sexta-feira, 23 de agosto de 2019

ALÉM DA VITÓRIA



Todos nesta vida vivem em meio a disputas e situações conflituosas. O fato de sermos servos do Deus Altíssimo não nos livra desta condição. Pelo contrário, Jesus nos preveniu que passaríamos por tribulações (lembre Jo 16:33). Foi em meio a estes embates que Paulo escreveu à igreja em Roma apontando para a vitória (a citação é Rm 8:31-39).
Para o apóstolo a vida do cristão é um risco constante: Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias (Rm 8:36 citando o Sl 44:22). O texto ainda fala em tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada (Rm 8:35). Por tudo isto estamos sujeitos a passar. Não há isenção para os crentes. Todas estas coisas poderiam nos afastar de Deus.
E aqui está o cerne da questão: somos derrotados não quando ou porque passamos por todas estas situações, mas porque nos deixamos levar por elas e nos afastamos de Deus. É a distância do Senhor que propicia os nossos fracassos.
Ainda nos versos 38 e 39 há outra lista a se considerar: morte, vida, anjos, demônios, o presente, o futuro, poderes, altura, profundidade, quaisquer outras coisas – em resumo nada. Sim, nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Este é o segredo da vitória. Quando estamos ligados a Cristo Jesus de modo a que nada nos separe dele, aí então podemos vislumbrar a vitória.
E o texto vai além: por estarmos unidos a Cristo somos mais que vencedores (Rm 8:37). Não é apenas uma vitória simples. É além da vitória. Será a conquista completa que nos está reservada, afinal, a morte foi destruída pela vitória (1Co 15:54).
Para a glória dele, vamos além da vitória.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

OS REFORMADORES E O CULTO 3 – Os Anabatistas


O termo anabatista foi cunhado a partir do grego: ἀνά + βαπτίζω – literalmente: batizar de novo (em alemão eles dizem: Wiedertäufer) e estariam incluídos entre os grupos que poderiam ser classificados como a ala mais radical dentre os da Reforma Protestante.
No dia 21 de janeiro de 1525, próximo a Zurique, na Suíça, os anabatistas fundaram sua primeira igreja reconhecida, tendo como base as seguintes afirmações:
(1) nas Escrituras Sagradas, em especial no Novo Testamento, estão toda a autoridade final;
(2) a igreja é uma irmandade formada unicamente de pessoas renascidas;
(3) a essência do cristianismo consiste no discipulado de Cristo; e
(4) a ética do amor rege todas as relações humanas.
Considerando que as práticas anabatistas deixavam às igrejas locais a autonomia necessária para gerir suas vidas individuais e na comunidade, então nem o grupo apresentou um nome de um teólogo reformador que se sobressaísse, nem naturalmente as práticas de culto que foram desenvolvidas pelos diversos grupos de anabatistas apresentavam uniformidade em todas as suas manifestações.
Então, mesmo não havendo um legado de culto unificado que remonte aos anabatistas, contudo, convém destacar que as suas celebrações, em geral, se caracterizavam por:
(a) um forte fervor espiritual;
(b) uma ênfase escatológica;
(c) ausência de ritos sacramentais e
(d) uma hinologia bastante desenvolvida.
Em geral, os grupos dos anabatistas foram bastante perseguidos, tanto por líderes católicos como por protestantes e pouco deixaram de herança para as gerações seguintes, porém sua influência pode ser sentida nos vários movimentos pietistas alemãs e ainda hoje é possível reconhecê-los entre os Menonitas e os Amish norte-americanos.
(Na imagem lá em cima, uma representação do início do século XVII da disputa sobre o batismo de 17 de janeiro de 1525 na prefeitura de Zurique. Fonte: wikipedia.org)

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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Doenças da Alma – VÍCIOS DE REFRAÇÃO


Em relação ao sistema ocular humano pode-se citar diversos males e problemas que atingem a visão e o olho em si, como a catarata, a conjuntivite, o estrabismo e o glaucoma por exemplo. Mas aqui quero focar minha atenção num conjunto de problemas que o Conselho Brasileiro de Oftalmologia chamou de Vícios de Refração e a partir deles compreender como tais alterações afetam a alma humana.
Em geral, tais vícios podem listados em quatro problemas, a saber:
Miopia – É a condição em que os olhos podem ver objetos que estão perto, mas não são capazes de enxergar claramente os objetos que estão longe.
O cristão míope na alma, por sua visão espiritual danificada, é incapaz de ver com clareza o que está um pouco além de si mesmo. Em consequência, não enxergando o outro, o próximo, acaba por se tornar egoísta, insensível e sem amor, e assim comprometendo toda a sua saúde cristã.
Hipermetropia – Ocorre quando o olho é menor do que o normal. Isso cria uma condição de dificuldade para que o cristalino focalize na retina os objetos colocados próximos ao olho.
Com uma condição assim, o cristão de olho pequeno, não é sequer capaz de notar o que Deus tem feito bem ao seu lado. Não conseguindo focalizar nas extraordinárias ações da graça divina manifestas próximas a si mesmo, ele fatalmente acaba não experimentando toda a grandeza do seu amor pessoal.
Astigmatismo – É causado por diferentes curvaturas corneanas ou por irregularidades na córnea, formando a imagem em planos diferentes o que ocasiona a distorção da mesma.
A retina espiritual irregular do cristão o impede de ver com nitidez a realidade que está ao seu redor pois suas lentes a captam de forma distorcida ou desfocada a qualquer distância. Essa impossibilidade de percepção correta gera uma alma fragmentada, insegura e doentia.
Presbiopia – Conhecida como “vista cansada”, manifesta-se normalmente após os 40 anos, criando uma dificuldade para enxergar de perto e de longe.
O peso dos anos, a mesmice dos horizontes e das experiências, o cansaço das retinas espirituais embaçam as vivas e vibrantes cores que enchiam e embelezavam os primeiros anos de caminhada cristã, tornando a jornada cada vez mais opaca e sem brilho.
Além destes vícios, há ainda outros problemas relacionados à capacidade do cristão de ver adequadamente tanto o mundo e as pessoas que nos cercam quanto a Deus e as suas manifestações multicoloridas e multiformes (confesso que gosto da expressão como ela aparece em Ef 3:10).
Para estes outros há um termo técnico: discromopsia. Mas podemos chamá-lo mais comumente apenas de daltonismo, que tem a ver com a incapacidade de percepção de espectros de cor específicos. E no que se refere ao olho físico, enquanto as primeiras estavam mais no campo de trabalho da oftalmologia, estas outras afetam mais a especialidade da neurologia.
Seja qual for o caso, quanto aos problemas de visão espiritual aos quais os cristãos se veem acometidos, o especialista médico de nossas almas tem a nos receitar não apenas óculos que corrijam a visão ou atenuem o problema. Ele é a cura.
E para comprovar isso, quero deixar que ele mesmo se apresente. Tomando para si as palavras proféticas, Jesus assumiu que sua missão consistia inclusive em recuperar a vista dos cegos (quando leu o livro de Isaías na Sinagoga de Nazaré em Lc 4:18).
Sei que há nessa passagem toda uma contextualização histórica e que a missão de Jesus deve aliar aspectos físicos e espirituais (já notaram quantos cegos, durante seu ministério terreno, ele curou!?). E até por crer que Jesus tanto cura o cego físico quanto corrige vícios e males de refração, daltonismo e demais incapacidades de visão espiritual é que posso ter a convicção de que ao ter minha visão tocada por Jesus poderei exclamar:
Uma coisa sei: eu tinha visão prejudicada e comprometida; era cego e agora vejo! (repetindo a expressão do ex-cego em Jo 9:25).

terça-feira, 13 de agosto de 2019

OS REFORMADORES E O CULTO 2 – O Culto Reformado


O grande reformador ligado ao movimento franco-suíço foi João Calvino (1509-1564), contudo sua influência foi exercida principalmente na área teológica e administrativa.
Quanto ao culto, Calvino tinha uma meta dupla: dar às Sagradas Escrituras seu lugar de autoridade e restaurar na eucaristia a sua singeleza e verdadeiras proporções primitivas com o culto semanal central.
Além de Calvino, quanto ao culto, pelo menos três nomes se destacaram no movimento reformado original na Suíça e na França: Theobald Schwarz (1485-1561), Ulrico Zwínglio (1484-1531), e Martinho Bucer (1491-1551).
O primeiro deles, Schwarz, manteve a estrutura da missa romana porém apresentou novidades litúrgicas significativa. Por um lado ele passou a adotar os serviços em língua alemã, sendo porém menos radical que Lutero, contudo, por outro, deu mais voz à congregação e apresentando mais criatividade na sua liturgia.
Zwínglio, por sua vez, apresentou uma visão extremamente antissacramental de todas as celebrações litúrgicas cristãs. Assim, o culto na visão dele, expressa na Action oder Bruch des Nachtmals (1525), era quase que somente uma recitação de salmos com ênfase exclusiva na prédica, deixando as cerimônias litúrgicas esteticamente vazias. Há de se destacar, contudo que um ponto forte de Zwínglio era a ênfase na comunhão e na união espiritual dos participantes que confessavam em conjunto a fé, uma transubstanciação de pessoas em vez de elementos.
O último nome da liturgia reformada em Estrasburgo é Bucer. Sob sua liderança, a cidade francesa aboliu a vida monástica como ideal religioso passando a desenvolver ofícios diários celebrados em igrejas paroquiais que tinham por objetivo atender não somente monges e religiosos, mas a todo o povo.


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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

ADORAÇÃO: ALTAR E VIDA


Lendo as advertências proféticas no Antigo Testamento sobre forma e conteúdo do culto e adoração é possível perceber que elas têm muito a nos dizer ainda hoje (tenha em mente inicialmente os capítulos seis de Oseias e cinco de Amós).
Hoje não temos mais um sistema sacrificial que exija trazer víveres para serem queimados em holocausto, mas trazemos formas e liturgias que delineiam nossa adoração. E é nesta assertiva que as lições dos profetas se tornam relevantes para nós quando chegamos para adorar.
Como no caso de Israel, o problema principal não estava em avaliar se tais formas eram adequadas ou não – embora ainda seja importante reconhecer que uma forma apropriada expressa melhor uma adoração que condiz à majestade gloriosa de Deus e nossa condição humana diante dele.
Por isso, os profetas advertiram que a questão principal está na conduta dos que se achegam ao altar trazendo seu culto e não nas suas liturgias.
Em primeiro lugar, culto não é um conjunto de ritos mágicos que procuram manipular a Deus e convertê-lo em operário de nossas causas.
E mais: (1) Deus é eternamente imutável em si (leia o que ele diz em Ml 3:6), logo não será a nossa adoração que o fará mudar para atender as nossas indicações; e (2) a vontade soberana de Deus nunca está subjugada a vontade humana, ele faz o que quer, como quer e quando quer (olhe o que ele mesmo diz em Dt 32:39).
O culto e a adoração não podem ser compreendidas como forma de vincular – amarrar ou atrelar – Deus a nossa vontade, pois isso seria paganismo. A adoração deve ser sempre a resposta de gratidão e louvor pelo que o Senhor se dispõe a fazer pela sua graça.
Quem se achega para adorar, deve saber que culto é reação e nunca o contrário. Davi entendeu exatamente assim ao nomear levitas com a função específica de louvar e agradecer a Deus pelo que ele tinha feito (1Cr 16:4).
Também, para que o culto seja aceito é preciso haver obediência à Lei. O culto não acontece como um processo alheio à vida humana, como se o Senhor estivesse interessado naquilo que lhe trazemos em adoração e não cuidasse do restante de nossa existência.
A Lei do Senhor é perfeita (palavras do Sl 19:7). Isto quer dizer que Deus, no seu amor, cuida do ser humano por inteiro, logo o culto não pode ser realizado sem considerar o que fazemos no restante de nosso dia-a-dia.
A adoração não pode ser uma espécie de intervalo em nossa existência. Pelo contrário, tem que refletir toda a nossa vida de comprometimento com o Senhor Jesus, seu Espírito em nós e o Reino que construímos com nossas ações cotidianas.
Esta compreensão nos leva a entender que os requisitos do culto transcendem a ele mesmo. Ou seja, como compreendemos das palavras proféticas, o culto não pode ser um fim em si mesmo.
Diante do altar em adoração tenho que atentar: se por um lado nossa vida nos traz ao culto, por outra a adoração deve nos levar de volta à vida e ao serviço, só que recompensado e por ter estado na presença do Senhor (isso foi o que aconteceu com o publicano na parábola de Jesus em Lc 18:9-14).

terça-feira, 6 de agosto de 2019

OS REFORMADORES E O CULTO 1 – O Culto Luterano


Frei Martinho Lutero (1483-1546) é tido como o principal articulador da Reforma Protestante na Europa continental do século XVI. Ele se apresentou nas suas 95 teses afixadas na porta do Castelo de Wittenberg em 31 de outubro de 1517 como “Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma”.
Seu trabalho inicial como reformador se concentrou naquilo que considerou como um erro dos “pregadores de indulgências que dizem ficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa” ampliando-o posteriormente para incluir uma reflexão teológica embasada na afirmação da graça de Cristo como único suporte para a igreja e para o cristão.
Com esta visão, Lutero classificou como adiáforos, todos os outros temas, inclusive a reflexão sobre o culto e a liturgia cristã mantendo a estrutura da missa em suas paróquias. Observe-se que na Fórmula da Concórdia de 1577 Lutero chamou de adiáforos (do grego ἀδιάφορον – literalmente: coisa diferente, em alemão mitteldinge: questões secundárias) “os ritos eclesiásticos que não são ordenados, nem proibidos, na Palavra de Deus” (artigo 10).
Posteriormente, Lutero, porém, não se limitou a ser simplesmente um imitador das formas litúrgicas recebidas do passado. Buscando levar a fé consciente ao povo, ele tanto traduziu a Bíblia para o vernáculo, possibilitando o acesso do Livro Sagrado à língua alemã, como influenciou as formas litúrgicas e musicais do seu culto.
Quanto ao posicionamento de Lutero em relação à missa, no prólogo de A Missa Alemã e a Ordenação do Ofício Divino de 1526 o reformador afirma:

Há três formas de serviço divino e da missa. Em primeiro ligar, uma latina que publicamos antes e que se chama Formula missae (...). Em segundo lugar, existe a missa e o serviço divino em alemão (...). Porém a terceira forma, que deveria possuir a genuína ordenação evangélica, não deveria ser celebrada com tanta publicidade nas praças nem diante de todo o povo; senão (...) quando houverem pessoas que desejarem seriamente ser cristãs, aí se elaborariam imediatamente as ordenações do culto e suas formas.

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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Doenças da Alma – FIBROMIALGIA


Chego aqui a mais uma doença que tem afligido o ser humano, a fibromialgia. Somente em tempos recentes este mal começou a ser identificado e tratado como uma doença distinta. Tanto é que a própria ciência ainda tateia buscando conhecer causas, sintomas específicos, prevenção e tratamento adequado.
Para um conhecimento inicial deste mal, vamos observar o que diz a Mayo Clinic, um centro médico americano especializado em fibromialgia: “A fibromialgia é um distúrbio caracterizado por dor musculoesquelética generalizada acompanhada por problemas de fadiga, sono, memória e humor. Os pesquisadores acreditam que a fibromialgia amplifica sensações dolorosas, afetando a forma como o cérebro processa os sinais de dor.”
Passando estas informações em linguagem mais leiga: fibromialgia é um mal generalizado em que a cabeça do doente interpreta qualquer coisa que aconteça com o corpo como se fosse dor. Por isso doi tudo – sempre.
Dando mais olhadas em sites especializados, pode-se perceber que para esta doença ainda não há tratamento que leve a um estado de superação e cura da doença e que possa ser indicado de forma científica e padronizada para todos os casos detectados. Como disse lá em cima, a ciência médica ainda tateia quando o assunto é fibromialgia.
Em geral o que se recomenda e pode ser feito é buscar cuidados paliativos como terapia cognitivo-comportamental, hidroterapia, técnicas de tratamento quiroprático, alongamento, massagem e acupuntura. E o principal é recomendar alguns truques para distrair-se da dor como exercício físico, gerenciamento de estresse e técnicas de relaxamento, além de incentivo a ocupação com tarefas ligadas a arte, música e alegria.
Mas já falei muito sobre a fibromialgia física. O importante aqui é destacar a fibromialgia do espírito. Temos diagnosticado este mal em diversos cristãos. Como um mal generalizado, a alma destes doentes espirituais interpreta tudo que lhe acontece como sendo algo que lhe inflige dor. E por isso vivem em constante sofrimento doloroso. Qualquer exortação, qualquer movimento ou exercício espiritual, qualquer toque – ainda que carinhoso – lhe causa dor profunda.
E por causa desta constante sensação de dor na alma, seus sintomas vão se irradiando e provocando dores morais, dramas existenciais, complexos de incapacidade, mau humor e indisposição espiritual, isolamento e inaptidão comunitária cristã.
E o pior que a dor não passa!
Agora observe que se para o problema da fibromialgia física, por enquanto, tudo o que os médicos podem oferecer é um prognóstico de possível esperança de vida normal, apesar da dor; para a fibromialgia do espírito o nosso Médico Supremo já providenciou a cura e a eliminação completa de toda a nossa dor ao executar aquilo que o receituário profético já prescrevia:
Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si mesmo levou todas as nossas dores. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e nas suas dores fomos curados (a profecia está em Is 53:4-5 e o cumprimento foi completo na cruz do Calvário).
É verdade. Eu sei que enquanto transitamos nessa vida aqui, algumas vezes um espinho ou outro realmente fere nossa alma e a sensação de dor e incômodo se mostra inevitável. Mas o santo remédio divino já foi ministrado e seus efeitos já devem começar a ser sentidos por aqui enquanto a profilaxia completa da doença não se dá.
Contudo é a certa esperança da cura definitiva que deve me mover a continuar a jornada cristã, apesar das dores que não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.
Por enquanto disfarçamos a dor da caminhada com arte, música, louvor e exaltação ao que é digno. Então chegará o dia em ele enxugará dos nossos olhos toda a lágrima pois não haverá mais dor alguma – é que estas coisas já passaram.


terça-feira, 30 de julho de 2019

BONHOEFFER E A ADORAÇÃO BRASILEIRA – uma comparação


Em 1939, Dietrich Bonhoeffer esteve nos Estados Unidos, tinha sido levado por seus irmãos com o intuito de poupar-lhe das agruras que o regime nazista haveria de impor sobre seus oponentes. De lá, o próprio Bonhoeffer escreveu sobre a sua situação, perspectiva de futuro e compromissos:

Sentado no jardim do seminário, tive tempo de pensar e orar no que se refere à minha situação e a da minha nação, obtendo algumas luzes sobre a vontade de Deus. Cheguei a conclusão que cometi um erro em vir para os Estados Unidos. Nesse período difícil da história da minha pátria, devo viver junto com o meu povo. Não terei o direito de participar da reconstrução da vida cristã na Alemanha depois da guerra se não tiver compartilhado com meu povo as provas desse período. Os cristãos alemães terão que enfrentar a terrível alternativa de desejarem a derrota de sua pátria para a salvação da civilização cristã ou de desejarem a vitória de sua pátria e, consequentemente, a destruição de nossa civilização.

Estas palavras demonstram o profundo sentimento de compromisso que Bonhoeffer demonstrou com o seu povo e que o fez se sentir copartícipe dos destinos dele. Ainda merece citação a observação que ele escreveu numa carta a E. Bethge em 02/08/1936 quando enfatizou “que não nos podemos libertar jamais de nossa condição de cristãos e teólogos”. Para Bonhoeffer ser cristão e ser teólogo eram condições das quais ele não se podia furtar em momento algum, e diante de tais condições era necessário que ele estivesse ao lado do seu povo fazendo de sua experiência cristã e práticas litúrgicas instrumentos para uma transformação social.
Ser cristão e ser teólogo era o que ele tinha a oferecer à sociedade alemã naquele momento de incertezas, e deveria oferecer-se assim naquele momento exato para que sua participação histórica fosse válida quando tivesse passado as turbulências. Se não posso ser cristão nas adversidades da sociedade moderna, como posso querer sê-lo em outros tempos?
Essa visão e compreensão de uma celebração e liturgia comprometido com o Reino de Deus e com os destinos de seu povo, Bonhoeffer deixou impregnado em mais de uma dezena de livros que escreveu (em especial no texto “Vida em Comunhão” – em alemão: Gemeinsames Leben, publicado em 1939). E é com este modelo da adoração e comunhão cristã proposta por Dietrich Bonhoeffer que pretendo comparar a liturgia das igrejas evangélicas brasileiras de hoje.
Uma primeira observação, parece demonstrar que a maior ênfase litúrgica da igreja brasileira está na celebração em si, como momento de contato espiritual e devocional com Deus. Neste aspecto a produção teológica brasileira parece se encaminhar em paralelo com a teologia de Bonhoeffer. A devoção começa e se desenvolve quando a comunidade de fé se entrega na busca do encontro sagrado. Orações, leituras bíblicas e cânticos conduzem a congregação a uma reflexão sobre a palavra de Deus a ser explanada pelo oficiante que busca trazer às mentes e corações dos cultuantes a verdade e os propósitos de Deus para suas vidas.
Contudo há uma distância entre as visões de culto e adoração de Bonhoeffer e as evangélicas brasileiras observadas e ela está, com certeza, na ênfase dada ao transbordar desta liturgia na vida cotidiana dos cristãos.
Está muito claro na teologia litúrgica de Dietrich Bonhoeffer que o momento devocional de encontro com o sagrado tanto comunitário e principalmente pessoal é apenas uma parte da existência cristã. Este momento é necessário e fundamental e em hipótese alguma deve ser negligenciado. Mas a existência cristã não se dá apenas no lugar sagrado da liturgia devocional, ela tem que se transbordar para toda a vida e fazer do momento de encontro sagrado com Cristo a recarga de energia suficiente para que o cristão viva a sua vida no mundo secularizado de modo significativa e influente.
Em terras brasileiras, pouco se vê uma adoração que vá além dos cânticos e orações, uma adoração que transborde para vida cotidiana e concreta, que ofereça uma influência transformadora dos valores sociais, num projeto de reconstrução nacional abrangente. Embora não se negue que a experiência cristã do culto deva influir na vida do crente, contudo na igreja brasileira, em geral pouca se busca experiências cristãs que possam ir além das vivências eclesiásticas.
E assim, concluo apontando a crítica de Russel Shedd ao constatar que há uma dicotomia existente entre a adoração e a vivência cotidiana dos cristãos evangélicos brasileiros e isto porque ela não reflete a certeza que o objetivo da adoração bíblica deve ser produzir vidas dignas do mundo moderno e secularizado. Em suas palavras: “a adoração em espírito e em verdade exige o temor de Deus, o qual deve se fazer acompanhar de religiosidade externa”.
(Na imagem lá em cima, a reprodução de uma placa comemorativa para Dietrich Bonhoeffer ao lado da entrada da Zionskirche em Berlim onde por ser lida: “Nesta Igreja pregou e foi Confirmado em 1932 o combatente da resistência Pastor Dietrich Bonhoeffer – nascido em 02/04/1906 e assassinado no Campo de Concentração Flossenbürg em 09/04/1945 – fonte: wikipedia.com)



sexta-feira, 26 de julho de 2019

AINDA REFLETINDO SOBRE O CULTO PRESCRITO POR DAVI

Então disse Davi a toda a assembleia:
“Louvem o SENHOR, o seu Deus”.
E todos eles louvaram o SENHOR,
o Deus dos seus antepassados,
inclinando-se e prostrando-se
diante do Senhor e diante do rei
.
(1Cr 29:20)
O modelo de culto prescrito por Davi, embora revestido dos rituais do AT, muito tem a dizer sobre o culto e adoração na igreja hoje. Já publiquei reflexões iniciai sobre o tema (reveja aqui) e devo seguir dali para estabelecer também alguns fundamentos para a minha celebração. Destaco três pontos:
► Como Davi, a minha compreensão do culto deve estar voltada para a adoração a um Deus que se revelou na história. Embora o evangelho seja a boa nova de Deus aos seres humanos, e que o Senhor esteja fazendo sempre coisas novas, nunca posso perder de vista a realidade de que, num determinado momento, Deus entrou em nossa história dando-lhe novo significado.
A fé que prego e celebro hoje é o desdobramento daquilo que santos e santas do passado me legaram. Esse respeito e consideração pelos que me antecederam na caminhada cristã, compreendendo, e mesmo atualizando, a experiência dos heróis bíblicos e históricos, dará sentido a minha celebração.
Quando se perde a referência histórica no culto, esvazia-se a adoração e consequentemente também se perde a noção e a visão verdadeira de Deus.
É preciso também revestir o culto hoje de um espírito de verdadeiro oferecimento e doação. No culto deve estar expressa a negação do meu ego para que somente a cruz de Cristo brilhe em nossa adoração (cuidado com as palavras de Jesus em Mt 16:24).
Culto sem oferta completa no altar do Senhor é adoração idólatra. O culto compreendido como movimento de troca de favores entre o humano e o divino é falsa adoração e não será jamais recebido no trono da graça.
É preciso lembrar que Deus não precisa de nossa oferta e que a única motivação para o favor divino é a sua graça e amor (relembre o Sl 50:12-15 e Ef 2:10).
► Da celebração ministrada por Davi posso aprender também quando observo a imponência e a beleza do prédio por ele projetado e de como isso refletiu em seu culto. Havia estrutura planejada, organização aprimorada e uma música bem preparada, assim deveria ser o templo de Jerusalém, assim foi a adoração davídica.
O resultado não poderia ser outro: o melhor louvor e a melhor adoração foram entregues a Deus, com a melhor qualidade.
Finalizando, devo dizer que, como foi com o rei Davi, mantendo a linha de continuidade histórica e trazendo oferendas significativas ao altar de Deus, o meu culto tem que ser esteticamente belo, social e culturalmente elevado e principalmente agradar a Deus e trazer alegria aos cultuantes.

terça-feira, 23 de julho de 2019

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A FÉ E O ESTADO


A teologia cristã é herdeira da fé do antigo Israel. Também sua relação Estado-Religião, de certo modo, é consequência da mesma relação em Israel. Assim, será nas páginas do Antigo Testamento que devemos buscar inicialmente a descrição. Ali, na Teologia Bíblica do AT, a ação de Javé sobre a nação eleita e a resposta nacional estavam intimamente relacionados tanto na fé como na política.
De modo geral, dois conceitos aqui são fundamentais no AT: (a) a ação de Deus que conduz a história a seu modo e (b) há um povo que foi eleito para cumprir um desígnio específico e que por isto lhe são dadas prerrogativas especiais na sua relação com o sagrado e nas suas relações consigo mesmo e com outros povos.
O teólogo bíblico alemão Gerhard von Rad, comentando essa compreensão, afirma que “para os antigos narradores, a maneira como Deus dirigia a história se manifestava de preferência nos milagres, no carisma de um chefe, nas catástrofes ou em outras demonstrações significativas de poder. Numa palavra, estava ligada às instituições sagradas (guerra santa, arca, etc.)”.
Nesta relação entre fé e Estado em Israel uma figura contudo precisa ser destacada: o profeta. Mesmo sendo verdade que Deus deu prerrogativas à nação e ao seu príncipe, bem como às instituições religiosas e aos sacerdotes oficiais, Deus sempre fez levantar profetas que, à margem do sistema oficial de poder e fé, tinham a incumbência sagrada de alertar o povo contra desvios e desmandos, inclusive dos seus líderes, mantendo o equilíbrio espiritual em Israel (veja por exemplo o profeta Elias – em 1Rs 18 – também o profeta Micaias – em 1Rs 22 – ou ainda Ezequiel – em Ez 21:25).
Chegando ao Novo Testamento, o centro das relações entre o estado e a fé se desloca da crença da nação eleita para uma comunidade que precisa se firmar em meio a uma potência estatal-nacional, e cujas relações são conflituosas desde o seu nascimento.
Daí que, para a Teologia do NT, embora o poder estatal não seja necessariamente legitimado por Deus, mas tem obrigações a cumprir, pois ele é serva de Deus para o bem comum (conforme Rm 13:4).
Assim é que, ao cumprir seu papel dado pelo próprio Deus, as palavras de Paulo devem ser consideradas: Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus (Rm 13:1).
E mais enfáticas são as palavras da Epístola de Pedro: Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores e para louvor dos que fazem o bem (…). Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei” (1Pe 2:13-17).
Por outro lado, todo poder e autoridade são requeridos pelo próprio Cristo (conforme, por exemplo: Mt 28:18) que os transfere aos seus discípulos: Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós (Jo 20:21).
Desta forma a igreja, que se segue como continuadora e legítima herdeira dos primeiros discípulos, deve ser também uma depositária fiel do poder que esteve em Jesus Cristo. Neste sentido, é possível compreender que recai sobre a igreja um poder de gerir os negócios do trato espiritual de todos os povos, pois no plano eterno e universal de Deus, coube a ela a posse do domínio religioso e a incumbência de responsabilizar-se pela proclamação da verdade.
Desta leitura rápida da Bíblia observo então que a relação entre Igreja e Estado deve ser de separação, uma vez que ambos estão dotadas de poder dado por Deus para desempenharem autoridade sobre os seres humanos em área distintas: no âmbito temporal – no caso do poder estatal – ou no âmbito espiritual – no caso do poder religioso da igreja.
Mas isto não nega a realidade de que ambos se tocam e se influenciam. Tendo elas a mesma origem: Deus; e o mesmo objetivo que é servir para a promoção humana trazendo-o para dentro dos propósitos divinos, Igreja e Estado – mesmo separados – devem viver juntos.
E que tenhamos governantes que favoreçam uma vida tranquila e pacifica (1Tm 2:1-2) e servos de Cristo que mantenham suas posições de independência profética para que sempre desafiem os poderes constituídos em seus desmandos e erros (Mc 6:18-19).



sexta-feira, 19 de julho de 2019

Doenças da Alma – OSTEOPOROSE


Devemos analisar aqui mais uma doença que aflige nossa alma, a osteoporose. E como o próprio nome sugere, ela é a doença dos ossos porosos. É quando o cálcio que normalmente forma e constitui nossos ossos já não está sendo regularmente reposto e os ossos vão ficando fracos e quebradiços.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, "à medida que envelhecemos, ocorre uma perda natural e gradativa da massa óssea tanto nos homens como nas mulheres. Quando essa perda alcança um nível tão importante a ponto de desorganizar a estrutura dos ossos, aumentando a sua fragilidade e o risco de fraturas, temos então a osteoporose".
E mais: "em geral o que ocorre é que somente após complicações, como dores decorrentes de fraturas é que as pessoas passam a se preocupar. A osteoporose é conhecida como uma doença silenciosa pois não provoca sintomas. Diferentemente do que muitos pensam, cansaço, desconforto, dores articulares e musculares não podem ser atribuídas diretamente à doença e radiografias não são um bom exame diagnóstico."
Entre os fatores que contribuem para o aparecimento da doença podemos citar a queda nos níveis de hormônios provocada pela idade, vida sedentária, falta de cálcio e vitamina D, uso contínuo de determinados medicamentos e até algumas outras doenças como diabetes e artrite reumatoide.
Mas, além destas características físicas da doença, nossa atenção deve-se voltar para a osteoporose como mal que nos debilita a alma.
À medida que a nossa vida espiritual vai avançando em tempo, muitos acabam relaxando de alguns cuidados, é aí que a osteoporose espiritual acontece.
Na juventude espiritual, o vigor e o dinamismo disfarçam problemas que, ao longo da vida, vão se acumulando e quando se chega ao tempo da maturidade cristã, em vez de termos saúde para viver e desfrutar do tempo de plenitude, a fraqueza e o cansaço nos domina. Somos vítimas de osteoporose espiritual.
Faltou uma alimentação adequada lá no começo da vida cristã. O puro leite espiritual, que devia nos nutrir e garantir o cálcio necessário para o fortalecimento dos ossos espirituais, foi escasso e agora toda a estrutura de sustentação da alma já está tão porosa que mal aguenta nosso peso (sugiro ler 1Pe 2:2). Por isso muitos crentes velhos vivem encurvados – mas não por conta do peso, e sim por falta de densidade na alma.
Também faltou a muitos a quantidade apropriada de vitamina D. E, além da alimentação adequada, esta fonte de saúde é obtida através do sol. Cristão que não se expõe ao sol divino da justiça e à luz da vida no tempo e maneira apropriados (considere Ml 4:2 e Jo 8:12) acabam sofrendo de deficiência no espírito interior e, por conta disso, qualquer circunstância nessa vida os fazem quebrar.
Outros fatores acarretam pioras nos sintomas. Cristãos de vida espiritual sedentária. Cristãos que não consultam seu Médico da alma com a frequência devida nem se submetem aos tratamentos indicados. Cristãos que se descuidam dos níveis de hormônios santos na alma ao longo da vida. Certamente são cristãos que vivem em grupo de risco de desenvolverem a osteoporose espiritual.
E antes de finalizar, cabe uma pergunta: osteoporose da alma tem cura? Independente dos tratamentos que possam ser indicados para a osteoporose física, uma alma que sofra desta doença pode perfeitamente ter sua condição restaurada, não importando o tempo de vida espiritual nem o quão profunda esteja o mal ou o quanto a estrutura espiritual esteja comprometida.
O Cristo que garante fazer nova todas as coisas (entre outras passagens, a promessa pode ser lida em Ap 21:5); esse Cristo, Cordeiro e Deus, é tanto o Médico que nos cura como o próprio remédio que nos restaura. Sem dúvida, qualquer alma que se encontra fragilizada, curvada, oca por doença, pode ser refeita, restaurada, reestruturada. Cristo recompõe os ossos de minha alma.


sexta-feira, 28 de junho de 2019

Doenças da Alma – DISTÚRBIOS ALIMENTARES


Para começar a refletir sobre alguns distúrbios alimentares e como eles afetam nossas vidas, devo alinhar duas constatações que me parecem óbvias. Primeiro: é verdade que muito do que somos e fazemos está diretamente relacionados à maneira como nos alimentamos – ou não! Segundo: vivemos numa época de exageros e em relação às questões de aparência há, distribuídos nas mídias, verdadeiras tiranias medonhas.
Dito isso, prossigamos. Por distúrbios alimentares, entende-se toda espécie de doença "que se define por padrão de comportamentos alimentares desviantes que afeta negativamente a saúde" (citação do Wikipédia). A página da internet ainda se refere a eles como transtorno ou patologia.
Algumas características e sintomas são identificados de modo geral em qualquer distúrbio alimentar. Eles estão ligados a situações de pressão social e cultural principalmente quanto à distorção da imagem. Podem atingir a todos – embora de maneiras diferentes – sem distinção de gênero, raça, classe social ou idade. Mais: em geral se manifestam a longo prazo. E acarretam outros problemas de ordem psíquica ou física.
Há ainda um dado a ser observado, pois preocupa. Segunda a Dra. Flávia Lopes Macedo, da UFJF, "uma característica de quem tem algum distúrbio alimentar é sentir vergonha do problema. Desse modo, nós temos que ficar atentos. Quando as pessoas têm outras questões de saúde, elas procuram atendimento, mas as portadoras de distúrbios alimentares não costumam fazer isso".
É assim que, em nossa série de reflexões sobre doenças da alma precisamos falar sobre os distúrbios alimentares que afligem o ser humano. Mas não é sobre como eles acontecem em nossos corpos apenas. São doenças da alma e do espírito humano.
Mais uma questão a ser pontuada antes de listar alguns distúrbios alimentares que afetam nossa alma. Embora o pecado da gula esteja ligado a problemas alimentares e muitos cristãos sucumbam a ele – crente come!!! – também não é sobre isso que vamos falar. Eis uma lista:
Alotriofagia – O nome é complicado mas o mal se refere ao impulso de comer de tudo, principalmente coisas sem valor nutricional ou até prejudiciais. Esse mal afeta cristãos que se sentem atraídos por se alimentarem de toda espécie de bobagem espiritual, sem nunca chegarem a estar minimamente nutridos no espírito.
Obesidade – É o acúmulo de gordura causado principalmente por dietas não balanceadas e fata de exercício. Acomete o cristão que vive se empanturrando de alimentos – pregações espirituais, estudos, leituras, congressos, campanhas, vigílias e afins – sem qualquer critério e nunca se aplicam aos exercícios espirituais.
Anorexia – Esse é um mal que infelizmente tem se tornando comum. Na maioria das vezes, por não ser capaz de avaliar corretamente seu perfil estético, o doente se recusa a comer, desejando ficar cada vez mais magro. Assim é que por questões de vaidade pura, ou traumas mais profundos, o cristão se vê acometido desta doença que o impede de perceber a bênção do vigor espiritual, recusando em receber os nutrientes divinos.
Bulimia – Também causado por uma visão distorcida, assim como a anorexia, porém neste caso, o doente até ingere alimentos, mas sempre depois provoca a expulsão destes através de dietas mirabolantes, diuréticos, jejuns sem sentido, exercícios em excesso e até vômitos. Quando o cristão sofre de bulimia da alma, seus comportamentos e atitudes forçam todo nutriente espiritual com o qual tenham eventualmente se alimentado a serem expulsos de suas vidas, não se beneficiando de nenhum deles.
Ortorexia – Só recentemente diagnostica por especialistas, essa doença consiste em uma obsessão por se alimentar somente com comida considerada saudável, daí a preocupação com normas e regras alimentares, excesso de zelo quanto ao que é impuro, prazos, ingredientes. Além de que são sempre doentes detalhistas minuciosos. Um cristão assim acaba sofrendo invariavelmente de carência em algum nutriente necessário para sua saúde, e, também desenvolve problemas como isolamento, farisaísmo e neurose espiritual.
Para prevenir e curar estes – e outros – distúrbios alimentares que afligem a alma humana só há uma recomendação indispensável, e foi dada pelo próprio Pão que desceu do céu: assim quem se alimenta de mim, viverá saudável pela vida que dou (em Jo 6:57-58).