terça-feira, 13 de outubro de 2026

UMA CORUJA NO PARQUINHO


Na última quarta-feira, enquanto aguardava uns irmãos de fé para um estudo bíblico aqui em casa, percebi uma coruja pousada tranquilamente no parquinho infantil aqui no condomínio.  Era uma coruja que conhecemos como buraqueira.

 

Parêntese 1.  A foto é o registro do flagrante.
Parêntese 2.  Lá no final, vou listar algumas curiosidades.

 

Eu me aproximei devagar – receando que a ave voasse – e com o celular na mão.  Queria ter uma foto para contar.

Mas ela ficou bem ali, paradinha.  Olhou para os lados, esticou as asas (como se estivesse se espreguiçando), depois, acho que percebeu minha presença, então ficou me encarando.

Posicionei o celular para a foto.  Ouso pensar que a coruja fez até pose!  E fiz a captura da imagem.

Depois ficamos alguns instantes apenas parados.  Apenas nos olhando.  Ela e eu.  E foi minha mente que voou...

 

E, de uma ideia à outra, de uma referência à outra, de lembrança à outra, viajei ali.  Vou tentar aqui refazer por onde vagueei.

 

Primeiro lembrei do mau agouro do canto estridente da coruja.  Dizem que seu piado anuncia a morte (mas a coruja no parquinho permaneceu em silêncio).

Depois fui pousando aqui e ali – sem me deter em nenhuma cultura ou referência.

Os egípcios diziam que a ave podia transitar entre os mundos dos vivos e dos mortos.  Por isso representava a deusa Néftis.

Atena, deusa grega da sabedoria, tinha a coruja como sua companheira – talvez por conta de seus grandes olhos.

Entre os exércitos romanos, o voo de uma coruja sobre as tropas era um sinal que a batalha seria perdida.

Já para os hindus, a coruja apontava para a necessidade de ir além de objetivos materiais e procurar paciência, inteligência e sabedoria.

 

Rapidamente pensei que estava indo já longe, então deixei o caminho de lendas e culturas e simplesmente fui à popular descrição da coruja como essencialmente um bicho feio (e até me lembrei de uma antiga colega minha que era tão fã da ave que tinha uma coleção delas: de souvenirs a pinturas).

 

Independente do gosto estético popular ou das internações culturais, a coruja-buraqueira continuava ali, parada, com os grandes olhos em minha direção.  Impassível.  Imponente.  E essa foi a impressão que ela me causou: uma pequena ave de rapina que sabe seu lugar na grande cadeia alimentar, e por isso mesmo voa e pousa com nobreza.

 

Daí a deixei ali parada no parquinho e segui meu caminho para meu estudo bíblico.

Até tentei pensar em um final mais épico ou reflexivo, mas confesso que não me ocorreu nada.  Era apenas uma coruja no parquinho.

 

Algumas curiosidades sobre corujas:

 → As corujas pertencem a duas famílias: as Tytonidae e as Strigidae (a mais comum).  Ambas podem ser encontradas em abundância no Brasil.

 → Características 1 – existem mais 150 classificações catalogadas de corujas.  Como ave de rapina ela se alimenta basicamente de presas pequenas.  Algumas espécies de coruja podem chegar a 1,80 metros de envergadura.  A coruja-duende brasileira adulta não passa de 14 centímetros.

 → Características 2 – o pescoço de uma coruja pode girar até 270.  Seus olhos não se movem dentro do tubo ocular.  As orelhas em geral são assimétricas.  O voo da coruja é bastante silencioso já que suas penas possuem bordas especiais que cortam o ar sem fazer nenhum som.

 → Coruja Buraqueira – essa coruja recebeu esse nome por cavar buracos no solo onde coloca seus ovos.  É mais comum no interior do Brasil.  Seu nome científico é Athene cunicularia.

 → Pintura rupestre – foram encontradas na caverna de Chauvet, na França, pinturas rupestres datadas de 15.000 anos.

 → Nomes – no Grego clássico eles diziam: τύζω (tyzo); no Latim: bubo; na língua Tupi:  kabu'ré.  O Grego moderno chama de Κουκουβάγια (kookoovaya – essa palavra não aparece no texto bíblico).

 → Lenda de Suindara – na Amazônia contam que a jovem Suindara, filha de um feiticeiro, estava apaixonada.  Mas, à traição, foi morta pela mãe do amado.  No seu enterro colocaram uma imagem de uma bela coruja que o pai encantou com a alma da garota.  À noite a coruja foi cantar para a mãe assassina e pela manhã a mulher estava morta.  Daí a origem das corujas rasga-mortalhas.

 → J. K. Rowling – a coruja branca de Harry Potter, chamada Edwiges (em inglês, Hedwig), simboliza lealdade absoluta, amizade, proteção e a inocência da infância do protagonista.

 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

EM BUSCA DE SENTIDO – Viktor E. Frankl

 


O que é, então, um ser humano?
É o ser que sempre decide o que ele é. 
É o ser que inventou as câmaras de gás;
mas é também aquele ser que entrou nas câmaras de gás,
ereto, com uma oração nos lábios. 
(Viktor E.  Frankl)

 

Em minha formação acadêmica-teológica cruzei com citações de Viktor Frankl algumas vezes.  Mesmo não sendo o foco principal de meus estudos, mas lembro-me de tê-lo como referência de vários mestres que me influenciaram nessa jornada.

 

Porém, vou confessar: nunca tinha lido nenhuma obra sua diretamente - apenas por citações indiretas.  Essa era uma lacuna que precisava ser sanada.

 

— Ninguém que queira conhecer a alma humana pode desconhecer Frankl (se não foram essas as palavras literais do meu mestre de Aconselhamento Pastoral, pelo menos, com certeza, esse era o sentido).

 

Então, aproveitei que "Em busca de Sentido" (Editora Vozes.  2023) chegou às minhas mãos para suprir essa carência.

 

O livro, em sua primeira parte – maior e, para mim, mais densa e significativa – "é a história de um campo de concentração visto de dentro, contada por um de seus sobreviventes".

Mas não é só uma biografia.  Ele faz uma verdadeira dissecação da alma humana (vira às avessas!).

E o faz sem uma atitude piegas ou autoindulgente.  Ele não procura culpados ou responsáveis (embora reconheça que os tenha).

A mente aguçada dele colhe significados e entendimento onde outros apenas narrariam sequência de fatos.

 

A abordagem consegue vislumbrar a essência humana além de papéis sociais distintos, circunstâncias favoráveis ou adversas, condições físicas extremas ou estados psíquicos distintos.  Afinal, "a vida tem um sentido potencial sob quaisquer circunstâncias, mesmo as mais miseráveis".

 

Assim é que Frankl não apenas descreve o que é o ser humano, ele vai em busca da essência, daquilo que nos humaniza.  Não é a vida pela vida, mas a questão do que faz a vida valer ser vivida, o que lhe dar sentido.

 

E aqui está exatamente o ponto chave, a essência e diferencial para o autor vienense: quaisquer que sejam as condições e realidades, o que faz do ser humano um humano é a sua liberdade de decisão e capacidade de encontrar sentido em sua existência.  "A liberdade espiritual do ser humano, a qual não se pode tirar, permite-lhe, até o último suspiro, configurar sua vida de modo que tenha sentido".

 

— Ou seja, é achando sentido para a vida que a vida faz sentido (esse trocadilho é meu, mas eu penso que ressoa o pensamento do psicoterapeuta austríaco).

 

Agora, seu argumento explode em significado e relevância quando eu lembro que ele foi capaz de manter tal compreensão, a despeito de estar prisioneiro em Auschwitz, e, ainda assim, sair de lá e se tornar a referência para a “Terceira Escola Vienense de Psicoterapia” (as anteriores são Freud e Adler).

 

Mas, como disse lá no início, psicoterapia não é o foco dos meus estudos, então vou fazer apenas mais três citações de Frankl antes de encerrar essa resenha:

 

→ "Enquanto ainda esperamos pelo chuveiro, experimentamos integralmente a nudez: agora nada mais temos senão nosso corpo nu (sem os cabelos).  Nada possuímos a não ser, literalmente, nossa existência nua e crua."

Mais do que narrar a vergonha ou o nojo de estar despido diante de estranhos, o corpo exposto ofereceu-lhe a oportunidade de reflexão sobre uma humanidade cuja existência pode ser vista e vivida até naquele terror.

 

→ "O sol que está nascendo.  Um pensamento me sacode.  É a primeira vez na vida que experimento a verdade daquilo que tantos pensadores ressaltaram como a quintessência da sabedoria, por tantos poetas cantada: a verdade de que o amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana.  Compreendo agora o sentido das coisas últimas e extremas que podem ser expressas em pensamento, poesia – e em fé humana: a redenção pelo amor e no amor!"

Beleza, verdade, poesia e amor são parte essencial da existência – e o que também nos dá sentido.  E nada pode nos tirar isso.

 

→ "Uma vida cujo sentido depende exclusivamente de se escapar com ela ou não (...) uma vida dessas não valeria a pena ser vivida."

E, ainda que eu ande por vales de sombras e morte ... eu prossigo para o alvo, em direção ao sentido de minha existência, lá, vislumbrando o autor e consumador de minha fé.

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

MEGILLOT – Os cinco rolos das celebrações judaicas

 


A tradição de fé judaica reconheceu e adotou como literatura sagrada os livros do TANACH (hebraico: תנך).

Com a consolidação dessa tradição, alguns livros (ou rolos – hebraico: מגילות) passaram a se incorporar aos rituais litúrgicos das sinagogas para serem lidos nos ciclos das cinco grandes celebrações anuais.

Estes são os cinco rolos das celebrações judaicas:

 

– CÂNTICOS DOS CÂNTICOS – השירים שיר
Lido nas celebrações da Páscoa (Pesah – hebraico:
פסח), marcando o começo da colheita dos cereais no mês de Nissan e comemorando o Êxodo do Egito.

 

 – RUTE – רות
O livro narra a volta de Noemi com sua nora moabita Rute para as terras de Judá e de como elas foram aceitas na comunidade.  Esse texto é lido durante a Festa das Colheitas (Shavuot – hebraico:
שבועות – grego: Πεντηκοστή – Pentecoste).  Essa é uma festa de origem campestre que celebra o fim das colheitas no mês de Sivan e também celebra a entrega da Torah pelo Senhor.

 

 – LAMENTAÇÕES – איכה
Entoado sempre com cantos tristes, esse livro é lido durante as memórias da destruição do templo de Salomão pelos exércitos babilônicos e do segundo templo pelos romanos.  A celebração se dá no dia nove do quinto mês do calendário judaico e vem sempre acompanhado de jejum.

 

 – ECLESIASTES – קהלת
No judaísmo, o livro faz parte dos rituais do Shabat (hebraico:
שבת) e principalmente das celebrações da Festas das Cabanas (Sukkot – hebraico: סוכות).  No início do outono, a festa celebra ao período em que o povo peregrinou pelo deserto no êxodo, morando em tendas e reconhecendo as providências e sustento vindos de Deus.

 

 – ESTER – אסתר
O livro de Ester narra a história de como a rainha Ester, sob orientação de Mardoqueu, intercedeu junto ao rei persa Assuero, mudando a sorte dos judeus exilados.  A sua leitura marca a Festa de Purim (hebraico:
פורים – literalmente: sortes) no 13º dia do mês de Adar (o último mês do calendário judaico).

 

 

Para enriquecer seu conhecimento, sugiro as postagens sobre o calendário judaico antigo e suas celebrações:

TANACH– A Bíblia Hebraica – link
Calendário Judaico antigo – link
Festas Judaicas – link
A Festa de Pentecoste – link
Da Páscoa dos Filhos de Israel – link
O Dia do Sábado – link

 

terça-feira, 22 de setembro de 2026

POR CRISTO: ANUNCIANDO A ESPERANÇA



A carta aos Romanos é um texto básico para a fé cristã: sua compreensão e sistematização. 

É aos Romanos que Paulo vai enfatizar a justificação pela fé, o mistério da graça, a justiça divina e a vida renovada do cristão.  E assim, alinhando todo esse arcabouço doutrinário, o tema da esperança pode nos servir de fio condutor que liga esses vários aspectos.

 

Acompanhe:

 

→ Rm 4.18 – Abraão tornou-se pai se apegando a uma esperança que se estabeleceu contra a própria esperança.

→ Rm 5.2 – nossa participação na justificação só está acessível em esperança.

→ Rm 5.4-5 – o caráter aprovado do cristão produz sempre esperança.  E essa esperança nunca decepciona.

→ Rm 8.20 – a própria natureza, decaída pelo pecado humano, aguarda em esperança o momento de sua redenção.

→ Rm 8.24-25 – afirmação basilar de nossa fé: a nossa salvação baseia-se unicamente na esperança, uma vez que confiamos naquilo que não vemos e não comprovamos.

→ Rm 12.12 – a recomendação é para ser paciente em meio aos aperreios da vida e isso fazer com alegria na esperança.

→ Rm 15.4 – o propósito das Escrituras está em que elas nos encorajam a permanecer em esperança.

→ Rm 15.12 – a partir da citação do profeta Isaias, cremos com convicção que da raiz de Jessé se levantou o rei onde está posta nossa esperança.

→ Rm 15.13 – em sua oração, o apóstolo roga para que o Deus de onde provém nossa esperança nos encha de alegria, paz e fé, no poder do Espirito Santo.

 

Assim, permita-me fazer três destaques daquilo que a esperança significa em nossa vida cristã:

Primeiro.  Nossa situação perante Deus é de uma dívida impagável, por conta de nosso pecado.  E isso nos leva a uma condição de carentes da glória de Deus (certifique-se em Rm 3.23).

Observação: e ser judeu não traz vantagem nenhuma, segundo o próprio apóstolo (confira Rm 3.1). 

Voltando ao primeiro destaque.  Cristo Jesus, através de sua graça, nos declarou justo, quitando a nossa dívida eterna.  E, embora venhamos a enfrentar dificuldades e provações, desfrutamos da segurança de que participaremos da sua glória (leia novamente Rm 5.1-2).

Segundo.  Isso implica em que agora não podemos ainda (enfatizo: ainda) desfrutar de todas as conquistas da justificação advindas da graça e conquistada na cruz, mas já vivo na certeza absoluta de ouvir no grande dia o “vinde bendito do meu pai” pela certa esperança de que “aquele que prometeu é fiel” (alinhe Mt 25.34 e vá mais adiante a Hb 10.23).

E terceiro.  Enquanto progredimos nessa vida aqui, nossa alegria, paz e fé deve estar inteiramente depositada em Deus que é a única fonte de nossa esperança.  Somente o Espírito Santo pode nos fazer transbordar de esperança e convicção santa de que no porvir reinaremos com Cristo em glória (volte a Rm 15.12-13).  Essa, sim, é a essência básica de nossa mensagem e vida cristã.

 

Que também seja essa nossa oração e missão, anunciar e fazer extravasar nessa geração a esperança que há em Cristo Jesus.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

ACONTECEU AOS OUVIDOS

“Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21)

― Por que aos ouvidos?

 

Numa resposta rápida, eu posso oferecer um outro fraseado que explique melhor a expressão:

“As Escrituras que vocês estão ouvindo estão se cumprindo hoje”

 

# Para entender a citação, um pouco do contexto:

Depois do batismo por João no Jordão e da tentação no deserto, Lucas diz que Jesus voltou a Nazaré, onde tinha passado a infância e, como de costume, foi a sinagoga local, tendo a oportunidade de fazer a leitura habitual.  Essa seria a primeira vez de Jesus entre os seus, depois de ter iniciado o ministério público.

O texto do dia a ser lido foi o do profeta Isaías (que em nossas Bíblia se encontra em Is 61.1-2).  Jesus leu o texto, fechou o rolo, desenvolveu-o ao assistente da sinagoga e voltou para sentar – até aqui, nada fora do costume.  Então todo o auditório ficou paralisado, sem conseguir tirar os olhos dele.

Foi assim, com todos olhando firmemente para Jesus, talvez detalhando cada movimento do filho de José (penso que esperando algum comentário!), que o Mestre ofereceu a afirmação que estudamos agora.

 

# Lendo um comentário:

O africano Paul John Isaak observa que “talvez este seja o melhor e mais curto sermão jamais pregado, porque todos lhe davam testemunho e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios (4:22).”

 

# Comentando a citação:

Voltando a minha proposta inicial de tradução do fraseado:

 

“As Escrituras que vocês estão ouvindo estão se cumprindo hoje”

 

Jesus tomou as palavras proféticas como apontando diretamente para si mesmo, como se o próprio Isaías estivesse falando dele especificamente.

É isso que ele afirma:  o que vocês têm ouvido desde os antigos como predição profética, agora está se comprimindo efetivamente diante de vocês.  Em outras palavras:  eu sou o cumprimento das palavras lidas e ouvidas!

E tem mais.  Importante.  Começando seu ministério, Jesus o define nessas palavras:

 

O Espírito do Senhor [está] sobre mim
O qual me ungiu afim de anunciar as boas-novas aos pobres.
Ele me enviou a curar os quebrados de coração,
Para proclamar libertação aos cativos e
Recuperação da visão aos cegos.
Para expedir libertação aos esmagados.
Para proclamar o ano favorável do Senhor.

Mais.  Vamos a uma análise do texto e do contexto para dar suporte a minha opção de tradução e análise.

 

# A partir do grego (destacando as palavras importantes na frase) –

 

Σήμερον πεπλήρωται ἡ γραφὴ αὕτη ἐν τοῖς ὠσὶν ὑμῶν. (Nestle, 1904)

 

→ Σήμερον – advérbio de tempo – hoje.

→ Πεπλήρωται – particípio perfeito médio 3ª pessoa singular de πληρόω – encher, completar, cumprir o objetivo, daí: cumpriu-se.

→ Γραφὴ – substantivo nominativo, funcionando como sujeito do verbo cumprir – Escritura.

→ Ὠσὶν – substantivo dativo plural – ouvidos.

 

# Como essa frase foi anotada em traduções e versões?

 

→ Vulgata Latina
Quia hodie impleta est hæc scriptura in auribus vestris."

→ Grego moderno
Σημερον επληρωθη η γραφη αυτη εις τα ωτα υμων.

→ Alemão Luther (1912)
Heute ist diese Schrift erfüllt vor euren Ohren.

→ Italiano Riveduta (1927)
Oggi, s’è adempiuta questa scrittura, e voi l’udite.

→ Português – ACF / ARC / Bíblia de Jerusalém
Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

→ Português – NVI
Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir.

→ Português – NVT
Hoje se cumpriram as Escrituras que vocês acabaram de ouvir

→ Português – NTLH
— Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir.

 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

QUER CRESCER?

 


 

QUER CRESCER?

Reflexão baseada na narrativa de Daniel capítulo primeiro.

1. Mude

2. Ouse

3. Avalie

4. Confie em Deus

 


terça-feira, 18 de agosto de 2026

FILMES QUE ME MARCARAM – 2ª parte

Continuando a lista de filmes que influenciaram na minha formação como homem (ainda: ser humano diga melhor!), apresento mais alguns aqui.

Se quiser rever a primeira lista, aqui é o link.

Continuo recomendando cada um deles:

 

🎞️ A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

🎥 Título Original em inglês: The Last Temptation of Christ.  EUA, 1988.  Dirigido por Martin Scorsese.  Baseado no romance homônimo do grego Níkos Kazantzákis, publicado em 1951.

⌨️ O enredo do filme retrata uma suposta vida de Jesus Cristo e a sua luta contra várias formas de tentação, incluindo medo, dúvida, depressão, relutância e luxúria.

✍️ Embora o filme traga um aviso explícito de se tratar de obra de ficção, sem base bíblica, o filme causou frisson e revolta em vários cristãos mundo afora.  Talvez tenha sido isso que me atraiu para assistir.  Detalhe: o diálogo (imaginado) do Jesus do filme com Paulo é primoroso.  E posso afirmar que não abalou em nada a minha fé nem a minha Teologia, pelo contrário, trouxe-me bons argumentos humanos para enriquecê-las.

 

🎞️ A LISTA SCHINDLER

🎥 Original em inglês: Schindler's List.  Filme norte-americano de 1993, dirigido por Steven Spielberg.  Embora o personagem principal, Oskar Schindler, seja real e histórico, o enredo é baseado num romance do australiano Thomas Keneally.

⌨️ O filme começa em 1939 com os alemães iniciando a relocação dos judeus poloneses para o Gueto de Cracóvia, pouco depois do início da II Guerra Mundial.  Enquanto isso, o empresário da Morávia Oskar Schindler, planeja fazer fortuna através de contratos com os nazistas.  Mas, o que começa como empreendimento capitalista, converte-se num plano de salvamento de judeus.

✍️ Obra fundamental para a compreensão do nazismo e seu rastro de destruição.  É bastante interessante acompanhar o humanismo e seu processo de formação na mente e alma de Schindler, em contraste com a deformação do Reich alemão.

 

🎞️ A PAIXÃO DE CRISTO

🎥 Título Original: The Passion of the Christ.  EUA (2004).  Produzido e dirigido por Mel Gibson.  Falado em hebraico, aramaico e latim.

⌨️ O filme cobre principalmente as últimas doze horas antes da morte de Jesus Cristo, conhecida como "a Paixão", iniciando-se com a agonia no Getsêmani, seguindo com a traição de Judas Iscariotes, a flagelação, o sofrimento de Maria e tendo a crucificação e morte de Jesus como ponto alto.  No final, uma breve descrição de sua ressurreição.

✍️ Começando pelos diálogos nas línguas originais, a obra se mostra bem fiel em retratar o ambiente em Jerusalém naquela última semana na vida de Jesus.  Eu o trouxe para mostrar lá no Sol Nascente, quando era pastor ali, e serviu de ponto de partida para uma rica e profunda discursão sobre o que evento significou para minha vida, fé e Teologia.  Penso que todo estudante que leve a sério sua jornada teológica deveria se incluir nesse debate.

 

🎞️ 10.000 AC

🎥 Título Original: 10,000 BC.  Nova Zelândia / EUA (2008), dirigido por Roland Emmerich, com Steven Strait e Camilla Belle

⌨️ Numa era pré-histórica, um caçador lidera um grupo através de um imenso deserto para encontrar o esconderijo de outra tribo, cujo líder raptou a mulher que ele ama.

✍️ Filme recente, entre os melhores que já assisti.  Valeu como uma aula de linguística, antropologia e da construção da humanidade enquanto ser histórico e comunitário.  Além de uma excelente demonstração de formação de liderança.  O plot twist final é meio clichê, mas o motivo romântico perdoa.

 

🎞️ TEMPOS DE PAZ

🎥 Filme brasileiro de 2009, dirigido por Daniel Filho, com roteiro de Bosco Brasil baseado em sua peça teatral "Novas Diretrizes em Tempos de Paz". 

⌨️ O enredo simples acontece em 1945 com o fim da segunda guerra quando um ator polonês chega ao Brasil e precisa convencer o agente da alfândega a deixá-lo ficar.  E lança um desafio de fazer chorar o duro agente.  E se conseguisse, ganharia salvo conduto.  O filme é basicamente o diálogo entre eles.

✍️ Já citei esse filme num texto que me propus a descrever o que é arte (leia no link).  Além das exuberantes atuações dos artistas Tony Ramos e Dan Stulbach, o argumento demonstra o poder que as palavras são capazes de exercer sobre a mente e a vida humana.