O texto bíblico diz que “o Senhor Deus formou o homem do pó da
terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida” (Gn 2:7). Pela compreensão sagrada, nossa vida está
intimamente relacionada com a terra e o chão.
E até na sentença pronunciada após o pecado, a relação com a terra está
explícita: “maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará
dela todos os dias da sua vida” (Gn 3:17).
É do chão que sempre o ser humano tirou seu sustento; e em vários
aspectos a própria existência depende do nosso relacionamento com a terra. Desde os princípios da cultura humana, com a
agricultura de subsistência, dependemos do que plantamos e colhemos – caso
igual também com nosso gado que criamos.
Com o andamento da história da humanidade, contudo, a busca de
algum conforto e segurança da vida coletiva levou a vários homens e mulheres a
abandonarem os trabalhos nos campos em busca do que as cidades os podem
oferecer.
No Brasil, essa tendência se intensificou a partir dos anos 1970,
quando se acentuou o êxodo rural em busca das grandes cidades e oportunidades
de emprego; chegando hoje a termos cerca de 85% da nossa população vivendo nas
cidades (segundo o Censo IBGE Brasil 2022).
O êxodo rural é apenas um acúmulo de problemas ecológicos e de
meio ambiente, tanto para os que vêm para as cidades, como para os que ficam no
campo.
O ajuntamento de pessoas nas grandes cidades concentra os
problemas. O grande número de habitantes
busca comer e viver com dignidade – o que é direito inalienável de todo ser
humano. Mas, vivendo em aglomerações, as
ações humanas resultam em consequências em cadeia para todos.
Pelo menos dois problemas principais devemos encarar quando
analisamos a vida humana nas grandes cidades modernas, e eles tem a ver com a
água. E como servos do Criador
precisamos dar atenção a isso.
Em relação a água, é preciso cuidar tanto das chuvas, quanto água
de consumo, além de como descartar as águas sujas de esgoto.
Sobre a questão das chuvas nos aglomerados urbanos, a situação é a
seguinte: com o uso constante de asfalto, concreto e pedras em nossas cidades,
os cursos naturais de água são gravemente alterados. A consequência dessa prática é que as chuvas
passam a se acumular nas cidades mudando por completo seus ciclos e causando
danos incalculáveis.
Em atenção a esse problema, a solução é manter e cuidar de
jardins, parques, hortos e outras áreas onde a terra possa receber livremente
as águas da chuva e fazê-las escoar de maneira desimpedida.
Outro problema em relação a água é a contaminação das fontes e dos
cursos naturais de águas. As cidades, em
geral, não cuidam de maneira apropriada, deixando que agentes químicos e
orgânicos contaminantes poluam e encham de sujeira toda a água que chega
disponível para a população.
Nesse mesmo âmbito, e de maneira recorrente, a falta de destinação
adequada para a água usada em casas e indústrias, faz com que elas sejam despejadas
em esgotos que, por sua vez, voltam aos córregos realimentando o clico de
contaminação.
Quando a isso, de maneira simples, a melhor forma de minimizar os
problemas com a água nas grandes cidades é reutilizar e reciclar o máximo
possível, evitar desperdícios e cuidar das condições de saneamento.
Assim concluímos:
Fomos criados por Deus com amor e graça para viver nesse
mundo. Tudo o que precisamos para ter
uma vida saudável e digna ele aqui nos entregou – bem como para deixar para as
futuras gerações. Mas também Deus nos
colocou para administrar os recursos que ele nos confiou.
A vida em sociedade, nos modelos urbanos que temos adotado, tem
esgotados os recursos naturais e degradado o mundo belo que Deus criou. Isso é ofensa e pecado contra o Criador e
algo que avilta o ser humano.
Os nossos compromissos cristãos nos impõem a viver e trabalhar
pela obra criada por Deus e a nós confiada em compromisso de administrá-lo de
modo a poder sempre ver essa terra como um lugar bom – assim como o Criador o
viu no sexto dia da criação (Gn 1:31).
(A partir de reflexão na Revista
DIDASKALIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)





