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terça-feira, 22 de setembro de 2026

POR CRISTO: ANUNCIANDO A ESPERANÇA



A carta aos Romanos é um texto básico para a fé cristã: sua compreensão e sistematização. 

É aos Romanos que Paulo vai enfatizar a justificação pela fé, o mistério da graça, a justiça divina e a vida renovada do cristão.  E assim, alinhando todo esse arcabouço doutrinário, o tema da esperança pode nos servir de fio condutor que liga esses vários aspectos.

 

Acompanhe:

 

→ Rm 4.18 – Abraão tornou-se pai se apegando a uma esperança que se estabeleceu contra a própria esperança.

→ Rm 5.2 – nossa participação na justificação só está acessível em esperança.

→ Rm 5.4-5 – o caráter aprovado do cristão produz sempre esperança.  E essa esperança nunca decepciona.

→ Rm 8.20 – a própria natureza, decaída pelo pecado humano, aguarda em esperança o momento de sua redenção.

→ Rm 8.24-25 – afirmação basilar de nossa fé: a nossa salvação baseia-se unicamente na esperança, uma vez que confiamos naquilo que não vemos e não comprovamos.

→ Rm 12.12 – a recomendação é para ser paciente em meio aos aperreios da vida e isso fazer com alegria na esperança.

→ Rm 15.4 – o propósito das Escrituras está em que elas nos encorajam a permanecer em esperança.

→ Rm 15.12 – a partir da citação do profeta Isaias, cremos com convicção que da raiz de Jessé se levantou o rei onde está posta nossa esperança.

→ Rm 15.13 – em sua oração, o apóstolo roga para que o Deus de onde provém nossa esperança nos encha de alegria, paz e fé, no poder do Espirito Santo.

 

Assim, permita-me fazer três destaques daquilo que a esperança significa em nossa vida cristã:

Primeiro.  Nossa situação perante Deus é de uma dívida impagável, por conta de nosso pecado.  E isso nos leva a uma condição de carentes da glória de Deus (certifique-se em Rm 3.23).

Observação: e ser judeu não traz vantagem nenhuma, segundo o próprio apóstolo (confira Rm 3.1). 

Voltando ao primeiro destaque.  Cristo Jesus, através de sua graça, nos declarou justo, quitando a nossa dívida eterna.  E, embora venhamos a enfrentar dificuldades e provações, desfrutamos da segurança de que participaremos da sua glória (leia novamente Rm 5.1-2).

Segundo.  Isso implica em que agora não podemos ainda (enfatizo: ainda) desfrutar de todas as conquistas da justificação advindas da graça e conquistada na cruz, mas já vivo na certeza absoluta de ouvir no grande dia o “vinde bendito do meu pai” pela certa esperança de que “aquele que prometeu é fiel” (alinhe Mt 25.34 e vá mais adiante a Hb 10.23).

E terceiro.  Enquanto progredimos nessa vida aqui, nossa alegria, paz e fé deve estar inteiramente depositada em Deus que é a única fonte de nossa esperança.  Somente o Espírito Santo pode nos fazer transbordar de esperança e convicção santa de que no porvir reinaremos com Cristo em glória (volte a Rm 15.12-13).  Essa, sim, é a essência básica de nossa mensagem e vida cristã.

 

Que também seja essa nossa oração e missão, anunciar e fazer extravasar nessa geração a esperança que há em Cristo Jesus.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

ACONTECEU AOS OUVIDOS

“Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21)

― Por que aos ouvidos?

 

Numa resposta rápida, eu posso oferecer um outro fraseado que explique melhor a expressão:

“As Escrituras que vocês estão ouvindo estão se cumprindo hoje”

 

# Para entender a citação, um pouco do contexto:

Depois do batismo por João no Jordão e da tentação no deserto, Lucas diz que Jesus voltou a Nazaré, onde tinha passado a infância e, como de costume, foi a sinagoga local, tendo a oportunidade de fazer a leitura habitual.  Essa seria a primeira vez de Jesus entre os seus, depois de ter iniciado o ministério público.

O texto do dia a ser lido foi o do profeta Isaías (que em nossas Bíblia se encontra em Is 61.1-2).  Jesus leu o texto, fechou o rolo, desenvolveu-o ao assistente da sinagoga e voltou para sentar – até aqui, nada fora do costume.  Então todo o auditório ficou paralisado, sem conseguir tirar os olhos dele.

Foi assim, com todos olhando firmemente para Jesus, talvez detalhando cada movimento do filho de José (penso que esperando algum comentário!), que o Mestre ofereceu a afirmação que estudamos agora.

 

# Lendo um comentário:

O africano Paul John Isaak observa que “talvez este seja o melhor e mais curto sermão jamais pregado, porque todos lhe davam testemunho e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios (4:22).”

 

# Comentando a citação:

Voltando a minha proposta inicial de tradução do fraseado:

 

“As Escrituras que vocês estão ouvindo estão se cumprindo hoje”

 

Jesus tomou as palavras proféticas como apontando diretamente para si mesmo, como se o próprio Isaías estivesse falando dele especificamente.

É isso que ele afirma:  o que vocês têm ouvido desde os antigos como predição profética, agora está se comprimindo efetivamente diante de vocês.  Em outras palavras:  eu sou o cumprimento das palavras lidas e ouvidas!

E tem mais.  Importante.  Começando seu ministério, Jesus o define nessas palavras:

 

O Espírito do Senhor [está] sobre mim
O qual me ungiu afim de anunciar as boas-novas aos pobres.
Ele me enviou a curar os quebrados de coração,
Para proclamar libertação aos cativos e
Recuperação da visão aos cegos.
Para expedir libertação aos esmagados.
Para proclamar o ano favorável do Senhor.

Mais.  Vamos a uma análise do texto e do contexto para dar suporte a minha opção de tradução e análise.

 

# A partir do grego (destacando as palavras importantes na frase) –

 

Σήμερον πεπλήρωται ἡ γραφὴ αὕτη ἐν τοῖς ὠσὶν ὑμῶν. (Nestle, 1904)

 

→ Σήμερον – advérbio de tempo – hoje.

→ Πεπλήρωται – particípio perfeito médio 3ª pessoa singular de πληρόω – encher, completar, cumprir o objetivo, daí: cumpriu-se.

→ Γραφὴ – substantivo nominativo, funcionando como sujeito do verbo cumprir – Escritura.

→ Ὠσὶν – substantivo dativo plural – ouvidos.

 

# Como essa frase foi anotada em traduções e versões?

 

→ Vulgata Latina
Quia hodie impleta est hæc scriptura in auribus vestris."

→ Grego moderno
Σημερον επληρωθη η γραφη αυτη εις τα ωτα υμων.

→ Alemão Luther (1912)
Heute ist diese Schrift erfüllt vor euren Ohren.

→ Italiano Riveduta (1927)
Oggi, s’è adempiuta questa scrittura, e voi l’udite.

→ Português – ACF / ARC / Bíblia de Jerusalém
Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

→ Português – NVI
Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir.

→ Português – NVT
Hoje se cumpriram as Escrituras que vocês acabaram de ouvir

→ Português – NTLH
— Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir.

 

terça-feira, 25 de agosto de 2026

QUER CRESCER?

 


 

QUER CRESCER?

Reflexão baseada na narrativa de Daniel capítulo primeiro.

1. Mude

2. Ouse

3. Avalie

4. Confie em Deus

 


terça-feira, 4 de agosto de 2026

MAGNIFICAT – Cântico ao Altíssimo



MAGNIFICAT – Um cântico feminino pelos 90 anos de minha mãe.

Reflexão baseada no Cântico de Maria em Lc 1.46-55.

 

Por que Maria magnificou ao Altíssimo?

* Porque ela conhecia o Todo-Poderoso e sabia da sua atuação graciosa

* Porque Deus gosta de nos colocar no meio da sua manifestação da história

* Porque diante da ação divina, nada me resta a fazer a não ser exaltá-lo.

 

#Magnificat
#CânticodeMaria
#Reflexãobíblica
#adoração
#mensagem


terça-feira, 21 de julho de 2026

A MORTE DE JOÃO, O BATISTA

Como um flashback o evangelista Marcos conta o que aconteceu com João, o Batista.  A prisão de João já havia sido citada em Mc 1.14, então, a partir de Mc 6.14 Marcos dá voz às lembranças de Herodes para narrar o que aconteceu com o precursor de Jesus.

Herodes mandou prender João, mas por receio da multidão e por ter ficado pessoalmente impressionado com a sua pregação ele evitou executá-lo.

O que aconteceu, porém, é que a pedido da filha de Herodias, a amante do rei, Herodes ordenou a sua decapitação.  A cena, embora seja cruel (narrada em Mc 6.21-28), merece alguma citação quanto à atitude de Herodes em relação a João.  Vejamos por dois ângulos.

Se, do ponto de vista do próprio Herodes, ele assumiu uma atitude ambígua em relação ao batista, pois tanto o respeitou e reconheceu ser ele um homem justo e santo não ordenando a sua morte imediata, mesmo o mantendo preso (confira em Mc 6:17-20); mas também deu mais valor à sua imagem pública diante dos convidados na festa de aniversário que a vida de um ser humano (e em Mc 6:26-27).

Por outro lado, vemos a atitude dos discípulos de João que, tendo ouvido o que ocorrera com ele, prontamente vieram, levaram o seu corpo e lhe deram uma sepultura digna, honrando sua memória (observe em Mc 6:29).

 

E quanto a nós, que reação a cena da morte do batista produz em nós?

 

terça-feira, 23 de junho de 2026

COM PACIÊNCIA

O Século XXI tem levado às últimas consequências a realidade caótica em que o ser humano está envolvido por conta de suas próprias decisões e ações pecaminosas.  Segurança, felicidade e paz há muito deixaram de ser realidade no mundo de hoje – e sei que não estou dizendo nenhuma novidade, fazemos parte disto!

Também não é novidade que sob a ótica de Deus, os seus fiéis não têm que viver sob este regime. 

 

Antes de prosseguir, vamos ler o que o texto bíblico pode dizer nesse contexto:

 

O Salmo 40 registra o testemunho do salmista que experimentou a ação divina.  O poema começa com a afirmação de que tudo começou num ato de esperança e paciência: “Esperei com paciência pelo Senhor”. 

Assim, creio que aqui está o segredo de tudo.  Não temos uma afirmação de que os crentes sempre viverão alheios aos problemas e ansiedades da vida – e disto bem sabemos hoje. 

Também não é dito que as soluções seriam de imediato e no nosso tempo – Deus faz as coisas ao seu modo.

Então entendemos que a única saída que nos resta nesse tempo é com paciência esperar pelo Senhor, pois somente nisto poderemos nos firmar para continuar vivendo e encarando as vicissitudes do cotidiano. 

 

E quem não tem nem paciência e nem esperança em Deus, como é que vive?

 

Vivamos pacientemente nesta esperança para que possamos vislumbrar as maravilhas divinas que “são mais do que se pode contar”.

 

 

§ Você pode ler também sobre o tema da paciência como um bago de jaca do Fruto do Espírito aqui no Escrevinhando – link

 

terça-feira, 16 de junho de 2026

O GRANDE APERREIO



No Sermão Escatológico, que o Evangelho de Mateus registra no capítulo 24, Jesus fala em guerras, fomes, pestes e terremotos. Embora enfatize que "ainda não é o final" (Mt 24.6).

Nesse contexto, Jesus também fala numa grande tribulação ímpar e na garantia de que esses dias deverão ser abreviados (nos versos 21 e 22).

 

Esse tema da Grande Tribulação é recorrente nos estudos de Teologia Escatológica – em vários sentidos e com várias correntes.  Não quero aqui percorrer entre tais posicionamentos.  Quero lhe atrair para uma leitura bíblica.

 

— 0 que está escrito no Texto Sagrado?

 

A palavra grega citada no Evangelho é θλῖψις μεγάλη (fala-se: thlipsis megalē).  Ela usualmente é traduzida do Koiné como tribulação, angústia, aflição, dificuldade ou opressão. 

Da mesma raiz do verbo grego θλίβω (fala-se: thribo) significando, oprimir, pressionar ou apertar para baixo.  O grego moderno usa esse verbo para indicar: entristecer, contristar, penalizar, mortificar – tanto num sentido físico como figurado.

Uma curiosidade sobre o termo “tribulação” em português.  Na origem latina está a palavra tribulatio que, por sua vez, vem de tribulum, uma ferramenta agrícola de madeira com pontas afiadas usada para separar o trigo da palha (debulhar). Tertuliano foi o primeiro autor cristão a usar no sentido teológico-escatológico para se referir ao conceito das perseguições e dificuldades que purificavam e testavam a fé dos cristãos.  Depois deles, vários pais da igreja depuraram o conceito.

 

Vamos ao texto.  O início do verso de Mateus 24.21 foi traduzido assim (em destaque a expressão):

→ Vulgata Latina – Erit enim tunc tribulatio magna.

→ Grego Moderno – Τότε γὰρ θέλει εἶσθαι θλίψις μεγάλη.

→ Hebraico – כי אז תהיה צרה גדולה

→ Inglês (KJV) – For then shall be great tribulation.

→ Inglês (NVI) – For then there will be great distress.

→ Inglês (MSG) – This is going to be trouble on a scale beyond what the world has ever seen.

→ Alemão (Luther, 1912) – Denn es wird alsbald eine große Trübsal sein.

→ Italiano (Riveduta, 1927) – Perché allora vi sarà una grande afflizione.

→ Espanhol (Reina Valera) – Porque habrá entonces grande aflicción.

 

As versões em Português desse mesmo verso dizem:

→ Almeida (ARC) – Porque haverá, então, grande aflição.

→ NVI – Porque haverá então grande tribulação.

→ NTLH – Porque naqueles dias haverá um sofrimento tão grande.

→ NVT – Pois haverá mais angústia que em qualquer outra ocasião.

→ BJ – Pois haverá então uma tribulação tão grande como nunca houve.

 

E eu, sendo estudante da Bíblia aqui no Nordeste do Brasil, traduziria:

 

— Porque existirá um grande aperreio.

 

Deixe-me citar (e comentar rapidamente) outros textos onde a palavra ocorre.  Deve ajudar a compreender o sentido:

 

→    Jesus disse que o mundo nos empurraria para baixo, mas que no fim a vitória chegaria (confira Jo 16:33).

→    Paulo aos romanos diz que nenhum aperreio pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:35) e, além do mais, através daquele que nos ama, somos invencíveis (v. 37 – na versão tradicional de Almeida: “mais que vencedores”).

→    Na visão de Apocalipse, um dos anciãos afirma que os vestidos de branco diante do trono do Cordeiro são os que, tendo vindo do grande aperreio, lavaram e branquearam suas roupas no sangue do Cordeiro (em Ap 7:14).  E Deus vai limpar dos seus olhos toda lágrima (leia até o verso 17).

 

E mais uma citação.  Comentando o texto do Apocalipse, eu fiz a seguinte reflexão:

 

Então, independente da compreensão que se tenha do evento escatológico específico que possa ser denominado como a grande tribulação, João em sua visão, contempla uma multidão de selados por Deus que, vindo das tribulações, agora podem adorar diante do trono.  Eles já podem experimentar em suas próprias vidas o desfecho final da certeza que a leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação (2Co 4:17).  O vidente não sabe como eles chegaram ali, nem a extensão dos tormentos que antecederam aquele momento, embora possa imaginar a partir das suas próprias tribulações e exílio.  Mas lhes foi dito que eles sobreviveram aos infortúnios da vida e, mesmo ainda lá, poderam ter a companhia do Deus que é fortaleza em tempos de tribulação (leia o Sl 46:1).  E a narração continua: razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário (Ap 7:15).

(No livro: Tu És Digno).

 

 


Indico a leitura do livro  TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse.  Texto comovente, onde eu coloco meu coração e vida à serviço do Reino de Deus. Você vai se apaixonar por este belíssimo texto, onde a fidelidade a Palavra de Deus é uma marca registrada.

 

Disponível na:
AD Santos editora
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terça-feira, 2 de junho de 2026

ORAÇÕES E LEÕES

 


 

Chegando ao reinado de Dario, Daniel ainda continuava com prestígio na corte, enquanto outros homens da corte “procuravam um motivo para acusar Daniel” (Dn 6.4).

Usando de um estratagema, os adversários de Daniel levaram Dario a assinar um decreto proibindo, num prazo de trinta dias, a adoração a qualquer deus que não o próprio rei e que quem descumprisse tal decreto fosse lançado aos leões (Dn 6.7).

O decreto, contudo, não intimidou Daniel e quando ele foi flagrado orando ao seu Deus (Dn 6.11) foi denunciado e sentenciado, sendo jogado na cova dos leões para ser devorado (Dn 6.13-16).

Na manhã seguinte, o próprio rei foi verificar o que teria acontecido com Daniel e, para sua surpresa, constatou que o Deus vivo “enviou seu anjo e fechou a boca dos leões” (Dn 6.22).

Ficou então demonstrado tanto a intenção dos adversários em perseguir Daniel e o destruir, como a sinceridade de Daniel, que era fiel às suas obrigações e ao rei, e cuja intenção não foi afrontar Dario, mas manter sua fé no seu Deus.

Então, “porque havia confiado em seu Deus”, Daniel foi poupado de maneira milagrosa por Deus. E quando o tiraram da cova “não acharam ferimento algum nele” (Dn 6.23).

Assim, mais uma vez, o Deus de Daniel foi honrado e, com um decreto real, ficou ordenado que “os homens tremam e temam diante do Deus de Daniel, pois ele é o Deus vivo. Ele livra e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na terra” (Dn 6.26-27). Como ficou demonstrado no livramento de Daniel da cova dos leões.

 

(A partir da revista COMPROMISSO – Convicção Editora; Ano CXVII; nº 468.  Na imagem: Daniel in the Lions' Den – óleo sobre tela do pintor flamenco Peter Paul Rubens – cerca de 1614 a 1616; atualmente exposto no National Gallery of Art / Washington, D.C. – fonte: wikipedia.org)

 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

AI DA CIDADE

O relacionamento de Deus com o povo de Israel se estabeleceu baseado numa aliança mútua. O Senhor que tirou o povo do Egito deu a eles seus estatutos e normas “pelas quais o homem viverá ao cumpri-las” (Ez 20.11). Mas o povo não seguiu as instruções divinas nem lançou “fora as abominações que encantavam os seus olhos” (v. 8).

Embora o Senhor tenha dado seus estatutos para que servissem de testemunho entre Deus e Israel (Ez 20.20), o povo, a começar por seus sacerdotes, não fez diferença entre o santo – aquilo que deveria ser separado para Deus – e o profano – aquilo que deveria ser rejeitado (Ez 22.26).

É verdade que o Senhor nunca desistiu do seu povo pois continuou buscando “entre eles um homem que levantasse o muro e se pusesse na brecha” (Ez 22.30); mas não achou ninguém dentre os filhos de Israel que fizesse esse compromisso com Deus e com o povo.

Restou o lamento: “Ai da cidade que derrama sangue sobre si mesma e faz ídolos contra si mesma, para se contaminar!” (Ez 22.3). E o conjunto de acusações contra a cidade infame incluía: derramar sangue (v. 6), desprezar os pais, oprimir estrangeiros, ser injusto com órfãos e viúvas (v. 7), profanar coisas santas (v. 8), caluniar (v. 9), adulterar (v. 11) e extorquir o próximo (v. 12). Todos pecados que afastam o ser humano dos caminhos de Deus.

Diante de tal quadro, o Senhor entregou ao profeta Ezequiel sua palavra. E o fez através da parábola das duas irmãs: Oolá e Oolibá; as quais ele mesmo identificou pelo nome: “Samaria é Oolá, e Jerusalém é Oolibá” (Ez 23.4).

Na narrativa, as duas irmãs “seguiam o mesmo caminho” (Ez 23.13) de prostituição com seus amantes assírios e egípcios e como consequência o Senhor já havia dado sua sentença: “Farei subir uma multidão contra elas e as entregarei ao tumulto e ao saque” (Ez 23.46).

E quando a sentença se cumpriu com a queda da cidade, registrada com data no livro profético (Ez 24.2), o Senhor ainda usou uma tragédia pessoal de Ezequiel para servir de sinal. Com a morte da mulher do profeta (o desejo dos seus olhos – Ez 24.16,18), ele foi instruído a não demostrar luto e a gemer em silêncio (v. 17), simbolizando a tragédia que se abateria sobre a nação os faria definhar e gemer (v. 23).

O motivo principal, contudo, de toda essa situação seria para que no fim todos soubessem quem é o SENHOR (Ez 26.27).

 (Da revista “COMPROMISSO” – Convicção Editora – Ano CXVII – nº 468)



Você pode ler um ensaio sobre o profeta Ezequiel no livro ENSAIOS TEOLÓGICOS

Disponível no:
Clube de autores
amazon.com

Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse
DE ADÃO ATÉ HOJE – Um estudo do Culto Cristão
PARÁBOLA DAS COISAS

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

DIVERSIDADE DE DONS


 Entendemos que os dons distribuídos pelo Espírito têm por objetivo primeiro edificar a igreja em áreas que o próprio Deus entende necessárias.  E que, quando isso ocorre, toda a comunidade de fé é edificada e cresce.

Com base nas relações de dons que encontramos no Novo Testamento, gostaria de classificá-los por sua área de atuação.  Lembrando mais uma vez que todos são importantes na medida da necessidade e que não há hierarquia entre eles.

A primeira área de atuação dos dons seria mais pessoal.  Como citação, seria o dom de conhecimento, de sabedoria e variedade de línguas.  Neles, embora a ação se dê na área pessoal de cada crente, capacitando-os para ter uma compreensão mais aguçada das coisas espirituais, o objetivo final é levar a igreja a perceber melhor as verdades espirituais.

Uma segunda classificação, chamaria de social.  Os textos falam em contribuição, cura, ensino, fé, liderança, hospitalidade, pastoreio, serviço, entre outros (esse é o grupo com mais diversidade).  Aqui o objetivo claro é atender necessidades sociais, psicológicas, emocionais e funcionais da comunidade.

Uma última classificação seria a dos dons litúrgicos, ou de culto e celebração.  Seriam os dons de profecias, interpretação de língua, exortação, evangelismo, discernimento de espíritos.  Enquanto a igreja se reúne para cultuar e celebrar a Cristo as diversas manifestações espirituais acontecem, e os dons se manifestam para que ela possa ser conduzia de modo correta a uma adoração digna.

(Da Revista DIDASKALIA – 1º
quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)


Você pode ler mais sobre Dons Espirituais no Escrevinhando:
Para um estudo simples das palavras gregas que o apostólo Paulo usa para descrever os dons, indico os seguintes links do Escrevinhando:

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Os selados do Apocalipse

 



Ap 7:3 – “...até que selemos as testas dos servos do nosso Deus”.


Os que receberam o selo de Deus em suas testas são os que foram comprados pelo Cordeiro de toda as tribos, línguas, povos e nações para se constituírem reis e sacerdotes.


Leia mais sobre esse tema no Escrevinhando - link

terça-feira, 28 de abril de 2026

SOBRE O ARREPENDIMENTO



Os Evangelhos dizem que Jesus iniciou seu ministério anunciando a chegada próxima do Reino de Deus e a necessidade de arrependimento.

 

O Reino de Deus está próximo!  Arrependam-se e creiam no evangelho!
(Mc 1.15)

 

O tema do arrependimento não seria novo para os ouvintes do Mestre de Nazaré.  Profetas como Ezequiel já haviam abordado o tema (leia Ez 18) e João preparou o caminho do Messias também desafiando ao arrependimento, além de exigir um comportamento adequado (confira Mt 3.2 e 8).

 

Como tema central da mensagem de Cristo, o arrependimento requer uma análise mais minuciosa.  Assim, proponho um estudo no termo e depois uma reflexão sobre o tema.

O termo que os evangelistas usam em grego é μετανοέω (metanoeo – como verbo aparece cerca de 36 vezes no NT), e, na sua forma como substantivo, μετάνοια (metanoia – que ocorre 24 vezes).

A etimologia do termo original me leva a μετά + νοῦς que, literalmente, indica: além/depois + mente.  Ou, numa versão mais costumeira: mudança de mente.  Entendendo que os antigos usavam o termo νοῦς / mente para se referir tanto à sede do pensamento, quanto à faculdade espiritual pela qual a verdade de Deus é apreendida e posta em prática.

Então arrependimento seria uma proposta de mudança tanto de pensamento como apreensão das verdades divinas.

 

O apóstolo Paulo, escrevendo a Roma, fala em transformação (em grego: μεταμορφόω – metamorfoo) e renovação (em grego: ἀνακαίνωσις – anakainosis) da mente.  Enxergo como uma excelente definição de arrependimento no conceito bíblico (em Rm 12.2).

E ainda, para explicar melhor esse conceito, gosto como o pregador batista inglês C.H. Spurgeon (1834-1892) define: arrependimento – mudança de mente – “inclui iluminação, a iluminação do Espírito Santo. Acho que inclui uma descoberta da iniquidade e ódio para com o pecado…”

 

Nessa compreensão dos termos, penso que é importante diferenciar o arrependimento como padrão cristão (do grego: μετάνοια) para o sentimento de tristeza ou remorso (no grego seria λύπη – lype – Rm 9.2). 

Sobre isso, o texto de 2Co 7.10 esclarece que essa comoção de origem mundana resulta em morte, mas, importante, quando tem origem em Deus conduz ao arrependimento verdadeiro e, daí, a salvação.

 

E com essa citação já podemos nos encaminhar para a compreensão do tema.

 

Voltando à fala de Jesus, a citação é clara: Arrependam-se.  Aqui o verbo grego está no imperativo presente.  Ou seja, é uma ordem direta que precisa ser cumprida já. 

 

A chegada do Reino implica que a ordem divina coloca como condição para participação no Reino que um arrependimento aconteça.  Isso é pré-condição indispensável.  E, usando uma expressão latina: sine qua non!

Continuando a leitura bíblica como referência para nossa compreensão do arrependimento, como disciplina cristã, vamos a 2Pe 3.9.  No texto epistolar é atestado a garantia que o Senhor não está atrasado em sua promessa, mas está sendo longânime, dando oportunidade para todos venham a se arrepender.  Esse é o desejo divino e para isso ele sempre nos atrai (volte ainda a Ez 18.32).

Ainda aos romanos, o apóstolo reconhece que as riquezas do juízo de Deus, através de sua benignidade, paciência e longanimidade, nos levam ao arrependimento e isso nos é dado como recompensa que leva à vida eterna (leia Rm 2.4 e 7).

 

Uma última citação deve concluir nossa compreensão:  (1) o Deus que não quer que ninguém se perca, (2) que exige arrependimento como condição para o Reino, (3) mas providencia por sua bondade o caminho para essa metanoia; é o mesmo se nos apresenta como nosso Παράκλητος (Paracletos) – nosso advogado que nos defende diante do Pai e Juiz, sendo ELE mesmo o sacrifício para nosso perdão.

Assim deve ser a vida dos cidadãos do Reino.