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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O CÂNTICO DE MARIA

 


O Evangelho de Lucas é recheado de cânticos e expressões de louvor.  Lucas entendeu que Deus decidiu entrar na história humana, cumprindo as profecias e demonstrando favor e graça.  E já deste o início nos diz que, diante desta graça, devemos oferecer uma resposta de louvor e adoração com cânticos e disposição de se entregar à sua vontade.

 

E o Cântico de Maria é um bom exemplo disso.  Registrado nos versos 46 a 55 do primeiro capítulo, este cântico é um modelo de adoração. 

 

Vejamos:

 

Ela começou engrandecendo ao Senhor (v. 46).  Assim deve começar todo louvor e adoração.  Mas não o faz de maneira aleatória ou sem propósito.

Maria cantou e engrandeceu com a sua alma por que, na sua grandeza, o Senhor baixou-se para contemplar a sua serva (v. 48).  Ela adorou o Deus grande que se importa com os humildes.

E no verso 49 Maria reconheceu em sua adoração que Deus a merece tanto pelo que ele faz – realizou grandes coisas – quanto pelo que ele é – Santo é o seu nome.

(A partir de um extrato da Revista "Lucas" – Editora Sabre)

 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

UMA CRIANÇA NASCEU – Mensagem de Natal

  

Na postagem anterior eu me ocupei com alguma observação de certas palavras que me saltam da profecia de Is 9:6.  Foi mais um trabalho linguístico rápido.  Mas, se quiser enriquecer seu conhecimento, volte lá (link aqui).

Agora, vou retomar dos primeiros parágrafos daquela postagem e refletir sobre a mensagem do Natal, tendo como pano de fundo as palavras proféticas.

 

Nessa época de Natal, é sempre bom pensar nas profecias antigas.  Então eu volto os meus olhos para as palavras do Isaías – escritas sete séculos antes da era cristã – e ler o que está ali.

O capítulo nove do Livro das Profecias de Isaias sempre nos chama a atenção nessa época.  Todo o texto é inspirador.  Aqui, porém quero destacar apenas o verso # 6.  As suas palavras eu decorei ainda criança e já as repeti incontáveis vezes.

 

Pois uma criança nasceu para nós,
Um filho nos foi dado;
E a soberania estará sobre seu ombro.
Então seu nome será proclamado:
Consolador admirável,
Deus forte,
Pai eterno,
Príncipe da paz.

 

O evangelista Mateus anunciou o início do ministério terreno de Jesus se referindo às palavras de Isaias: “Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaias ...” (Mt 4:14 – e segue citando Is 9:1-2).

Essa é uma boa referência da compreensão cristã de que as palavras antigas devem ser lincadas a Jesus.  Ou seja, os cristãos primitivos viram naquele oráculo o anúncio e as características do Messias – e ele era Jesus de Nazaré.

E então devo continuar lendo o texto na mesma perspectiva.

 

A criança celebrada no Natal é a que nos foi dada como manifestação suprema da graça de Deus.  Ela não foi gerada por vontade humana, é a demonstração histórica daquilo que o Eterno tinha de mais significativo para nos conceder em seu amor – simplesmente uma criança, um filho.

 

Porque a criança é uma criança para nós.

 

Acontece que essa criança concedida pela graça, mesmo assumindo a forma humana e frágil, ela reúne em si toda a força e potência da criação, pois todo o poder lhe foi dado nos céus e na terra (palavras de Mt 28:18).

Um filho nos foi dado e sobre seus ombros repousa o governo e a soberania do mundo e da história. 

O Todo-Poderoso em si é a dádiva da criança que nasceu no Natal.

 

Assim podemos então celebrar e proclamar, reconhecendo seus atributos singulares:

 

Uma criança nasceu.  E ela é aquele que consola de maneira admirável!  Sua maravilhosa ação recolhe nossas lástimas e lágrimas pois se dispôs a andar conosco no vale de sombras e morte.

Uma criança nasceu.  E ela é um Deus Onipotente.  Não há força, potestade, governo ou riqueza que sequer faça frente ao seu controle.  Seu poder é absoluto e sua graça infindável.  Diante dele tremem os poderosos da terra.

Uma criança nasceu.  E ela é o próprio Pai Eterno.  A história, o futuro e a eternidade estão sob os desígnios daquele que é divino de eternidade em eternidade.

Uma criança nasceu.  E ela tem a dignidade do príncipe da paz!  Ela veio para nos ministrar paz.  Ela é o que põe em paz os nossos limites.  É ela quem tudo comanda com a sua Shalom.

 

Louvada seja a criança que nasceu no Natal!

 

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

MARIA E A ANUNCIAÇÃO

O Evangelho de Lucas conta que o anjo Gabriel foi ao encontrado de uma jovem que morava no pequeno vilarejo de Nazaré, na Galileia.  É a narração bastante conhecida da anunciação da concepção virginal de Maria.

Preciso fazer alguns destaques no diálogo entre o anjo e Maria, bem como de suas dúvidas e fé.

Em primeiro lugar, o anjo saudou Maria reconhecendo que a graça divina estava sobre ela e, mais ainda, que o próprio Senhor estava com ela.  Somente pela presença e companhia do Senhor que sua graça se torna real em nós.

Mas, embora Maria tenha achado graça diante de Deus, ela sozinha seria incapaz de gerar uma criança.  Daí seu questionamento sincero e razoável:

 – Como vai ser isso, se não conheço homem?

 Foi então que o anjo anunciou: o Espírito Santo descerá (Lc 1:35).  Quando não há a possibilidade de realização humana, somente o poder do Altíssimo é que faz realizar as suas maravilhas. 

Deus sempre providencia os meios (compare com o verso 37 adiante).

Assim, mesmo sem entender direito como aconteceria, a resposta de Maria deve nos servir de lição.  Diante do anuncio do anjo, a virgem respondeu: aconteça comigo de acordo com a tua palavra (Lc 1:38). 

É esta disposição que encontra graça diante de Deus.

 (A partir de um estudo publicado na Revista “Lucas” – Editora Sabre)

 


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

EM SILÊNCIO

 
 


Em silêncio toda a carne,
com temor e devoção
abandone, reverente,
todo o pensamento vão.
Nosso Deus à terra desce:
tributai-lhe adoração!

 

Cantei pela primeira vez a canção "Em silêncio toda carne" em 1986.  Tinha acabado de me incorporar ao grupo do Coral Sinfônico do Seminário do Norte em Recife e conheci o arranjo do Prof. Ralf Manuel ainda em manuscrito.  Se há experiências que ficam impregnadas na alma, essa canção me foi uma delas.

(A versão que foi para o HCC nº 89 talvez seja menos trabalhada e menos coral que a do Prof. Ralf, mas conserva ainda a linha sublime da música.)

A sua melodia original é francesa do século XVII e consegue me transmitir a sensação de contemplação e transcendência das antigas catedrais cristãs.

A sequência em tom menor inicia suavemente - em linguagem musical: piano - como se nos convidasse a humildemente entrar na presença do sagrado, e em silêncio reverente tributar a ele a adoração exclusiva.

Deus está ali.  E eu me devoto reverente a ele.

 

Rei dos reis, da virgem Filho,
entre nós ele habitou.
Deus, em corpo e sangue humano,
Deus, Senhor que se humilhou
os seus filhos alimenta.
Ele disse: “O Pão Eu sou.”

 

A segunda estrofe começa com um mezzo forte e vai crescendo como quem já se ambientou na presença do sagrado e agora vai adiante com ousadia buscando o clímax.

Em geral essa música está relacionada aos cantos natalinos (a versão de 1986 fez parte da Coleção Natalina do Coral Sinfônico e no HCC ela está incluída entre este tema).

A sua letra, porém, remete à Liturgia Grega de São Tiago no século V e conheceu sua primeira versão em português na década de 1960 através do trabalho do Pr. João Wilson Faustini.

Mas ela vai além das celebrações do nascimento de Jesus.  É a afirmação básica de nossa fé que declara e reconhece um Deus que, em sua realeza, humilhou-se para se tornar corpo e sangue humano e assim se oferecer como o Pão Vivo que alimenta seus filhos.

 

Vigilantes anjos voam
ao redor do Criador
e, cobrindo as suas faces,
cantam o eternal louvor:
“Aleluia, aleluia!
Ao supremo Deus, Senhor!”

 

Estamos agora já cantando em uma dinâmica forte.  Mas a música ainda tem o que nos dizer.  Ou melhor, ainda há profissão de fé e reconhecimento dos atributos divinos a serem cantados.  Diante dele fomos trazidos nessa catedral espiritual e o hino nos conduziu no canto àquele que é digno de receber todo o eternal louvor.

E o crescendo nos leva ao fortíssimo.  Aqui nossa canção se soma ao coro dos anjos.

Assim, começamos silenciosa e reverentemente entrando na presença do Augusto Sagrado e por fim, com nossa alma saciada, irrompemos em adoração:

"Aleluia, aleluia! Ao supremo Deus, Senhor!"

 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O NASCIMENTO HUMILDE


Razões completamente alheias à vontade de José o levaram a Belém (leia em Lc 2:1-5).  Ele morava em Nazaré, mas para cumprir um decreto romano teve de ir com Maria, sua mulher, à cidade de Davi.  E em meio a esta movimentação cumpriram-se os dias de Maria dar à luz (dito no v. 6).
Toda aquela situação era desconfortável e o que Lucas no chama a atenção é a condição humilde já presente desde o nascimento de Jesus.  Narrando o seu nascimento em situação de completo desapego e falta de ostentação para um filho de rei, Lucas está nos dizendo que ele esvaziou-se a si mesmo para se tornar humano com cada um de nós (a frase é de Paulo e está em Fl 2:7).
Não havia uma acomodação adequada na estalagem e o casal teve que agasalhar sua criança recém-nascida numa manjedoura (veja 2:7).  E assim, uma história que começa quase de maneira despretensiosa, irá se moldar para ser a história da redenção do ser humano.
E sobre o nascimento humilde de Jesus conforme narrado por Lucas, completam a cena alguns pastores que cumpriam seu turno de guardar rebanhos nos campos e foram surpreendidos pela notícia maravilhosa (leia 2:8 em diante).
Eles não tinham muito a oferecer, mas tiveram o privilégio de testemunharem aquele evento formidável.  Primeiro ainda lá campo, quando ouviram o coral de anjos glorificando a Deus nas maiores alturas (v. 14) e depois por terem decidido ir até onde estava o menino para poderem ver o que Deus os tinha feito saber (v. 15).
Então, por fim, eles mesmos voltaram glorificando a Deus pelas coisas que tinham visto e ouvido (v. 20).
(Extraído da Revista: "Lucas" – Editora Sabre)

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A ENCARNAÇÃO DO VERBO

Chegando à época das festas, é quase que obrigação – ou padrão pelo menos – que se fale de celebração, amor, confraternização – o Natal.  O clima toma conta do ar.  Mesmo para aqueles que não se sentem muito confortáveis neste período, é difícil, quase impossível, se manter indiferente: a decoração nas casas e comércio, as campanhas publicitárias, as festinhas de confraternização, as programações eclesiásticas.  Tudo compõem para o cenário.
Então, aproveitando o ensejo, e já como que conduzido pela ambientação natalina, eu me dei a liberdade de relembrar os anos de magistério teológico quando geralmente iniciava as aulas sobre Jesus Cristo com três perguntas básicas: Uma – quando Jesus nasceu?  Duas – onde Jesus nasceu?  Três – por que Jesus nasceu?
O texto sagrado diz que o Verbo se fez carne e habitou entre nós (confira em Jo 1:14).  Esse é o ponto de partida necessário para toda compreensão da encarnação – e também uma excelente configuração para dar sentido ao natal.
Vamos lá pensar no tema proposto:
1. Quando Jesus nasceu?
Para esta primeira pergunta, em geral deixava a turma se soltar um pouco.  Sempre tinha aqueles que se mostravam entendidos e traziam respostas sobre a datação dos festejos natalinos e tal...
Ao retomar a palavra, eu oferecia duas respostas simples.  De um ponto de vista histórico, ou cronológico, Jesus nasceu no primeiro século da era cristã – óbvio! – quando Julio César era imperador de Roma e Herodes era rei-vassalo em Jerusalém.
Mas esta não é a resposta principal.  A Bíblia fala em plenitude dos tempos (leia em Gl 4:4).  Isto sim é importante!
Numa visão geral do que Paulo diz, significa que Jesus nasceu quando tudo já estava no lugar devido para que sua missão alcançasse o maior êxito possível.  Era o tempo apropriado e determinado pelo próprio Pai para que se desse a encarnação do Filho.
Além do que, Deus preparou tudo para que nenhum detalhe das profecias falhasse.  Assim, nem antes nem depois do tempo certo: no tempo de Deus.
2. Onde Jesus nasceu?
Bem, aí eles já estavam mais ressabiados e se motivavam em citar referências geográficas da Palestina, cidades como Nazaré e Belém.  Lembro vez ou outra ouvir comentários sobre a encarnação se dá especificamente no ventre da virgem – isso é bonito; está certo; e até dá caldo teológico!
E, sem desmerecer nenhuma desta respostas, acrescentava o que a Bíblia diz: Deus enviou seu Filho ao mundo (palavras de Jo 3:17).  A encarnação se dá no mundo.  Mas não um mundo apenas físico, topográfico, planetário.  Nem ao menos um mundo ideal como pensado e criado por Deus no princípio; um mundo mexido e remexido por homens e mulheres, um mundo humano.
Deus se fez carne em Jesus para viver no mundo do jeito em que nós estamos, o nosso mundo, com todas as mazelas com as quais construímos nossa história.  Ele veio me encontrar exatamente onde eu estou.
3. Por que Jesus nasceu?
Aqui a confusão entre para que – objetivo – e por que – motivação – sempre pareceu inevitável.  Não vou tentar desentranhar esse nó.
Então, depois de alguma discussão sobre pecado, necessidade de remissão, plano de salvação, coerência profética e outros temas de profundidade teológica, se fazia necessário uma ajuda:
— A resposta mais certa é a mais simples!  Não compliquem!
A encarnação aconteceu e Jesus nasceu simplesmente porque ele quis!!!
Deus podia ter feito tudo diferente: remissão, salvação, profecia.  Mas escolheu por que quis demonstrar sua graça, misericórdia e amor desse jeito.  A encarnação é, em sua maior essência, a manifestação da absoluta vontade divina.  Sua soberania.  Seu senhorio inquestionável.
E não me venha falar em cumprimento obrigatório de sua palavra.  Ele também falou por que quis!
A encarnação é o querer de Deus se mostrando histórico e relevante para a humanidade em geral e significativo para mim, apenas um homem.  Deus me ama livre e soberanamente e o demonstrou de maneira inequívoca na encarnação.
É isso que celebramos no natal.  É isso que os anjos cantaram aos pastores de Belém.

... e vimos a sua glória como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e verdade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

OH NOITE SANTA!

Pequena vila de Belém
Repousa em seu dormir
Enquanto os astros lá no céu
Estão a refulgir
Esta é uma das primeiras lembranças que tenho de celebração do Natal.  Não lembro exatamente o ano, mas sei que não tinha ainda oito ou dez anos de idade.  Perfilado no coro infantil, no velho santuário de nossa igreja, vestido com uma pequena beca que cobria os ombros e torço de vermelho e verde, cantei solene e respeitosamente a minha primeira canção de natal.
Já disse em outras ocasiões que o Natal não é a festa que mais me empolga (reveja aqui), mas com certeza não foi pela canção – essa é uma recordação que guardo com carinho.
Entre as várias características mais marcantes do Natal, e de sua celebração entre nós, estão as diversas músicas que dão o tom à festa.  De origens diversas quanto ao lugar e época, elas são uma tradição à parte.  Sei que há aquelas que apenas falam do tal espírito natalino ou coisas parecidas (junto elas às chatices da época).  Mas há as verdadeiras canções de Natal, aquelas que nos falam do inusitado evento de Belém e tudo o que aquilo representa para a nossa história – a história humana – e para nossa alma.  Cristo nasceu no Natal.
Penso que, entre todas, a mais tradicional canção de Natal é Noite de Paz (no original em inglês Silent Night) – todo mundo já cantou.  E não seria exagero dizer que sua melodia se mistura de maneira única com o Natal.
Eu penso, porém, que uma outra música, também tradicional, representa melhor o verdadeiro significado da celebração natalina: Oh Noite Santa! (no original francês Cantique de Noël).
Alguns dados sobre a canção: segundo achei na wikipedia o "Cantique de Noël" foi composta por Adolphe Adam para um poema francês intitulado "Minuit, Chrétiens" (Meia-noite, Cristãos) por um comerciante de vinhos e poeta chamado Placide Cappeau.
Ainda na página da internet, conta-se que em Roquemaure/França, no final do ano de 1843, o órgão da igreja havia sido reformado e para comemorar o evento, o pároco local JS Dwight pediu a Cappeau para escrever um poema de Natal.  Cappeau fez isso, apesar de ser um anticlerical professo e ateu.  A canção foi então estreada em Roquemaure em 1847 pelo cantor de ópera Emily Laurey.
Depois dali, incontáveis outros arranjos já foram feitos.
Mas não são estas informações históricas que fazem dela a tão significativa representação do Natal como celebramos.  É sua combinação muito bem ajustada entre elementos musicais e letra. 
A partitura indica o andamento: andante maestoso.  É neste movimento majestoso que se começa cantando sobre a noite solene quando Deus desceu como homem para estar entre nós.  Um convite à reflexão, contrição e devoção.  A canção segue nos lembrando que a criança naquele berço veio para expurgar a mancha do pecado original.
Chegamos então ao momento principal – grandioso – da canção: Noel! Noel! Voici le Rédempteur! (Natal! Natal! Eis aqui o Redentor!).  As notas agudas propostas para o trecho nos apontam para uma efusão de louvor e exaltação ao Redentor Cristo que nasceu no Natal. 
Diante do Rei dos reis que nasceu em uma manjedoura humilde inclinamos nossas cabeças em reverência, mas somos chamados a, de pé, cantarmos com júbilo ao Redentor.
Oh Noite Santa!  Este é o Natal.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A NOITE SANTA


Este final de ano o Coral Idade Feliz de nossa igreja apresentou um musical intitulado "A Noite Santa".  Depois de alguns meses de ensaio e preparação (em vários sentidos), e aproveitando o ensejo natalino, cantamos e anunciamos a mensagem verdadeira do nascimento de Jesus na noite de Belém.
O musical em si reuniu canções tradicionais como Adeste Fidelis e Noite de Paz com outras mais recentes como O Verbo Virou Gente (do pessoal da IB do Morumbi), sem deixar de citar os eventos da cruz e da ressurreição, tendo como mote a declaração:
Oh noite santa, de estrelas fulgurantes, oh linda noite em que Cristo nasceu!
Não foi um espetáculo de natal – até porque em nenhum momento este foi o objetivo – foi mais que isso.  O que fizemos em primeiro lugar louvar a Deus e também demonstrar um pouco para a Igreja o resultado de um ano de trabalho com o grupo de terceira idade que ensaiou, refletiu sobre a criança da manjedoura, e de alguma maneira buscou vivenciar aqueles momentos em nossas vidas. 
E com o valioso e abençoado acréscimo de alguns queridos que, com sua arte, tocaram seus instrumentos para a glória Deus se somando ao coral, ficou tudo muito lindo.
Uma coisa, contudo, ficou muito claro para nós.  O que realmente afagou a nossa alma nisto tudo não foi tocar ou cantar arranjos tradicionais de natal ou aproveitar o clima das festividades; foi saber que estávamos narrando a nossa própria história.  Fomos convidados a adorar contemplando a criança que repousou tranquila nos braços da mãe carinhosa; e que isso foi o cumprimento de profecias antigas e a manifestação de um amor profundo.
Os anjos cantaram glória a Deus nas alturas e juntos declaramos com Maria que nossa alma engrandece ao Santo de Israel por ter feito nossa vide florescer.
Assim é a mensagem da noite santa, assim cantamos e celebramos, assim terminamos com um convite: Vem, Jesus, Habitar Comigo.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É NATAL, MAS PREFIRO A PÁSCOA!


Chegando ao final do ano, as casas e a cidade vão ficando enfeitadas, a agitação e as expectativas de festas, celebrações e comemorações já são bem vívidas.  Também é momento de reavaliações, projetos e reafirmações.  Isso sem falar nos presentes, lembranças, ceias e tudo o mais...  Natal é sempre assim!
Mas prefiro a páscoa!  Não tenho nada contra a festa natalina; ela também é bonita e gostosa.  Mas meu espírito cristão se inclina em especial para a festa pascoal.
Se me permite, acompanhe comigo.
Que a festa de Natal não é originalmente cristã, isso é verdade.  Os cristãos primitivos nem sequer citavam tal celebração e somente muito tempo depois tais festividades foram incorporadas ao calendário litúrgico cristão.  Mas não creio que seja este o problema.  Assim como as pessoas, as celebrações nascidas pagãs podem se tornar cristãs pela força transformadora do evangelho – e eu creio piamente nisto! (já leu Rm 12:2 nesta perspectiva?).
No Natal se celebra o nascimento virginal de Cristo, a encarnação, o cumprimento de profecias antiquíssimas.  Isso também não pode ser o problema, pelo contrário, é bom saber que no seu tempo Deus cumpriu sua palavra (veja Gl 4:4) e, afinal, o Deus-feito-homem é o centro de nossa história e isso só foi possível com o evento de Belém.
Paralelamente festejamos no Natal a união, a fraternidade e o companheirismo entre mulheres e homens e entre os povos.  É claro que tal espírito coincide profundamente com a mensagem cristã, e isso é válido! (como é significativo Jo 17:22).
Então, onde reside o ponto da preferência?  Veja o que o Natal me evoca, como sentimento associado (seria o tal espírito natalino?): troca, reciprocidade, cumplicidade; mas também opulência, prosperidade, grandiosidade e sucesso.  Nesta época sobressaem as grandes campanhas publicitárias, as imagens iluminadas, as mesas fartamente recheadas e decoradas, os presentes comprados e os sorrisos encomendados – isso sem falar na neve que meus olhos nordestinos insistem em estranhar!
Por outro lado, a Páscoa sempre me traz à memória a renúncia, a entrega apaixonada pelos que precisam da graça e nada têm a oferecer.  Natal é nascimento, Páscoa é morte.  Natal é berço, Páscoa é cruz.  Natal é expectativa, Páscoa é realização.  Natal é cristão, Páscoa é mais cristão ainda.  Natal é festa da humanidade, Páscoa é serviço cristão.
Sim, o Natal é lindo, mas eu prefiro a Páscoa.  Não vou me aborrecer com a festa ou com quem, a partir dela, celebra (e penso que até vou comer alguma ceia por aí); mas deixe-me preferir o sacrifício único do meu amado e lembrar que a todo instante do meu ano (e da minha vida), sem o Calvário, a estrebaria seria só mais uma data entre tantas outras a se incluir em nosso calendário de celebrações. 
Celebro o Natal: com os anjos canto as boas novas glorificando a Deus (o louvor dos anjos está em Lc 2:14); mas prefiro a páscoa celebrando-a com os anciãos na eternidade: "digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!" (lá em Ap 5:12).  E convido a todos a celebrar comigo.
(Publicado originalmente em www.batistasdesergipe.com em dez/2009)