sexta-feira, 29 de novembro de 2019

TENDO EM VISTA A EDIFICAÇÃO



Catando alguns fragmentos da carta paulina aos Efésios eu posso encontrar:

E ele mesmo deu dons à igreja, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, tendo em vista a edificação do Corpo de Cristo, para sua edificação em amor.  E isso para que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.
(a partir do texto de Ef 4:8-16)

Aqui, as palavras bíblicas me chamam a atenção: elas dizem da certeza de que Cristo deu capacitações aos seus servos para que desempenhem funções específicas dentro do corpo de Cristo. 
Ou seja, cada cristão recebeu um dom para que possa exercê-lo no intuito da igreja. 
Assim, é fácil constatar que para o apóstolo uma igreja que se mantém fiel a sua missão e chamado no mundo de hoje é uma igreja que reconhece e exerce todos os dons individuais que o Espírito colocou a sua disposição para que todo o corpo seja edificado (fiz questão de dar ênfase a "todo").
Aqui faço o primeiro destaque: individualmente a distribuição de dons na igreja deve levar cada um dos seus membros a crescer no desempenho de suas funções com constante disciplina, compromisso e responsabilidade espiritual.  O objetivo deve ser sempre o aperfeiçoamento dos santos.
O outro destaque é: coletivamente este exercício de dons deve ser o instrumental para que toda a comunidade cristã cresça num processo educativo e formativo que conduza a todos ao modelo apresentado – a estatura completa de Cristo.
Desta forma, tendo em vista a edificação do Corpo de Cristo – e em amor – toda a igreja deve desenvolver os dons recebidos e só assim, com todo o corpo em unidade, chegará cada vez mais perto de conhecer o Filho de Deus.
Para a glória dele.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

SOBRE O PECADO PARA MORTE


Bom dia querido.  Veja o que podemos aprender com ele
1. Todo texto para ser melhor entendido precisa de seu contexto.  1Jo 5:16 que fala sobre "pecado para morte" segue o argumento que a carta já vem expondo.  No verso 13 há a afirmação de que em Cristo temos vida eterna.  Isso é garantido aos que crêem no nome do Filho de Deus.  Penso que aqui tem uma importante chave de compreensão do texto.
2. Mas há diferentes tipos de pecado: uns levam à morte enquanto outros não.  Aqui comentadores propõem interpretações diversas.  Só para citação: a) a Igreja Católica lista pecados capitais – para a morte – e veniais; b) outros falam em pecados que levam diretamente à morte física e citam episódios como o dos filhos de Arão (Lv 10:1-7) ou de Ananias e Safira (At 5-1-11).  Não vou comentá-los por que acho que estas interpretações não condizem com as doutrinas bíblicas que abraçamos e ao contexto geral da própria Bíblia.
3. Voltando ao contexto.  É sempre preciso reafirmar que todo pecado gera morte (dito tanto em Rm 6:23 como em Ez 18:4).  Então, como diferenciar os pecados mortais?
4. No texto.  O argumento de João é que a vida só nos é ofertada por obra de Cristo. Veja o que diz o verso 12: "Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida".  Ou seja, no texto bíblico, a morte e a vida estão ligadas à adesão ao Filho e a sua obra de graça.  Logo um pecado que nos aliene desta aliança leva necessariamente à morte.
5. Nesta lógica está a interpretação do versículo 16.  Qualquer pecado pessoal, consciente e voluntário que me afaste de Cristo – o nome disso é apostasia – não tem como ser absorvido, pois é em si a recusa do próprio perdão!
6. Esse é o pecado para morte, e por ele nenhuma oração será eficaz, pois implica em rejeição – apostasia deliberada.  E nesse sentido também está a conclusão do verso 18: "todo aquele que é nascido de Deus não peca".  Quem nasceu de novo em Cristo o fez exatamente por aceitar seu sacrifício, esse não peca, isto é, não abraça a apostasia e o "maligno não lhe toca".
7. Para fechar, pois já está ficando grande.  Bons intérpretes da Bíblia como J. Calvino, J. Stott e Augustus Nicodemos caminham por essa linha de entendimento.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

MEMÓRIA E EXPECTATIVA


A Celebração da Ceia do Senhor na Igreja está entre as celebrações mais bonitas e mais significativas na vida do povo de Deus.  Isto não somente pelo caráter memorial em que está revestida a cerimônia, mas também pela expectativa que ela deve gerar nos servos de Cristo.  Ao celebrar a última páscoa com seus discípulos Jesus afirmou: “... não mais a comereis, até que ela se cumpra no Reino de Deus” (Lc 22:16).
Vivemos hoje em ardente expectativa (confira Rm 8:19) e celebramos a Ceia do Senhor para reafirmar a nossa esperança de que “não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a vindoura” (Hb 13:14).  A Ceia do Senhor é a celebração da promessa de que Cristo voltaria para buscar a sua Igreja – vivemos nesta esperança e a celebrando periodicamente quando comenos deste pão e bebemos deste vinho. 
Reafirmamos nossa fé na inabalável Palavra de Cristo que não falha e por isto esta cerimônia deve ser de celebração.  Cristo virá para por fim a esta era de domínio do mal e iniciar um novo tempo sob a supremacia de Cristo e de suas hostes.  Na Ceia do Senhor eu o celebro desde já.
Agora temos esta certeza e a festejamos.  Mas, por outro lado, esta expectativa celebrada deve nos trazer a consciência da necessidade de vigilância.  Paulo aos Tessalonicenses exortou sobre isso: “não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios” (1Ts 5:6).  E na segunda carta a Timóteo é dito: “Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2Tm 2:4). 
Celebramos a Ceia do Senhor e com ela devemos reafirmar nossos compromissos de fidelidade com o nosso General que nos recrutou para a batalha. 
É esta celebração da Ceia do Senhor que fazemos hoje: afirmamos que vivemos na expectativa e esperança do irromper do novo dia em Cristo Jesus, e desde já vivemos e nos comprometemos com este Reino que “nos está preparada desde a fundação dos tempos” (Mt 25:34). 
Glória a Cristo.     

terça-feira, 19 de novembro de 2019

GILBERTO FREYRE E O PROTESTANTISMO BRASILEIRO


Gilberto Freyre, natural de Recife – Pernambuco, foi um dos intelectuais mais brilhantes que o Brasil conheceu no século XX.  Iniciou sua educação formal no Colégio Americano Batista do Recife e depois concluiu seus estudos superiores nos Estados Unidos, onde passou a estudar e publicar sobre o Brasil a partir do ponto de vista sociológico e antropológico.
Em sua palestra na Conferência do Nordeste, proferida em 1962 no Recife e intitulada: “O artista: servo dos que sofrem”, Gilberto Freyre assim analisou o protestantismo brasileiro:

É curioso que até agora o cristianismo evangélico só tenha concorrido salientemente para enriquecer a cultura brasileira com insignes gramáticos (...).  É tempo de o cristianismo brasileiro evangélico ir além e concorrer para esse enriquecimento com um escritor do porte e da fama revolucionária, eu diria também, de Euclides da Cunha; com um poeta da grandeza de Manuel Bandeira; com um compositor que seja outro Villa-Lobos, que componha baquianas brasileiras que sejam a interpretação ao mesmo tempo evangélica e brasileira de Bach.  Também um caricaturista ou teatrólogo revolucionariamente evangélico que pela caricatura ou pelo teatro denuncie os abusos dos ricos que para conservarem um privilégio de classe pretende se fazer passar por defensores ou conservadores de tradições religiosas ou mesmo do que se intitula às vezes, pomposa e hipocritamente, civilização cristã (...).  Acompanharei desde agora com maior simpatia aquelas suas atividades cristocêntricas que se desenvolvam em benefício do Brasil, e adaptando-se ao Brasil.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

NÃO TENHO PRATA NEM OURO


Depois da narrativa dos eventos acontecidos na manhã de Pentecostes (Atos capítulo 2), o capítulo seguinte se inicia afirmando que certo dia Pedro e João estavam subindo ao templo na hora da oração, às três horas da tarde (At 3:1 – NVI).
A referência ao templo nesse capítulo de Atos dos Apóstolos (e em todo o livro) é certamente ao templo judaico em Jerusalém e não a uma construção destinada ao culto cristão.  Mas o fato de os discípulos de Jesus o frequentarem e manterem sua piedade pessoal buscando aquele local de culto para suas orações é significativo, pois nos indica que mesmo tendo experiências íntimas e profundas com Deus, o local de adoração comunitária e pública não deveria ser esquecido pelos fieis (lembre Hb 10:25).
Vejamos o que diz o texto.
Numa destas idas ao templo, Pedro e João se encontraram com um aleijado de nascença que estava ali para mendigar (confira At 3:1-2).  Embora aquela fosse uma cena corriqueira e que após a descida do Espírito o grupo de seguidores de Cristo assumisse uma atitude coletiva de cuidado em relação aos necessitados, os apóstolos pararam e deram atenção especial àquele suplicante.
Como o próprio Jesus tinha feito no seu ministério terreno, ainda que visando atingir a coletividade dos seres humanos, ele sempre encontrou tempo e parou para dar atenção individualizada a quem necessitava.  Da mesma forma, os apóstolos pararam para oferecer auxílio particular ao mendigo aleijado na porta do templo.
O mais importante deste episódio, contudo, é a sequência que vem a seguir.
No verso seis: os apóstolos ofereceram a solução para o problema do aleijado – não uma solução paliativa ou uma simples esmola.  Não seria a prata ou o ouro que mudaria aquela situação.  O que Pedro e João ofereceram foi a transformação radical, a cura e solução definitiva, por que trataria da causa e não da consequência.  Se aquele homem mendigava por que era aleijado e não podia trabalhar, então agora ele ficaria livre de sua deficiência e poderia trabalhar para seu próprio sustento (o texto de Ef 4:28 opõe trabalho a furto, mas a instrução do sustento pode ser aplicada aqui).
Disse Pedro: "Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso lhe dou.  Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande"  (At 3:6).
No nome de Jesus a cura foi operada (veja ainda o verso 16 pouco adiante).  De forma objetiva e prática, Pedro anunciou que todo poder pertence ao Senhor e somente no nome dele seus discípulos realizam a obra (Jesus garantiu isso em Jo 14:12-14).  A cura foi operada – o milagre aconteceu somente no poder que há no nome de Jesus.  E isso deve nos ensinar que o mesmo poder ainda está ao alcance da igreja quando ela age na autoridade do mesmo nome (confira ainda Cl 3:17).
O que aconteceu a seguir (leia o verso oito) foi que o antes mendigo aleijado, agora curado, de um salto começou a andar e principalmente, entrou no templo saltando e louvando a Deus.  O resultado da manifestação poderosa através do nome do Senhor Jesus deve ser sempre a glorificação de Deus (Paulo diz isso em 1Co 10:31).  E mais: toda a vida e ação, bem como a pregação e o exercício de todo e qualquer dom ou manifestação espiritual no meio da igreja deve levar necessariamente à exaltação e à glória do Senhor (veja que na profecia de Isaías o Senhor já anunciava que não repartiria sua glória com ninguém – Is 42:8 e 48:11).
E um último destaque é que Pedro e João, diante da admiração do povo no pátio no templo, não perderam a oportunidade de anunciar o evangelho: Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados (At 3:19).
Este exemplo precisa ser seguido por todo discípulo de Cristo em qualquer tempo: o objetivo principal da igreja é anunciar o evangelho e desafiar as pessoas a tomarem uma decisão diante de Cristo mediante a confissão e arrependimento de pecados (ainda é paulina a instrução enfática de 2Tm 4:2).

terça-feira, 12 de novembro de 2019

PARA ALÉM DE ATOS DOS APÓSTOLOS


O livro de Atos dos Apóstolos desenvolve um movimento que inicia em Jerusalém e aponta para Roma, a capital do Império.  É interessante, porém, alargar um pouco nossa visão histórica e perceber que o cristianismo primitivo, ainda no primeiro século, atingiu muitos outros lugares.
Embora o Livro de Atos se refira a números de convertidos, eles são sempre genéricos (em At 2:41 e 4:4 fala-se em três e cinco mil almas, porém o mais comum é multidão, como em At 4:32; 6:2 e 14:1), o que não nos permite traçar uma estatística exata do cristianismo primitivo.  Contudo, parece claro para a história que várias outras comunidades se formaram desde muito cedo a partir da pregação dos demais discípulos e de outros cristãos anônimos.
Além das grandes igrejas em Jerusalém e Antioquia e das igrejas fundadas pelo ministério de Paulo em suas viagens, há ainda outras igrejas indicadas em Atos apenas como uma referência indireta: no dia de Pentecoste muitos dos convertidos não eram de Jerusalém e devem ter levado a mensagem ao voltarem para sua casa (em At 2:9-11).  O eunuco igualmente deve ter levado a mensagem à Etiópia (em At 8:26-39).  Ao chegar em Damasco, Saulo já achou uma comunidade (em At 9:19).  E Pedro batizou vários na casa de Cornélio em Cesareia (em At 10:47).
No próprio NT temos indicação de igrejas que Atos não se ocupa em descrever: Pedro cita igrejas em Ponto, Galácia, Capadócia, províncias da Ásia e Bitínia (veja 1Pe 1:1); as sete igrejas do Apocalipse também são uma boa indicação (confira em Ap 1:11); e Paulo se refere a igrejas fundadas em Ilírico (em Rm 15:19), em Cencréia (em Rm 16:1), em Laodicéia (em Cl 3:15), e ao longo da Galiléia (em 1Co 16:1); como também a igreja dos colossenses que não é citada no Livro de Atos dos Apóstolos.
Outras comunidades cristãs fora da Palestina, que não são registradas, nem em Atos nem nas epístolas, também conheceram o evangelho desde aquele século: na Síria (igreja bilíngue, grego e siríaco); nos Bálcãs (atual Sérvia); em Alexandria no Egito (terra de Apolo – igreja de língua copta); no norte da África (atual Tunísia e Argélia) e na Espanha.
Para além das fronteiras romanas, houve igrejas em Partos e na Índia (segundo a tradição, fundada por Tomé); entre os citos (por André) e na Armênia (o primeiro país oficialmente cristão); e outras pequenas comunidades ao longo da Mesopotâmia. Contudo, infelizmente, várias destas igrejas cristãs não sobreviveram além do II ou III séculos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

ELE PERMANECE FIEL


A frase "Deus é fiel" se tornou bem popular nestes dias.  Ela está escrita e decalcada em vários lugares: de estampas em camisas a adesivos para carros.  Contudo, é bom observar que mais que uma frase de efeito, aqui está uma afirmação básica de minha fé e esperança: o Deus em quem confio e no qual espero é fiel. 
Veja comigo então o que isto quer dizer.
Em 2Tm 2:13 está escrito: se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.  Neste verso está resumida toda a razão da confiança e esperança que tenho em um Deus fiel.
Duas afirmações me saltam do texto:
Primeira: a fidelidade de Deus não depende de minha conduta ou posição.  Deus é fiel para comigo apesar de, eventualmente, eu não conseguir manter minha fidelidade para com ele.  Não há uma relação de causa e efeito entre a atitude de Deus e minha resposta.
Segunda: na mesma linha da anterior, é da essência da natureza divina ser fiel.  Deus é em si mesmo fiel: o seu modo próprio de ser é a fidelidade, ou seja, se deixar de ser fiel, deixa de ser Deus – este atributo divino é inquestionável.
E então, que devo fazer diante de um Deus que é essencialmente fiel?  É bom, ouvir o conselho do salmista: Entregue seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá (Sl 37:5).
A palavra do salmista pode ser percebida nos dois verbos:
a) Entregue – sendo Deus fiel então posso entregar meu caminho ao Senhor e deixar que ele o conduza para o melhor destino; e
b) Confie – ainda reconhecendo a fidelidade divina, resta-me apenas confiar e descansar inteiramente no Salvador que ele me valerá.
Deus é fiel!  Aleluia!  Que esta não seja apenas mais uma frase em minha vida; mas a expressão de louvor e gratidão de uma alma que aprendeu a se entregar e confiar inteiramente no Senhor.
Para a glória dele.  Amém.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

MARCAS DO MEU PAI




Ontem celebramos um culto em ação de graças pelo aniversário de minha irmã.  Ao final da festa, enquanto ficávamos por ali gastando os últimos fiapos de conversa, flagramos essa imagem aí: meu pai, num canto à parte com a velha amiga – uma Bíblia.
Filhos e neto se voltaram para a cena (o registro foi de André, o neto, em seu celular).  Apesar do peso dos anos, do brilho na mente cada vez mais ausente, do opaco insistente da visão, a intimidade de uma vida dedicada ao Livro ninguém apaga.
Lá estava ele como quem busca mais um diálogo com Aquele que sempre teve tanto a lhe dizer – a nos dizer.
Passei a madrugada tentando achar as palavras certas para citar e reconhecer o registro do legado incalculável do meu pai mas o novo dia amanheceu sem que as tenha encontrado. 
– Como colocar numa frase toda uma vida?
Ali estava o Pastor Jabes Nogueira e uma Bíblia.  Simplesmente eles.
E por me faltarem expressões, vou me permitir fazer uma citação.  Entendo que o Logos na canção "Marcas de Valor" consegue dizer com sua poesia melhor que qualquer descrição.
Esse tem sido meu pai:

Iguais a eles são bem poucos hoje em dia
Que realmente andam perto do Senhor
Que, já libertos de seus vícios e pecados, vivem como perdoados
Propagando a salvação
São tais pessoas que são fortes, sendo fracas
E, por isso, deixam marcas para outros como eu
Andarem perto do Senhor, verem milagres de amor
Pisar em marcas.

Oh!!! Glória!!!

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

HABITANDO NA SOMBRA


O Salmo 91 é certamente um dos mais conhecidos do Saltério.  Sem dúvida muitos já utilizaram suas palavras como expressão de sua súplica em momentos de angústia e temor.  Realmente a sua poesia é rica e seu conteúdo inspirado: Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo... Estas palavras nos dão conforto e alívio.
Buscando isto, quero me deter um pouco em duas destas palavras que se destacam no texto – ambas no verso um: entendo que elas nortearão todo o salmo.
SOMBRA – esta palavra pode ter duplo sentido.  Em diversos textos sombra está associada à morte; mas aqui no Sl 91 ela é sinal da proteção divina.  A referência é ao cuidado de uma grande ave que acolhe sua ninhada sob a proteção de suas poderosas asas. 
Na mesma linha, o Sl 57:1 expressa a oração do salmista suplicando pela sombra divina no momento de calamidade.
É bom saber que seja qual for a circunstância, ainda que um sol causticante, seco e desértico venha a me assolar, posso encontrar abrigo sob as asas do Senhor. 
Como é reconfortante ter uma sombra acolhedora onde é possível descansar das labutas desta vida!
HABITAR – também este verbo pode oferecer diversidade de interpretações.  Porém o que parece claro no salmo é que se faz uma mesma referência ao Sl 23:6.  Mais do que simplesmente passagens esporádicas diante do Senhor, é fundamental habitar – fazer morada – nos átrios do Senhor.
Não há outro lugar melhor que estar na presença divina.  E necessário que se viva nesta presença.  Toda a proteção da sombra de Deus pode ser dispensada para aqueles que habitam em sua presença.
Somente quando verdadeiramente habitamos na sombra Altíssima do Onipotente é que experimentaremos o cumprimento da promessa contida no último verso: Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação (Sl 91:16).