humana, com a agricultura de subsistência, dependemos do que plantamos e colhemos – caso igual também com nosso gado que criamos.

Com o andamento da história da humanidade, contudo, a busca de algum conforto e segurança da vida coletiva levou a vários homens e mulheres a abandonarem os trabalhos nos campos em busca do que as cidades os podem oferecer.

No Brasil, essa tendência se intensificou a partir dos anos 1970, quando se acentuou o êxodo rural em busca das grandes cidades e oportunidades de emprego; chegando hoje a termos cerca de 85% da nossa população vivendo nas cidades (segundo o Censo IBGE Brasil 2022).

O êxodo rural é apenas um acúmulo de problemas ecológicos e de meio ambiente, tanto para os que vêm para as cidades, como para os que ficam no campo.

O ajuntamento de pessoas nas grandes cidades concentra os problemas.  O grande número de habitantes busca comer e viver com dignidade – o que é direito inalienável de todo ser humano.  Mas, vivendo em aglomerações, as ações humanas resultam em consequências em cadeia para todos.

Pelo menos dois problemas principais devemos encarar quando analisamos a vida humana nas grandes cidades modernas, e eles tem a ver com a água.  E como servos do Criador precisamos dar atenção a isso.

Em relação a água, é preciso cuidar tanto das chuvas, quanto água de consumo, além de como descartar as águas sujas de esgoto.

Sobre a questão das chuvas nos aglomerados urbanos, a situação é a seguinte: com o uso constante de asfalto, concreto e pedras em nossas cidades, os cursos naturais de água são gravemente alterados.  A consequência dessa prática é que as chuvas passam a se acumular nas cidades mudando por completo seus ciclos e causando danos incalculáveis.

Em atenção a esse problema, a solução é manter e cuidar de jardins, parques, hortos e outras áreas onde a terra possa receber livremente as águas da chuva e fazê-las escoar de maneira desimpedida.

Outro problema em relação a água é a contaminação das fontes e dos cursos naturais de águas.  As cidades, em geral, não cuidam de maneira apropriada, deixando que agentes químicos e orgânicos contaminantes poluam e encham de sujeira toda a água que chega disponível para a população.

Nesse mesmo âmbito, e de maneira recorrente, a falta de destinação adequada para a água usada em casas e indústrias, faz com que elas sejam despejadas em esgotos que, por sua vez, voltam aos córregos realimentando o clico de contaminação.

Quando a isso, de maneira simples, a melhor forma de minimizar os problemas com a água nas grandes cidades é reutilizar e reciclar o máximo possível, evitar desperdícios e cuidar das condições de saneamento.

Assim concluímos:

Fomos criados por Deus com amor e graça para viver nesse mundo.  Tudo o que precisamos para ter uma vida saudável e digna ele aqui nos entregou – bem como para deixar para as futuras gerações.  Mas também Deus nos colocou para administrar os recursos que ele nos confiou. 

A vida em sociedade, nos modelos urbanos que temos adotado, tem esgotados os recursos naturais e degradado o mundo belo que Deus criou.  Isso é ofensa e pecado contra o Criador e algo que avilta o ser humano.

Os nossos compromissos cristãos nos impõem a viver e trabalhar pela obra criada por Deus e a nós confiada em compromisso de administrá-lo de modo a poder sempre ver essa terra como um lugar bom – assim como o Criador o viu no sexto dia da criação (Gn 1:31).

 

(A partir de reflexão na Revista DIDASKALIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Ensaios Teológicos – Volume 2

Nesta presente coletânea de Ensaios Teológicos trago textos abordando variados temas: de história de igreja à teoria do conhecimento.

 

O LOGOS – sobre o fazer teológico – Esse é um artigo que foi publicado originalmente em “O Jornal Batista” em novembro de 2024, nele eu comparo o fazer teológico com as tarefas de ciências em outras áreas.

Tertuliano e o uso das Escrituras – Tertuliano foi o primeiro entre os Pais da Igreja a adotar a língua latina como veículo para apresentação de sua teologia – o que lhe dá relevância e primazia no uso de vários termos e conceitos importantes. 

A fé e a espada – Com o foco na análise da relação entre a Igreja e o Estado, esse texto busca entender um pouco de como se deu a chegada no cristianismo ibérico na América Latina.  Certamente essa compreensão pode ajudar a pensar sobre essa relação atualmente.

Bonhoeffer: Liturgia e Comunhão – Nesse estudo procuro analisar a visão dele sobre temas como culto, liturgia, comunhão e vivência cristã comprometida.  Aproveito para comparar com ideias encontradas em alguns autores brasileiros que trataram do tema.

“Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro” – O objeto do texto é analisar a Conferência do Nordeste que ocorreu no ano de 1962 e sua contribuição para o Brasil em geral e para o protestantismo em particular naquele contexto.

O culto público – Esse ensaio escrito ainda no final do século passado apresenta um estudo sobre liturgia protestante brasileira contemporânea e sua relação com a nossa teologia.

Hermenêutica e epistemologia – Aqui é um texto teórico sobre como se dá a relação entre o método de interpretação – Hermenêutica – e a apreensão da verdade – Epistemologia.

Mudanças dos Tempos – Da Modernidade à Pós-Modernidade – esse texto eu escrevi para embasar minha dissertação final do Mestrado em Teologia em 2004.  Ele acabou não compondo aquela edição final, mas decidi trazer aqui na perspectiva de contribuir com a reflexão.

Um único ser – A partir de estudos sobre a psicologia humana e a sociologia, apresento uma rápida análise sobre a relação entre a crença no monoteísmo e a integridade do ser.

 


Disponível no:
Clube de autores
amazon.com

terça-feira, 23 de junho de 2026

COM PACIÊNCIA

O Século XXI tem levado às últimas consequências a realidade caótica em que o ser humano está envolvido por conta de suas próprias decisões e ações pecaminosas.  Segurança, felicidade e paz há muito deixaram de ser realidade no mundo de hoje – e sei que não estou dizendo nenhuma novidade, fazemos parte disto!

Também não é novidade que sob a ótica de Deus, os seus fiéis não têm que viver sob este regime. 

 

Antes de prosseguir, vamos ler o que o texto bíblico pode dizer nesse contexto:

 

O Salmo 40 registra o testemunho do salmista que experimentou a ação divina.  O poema começa com a afirmação de que tudo começou num ato de esperança e paciência: “Esperei com paciência pelo Senhor”. 

Assim, creio que aqui está o segredo de tudo.  Não temos uma afirmação de que os crentes sempre viverão alheios aos problemas e ansiedades da vida – e disto bem sabemos hoje. 

Também não é dito que as soluções seriam de imediato e no nosso tempo – Deus faz as coisas ao seu modo.

Então entendemos que a única saída que nos resta nesse tempo é com paciência esperar pelo Senhor, pois somente nisto poderemos nos firmar para continuar vivendo e encarando as vicissitudes do cotidiano. 

 

E quem não tem nem paciência e nem esperança em Deus, como é que vive?

 

Vivamos pacientemente nesta esperança para que possamos vislumbrar as maravilhas divinas que “são mais do que se pode contar”.

 

 

§ Você pode ler também sobre o tema da paciência como um bago de jaca do Fruto do Espírito aqui no Escrevinhando – link

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

O GRANDE APERREIO



No Sermão Escatológico, que o Evangelho de Mateus registra no capítulo 24, Jesus fala em guerras, fomes, pestes e terremotos. Embora enfatize que "ainda não é o final" (Mt 24.6).

Nesse contexto, Jesus também fala numa grande tribulação ímpar e na garantia de que esses dias deverão ser abreviados (nos versos 21 e 22).

 

Esse tema da Grande Tribulação é recorrente nos estudos de Teologia Escatológica – em vários sentidos e com várias correntes.  Não quero aqui percorrer entre tais posicionamentos.  Quero lhe atrair para uma leitura bíblica.

 

— 0 que está escrito no Texto Sagrado?

 

A palavra grega citada no Evangelho é θλῖψις μεγάλη (fala-se: thlipsis megalē).  Ela usualmente é traduzida do Koiné como tribulação, angústia, aflição, dificuldade ou opressão. 

Da mesma raiz do verbo grego θλίβω (fala-se: thribo) significando, oprimir, pressionar ou apertar para baixo.  O grego moderno usa esse verbo para indicar: entristecer, contristar, penalizar, mortificar – tanto num sentido físico como figurado.

Uma curiosidade sobre o termo “tribulação” em português.  Na origem latina está a palavra tribulatio que, por sua vez, vem de tribulum, uma ferramenta agrícola de madeira com pontas afiadas usada para separar o trigo da palha (debulhar). Tertuliano foi o primeiro autor cristão a usar no sentido teológico-escatológico para se referir ao conceito das perseguições e dificuldades que purificavam e testavam a fé dos cristãos.  Depois deles, vários pais da igreja depuraram o conceito.

 

Vamos ao texto.  O início do verso de Mateus 24.21 foi traduzido assim (em destaque a expressão):

→ Vulgata Latina – Erit enim tunc tribulatio magna.

→ Grego Moderno – Τότε γὰρ θέλει εἶσθαι θλίψις μεγάλη.

→ Hebraico – כי אז תהיה צרה גדולה

→ Inglês (KJV) – For then shall be great tribulation.

→ Inglês (NVI) – For then there will be great distress.

→ Inglês (MSG) – This is going to be trouble on a scale beyond what the world has ever seen.

→ Alemão (Luther, 1912) – Denn es wird alsbald eine große Trübsal sein.

→ Italiano (Riveduta, 1927) – Perché allora vi sarà una grande afflizione.

→ Espanhol (Reina Valera) – Porque habrá entonces grande aflicción.

 

As versões em Português desse mesmo verso dizem:

→ Almeida (ARC) – Porque haverá, então, grande aflição.

→ NVI – Porque haverá então grande tribulação.

→ NTLH – Porque naqueles dias haverá um sofrimento tão grande.

→ NVT – Pois haverá mais angústia que em qualquer outra ocasião.

→ BJ – Pois haverá então uma tribulação tão grande como nunca houve.

 

E eu, sendo estudante da Bíblia aqui no Nordeste do Brasil, traduziria:

 

— Porque existirá um grande aperreio.

 

Deixe-me citar (e comentar rapidamente) outros textos onde a palavra ocorre.  Deve ajudar a compreender o sentido:

 

    Jesus disse que o mundo nos empurraria para baixo, mas que no fim a vitória chegaria (confira Jo 16:33).

    Paulo aos romanos diz que nenhum aperreio pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:35) e, além do mais, através daquele que nos ama, somos invencíveis (v. 37 – na versão tradicional de Almeida: “mais que vencedores”).

    Na visão de Apocalipse, um dos anciãos afirma que os vestidos de branco diante do trono do Cordeiro são os que, tendo vindo do grande aperreio, lavaram e branquearam suas roupas no sangue do Cordeiro (em Ap 7:14).  E Deus vai limpar dos seus olhos toda lágrima (leia até o verso 17).

 

E mais uma citação.  Comentando o texto do Apocalipse, eu fiz a seguinte reflexão:

 

Então, independente da compreensão que se tenha do evento escatológico específico que possa ser denominado como a grande tribulação, João em sua visão, contempla uma multidão de selados por Deus que, vindo das tribulações, agora podem adorar diante do trono.  Eles já podem experimentar em suas próprias vidas o desfecho final da certeza que a leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação (2Co 4:17).  O vidente não sabe como eles chegaram ali, nem a extensão dos tormentos que antecederam aquele momento, embora possa imaginar a partir das suas próprias tribulações e exílio.  Mas lhes foi dito que eles sobreviveram aos infortúnios da vida e, mesmo ainda lá, poderam ter a companhia do Deus que é fortaleza em tempos de tribulação (leia o Sl 46:1).  E a narração continua: razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário (Ap 7:15).

(No livro: Tu És Digno).

 

 


Indico a leitura do livro  TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse.  Texto comovente, onde eu coloco meu coração e vida à serviço do Reino de Deus. Você vai se apaixonar por este belíssimo texto, onde a fidelidade a Palavra de Deus é uma marca registrada.

 

Disponível na:
AD Santos editora
amazon.com

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

OS MORTOS LEMBRAM?

 



Estudo bíblico-teológico sobre o tema do que ocorre com o pós-morte. Os mortos podem ou não lembrar do que aconteceu nesse lado da existência? O que a Bìblia tem a dizer sobre o tema da vida depois da morte?


“Por que os vivos sabem que vão morrer; mas os mortos não sabem de nada e nem mais que terão recompensa. 
E a memória deles é esquecida.”
(Ec 9:5)



terça-feira, 2 de junho de 2026

ORAÇÕES E LEÕES

 


 

Chegando ao reinado de Dario, Daniel ainda continuava com prestígio na corte, enquanto outros homens da corte “procuravam um motivo para acusar Daniel” (Dn 6.4).

Usando de um estratagema, os adversários de Daniel levaram Dario a assinar um decreto proibindo, num prazo de trinta dias, a adoração a qualquer deus que não o próprio rei e que quem descumprisse tal decreto fosse lançado aos leões (Dn 6.7).

O decreto, contudo, não intimidou Daniel e quando ele foi flagrado orando ao seu Deus (Dn 6.11) foi denunciado e sentenciado, sendo jogado na cova dos leões para ser devorado (Dn 6.13-16).

Na manhã seguinte, o próprio rei foi verificar o que teria acontecido com Daniel e, para sua surpresa, constatou que o Deus vivo “enviou seu anjo e fechou a boca dos leões” (Dn 6.22).

Ficou então demonstrado tanto a intenção dos adversários em perseguir Daniel e o destruir, como a sinceridade de Daniel, que era fiel às suas obrigações e ao rei, e cuja intenção não foi afrontar Dario, mas manter sua fé no seu Deus.

Então, “porque havia confiado em seu Deus”, Daniel foi poupado de maneira milagrosa por Deus. E quando o tiraram da cova “não acharam ferimento algum nele” (Dn 6.23).

Assim, mais uma vez, o Deus de Daniel foi honrado e, com um decreto real, ficou ordenado que “os homens tremam e temam diante do Deus de Daniel, pois ele é o Deus vivo. Ele livra e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na terra” (Dn 6.26-27). Como ficou demonstrado no livramento de Daniel da cova dos leões.

 

(A partir da revista COMPROMISSO – Convicção Editora; Ano CXVII; nº 468.  Na imagem: Daniel in the Lions' Den – óleo sobre tela do pintor flamenco Peter Paul Rubens – cerca de 1614 a 1616; atualmente exposto no National Gallery of Art / Washington, D.C. – fonte: wikipedia.org)