quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

SOBRE O AMOR

 

Vamos tentar entender as questões que você colocou a partir de alguns parâmetros:

 

#1. Começando entendendo que os títulos (no caso: "em negrito") que aparecem em nossas Bíblias atuais são de responsabilidade dos editores modernos.  Ou seja, não foram escritos, nem adotados, pelos autores originais.
Então a frase: A suprema excelência do amor não é do autógrafo do apóstolo Paulo.  Logo, se não concordar, descarte.
As palavras a partir de "Ainda que eu falasse...", essas sim são bíblicas e sagradas.

 

#2. O amor é fruto do Espírito conforme Gl 5:22.  Mas isso, em hipótese alguma, conflita com o texto de 1Co 13.  Seria melhor dizer que os textos se completam e ampliam o sentido.
Atente para que o apóstolo antecipa a citação (em 1Co 12:31) indicando que é preciso desejar os dons (χάρισμα
) maiores – no original no plural.
Depois segue apontando um caminho mais excelente.  E vem os versos sobre o amor ...
Ainda sobre o fruto de Gl 5:22, ali a palavra que o apóstolo usa para fruto está no singular (καρπός).  Ou seja, as diferentes características listadas apontam para um único fruto que o Espírito produz na vida do cristão.

 

Compreendendo assim, o amor, no argumento paulino, é uma dádiva que o próprio Espírito faz frutificar naqueles que ele quer manifestar sua graça.  E sem tal manifestação da graça e amor espiritual, qualquer outra atividade, disciplina ou piedade cristã é infrutífera.

 

#3. Sobre a definição de amor na Bíblia, vamos começar separando o uso do termo no AT e no NT.

No AT o conceito de amor é mais amplo e disperso do que o uso que damos em nosso idioma.  Acompanhe:

Em geral a palavra em hebraico para amor/amar é אהבה (ahabah – substantivo) e אהב (aheb verbo).

O termo ocorre pouco mais de quatro dezenas de vezes no texto original e pode ser lido em textos como Dt 6:5 que determina o amor a Deus sobre todas as coisas; e Lv 19:18 que legisla sobre amar o próximo.

Também aparece no livro dos Cânticos de Salomão, quando o poema reconhece que águas não podem afogar o amor (Ct 8:7).

 

0 NT foi escrito originalmente em grego.  A língua grega tem um vocabulário rico para traduzir o que usamos como amor – cada um com um significado ou implicação mais específica, mas, em geral os autores do NT optaram por ἀγάπη / ἀγαπάω (agape / agapao).  Esse termo aparece mais de 130 vezes como substantivo e cerca de 160 como verbo no texto.

João em sua primeira carta afirma que "Deus é amor" (1Jo 4:8).

Paulo reconhece a prova do amor de Deus para conosco em ele nos ter dado seu único Filho (Rm 5:8).

Os evangelistas usaram esse amor para versarem a citação de Jesus dos mandamentos antigos (Mt 22:37-40 / Mc 12:29-31).

 

Em geral a expressão amor (do grego ἀγάπη e do hebraico אהבה) indica mais que um sentimento – ou sensação ou paixão.  Amor é uma disposição de alguém em agir em favor do outro: estar pronto para servir, ajudar e atender as necessidades e carências.  Amor é atitude concreta e não comiseração e dó.

Outra palavra que talvez ajude a entender como os antigos usavam o termo (principalmente no AT) seria misericórdia e cuidado – como no Sl 146:8.

 

#4. Voltando ao poema de 1Co 13.  Na minha leitura pessoal (mais inspiração espiritual que técnica exegética) eu penso que Paulo inseriu os versos desse capítulo entre os dispositivos dos capítulos 12 e 14 para suavizar o peso da argumentação ou para oferecer um contraponto.  Ou seja, sem amor qualquer discurso, prática ou alegação de dom espiritual é pura balela ou fingimento.
Quanto a exortação.  Eu não usaria essa definição, mas não acho que é de todo errado.
No mais, os versos de 1Co parecem estar completos em si mesmo.

 

#5. Por que é usada em casamento?
Olhando do ponto de vista do texto bíblico.  As palavras sagradas são sempre infinitamente ricas que podem ser aplicadas em diferentes contextos e múltiplas leituras sem perder seu caractere de verdade essencial.
Pelo lado do casamento (acho que você se refere à cerimônia).  Em geral as celebrações que os casais são festas sociais e as prédicas proferidas nessas ocasiões estão recheadas de linguagem poética e textos como o 1Co são bem propícios para ilustrar.
Não vejo problema algum em somar a riqueza bíblica textual ao gosto poético dos nubentes.

 

 

Aproveitando: vou indicar alguns links para enriquecer o assunto –

 

Fruto do Espírito – AMORlink

Uma reflexão sobre o AMOR enquanto fruto do Espírito comparando com uma jaca como exemplo de fruto.

 

FRUTO DO ESPÍRITO – listalink

Tabela com relação das palavras usadas pelo apóstolo Paulo no texto de Gl 5:22-23.

Amor em gregolink

Uma tabela linguística com os principais termos usado pelos gregos para descrever (traduzir) o amor.

 

 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

DEUS LEVANTOU UM PROFETA

 

Alguns biblistas afirmam que depois da reforma do rei Josias (século VII a.C.) seria difícil que em tão pouco tempo o povo de Israel chegasse a tal ponto de degradação moral e espiritual como foi condenado pelo profeta Ezequiel.  Esses estudiosos querem dizer que a situação está pintada com cores fortes pelo profeta.

Mas há um outro lado.  A intenção de Josias foi bem mais política que espiritual.  O rei pretendia, com a reforma, levar efeito uma espécie de rebelião contra o domínio político da Assíria através da influência religiosa sobre a população.  Não é de estranhar, portanto que logo após a morte do rei Josias o povo voltasse às práticas pagãs eliminadas na reforma do rei Josias.

O capítulo 16 do Livro de Ezequiel é um dos que conta, com uma maestria poética, todo o relato da infidelidade de Israel.  Depois de uma rápida narração da origem de Jerusalém, o profeta relatou o que estava se passando com Israel utilizando-se de um simbolismo conjugal. 

Comprometido com os cultos pagãos, principalmente a Baal devido à influência das nações vizinhas, o culto no templo e o sacerdócio judaico estavam exercendo simplesmente uma função ritualista, longe dos propósitos espirituais do culto a Javé.  A aliança com os outros povos influenciara tanto a vida coletiva que o povo judeu se deixara seduzir religiosamente e em troca passara a dar presentes a todos os seus amantes (fraseado de Ez 16:33).

Mas Jerusalém caiu em 597 a.C. 

Palácios, jardins, templos, fortificações faziam da cidade da Babilônia a mais nobre e a senhora do mundo do seu tempo.

Quanto ao povo no exílio, lendo o Livro de Ezequiel, visualizamos os judeus nas margens do rio Quebar (um canal artificial para irrigação a partir das águas do rio Eufrates).  Ali eles foram agrupados em diferentes pontos e tinham relativa liberdade.  Assim, na Babilônia, eles seriam exilados e não cativos, logo, a pressão sobre o povo seria mais psicológica e social que física. 

Porém os exilados não contavam com pregador ou profeta algum durante os cinco primeiros anos, pois Ezequiel só começaria suas funções proféticas no ano 593 a.C. 

Abundaram então os falsos profetas e, na concepção popular, tudo levava a crer que o deus Marduque havia vencido Javé.  Assim a religião dos caldeus passou a exercer uma influência fortíssima sobre a dos judeus. 

Foi para estas condições que Deus levantou um profeta com credenciais sacerdotais: Ezequiel.

 

domingo, 15 de janeiro de 2023

PREVISÕES DO FIM DO MUNDO – séculos XIX e XX

 

Preciso não perder de vista a afirmação de Jesus que sobre a data fixada em calendário para o fim do mundo e sua volta gloriosa ninguém sabe (confira em Mt 24:36).

Retomando: já apresentei duas listas de previsões erradas do fim do mundo pregadas desde o início do cristianismo (reveja aquilink).

Continuando a relação.  Com a chegada dos séculos XIX e XX as profecias sobre o fim do mundo prosseguiram estabelecendo datas (e consequentemente errando!).  Também não faltaram esquisitices.

Veja aí uma relação extremamente resumida dessas previsões que eu listei.

 

1805 – Christopher Love, pregador presbiteriano inglês, previu a destruição do mundo por um terremoto em 1805, seguido de uma era de paz eterna em que Deus seria conhecido por todos.

1806 – Em Leeds, Inglaterra, uma galinha começou a botar ovos com a frase "Cristo está vindo" escrita. Posteriormente, foi descoberto que se tratava de uma farsa. A dona da galinha, Mary Bateman, tinha escrito nos ovos com uma tinta corrosiva para causticá-los e então reinseriu os ovos no oviduto da galinha.

1814Joanna Southcott, de 64 anos de idade, afirmou que estava grávida (com Cristo em seu ventre), e que ele nasceria em 19/10/1814.  Ela morreu no final daquele ano sem ter dado à luz a uma criança; e uma autópsia provou que ela não estava grávida.

1844 – William Miller, líder adventista, com base em seus estudos do livro bíblico de Daniel, afirmou que o fim do mundo se daria com a volta de Cristo em 21/03/1844.  Como o fim não chegou – o que ficou conhecido como o “Grande Desapontamento”, seus seguidores reinterpretaram suas profecias e recalcularam as datas sucessivas vezes.

1853 – O início da Guerra da Crimeia, nos Balcãs, levou muitas a acreditar que essa seria a Batalha do Armagedom citada no Apocalipse.

1862 – John Cumming, clérigo escocês, afirmou que em 1862 havia passado 6000 anos desde a Criação e que o mundo acabaria.

1874 – Charles Taze Russell, fundador das Testemunhas de Jeová, previu o retorno de Jesus para 1874; e após esta data, reinterpretou a previsão e disse que Jesus tinha de fato voltado numa forma invisível.

1910Camille Flammarion previu que a chegada do Cometa Harley naquele ano impregnaria a atmosfera terrestre levando a extinção da humanidade.  Por conta disso "Pílulas de cometa" foram vendidas para proteção contra gases tóxicos.

1925Margaret Rowen, uma adventista, afirmou que o anjo Gabriel teria aparecido a ela numa visão e dito que o mundo acabaria à meia-noite do dia 13/02 daquele ano.

1935Wilbur Glenn Voliva, defensor da terra plana e criador de sua própria versão da Igreja Católica americana, anunciou que o mundo "explodiria e desapareceria" em setembro de 1935.

1967 – George Van Tassel, baseado em seus contatos com OVNI, afirmou que o dia 20/08 marcaria o começo do terceiro mal do Apocalipse, em que o Sudeste dos EUA seria destruído por um ataque nuclear soviético.

1969 – Charles Manson, famoso criminoso norte-americano, previu que uma guerra racial apocalíptica ocorreria naquele ano.

1977 – William Marrion Branham, televangelista americano, previu que o Arrebatamento ocorreria no máximo até 1977.

1980 – A seita brasileira conhecida como “Borboletas Azuis” anunciou em 1978 que em 13/05/1980 haveria um dilúvio que poria fim na humanidade.

1982 – John Gribbin, astrofísico britânico, escreveu que forças gravitacionais combinadas com planetas alinhados causariam diversas catástrofes, incluindo um enorme terremoto na falha de Santo André em 10/03.

1982 – Pat Robertson, pastor pentecostal afirmou em 1976, num programa de TV chamado Club 700, que o mundo acabaria em 1982.

1990 – Elizabeth Clare, mística norte-americana, disse que uma guerra nuclear começaria em 23/04, e refugiou-se com seus seguidores com estoque de suprimentos e armas.

1991 – Louis Farrakhan, líder americano da “Nation of Islam” afirmou que a Guerra do Golfo seria o Armagedon e ela seria a guerra final da humanidade.

1993 – David Berg, líder dos “meninos de Deus”, previu que a Grande Tribulação começaria em 1989 e a Segunda Vinda ocorreria em 1993.

1994 – Harold Camping, radialista norte-americano, publicou um livro onde afirmava que Jesus voltaria em setembro desse ano.  Depois recalculou a data para outubro de 2011.

1999 – Segundo Nostradamus (1503-1556), o mundo acabaria em setembro de 1999.

 

 

Sobre o ano 2000; bem, foram tantas e tão diversas as profecias, previsões, vaticínios, cálculos etc. que fica difícil numerar.  Até tentei começar uma lista, mas desisti...

Além de interpretações bíblicas e apocalípticas (algumas sinceras, mas erradas e outras esdrúxulas), a sociedade tecnicista aguardou o bug do milênio.  Mas a vida insistiu em continuar na Terra...

E não pense que o século XXI fez arrefecer o ímpeto dos oráculos.  Passamos pelo Calendário Maia, por luas de sangue, pela inversão dos polos planetários terrestres, pelo HAARP (Colisor de Partículas), pelo aquecimento global e camada de ozónio e...

E eu agora posso olhar pela minha janela e ver que chegamos a 2023.  Hoje o sol amanheceu e ainda estamos aqui.

 

O que posso dizer para terminar?

 

– E o fim do mundo?

 

Jesus disse: – Não andem aperreados com o dia de amanhã [nem com o fim], o mal de cada dia já lhe é suficiente! (Mt 6:34).

 

Você pode rever algumas relações de PREVISÕES DO FIM DO MUNDO:

Do início do Cristianismo até a Reformalink

Da Reforma ao século XVIIIlink

 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

PREVISÕES DO FIM DO MUNDO – da Reforma até o século XVIII

 

Ainda lembrando que Jesus afirmou que sobre a data fixada em calendário para o fim do mundo e sua volta gloriosa ninguém sabe (confira em Mt 24:36).

Já apresentei uma lista de previsões erradas do fim do mundo pregadas desde o início do cristianismo (reveja aquilink).

Para continuar nossa relação, é importante observar que a partir do advento da Reforma Protestante no século XVI, multiplicaram profetas e adivinhos do fim do mundo. 

Aqui eu trago uma relação bem resumida de previsões (nem sei dizer quantas outras foram afirmadas).

Veja aí:

 

1524 – Um grupo de astrólogos de Londres previu que o mundo acabaria com um dilúvio que começaria em Londres.

1525 – O anabatista Thomas Müntzer (1490-1525) afirmou que o ano de 1524 marcaria o começo do milênio.  Seus seguidores se mostraram irredutíveis e acabaram morrendo numa batalha contra tropas do governo alemão.

1533Melchior Hoffman (1495-1544), um visionário alemão, previu que a segunda vinda de Cristo ocorreria em Estrasburgo nesse ano e somente 144 mil seriam poupados.

1533 – O matemático alemão Michael Stifel (1487-1567) calculou o dia do julgamento final em 19/10/1533 as 8h.

1534 – O carismático Jan Matthys (1500-1534) corrigiu a data de Stifel para 05/04/1534 e acrescentou que somente a cidade alemã de Munique seria poupada.

1585 – O espanhol Miguel Servet (1511-1533) afirmou que o reinado do diabo começou com o Concílio de Niceia (em 325) e por isso o mundo acabaria 1260 anos depois.

1624 – Os astrólogos londrinos recalcularam suas previsões para o dia 01/02/1624 (sob as mesmas condições).

1657 – Cristãos do grupo inglês denominado de “Homens da Quinta Monarquia” previram que a batalha apocalíptica final e a destruição do Anticristo ocorreriam entre 1655 e 1657 e que esse desaparecimento definitivo do poder terreno dos seres humanos ocorreria em 1666.

1658 – Cristóvão Colombo (1451-1506) afirmou que o mundo foi criado em 5343 a.C. e duraria 7000 anos. Partindo do pressuposto que não há ano zero, isto significa que o fim aconteceria em 1658.

1666 – O número 666 no ano e a morte de centenas de milhares pela peste e incêndio em Londres, fez reascender as afirmações do fim mundo naquele ano.

1688 – Estudando Apocalipse, o matemático escocês John Napier (1550-1617) previu que o mundo acabaria naquele ano.

1694 – Johann Alstedius, um filósofo e teólogo alemão, afirmou que o milênio começaria nesse ano.

1697 – O puritano americano Cotton Mather (1663-1728) previu que o mundo acabaria nesse ano. Após a previsão falhar, ele corrigiu a data duas outras vezes.

1719 – Com a vista de um cometa em 05 de abril, o matemático suíço Jakob Bernoulli (1654-1705) previu a destruição da terra.

1736 – Novamente por um cometa, o matemático inglês William Whiston (1667-1752) que o fim viria em 16 de outubro.

1792 – A seita milenarista inglesa dos "Shaking Quakers" previu que o mundo acabaria nos anos 1792 ou 1794.

 

Realmente nunca faltaram previsões escatológicas com marcação para o fim (e continuo pensando que não é preciso dizer que todos erraram bastante!).  Afinal, já chegamos a 2023 e ainda estamos aqui. 

 

 

Tem mais.  Atente para mais relações de PREVISÕES DO FIM DO MUNDO:

Do início do Cristianismo até a Reformalink

Séculos XIX e XXlink

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

PREVISÕES DO FIM DO MUNDO – do início do Cristianismo até a Reforma

 

Jesus afirmou que sobre a data fixada em calendário para o fim do mundo e sua volta gloriosa ninguém sabe (confira em Mt 24:36).

O que vem acontecendo, porém, ao longo da caminhada cristã é que alguns (ou muitos) não levaram muito a sério as palavras de Jesus.  Então, a ideia de tentar marcar uma data para o fim do mundo sempre povoou o imaginário de clérigos piedosos, pretensos estudiosos e aventureiros a profetas.

Veja aí uma relação resumida de algumas datas quando o mundo deveria ter terminado (aqui limitada aos prognosticadores anteriores à Reforma Protestante):

 

365 – O bispo francês Hilário de Poitiers (300-368) foi o primeiro cristão a marcar a data do fim do mundo.  Segundo ele, o imperador Constâncio II seria o Anticristo e Jesus voltaria quatro anos após sua morte.

400 – Martinho de Tours (316-397) propagou que o mundo teria fim antes do ano 400. Ele dizia que o Anticristo já havia nascido e que em pouco tempo iria tomar o poder.

500 – Com base em seus estudos sobre a arca de Noé, um tal de Sexto Júlio Africano estabeleceu o ano de 500 como sendo a data do retorno de Cristo.  Como isso não aconteceu, ele recalculou para o ano 800.

995 – No ano de 992 as celebrações da Anunciação e da Sexta-Feira Santa ocorreram no mesmo dia, então criou-se a crença de que este seria o evento que traria o Anticristo e consequentemente o fim dos tempos dentro de três anos e meio.

1000 – Segundo o Papa Silvestre II (946-1003), o fim do primeiro milênio do calendário cristão marcaria também o fim do mundo e a volta de Jesus no primeiro dia ano.  Por conta disso, revoltas ocorreram pela Europa e peregrinos viajaram para o leste em direção a Jerusalém.

1033 – A data referente ao fim do milênio foi recalculada para computar os anos do ministério terreno de Jesus.

1284 – O Papa Inocêncio III (1160-1216) previu que o mundo acabaria 666 anos após a ascensão do Islã.

1346–1351 – Com a proliferação da peste negra, diversos europeus a interpretaram como o sinal do fim dos tempos.

1504 – O famoso pintor Sandro Botticelli (1445-1510) acreditava que já estava vivendo a Grande Tribulação e em 1500 afirmou que o mundo acabaria três anos e meio depois.

 

Ou seja, essa coisa escatológica de agendar o fim é antiga (e penso que não é preciso dizer que todos erraram bastante!).  Já chegamos a 2023 e ainda estamos aqui. 

 

Vou continuar essa relação de PREVISÕES DO FIM DO MUNDO:

Da Reforma ao século XVIII – link

Séculos XIX e XXlink

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

E O FIM DO MUNDO?

  

Já chegamos a 2023 e ainda estamos aqui.  Depois de inúmeras previsões apocalíptica e de crenças mirabolantes, a verdade é que já chegamos a 2023 e ainda estamos aqui!

 

– E o fim do mundo?

 

Bem, eu comecei a rascunhar esse texto ainda estava em meados do ano passado, em plena efervescência política, e o guardei para ver o que haveria de acontecer.  Também fiz listas de previsões históricas sobre o fim do mundo. 

 

Agora estou retomando.

 

De início, devo relembrar que – talvez por teimosia – sobrevivi ao fim do mundo no ano 2000 e ao seu bug do milênio, depois de já ter insistido em viver, mesmo sob o temor da guerra fria e a ameaça comunista do fim do mundo.  E sem falar das hecatombes nucleares.  Afinal nasci no fim da década de ’60 do século passado!

Sim. Continuo aqui.

Ah.  E depois teve o 2012 Maia – mas aí já pende para argumentos quase folclóricos.  Deixa pra lá...

 

Então eu não sei se estou ficando razinza ou cético, mas já ando avesso a isso tudo.  As previsões vão se sucedendo e o mundo continua aqui.  Talvez porque nós, seres humanos criados por Deus com maestria e primazia, tenhamos a fantástica capacidade de sobreviver ao caos e ao “apesar de”.

 

Lembro com assombro, ainda pequeno, de ouvir sobre o comunismo soviético que iria dominar o mundo antes do fim do milênio e que isso precipitaria o final da história humana cristã.  A verdade histórica, porém, é que quem acabou foi o regime soviético, e os profetas do apocalipse secular – com suas interpretações bíblicas fajutas – erraram feio em suas previsões.

E o mais trágico é que eles insistem em reatualizar suas escatologias!

 

E tinha a tal de Nova Era – a Era de Aquário!  Acho que até deixaram de falar nisso...

 

Teve (ou ainda tem) o terror tecnológico e a preocupação das inteligências artificiais que dominariam a terra e que acabariam por inviabilizar a vida.  Também verdade é que esses pregoeiros devem ter ficado frustrados quando a catástrofe prevista para o ano 2000 não impediu de a vida seguir no século XXI.

 

As questões do clima também causam preocupação.  Já dizem que o mundo acabará num montão de lixo e sem água para se beber.

Nesse caso, preciso dizer que realmente é preciso cuidar da casa (ecologia literalmente significa isso).  Mas continuo acreditando que, apesar do lixo humano, o desafio de Mardoqueu a Ester citado na Bíblia ainda é relevante e atual: “a situação vai mudar e de alguma parte o livramento vai chegar, quem sabe se não foi para um tempo assim que você está aí!” (em Et 4:14).

A questão é saber se vamos nos juntar nesse processo como parte produtiva e construtiva ou vamos só apontar a desgraça.

 

E me referindo a profecias fundamentalistas (confesso que já me dá até asco só de pensar nisso!): volta escatológica de Jesus(!), milênio(!), Armagedom(!), Anticristo(!), Nova ordem mundial(!), números e representações da besta(!), Nova Jerusalém e velha Israel(!).  E sei lá mais o quê!

 

– E o fim do mundo?

 

A verdade é que já chegamos a 2023 e ainda estamos aqui. 

 

Mas, por honestidade, não posso parar o texto aqui.

Que Cristo vai voltar para resgatar sua igreja, eu creio piamente e não tenho a menor dúvida – até porque o nosso Credo Apostólico afirma que “Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus ... Virá outra vez com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu Reino não terá fim”.  E essa crença é fundamental para me fazer cristão.

E citei a pouco as palavras bíblicas de Mardoqueu e reafirmo que elas são marcas de sabedoria para cristãos desse tempo.  Precisamos levar elas a sério.

 

Quanto as tribulações e aperreios do presente?  Realmente esse tempo tem sido ruim.  Mas já calcularam que também outras eras foram trágicas?

Veja, por exemplo: os 100/150 anos que viram a Reforma Protestante acontecer na Europa e que podem ser muito bem descritos nas palavras de 2Tm 3:1 – tempos trabalhosos ou tempos terríveis.  Penso que, na história ocidental, não há outro momento em que as mudanças tenham sido tão radicais e profundas – nem os dias atuais! (ofereço uma cronologia desse período no link – veja lá!).

 

Sobre o que fazer com o Apocalipse bíblico.  Sincera e honestamente recomendo a leitura de meu livro “TU ÉS DIGNO” onde eu afirmo que “nenhuma passagem no Novo Testamento, texto ou livro é tão festivo ou apresenta tantos registros de adoração e louvor.”  Apocalipse é “um brado de adoração a partir das vozes de todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar” (disponível aqui).

 

Para terminar:

 

– E o fim do mundo?


Jesus disse: – Não andem aperreados com o dia de amanhã [nem com o fim], o mal de cada dia já lhe é suficiente! (Mt 6:34).

 


Como citei, aí vão os links das listas de PREVISÕES DO FIM DO MUNDO:

Do início do Cristianismo até a Reformalink

Da Reforma ao século XVIIIlink

Séculos XIX e XXlink

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

UMA CRIANÇA NASCEU – Mensagem de Natal

  

Na postagem anterior eu me ocupei com alguma observação de certas palavras que me saltam da profecia de Is 9:6.  Foi mais um trabalho linguístico rápido.  Mas, se quiser enriquecer seu conhecimento, volte lá (link aqui).

Agora, vou retomar dos primeiros parágrafos daquela postagem e refletir sobre a mensagem do Natal, tendo como pano de fundo as palavras proféticas.

 

Nessa época de Natal, é sempre bom pensar nas profecias antigas.  Então eu volto os meus olhos para as palavras do Isaías – escritas sete séculos antes da era cristã – e ler o que está ali.

O capítulo nove do Livro das Profecias de Isaias sempre nos chama a atenção nessa época.  Todo o texto é inspirador.  Aqui, porém quero destacar apenas o verso # 6.  As suas palavras eu decorei ainda criança e já as repeti incontáveis vezes.

 

Pois uma criança nasceu para nós,
Um filho nos foi dado;
E a soberania estará sobre seu ombro.
Então seu nome será proclamado:
Consolador admirável,
Deus forte,
Pai eterno,
Príncipe da paz.

 

O evangelista Mateus anunciou o início do ministério terreno de Jesus se referindo às palavras de Isaias: “Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaias ...” (Mt 4:14 – e segue citando Is 9:1-2).

Essa é uma boa referência da compreensão cristã de que as palavras antigas devem ser lincadas a Jesus.  Ou seja, os cristãos primitivos viram naquele oráculo o anúncio e as características do Messias – e ele era Jesus de Nazaré.

E então devo continuar lendo o texto na mesma perspectiva.

 

A criança celebrada no Natal é a que nos foi dada como manifestação suprema da graça de Deus.  Ela não foi gerada por vontade humana, é a demonstração histórica daquilo que o Eterno tinha de mais significativo para nos conceder em seu amor – simplesmente uma criança, um filho.

 

Porque a criança é uma criança para nós.

 

Acontece que essa criança concedida pela graça, mesmo assumindo a forma humana e frágil, ela reúne em si toda a força e potência da criação, pois todo o poder lhe foi dado nos céus e na terra (palavras de Mt 28:18).

Um filho nos foi dado e sobre seus ombros repousa o governo e a soberania do mundo e da história. 

O Todo-Poderoso em si é a dádiva da criança que nasceu no Natal.

 

Assim podemos então celebrar e proclamar, reconhecendo seus atributos singulares:

 

Uma criança nasceu.  E ela é aquele que consola de maneira admirável!  Sua maravilhosa ação recolhe nossas lástimas e lágrimas pois se dispôs a andar conosco no vale de sombras e morte.

Uma criança nasceu.  E ela é um Deus Onipotente.  Não há força, potestade, governo ou riqueza que sequer faça frente ao seu controle.  Seu poder é absoluto e sua graça infindável.  Diante dele tremem os poderosos da terra.

Uma criança nasceu.  E ela é o próprio Pai Eterno.  A história, o futuro e a eternidade estão sob os desígnios daquele que é divino de eternidade em eternidade.

Uma criança nasceu.  E ela tem a dignidade do príncipe da paz!  Ela veio para nos ministrar paz.  Ela é o que põe em paz os nossos limites.  É ela quem tudo comanda com a sua Shalom.

 

Louvada seja a criança que nasceu no Natal!