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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Doenças da Alma – HIPOCONDRIA


Nesta série de reflexões sobre Doenças da Alma analisamos mais de uma dezena de doenças, moléstias e transtornos causados por infestação de agentes externos ou por descuidados que infligimos em nós mesmos.  Males que têm raízes genéticas ou nos são trazidos pelo mundo que jaz no maligno e que nos rodeia.  Todas doenças que afligem o ser humano, obra-prima de Deus e, por isso, são males que os maculam, entortam, enfeiam, sujam e danificam por inteiro.
Em cada caso estudado, buscamos ir além da informação técnico-científica para tentar entender como uma moléstia assim adoece mulheres e homens, começando por macular sua alma e contaminando toda sua vida, sua fé, seus relacionamentos, sanidade e santidade.  Contudo, o mais importante foi buscar a cura para cada doença no receituário revelado e se deixar ser curado por aquele que é tanto o médico como o próprio remédio: o que dá a vida pelos seus (confirme esta doação em Jo 10:11).
Assim, pretendo trazer, propositadamente, para concluir a série, uma reflexão sobre a hipocondria – que eu vou chamar aqui de a doença das doenças, ou mania de doença.  Segundo o Hospital Israelita A. Einstein, hipocondria é uma obsessão com a ideia de ter um problema médico grave, mas não diagnosticado.
Muita gente vai considerar este problema como sintoma de maluquice, transtorno de quem só quer chamar a atenção, estresse, insegurança ou outra coisa o valha.  E estas atitudes podem tanto ter uma pitada de preconceito, como disfarçar uma boa dose de verdade.
Mas a doença é real.  Quem sofre com ela se vê angustiado pela possibilidade de uma tosse ser prenúncio de tuberculose, uma coceira ser diagnosticada como melanoma ou ainda uma palpitação como sintoma de grave disfunção coronária.
A tosse, a coceira e a palpitação não são inventadas.  Elas realmente estão lá causando transtornos.  Mas a preocupação desmedida de que sintomas pequenos indiquem algo grave leva o paciente a uma via crucis atrás de médicos especialistas, exames detalhados e novos diagnósticos, nunca se satisfazendo com os resultados indicados e aumentando a angústia, num círculo vicioso e ciclo infindável e crescente de doença.
Diante de tal quadro, constatamos que muitos cristãos padecem de sério problema de hipocondria espiritual e têm sua alma doente com sintomas superdimensionados e males cuja solução podem ser facilmente obtida, mas que acarretam dores e traumas terríveis que os acompanham por toda uma sofrida existência.
Um cristão hipocondríaco nunca é capaz de crer realmente que os inconvenientes fazem parte da vida – ele sempre acha ainda que precisa da bênção completa!  Ele é incapaz de entender que, embora real e algumas vezes dolorosas, a leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente (e como traz cura o texto de 2Co 4:17!).
É preciso desenvolver a fé para crer que a tosse é apenas uma irritação inconsequente e que não indica infecção espiritual – o Espírito continua ventilando a alma (Jo 20:22).  A coceira pode ser apenas a vida se renovando e devolvendo-lhe a força da juventude espiritual – o vigor e a beleza da tez espiritual estão se refazendo (Sl 103:5).  A palpitação, com certeza, é a alma se preparando para águas mais profundas – lá onde a pesca é maravilhosa (Lc 5:4).
E não há outra citação com a qual eu possa concluir esta série de reflexões sobre doenças da alma que nos afligem nesta caminhada cristã – ou especificamente sobre qualquer mania de doença que se venha a deixar contaminar a alma: é a certeza profética, proferida e cumprida gloriosamente.
Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças, contudo nós o consideramos castigado por Deus, por ele atingido e afligido.  Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados (Is 53:4-5).

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Doenças da Alma – ANEMIA


Há ainda uma doença da alma que deve requerer toda a nossa atenção e cuidado: a anemia.  E em nosso caso, tal cuidado e atenção é mais que justificável, uma vez que é um mal relacionado ao sangue – e não tem desvincular o sangue de nossa vida e fé!
Mas eu volto já ao sangue.  Por ora é preciso dar a palavra aos especialistas para que entendamos melhor do que se trata a anemia. 
De acordo com o Hemocentro da Unicamp, o termo anemia indica qualquer doença em que há uma redução da massa (ou quantidade) total de glóbulos vermelhos em um indivíduo.
E aqui está a maior problemática da anemia, como os glóbulos vermelhos são responsáveis pelo transporte do oxigênio para os tecidos, esta redução leva a uma menor liberação de oxigênio para todos os órgãos.
Em resumo: quando falta sangue – ou qualidade a ele – a vida corre risco.  E isso pode acontecer de tal maneira lenta ao longo da vida, que nem sentimos que já estamos morrendo, tentando se adaptar à vida rala, fraca e pobre de nutrientes e oxigênio.
Então, voltemos ao sangue.  No Livro da Lei nós lemos claramente que a vida da carne está no sangue (em Lv 17:11).  Só que com a Nova Aliança feita no Calvário, o sangue passou a ter para nós uma dimensão espiritual bem mais significativa.  Assim, a anemia da alma é muito mais grave e traz prejuízos mais danosos que a carência de glóbulos no sangue que irriga a carne.
É o sangue do Calvário que unicamente nos outorga vida.  Fomos perdoados, resgatados, remidos, salvos pelo sangue do Cordeiro pascal.  E se acha que é exagero, lembre o que diz a visão do Apocalipse: Bem-aventurados todos os que lavam as suas roupas no sangue do Cordeiro, e assim ganham o direito à árvore da vida, e podem adentrar na Cidade através de seus portais (Ap 22:14).
Na linguagem simbólica da profecia está a afirmação de que somente pelo sangue do Cordeiro é que poderemos adentrar nos portais eternos.
Agora, note a terrível complicação que é quando um cristão passa a ter anemia espiritual e já não lhe corre nas veias espirituais o sangue do Cordeiro na quantidade ou na forma adequada!
É claro que não vou questionar aqui a qualidade do sangue que recebemos diretamente da fonte sagrada, mas quando nossa dieta alimentar espiritual não está adequada ou há ferimentos em nossa alma que estão deixando o precioso sangue escorrer, então toda a nossa vida espiritual está correndo sérios riscos.
Que fazer então? É o próprio Jesus que dá a indicação ao se oferecer única e eternamente por nós: quem beber o meu sangue tem a vida eterna (Jo 6:54).  Para ter saúde e vida espiritual é preciso vencer a anemia da alma.  E no memorial da Ceia do Senhor relembramos e celebramos a transfusão espiritual que recebemos como resultado da graça infinita.
– Bebem dele todos vocês.  Isso é o meu sangue da aliança (Mt 25:26-27).
Vou insistir no sentido memorial e simbólico da Ceia – assim como já fiz com o Apocalipse.  A vida não está no vinho, nem há sacralidade nele que me cure da anemia da alma.  Mas ele atiça meu senso espiritual de dependência daquele que me comprou pelo preço de seu sangue (devo citar aqui Ap 5:9).
Sem o sangue do Cordeiro correndo em minhas veias espirituais o que me resta é anemia e falta de oxigenação e nutrientes em todos os órgãos e tecidos que compõem minha vida espiritual.  E aos poucos vou até me acostumando a essa vida espiritual raquítica – mas realmente vou definhando até que já não reste mais vida em mim.
Mas o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado (palavras de 1Jo 1:7).  É esta purificação – transfusão – que eu celebro solene e alegremente na Ceia que me garante saúde e vida espiritual nutrida e saudável.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Doenças da Alma – VERMINOSES


Um grupo de moléstias entre as mais comum no Brasil ao longo de sua história são as verminoses. E, sem nenhum tipo de preconceito, verme é um problema que atinge a todos, tanto da cidade quanto do campo, tanto crianças quanto adultos, tanto homens quanto mulheres, tanto ricos como pobres. É um mal infelizmente geral e igualitário!
Vamos às definições para entender melhor. A primeira constatação deve ser no sentido de esclarecer que não se trata de uma doença única (por isso o uso do plural). Trata-se de um conjunto de doenças. Daí prevenções, causas, cuidados e tratamentos serem também diferenciados.
Segundo o site do Ministério da Saúde, “verminoses é um grupo de doenças causadas por vermes parasitas que se instalam no organismo. Causadas especialmente pela falta de saneamento básico e hábitos de higiene, os vermes geralmente se alojam nos intestinos, mas podem abrigar-se também em órgãos, como o fígado, pulmões e cérebro”.
Outra definição também importante é o conceito de verme – ou parasita. De acordo com o Dicionário Michaelis: “diz-se de ou organismo que vive em outro organismo (hospedeiro), dele retirando seu alimento e geralmente causando-lhe dano”.
Os casos mais comuns de verminoses que atacam o brasileiro são a ascaridíase (mais conhecida como lombrigas), a teníase (ou solitária), a esquistossomose, a oxiuríase e a tricuríase.
Mas essa compreensão é apenas o ponto de partida para uma constatação maior e mais dura. Embora estejamos estudando nessa série sobre doenças da alma que afligem os crentes, muitas vezes de maneira individual e pessoal. Creio que aqui o problema se mostra mais grave e contundente. Há verminoses atacando e infectando a igreja brasileira. É um mal infelizmente geral e igualitário!
Considere comigo. A igreja é um corpo – o apóstolo Paulo disse isso de maneira clara e direta em 1Co 12:27. E como corpo que somos, temos sido atacados por vermes e parasitas que têm trazido danos à igreja como um organismo vivo como um todo.
Eu sei que tudo deve começar com o indivíduo que vem à comunidade cristã para cultuar e comungar. E é para eles que a advertência do Salmo faz sentido:
Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?
– Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente (Sl 24:3-4).
E lembre que verminose está ligada a problemas de limpeza e higiene!
Porém o problema realmente fica mais sério quando levamos nosso olhar para a igreja como um corpo. Ela está contaminada com parasitas.
A igreja vive de maneira contante e inevitável em meio a um mundo terrivelmente contaminado. Foi Jesus quem constatou quando rogou que não nos tirasse desse mundo, apenas que nos livrasse da contaminação dos vermes que habitam nele (na oração descrita em Jo 17:15).
E entendo que a instrução apostólica tem esse contexto quando alerta: Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo (Fl 1:17).
Mas muitas vezes a falta de higiene espiritual e cuidados com a vida santa e o proceder cristão, a frouxidão moral, o desleixo com as pequenas atitudes tem infestado a igreja de parasitas que estão sugando nutrientes indispensáveis à vida saudável do corpo de Cristo e lhe causando danos tremendos.
Penso que as pequenas raposinhas para as quais Ct 2:15 já nos alertava também podem ser observadas aqui. São pequenas atitudes, brechas e vacilos. São pequenas concessões que nunca deveriam ser dadas pelo Corpo de Cristo, mas que nos infectam de vermes e parasitas e vão-lhe destruindo a sua saúde espiritual.
Considere que orgulho, vaidade, murmuração, fofoca, partidarismo, ciúmes (e a lista de obras da carne é grande…), são parasitas que como doenças se instalam na alma da igreja e a destroem.
Porém, contra todo esse tipo de infestação parasita só há uma salvaguarda realmente eficaz, é o próprio Cristo, nosso médico sanitarista supremo quem diz: Vós já estás limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós (Jo 15:3-4).

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Doenças da Alma – VÍCIOS DE REFRAÇÃO


Em relação ao sistema ocular humano pode-se citar diversos males e problemas que atingem a visão e o olho em si, como a catarata, a conjuntivite, o estrabismo e o glaucoma por exemplo. Mas aqui quero focar minha atenção num conjunto de problemas que o Conselho Brasileiro de Oftalmologia chamou de Vícios de Refração e a partir deles compreender como tais alterações afetam a alma humana.
Em geral, tais vícios podem listados em quatro problemas, a saber:
– Miopia – É a condição em que os olhos podem ver objetos que estão perto, mas não são capazes de enxergar claramente os objetos que estão longe.
O cristão míope na alma, por sua visão espiritual danificada, é incapaz de ver com clareza o que está um pouco além de si mesmo. Em consequência, não enxergando o outro, o próximo, acaba por se tornar egoísta, insensível e sem amor, e assim comprometendo toda a sua saúde cristã.
– Hipermetropia – Ocorre quando o olho é menor do que o normal. Isso cria uma condição de dificuldade para que o cristalino focalize na retina os objetos colocados próximos ao olho.
Com uma condição assim, o cristão de olho pequeno, não é sequer capaz de notar o que Deus tem feito bem ao seu lado. Não conseguindo focalizar nas extraordinárias ações da graça divina manifestas próximas a si mesmo, ele fatalmente acaba não experimentando toda a grandeza do seu amor pessoal.
– Astigmatismo – É causado por diferentes curvaturas corneanas ou por irregularidades na córnea, formando a imagem em planos diferentes o que ocasiona a distorção da mesma.
A retina espiritual irregular do cristão o impede de ver com nitidez a realidade que está ao seu redor pois suas lentes a captam de forma distorcida ou desfocada a qualquer distância. Essa impossibilidade de percepção correta gera uma alma fragmentada, insegura e doentia.
– Presbiopia – Conhecida como “vista cansada”, manifesta-se normalmente após os 40 anos, criando uma dificuldade para enxergar de perto e de longe.
O peso dos anos, a mesmice dos horizontes e das experiências, o cansaço das retinas espirituais embaçam as vivas e vibrantes cores que enchiam e embelezavam os primeiros anos de caminhada cristã, tornando a jornada cada vez mais opaca e sem brilho.
Além destes vícios, há ainda outros problemas relacionados à capacidade do cristão de ver adequadamente tanto o mundo e as pessoas que nos cercam quanto a Deus e as suas manifestações multicoloridas e multiformes (confesso que gosto da expressão como ela aparece em Ef 3:10).
Para estes outros há um termo técnico: discromopsia. Mas podemos chamá-lo mais comumente apenas de daltonismo, que tem a ver com a incapacidade de percepção de espectros de cor específicos. E no que se refere ao olho físico, enquanto as primeiras estavam mais no campo de trabalho da oftalmologia, estas outras afetam mais a especialidade da neurologia.
Seja qual for o caso, quanto aos problemas de visão espiritual aos quais os cristãos se veem acometidos, o especialista médico de nossas almas tem a nos receitar não apenas óculos que corrijam a visão ou atenuem o problema. Ele é a cura.
E para comprovar isso, quero deixar que ele mesmo se apresente. Tomando para si as palavras proféticas, Jesus assumiu que sua missão consistia inclusive em recuperar a vista dos cegos (quando leu o livro de Isaías na Sinagoga de Nazaré em Lc 4:18).
Sei que há nessa passagem toda uma contextualização histórica e que a missão de Jesus deve aliar aspectos físicos e espirituais (já notaram quantos cegos, durante seu ministério terreno, ele curou!?). E até por crer que Jesus tanto cura o cego físico quanto corrige vícios e males de refração, daltonismo e demais incapacidades de visão espiritual é que posso ter a convicção de que ao ter minha visão tocada por Jesus poderei exclamar:
– Uma coisa sei: eu tinha visão prejudicada e comprometida; era cego e agora vejo! (repetindo a expressão do ex-cego em Jo 9:25).

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Doenças da Alma – FIBROMIALGIA


Chego aqui a mais uma doença que tem afligido o ser humano, a fibromialgia. Somente em tempos recentes este mal começou a ser identificado e tratado como uma doença distinta. Tanto é que a própria ciência ainda tateia buscando conhecer causas, sintomas específicos, prevenção e tratamento adequado.
Para um conhecimento inicial deste mal, vamos observar o que diz a Mayo Clinic, um centro médico americano especializado em fibromialgia: “A fibromialgia é um distúrbio caracterizado por dor musculoesquelética generalizada acompanhada por problemas de fadiga, sono, memória e humor. Os pesquisadores acreditam que a fibromialgia amplifica sensações dolorosas, afetando a forma como o cérebro processa os sinais de dor.”
Passando estas informações em linguagem mais leiga: fibromialgia é um mal generalizado em que a cabeça do doente interpreta qualquer coisa que aconteça com o corpo como se fosse dor. Por isso doi tudo – sempre.
Dando mais olhadas em sites especializados, pode-se perceber que para esta doença ainda não há tratamento que leve a um estado de superação e cura da doença e que possa ser indicado de forma científica e padronizada para todos os casos detectados. Como disse lá em cima, a ciência médica ainda tateia quando o assunto é fibromialgia.
Em geral o que se recomenda e pode ser feito é buscar cuidados paliativos como terapia cognitivo-comportamental, hidroterapia, técnicas de tratamento quiroprático, alongamento, massagem e acupuntura. E o principal é recomendar alguns truques para distrair-se da dor como exercício físico, gerenciamento de estresse e técnicas de relaxamento, além de incentivo a ocupação com tarefas ligadas a arte, música e alegria.
Mas já falei muito sobre a fibromialgia física. O importante aqui é destacar a fibromialgia do espírito. Temos diagnosticado este mal em diversos cristãos. Como um mal generalizado, a alma destes doentes espirituais interpreta tudo que lhe acontece como sendo algo que lhe inflige dor. E por isso vivem em constante sofrimento doloroso. Qualquer exortação, qualquer movimento ou exercício espiritual, qualquer toque – ainda que carinhoso – lhe causa dor profunda.
E por causa desta constante sensação de dor na alma, seus sintomas vão se irradiando e provocando dores morais, dramas existenciais, complexos de incapacidade, mau humor e indisposição espiritual, isolamento e inaptidão comunitária cristã.
E o pior que a dor não passa!
Agora observe que se para o problema da fibromialgia física, por enquanto, tudo o que os médicos podem oferecer é um prognóstico de possível esperança de vida normal, apesar da dor; para a fibromialgia do espírito o nosso Médico Supremo já providenciou a cura e a eliminação completa de toda a nossa dor ao executar aquilo que o receituário profético já prescrevia:
– Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si mesmo levou todas as nossas dores. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e nas suas dores fomos curados (a profecia está em Is 53:4-5 e o cumprimento foi completo na cruz do Calvário).
É verdade. Eu sei que enquanto transitamos nessa vida aqui, algumas vezes um espinho ou outro realmente fere nossa alma e a sensação de dor e incômodo se mostra inevitável. Mas o santo remédio divino já foi ministrado e seus efeitos já devem começar a ser sentidos por aqui enquanto a profilaxia completa da doença não se dá.
Contudo é a certa esperança da cura definitiva que deve me mover a continuar a jornada cristã, apesar das dores que não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.
Por enquanto disfarçamos a dor da caminhada com arte, música, louvor e exaltação ao que é digno. Então chegará o dia em ele enxugará dos nossos olhos toda a lágrima pois não haverá mais dor alguma – é que estas coisas já passaram.


sexta-feira, 19 de julho de 2019

Doenças da Alma – OSTEOPOROSE


Devemos analisar aqui mais uma doença que aflige nossa alma, a osteoporose. E como o próprio nome sugere, ela é a doença dos ossos porosos. É quando o cálcio que normalmente forma e constitui nossos ossos já não está sendo regularmente reposto e os ossos vão ficando fracos e quebradiços.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, "à medida que envelhecemos, ocorre uma perda natural e gradativa da massa óssea tanto nos homens como nas mulheres. Quando essa perda alcança um nível tão importante a ponto de desorganizar a estrutura dos ossos, aumentando a sua fragilidade e o risco de fraturas, temos então a osteoporose".
E mais: "em geral o que ocorre é que somente após complicações, como dores decorrentes de fraturas é que as pessoas passam a se preocupar. A osteoporose é conhecida como uma doença silenciosa pois não provoca sintomas. Diferentemente do que muitos pensam, cansaço, desconforto, dores articulares e musculares não podem ser atribuídas diretamente à doença e radiografias não são um bom exame diagnóstico."
Entre os fatores que contribuem para o aparecimento da doença podemos citar a queda nos níveis de hormônios provocada pela idade, vida sedentária, falta de cálcio e vitamina D, uso contínuo de determinados medicamentos e até algumas outras doenças como diabetes e artrite reumatoide.
Mas, além destas características físicas da doença, nossa atenção deve-se voltar para a osteoporose como mal que nos debilita a alma.
À medida que a nossa vida espiritual vai avançando em tempo, muitos acabam relaxando de alguns cuidados, é aí que a osteoporose espiritual acontece.
Na juventude espiritual, o vigor e o dinamismo disfarçam problemas que, ao longo da vida, vão se acumulando e quando se chega ao tempo da maturidade cristã, em vez de termos saúde para viver e desfrutar do tempo de plenitude, a fraqueza e o cansaço nos domina. Somos vítimas de osteoporose espiritual.
Faltou uma alimentação adequada lá no começo da vida cristã. O puro leite espiritual, que devia nos nutrir e garantir o cálcio necessário para o fortalecimento dos ossos espirituais, foi escasso e agora toda a estrutura de sustentação da alma já está tão porosa que mal aguenta nosso peso (sugiro ler 1Pe 2:2). Por isso muitos crentes velhos vivem encurvados – mas não por conta do peso, e sim por falta de densidade na alma.
Também faltou a muitos a quantidade apropriada de vitamina D. E, além da alimentação adequada, esta fonte de saúde é obtida através do sol. Cristão que não se expõe ao sol divino da justiça e à luz da vida no tempo e maneira apropriados (considere Ml 4:2 e Jo 8:12) acabam sofrendo de deficiência no espírito interior e, por conta disso, qualquer circunstância nessa vida os fazem quebrar.
Outros fatores acarretam pioras nos sintomas. Cristãos de vida espiritual sedentária. Cristãos que não consultam seu Médico da alma com a frequência devida nem se submetem aos tratamentos indicados. Cristãos que se descuidam dos níveis de hormônios santos na alma ao longo da vida. Certamente são cristãos que vivem em grupo de risco de desenvolverem a osteoporose espiritual.
E antes de finalizar, cabe uma pergunta: osteoporose da alma tem cura? Independente dos tratamentos que possam ser indicados para a osteoporose física, uma alma que sofra desta doença pode perfeitamente ter sua condição restaurada, não importando o tempo de vida espiritual nem o quão profunda esteja o mal ou o quanto a estrutura espiritual esteja comprometida.
O Cristo que garante fazer nova todas as coisas (entre outras passagens, a promessa pode ser lida em Ap 21:5); esse Cristo, Cordeiro e Deus, é tanto o Médico que nos cura como o próprio remédio que nos restaura. Sem dúvida, qualquer alma que se encontra fragilizada, curvada, oca por doença, pode ser refeita, restaurada, reestruturada. Cristo recompõe os ossos de minha alma.


sexta-feira, 28 de junho de 2019

Doenças da Alma – DISTÚRBIOS ALIMENTARES


Para começar a refletir sobre alguns distúrbios alimentares e como eles afetam nossas vidas, devo alinhar duas constatações que me parecem óbvias. Primeiro: é verdade que muito do que somos e fazemos está diretamente relacionados à maneira como nos alimentamos – ou não! Segundo: vivemos numa época de exageros e em relação às questões de aparência há, distribuídos nas mídias, verdadeiras tiranias medonhas.
Dito isso, prossigamos. Por distúrbios alimentares, entende-se toda espécie de doença "que se define por padrão de comportamentos alimentares desviantes que afeta negativamente a saúde" (citação do Wikipédia). A página da internet ainda se refere a eles como transtorno ou patologia.
Algumas características e sintomas são identificados de modo geral em qualquer distúrbio alimentar. Eles estão ligados a situações de pressão social e cultural principalmente quanto à distorção da imagem. Podem atingir a todos – embora de maneiras diferentes – sem distinção de gênero, raça, classe social ou idade. Mais: em geral se manifestam a longo prazo. E acarretam outros problemas de ordem psíquica ou física.
Há ainda um dado a ser observado, pois preocupa. Segunda a Dra. Flávia Lopes Macedo, da UFJF, "uma característica de quem tem algum distúrbio alimentar é sentir vergonha do problema. Desse modo, nós temos que ficar atentos. Quando as pessoas têm outras questões de saúde, elas procuram atendimento, mas as portadoras de distúrbios alimentares não costumam fazer isso".
É assim que, em nossa série de reflexões sobre doenças da alma precisamos falar sobre os distúrbios alimentares que afligem o ser humano. Mas não é sobre como eles acontecem em nossos corpos apenas. São doenças da alma e do espírito humano.
Mais uma questão a ser pontuada antes de listar alguns distúrbios alimentares que afetam nossa alma. Embora o pecado da gula esteja ligado a problemas alimentares e muitos cristãos sucumbam a ele – crente come!!! – também não é sobre isso que vamos falar. Eis uma lista:
– Alotriofagia – O nome é complicado mas o mal se refere ao impulso de comer de tudo, principalmente coisas sem valor nutricional ou até prejudiciais. Esse mal afeta cristãos que se sentem atraídos por se alimentarem de toda espécie de bobagem espiritual, sem nunca chegarem a estar minimamente nutridos no espírito.
– Obesidade – É o acúmulo de gordura causado principalmente por dietas não balanceadas e fata de exercício. Acomete o cristão que vive se empanturrando de alimentos – pregações espirituais, estudos, leituras, congressos, campanhas, vigílias e afins – sem qualquer critério e nunca se aplicam aos exercícios espirituais.
– Anorexia – Esse é um mal que infelizmente tem se tornando comum. Na maioria das vezes, por não ser capaz de avaliar corretamente seu perfil estético, o doente se recusa a comer, desejando ficar cada vez mais magro. Assim é que por questões de vaidade pura, ou traumas mais profundos, o cristão se vê acometido desta doença que o impede de perceber a bênção do vigor espiritual, recusando em receber os nutrientes divinos.
– Bulimia – Também causado por uma visão distorcida, assim como a anorexia, porém neste caso, o doente até ingere alimentos, mas sempre depois provoca a expulsão destes através de dietas mirabolantes, diuréticos, jejuns sem sentido, exercícios em excesso e até vômitos. Quando o cristão sofre de bulimia da alma, seus comportamentos e atitudes forçam todo nutriente espiritual com o qual tenham eventualmente se alimentado a serem expulsos de suas vidas, não se beneficiando de nenhum deles.
– Ortorexia – Só recentemente diagnostica por especialistas, essa doença consiste em uma obsessão por se alimentar somente com comida considerada saudável, daí a preocupação com normas e regras alimentares, excesso de zelo quanto ao que é impuro, prazos, ingredientes. Além de que são sempre doentes detalhistas minuciosos. Um cristão assim acaba sofrendo invariavelmente de carência em algum nutriente necessário para sua saúde, e, também desenvolve problemas como isolamento, farisaísmo e neurose espiritual.
Para prevenir e curar estes – e outros – distúrbios alimentares que afligem a alma humana só há uma recomendação indispensável, e foi dada pelo próprio Pão que desceu do céu: assim quem se alimenta de mim, viverá saudável pela vida que dou (em Jo 6:57-58).

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Doenças da Alma – ESCOLIOSE


A próxima doença que devo trazer para nosso conhecimento, reflexão e cuidados é a escoliose – ou "coluna torta" numa linguagem menos técnica. Como esse é um mal que, com facilidade, pode ser percebido visivelmente, desde os primeiros médicos gregos e hindus já havia prescrição e proposta de tratamento desta deformação física.
Ainda citando os termos técnicos, segundo a ABRACES, associação que cuida de pacientes com escoliose, ela pode ser definida como uma curvatura da coluna espinhal anormal, maior que 10º no plano coronal, podendo ser acompanhada de rotação das vértebras, apresentando-se como uma coluna em “S” ou em “C”.
Vamos ampliar um pouco nosso conhecimento. Ao citar a escoliose como uma doença que aflige a coluna, entendo ser apropriado também definir a coluna vertebral. Isso ajuda a entender o mal que a doença causa. Em termos gerais, a coluna vertebral é uma haste flexível formada pelas vértebras. Ela possui, entre outras funções, o sustentamento do corpo e a proteção da medula espinhal.
Observando então a vida e postura de muitos cristãos entre nossas igrejas, uma constatação é inevitável: a escoliose da alma é uma doença bastante recorrente. Visivelmente vários cristãos, membros de nossa comunidade de fé, estão com suas colunas espirituais tortas.
Independente das causas que levam a coluna espiritual do cristão a entortar – elas são variadas – o mal da escoliose espiritual pode ser listada em dois tipos de doentes: o primeiro grupo são das crianças e adolescentes na fé que, por problemas congênitos ou de má postura, desenvolvem um crescimento inadequado de suas estruturas ósseas da alma.
Sem uma formação adequada, as crianças na fé não conseguem manter o alinhamento de suas vidas e condutas espirituais e vão sistemicamente se entortando e deixando de apresentar um posicionamento saudável para um cristão.
O outro grupo de doentes, são os que, mesmo já mais maduros na fé, porém a postura cristã continuadamente errada e o sobrepeso que a vida lhes impõe faz com que suas colunas espirituais se deformem a tal ponto que nem sequer mais podem se manter eretos, estáveis e adequadamente sustentados.
Seja qual for o caso, a escoliose da alma provoca assimetria nos ombros e cintura espirituais, levando a que o corpo penda para um lado ou outro, nunca mantendo o equilíbrio sadio; também dificuldade motora, o que implica em perder liberdade e agilidade para seguir e administrar sua vida cristã. Além da óbvia deformação estética!
Prosseguindo o problema, outras complicações podem ser acrescentadas à doença como dores na alma, algumas até intensas; sensação de fadiga, principalmente depois de prolongado período de inércia espiritual; comprometimento da respiração, com a falta do fluir do Espírito; e até danos na medula e sistema nervoso espiritual.
Mas não devemos falar dos males sem lhes citar a cura. A escoliose espiritual caracterizada como má formação – ou deformação – da coluna precisa urgentemente ser corrigida. E a terapia – principalmente preventiva – foi recomendada pelo apóstolo-médico Paulo a Timóteo: Que nada lhe entorte em sua infância e juventude, mas mantenha a postura exemplar na palavra, no comportamento, no amor, na fé e na pureza (a receita está em 1Tm 4:12 – aqui me dando liberdade a uma leitura própria).
Se porém o problema da escoliose espiritual é cansaço e fadiga da coluna por excesso de peso, sobrecarga, postura ou exposição espiritual inadequada, o remédio é direto e oferecido pelo nosso Médico por excelência: Todos vocês que sofrem com escoliose espiritual, cansados de tanta carga, venham a mim e deixem aqui seu sobrepeso, levem apenas a minha leve e suave mochila (o texto é conhecido e está em Mt 11:28-30).
(Na imagem lá em cima, um detalhe do conhecido “Uomo vitruviano” desenhado por Leonardo da Vinci, provavelmente em 1490, e que atualmente faz parte da coleção da Gallerie dell'Accademia em Veneza / Itália)