sexta-feira, 22 de outubro de 2021

A QUEM VEIO SALVAR

  


O episódio do encontro de Jesus com Zaqueu é significativo em vários sentidos (a história está narrada em Lc 19:1-10). 

Lucas procura contrastar bem todos os personagens.  De início, Zaqueu é apresentado como sendo um publicano – cobrador de impostos, grande em sua função, mas pequeno em estatura.

Era este homem com bastante dinheiro, mas sem prestígio social, que procurava ver Jesus.  E o próprio Mestre lhe dirigiu a palavra anunciando a intenção de ir a sua casa.

Contudo o que deve ser destacado no encontro é que ao receber Jesus na intimidade do seu lar e se dispor a retribuir o que ganhou ilicitamente, Zaqueu estava demonstrando um profundo arrependimento e disposição para aceitar o evangelho que Cristo pregava. 

E Jesus reconheceu isso (ao contrário do que aconteceu com o jovem rico em Lc 18:18-23).

Então o evangelista aponta o outro contrate.  Enquanto o indigno Zaqueu era recebido como filho de Abraão (v. 9), os que observavam a cena criticavam por Jesus ter se hospedado em casa tão desprezível. 

É como se os críticos estivessem a dizer que aquele homem não merecia perdão.  Posição exatamente contrária à de Jesus que declarava que todo arrependido deveria ser aceito (veja o ensinamento em Lc 17:3-4). 

O Filho do Homem veio procurar e salvar aquele que esteve perdido (Lc 19:10).

 

Da revista “Lucas” – Editora Sabre

Para ler mais sobre o encontro de Jesus com Zaqueu:

Zaqueu ouviu Jesuslink

Um novo Zaqueulink

 

(A imagem lá em cima é a reprodução de um detalhe da gravura Zacheüs in de vijgenboomdo do holandês Johannes Luyken – Amsterdam, 1708. Rijksmuseum)

terça-feira, 19 de outubro de 2021

OS ANJOS COMO PERSONAGENS DO APOCALIPSE

  


Entre os personagens citados e que compõem a narrativa da visão do Apocalipse, os anjos devem ser citados devido a frequência em que se envolvem na narrativa.

 

— Afinal, quem são os anjos?

 

A figura dos anjos, como seres não-humanos que ministram diante de Deus e dele recebem instruções para cumprirem tarefas específicas, são figuras bastante comuns na literatura hebraica e, consequentemente na literatura cristã.  O termo grego usado para denominá-los é ἄγγελος que, segundo indicação do Léxico, – além do termo técnico-teológico anjo propriamente dito – pode ser traduzido como mensageiro ou enviado.

 

— E no Apocalipse?

 

No Apocalipse, os anjos são tidos não como superiores em sua essência – embora assistam diretamente diante do trono e possam até dispor de poderes sobrenaturais – mas são tidos como conservos do autor e dos demais irmãos fieis (confira Ap 19:11).

Quanto aos nomes próprios, o único anjo que é citado por seu nome é Miguel (em Ap 12:7).  No texto apocalíptico, Miguel lidera alguns outros anjos na guerra contra o dragão.  Dado que condiz com o restante do texto bíblico.  Na profecia de Daniel ele é um dos príncipes supremos (Dn 10:13) e na epístola de Judas é o arcanjo que disputa com o Diabo sobre o corpo de Moisés (Jd 1:9).

Uma outra citação peculiar a anjos no Apocalipse encontra-se nas Cartas às sete igrejas (capítulos dois e três).  Muito debate tem sido travado quanto a identificação precisa de tais anjos, contudo, nas palavras de Summers,

A ideia mais aceita é de que se trata do ancião, presbítero, ou o pastor-chefe da igreja.  (…) “O anjo da igreja”, então, seria o pastor-chefe.  Era ele que tinha o dever de apresentar a mensagem deste livro à igreja.

Em relação às atribuições e atividades destes anjos observados no Apocalipse, suas tarefas podem ser listadas em dois níveis.  Na terra eles se ocupam de ciceronear o vidente (conforme visto em Ap 17:7 e 21:9) ou de executar os juízos designados pelo Senhor (conforme Ap 9:15 e 14:17-19, por exemplo).  Outras atividades também são desenvolvidas enquanto no céu.  Ali eles se prostram em adoração (em Ap 7:11); tocam trombetas (em Ap 11:15); e clamam em alta voz (em Ap 14:7) – somando-se à adoração eterna àquele que é DIGNO.

 

Para ler mais sobre os anjos, sugiro um estudo que publiquei sobre O QUE A BÍBLIA NÃO DIZ SOBRE ANJOS (link)

 


Leia também o livro TU ÉS DIGNO - Uma leitura de Apocalipse.  Texto comovente, onde eu coloco meu coração e vida à serviço do Reino de Deus. Você vai se apaixonar por este belíssimo texto, onde a fidelidade a Palavra de Deus é uma marca registrada.

 

Disponível na:
AD Santos Editora

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

PARÁBOLAS DE FESTAS



Sabemos que Lucas entende o evangelho como uma vivência que inclui necessariamente a alegria.  E é nesta perspectiva que Lucas conta sobre parábolas que associam o Reino de Deus a festas e o comportamento social a ser desenvolvido nelas.

Tratando da atitude ao chegar em uma festa, Jesus instruiu a não procurar os primeiros lugares (Lc 14:8 – o que se alinha com Pv 25:6-7).

Mas do que uma simples questão de arrumação cerimonial ou de até uma possível vergonha social, o que Jesus está falando é sobre a busca pela própria honra.  A vida do discípulo deve estar pautada pela verdadeira humildade, e nenhum lugar é mais apropriado para vivenciar esta qualidade cristã que nos grandes eventos sociais. 

Em seguida, ainda falando sobre a alegria e festa como tema que se relaciona diretamente com o evangelho do Reino anunciado por ele, Jesus propôs uma parábola sobre uma grande ceia (leia em Lc 14:15-24).  Aqui as lições podem ser entendidas diretamente da narrativa. 

Vejamos: a) o Reino de Deus deve ser associado a uma festa – a vida em Cristo é sempre uma vida festiva e alegre e nela não faltam motivos para celebrar; b) os convidados são divididos em apenas dois tipos: os que aceitam e os que não aceitam o convite para grande festa do Reino de Deus; c) é preciso estabelecer prioridades, se parecem mais importantes os compromissos desta vida então não há como participar do Reino de Deus; e d) todos os que aceitam o convite participam da festa.

 

Contar histórias foi o método utilizado por Jesus para ensinar lições profundas, significativas e práticas sobre o viver do discípulo no Reino de Deus que ele estava anunciando, bem como também no meio da sociedade em sua convivência cotidiana.

Ele enfatizou que o Reino de Deus deve aceito como um convite para uma festa e que tal festa deve ser a celebração do encontro e compartilhamento com o outro.

As parábolas narradas por Jesus ainda continuam relevantes em nossa vida hoje.  Então que as lições daí extraídas possam também continuar sendo relevantes em nossa experiência cristã.

(Extraído da Revista “Lucas” – Editora Sabre)

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

ADÃO E EVA E A PERCEPÇÃO DO SAGRADO

 
 


Adão e Eva estão situados na narrativa bíblica como os primeiros pais.  A partir de sua semente toda a espécie humana foi gerada, e deles também partem as práticas de culto e adoração.

Eles são descritos como tendo sido colocados por Deus no paraíso – um jardim de delícias conforme uma tradução literal do termo hebraico (veja em Gn 2:8) – e por isso sempre representarão um modelo de vida e experiência diretamente ligadas ao Criador.

Por isso quero olhar mais acuradamente o que indicam as palavras bíblicas.

No primeiro capítulo do livro de Gêneses está narrado de forma poética como Deus criou todas as coisas.  Chegando ao segundo capítulo lemos com um pouco mais de detalhes como o homem e sua mulher foram formados e constituídos como unidade familiar.

A intenção do autor bíblico é ensinar qual era o projeto original de Deus para a humanidade e deixar bem claro o que perdemos quando nos afastamos dele.

No texto, nada, porém, é dito de forma explícita sobre o dia-a-dia deste casal e o que faziam lá no jardim.  E, sendo sem pecado, como interagiam com o Deus Criador.

A falta de detalhes na descrição do texto bíblico pode apontar para a compreensão que os passos do Senhor ouvidos naquele dia era algo bastante comum àquele casal.

Parece que havia um hábito naqueles encontros.  

A expressão original hebraica não é clara em dizer como se deu esta percepção do sagrado.  A verdade expressa é que, sem dúvida alguma, Adão e Eva sabiam que aquilo que eles ouviam era a aproximação da presença divina em suas vidas.

Também não fica demonstrado se o que serviu de referência ao casal foi o local e o momento do encontro – o soprar da brisa pode indicar tanto o lugar como a situação em que o som de Deus podia ser percebido.

Ou seja, somando-se as três percepções, posso entender que desde os primórdios o ser humano foi tocado pela manifestação sagrada de Deus tanto pela voz divina, como pelo lugar, como pelo momento de adoração.

Aqui não há liturgias, não há sacerdotes, não há também sacrifícios ou ordenamento de culto.  Não há citação de cânticos ou de homilias e preces.  

O que fica bem demonstrado na narração do Gêneses é que no princípio o Criador e suas criaturas se encontravam com regularidade, e isto era suficiente!

 


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DE ADÃO ATÉ HOJE - Um estudo do Culto Cristão

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Clube de autores
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Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO - Uma leitura de Apocalipse
PARÁBOLA DAS COISAS

 

terça-feira, 5 de outubro de 2021

DO TRABALHO DE CRÍTICA BÍBLICA

  


Modernamente se tem compreendido a crítica como sendo uma atividade do espírito humano pelo qual avaliamos e atualizamos a realidade, tornando-a relevante para nós.  É este espírito que tem levado a igreja a avaliar os documentos bíblicos de que dispõe, buscando chegar o mais próximo possível de um original verdadeiramente relevante dos textos neotestamentários.

Embora que desde a antiguidade a avaliação do material já estivesse de certo modo presente a vida da igreja – e em especial no que se refere aos Evangelhos – somente a partir dos trabalhos de J.J. Griesbach no século XVIII e de H.J. Holtzmann um século depois é que o trabalho de crítica bíblica se tornou uma disciplina realmente relevante no estudo bíblico.

Hoje se compreende o trabalho de crítica bíblica em três aspectos: a Crítica da Redação, a Crítica das Fontes e a Crítica da Forma.  Partindo-se do último para o primeiro temos então o estudo iniciando do texto, como nós o lemos hoje e a sua Teologia, para chegar ao que Jesus realmente falou, passando pelas tradições orais na igreja e o seu registro por escrito.

Nos primeiros anos do cristianismo, a espera da volta iminente do Senhor Jesus fez com que a nascente igreja não se ocupasse em registrar e manter as tradições acerca de quem foi e do que disse o Mestre.  Surgiu então uma tradição simplesmente oral no seio da igreja que manteve as palavras de Jesus em logias (ou Quelle) que serviriam depois de base na confecção dos textos evangélicos.  Desta tradição se vai se ocupar a Crítica da Fonte.

Nesta etapa do trabalho crítico a tarefa é observar quais foram as "fontes" que os autores bíblicos – note aqui a introdução do evangelho de Lucas (1:1-4) – usaram quando se puseram a escrever o seu texto.  B.D. Hale chama a atenção para o fato de que "a pregação e ensino dos apóstolos e outros líderes da igreja, lógica e naturalmente, dariam uma forma fixa às narrativas acerca da vida de Jesus".  Assim, antes mesmo do aparecimento dos textos escritos já havia uma espécie de "evangelho oral" que era transmitido e respeitado como sendo a reprodução fiel daquilo que disse Jesus e do que aconteceu com ele.

Quanto a Crítica da Forma, ainda segundo Hale: "é um método que lida com o estágio pré-literário da tradição dos Evangelhos".  Ao selecionar sua fonte de informações, os autores evangélicos definiram quais os aspectos lhes seriam relevantes na sua construção teológica, dando assim uma forma ao texto que vai convergir ou divergir dos seus paralelos.  Sammers nos chama a atenção que:

A forma do material foi afetada pelo interesse prático; o relato oral foi moldado para servir aos fins imediatos.  É o produto resultante que aparece em forma escrita.

Com o texto pronto, entra em ação a Crítica da Redação – mais recente que as demais não somente no seu campo de pesquisa como também no seu interesse pelos teólogos modernos.  Embora sempre estivesse presente nos trabalhos de interpretação do Novo Testamento, somente no século XX é que esta escola ganhou corpo nas academias teológicas.

O trabalho da Crítica da Redação pressupõe já terem sido feitos os trabalhos das Críticas da Fonte e da Forma e agora, com o texto mais definido e confiável, deve-se então questionar sobre quais eram verdadeiramente as intenções teológicas dos autores e por que eles selecionaram este ou aquele material, por que deu esta ou aquela arrumação ao texto e assim tentar dialogar com ele sobre suas propostas teológicas para seus primeiros leitores.

 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

SOBRE A ESPERANÇA CRISTÃ

 

Embora creia que Cristo já levou sobre si as minhas dores (Is 53:4) e que nele sou mais que vencedor (Rm 8:37) a verdade é que se cumpre neste tempo a previsão sombria do Mestre que no mundo teremos ainda aflições (Jo 16:33).


É então que os mesmos questionamentos que sobrevieram aos cristãos do primeiro século chegam até nós:

 

a) Se somos bons e estamos certos, porque Deus permite que soframos?

b) Como manter a fé e a vitalidade cristã em meio a tantas provas e perseguições?

 

— Que fazer?

 

Duas citações: a)  A consolação e a visão da herança trazida à tona por Pedro em sua Carta (1Pe 3:15) têm ainda que ser o que nos deve orientar nesta caminhada da vida.

É esta convicção e fé que deve nos fazer compreender o sofrimento que agora possamos estar passando como cristãos é o resultado da ação de Deus em preparar e purificar o seu povo que, tendo sido provado pelo fogo, venha a se mostrar aprovado como ouro genuíno. 

Isto resultará em louvor, glória e honra quando da revelação de Jesus (destaque em sua Bíblia o verso de 1Pe 1:7).

 

E b)  No final de Apocalipse Jesus repete três vezes: “Eis que venho em breve!” (Ap 22:7; 12 e 20).

Como crente não podemos perder de vista a certeza de que a volta triunfante do nosso Senhor está próxima, pois é isto que manterá viva e acesa a nossa esperança e dará respaldo quando nos questionarem sobre o motivo de continuarmos cantando em meio às provas.

Mas nossa esperança também deve estar alicerçada na crença de que nossa momentânea aflição é o que estar nos preparando para a glória vindoura – incomparavelmente melhor que qualquer prazer transitório deste mundo (leia com atenção a confirmação desta promessa em textos como Rm 8:18; 2Co 4:16-18; Hb 12:11 entre outros).

 

Quando questionarem sobre qual a razão da esperança que mantemos a despeito de qualquer circunstância, devemos, pois, estar sempre prontos para responder com convicção que nossa herança não se baseia neste mundo onde não temos morada permanente (Hb 13:14) mas em Cristo que é tudo em todos (Cl 3:11).

 

Que seja essa a nossa esperança.

 

 

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terça-feira, 28 de setembro de 2021

Personagens do Apocalipse – OS SELADOS

  


Um grupo bastante distinto no Livro de Apocalipse é o dos selados.  A primeira referência a eles é encontrada em Ap 7:3 – “até que selemos as testas dos servos do nosso Deus”.  Seguindo-se então uma relação de cento e quarenta e quatro mil entre as tribos de Israel.

Sobre a relação numérica de tribos contida em Apocalipse, a primeira constatação a se fazer é a sua incongruência em relação às contidas no Antigo Testamento, principalmente no capítulo 49 de Gênesis ou no primeiro de Êxodo.  E diante das incontáveis sugestões de interpretações para esta relação, a solução mais coerente com o texto apocalíptico dentro do contexto bíblico é a apresentada por George Ladd:

Até hoje não foi apresentada nenhuma explicação satisfatória para esta lista de nomes irregular, a não ser esta: que João queria dizer que as doze tribos de Israel não são o Israel literal, mas o Israel verdadeiro, espiritual – a igreja.

(…)

O Novo Testamento claramente considera a igreja o verdadeiro Israel espiritual.  Na verdade, a palavra “Israel” nunca é usada para a igreja, a não ser em Gl 6:16; mas há divergências sobre a exegese deste texto.  Não há discussão, todavia, sobre o fato que “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3:29).

Quanto a identificação dos selados – e do selo propriamente dito – faz-se necessário o alinhamento de outros textos bíblicos para tal.  Os que receberam o selo de Deus em suas testas são os que foram comprados pelo Cordeiro de toda as tribos, línguas, povos e nações para se constituírem reis e sacerdotes (deve-se comparar Ap 5:9 com 1:5-6 e 7:9).  E embora eles tenham vindo da grande tribulação, o anjo do abismo não lhes pode tocar (aqui a comparação deve ser entre Ap 7:14 e 9:4 e 11).

Já no que se refere ao selo em si, a marca impingida nos que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, a colocação paulina na Carta aos Efésios demonstra de maneira clara e espiritual o que ela deve implicar:

Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória (Ef 1:13-14).

Ainda outra colocação é pertinente aqui em si tratando de selo e selados.  No capítulo treze de Apocalipse é dito que a besta ordenou a todos a “receberem certa marca na mão direita e na testa” (Ap 13:16).  E pouco abaixo apresenta o número-código desta marca como sendo número humano equivalente a 666 (Ap 13:18). 

Independente das diversas teorias e correntes que se propõem a tentar decifrar este enigma apocalíptico, a compreensão mais apropriada para este selamento exigido pela besta é o que Onesimus Ngundu chamou de “paródia do selo colocado sobre os 144 mil no capítulo 7”.  Não podendo repetir ou requisitar para si a mesma adoração prestada pelos selados pelo Cordeiro, a besta marca os seus, imitando a marca divina.  E serão estes marcados pela besta que receberão a ira da primeira taça da vingança de Deus (em Ap 16:2) e sofrerão o castigo eterno por adorarem a sua imagem (em Ap 19:20).


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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

UM AMOR SEM PÉ NEM CABEÇA

 

O apóstolo Paulo, lá pela metade de sua carta à Igreja de Éfeso (em nossas Bíblias está no capítulo três) registra uma oração que ele faz pelos cristãos daquela comunidade.


A prece começa reverentemente com uma atitude de prostração ajoelhada diante do Deus-Pai.  Depois ele fala em gloriosa riqueza, em fortalecimento íntimo e em Cristo habitando nos corações.

Nesse ponto a oração apostólica ganha contornos de paixão pelos irmãos da igreja:

 

"Porque sei que suas raízes e alicerces estão firmados no amor, oro por vocês pois só assim, juntos, será possível perceber até onde vai o amor de Cristo que extrapola qualquer lógica."
(Ef 3:17-19)

 

Aqui certamente o tema do amor sobressai (por isso falei em contornos de paixão).

Paulo está orando não acerca da base cristã daqueles irmãos – já é certo que estão fundados no amor.  A oração é para que esse amor de Cristo possa ser percebido nos relacionamentos e nos ajuntamentos da comunidade-igreja.

Por isso ele fala em largura, comprimento, altura e profundidade.  Aqui não leio apenas um recurso estilístico para falar num amor em 3D.  É mais que isso.

Paulo está falando de um amor que ocupa espaços e preenche lacunas.  O amor que deve acontecer na junção da igreja é aquele que não deixa vazios: nem almas carentes, nem abraços ausentes, nem barrigas vazias.

Mas posso acrescentar a comparação bíblica da água e do vento como percepção desse amor: ele jorra em todas as direções e vai até os menores espaços e às pequenas frechas para inundar com sua ação graciosa.

Isso, porém, tem de ser coisa e movimento espiritual.  Um amor assim só pode acontecer como realidade sobrenatural.  Ele vai além de qualquer compreensão ou explicação racional.

Simplesmente não faz nenhum sentido.  É absurdo.  É um amor que escapa a lógica.

E para que um amor nesse padrão sem pé nem cabeça possa ser experienciado na comunhão da igreja é que o apóstolo ora e se prostra diante do Pai.

Então ele conclui sua oração confiante naquele que, pelo seu amor, sempre vai muito além de nossos simples desejos e súplicas.  E a ele – somente a ele – seja o louvor por todas as gerações.

 

 

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

ATUALIZANDO O TEMA DA HUMILDADE

  


Quem recusa a disciplina, faz pouco caso de si mesmo,
mas quem ouve a repreensão obtém entendimento.
O temor do Senhor ensina a sabedoria,
e a humildade antecede a honra
.
(Pv 15:32-33)

 

A melhor citação para começarmos a atualizar o tema da humildade é lembrando que Jesus, no convite que faz aos cansados e sobrecarregados prometendo-lhes descanso, apresenta-se como manso e humilde (veja Mt 11:29).

Realmente não há exemplo mais significativo do que ter um espírito humilde de que perceber Jesus Cristo em sua encarnação (cito ainda Fl 2:5-11).

Tendo assim o padrão de Jesus como nosso alvo (proposta de Ef 4:13), devo procurar atualizar o tema a partir das próprias palavras do Mestre em suas bem-aventuranças que abrem o Sermão da Montanha quando diz:

 

Bem-aventurados os humildes,
pois eles receberão a terra por herança.
(Mt 5:5)

 

Assim, lendo no livro de Provérbios – do AT – e buscando no Novo Testamento as referências, vamos atualizar o tema da humildade.

Pelo menos em dois versos, as palavras de Pv são repetidas no NT: Deus dá graça aos humildes (confira em Tg 4:6 e 1Pe 5:5).

É esta observação que nos leva a compreender aquilo que transpareceu já no AT: a humildade é uma questão espiritual importante para a vida do cristão e Deus sempre a considera como um valor fundamental na formação do espírito cristão que deve habitar o interior do servo de Cristo.

Nesta mesma linha de raciocínio, Jesus coloca como prerrogativa para alguém se tornar cidadão do Reino de Deus a capacidade de se tornar intimamente humilde como uma criança (veja que ele fala em conversão, o que quer dizer atitude interior em Mt 18:1-4).

Já o apóstolo Paulo vai ampliar o tema da humildade como marca cristã de vida interior.  Nas instruções para um viver santo que ele dá aos cristãos de Colossos, encontramos as seguintes palavras:

 

Portanto, como povo escolhido de Deus,
santo e amado,
revistam-se de profunda compaixão,
bondade, humildade, mansidão e paciência.
Suportem-se uns aos outros
e perdoem as queixas que
tiverem uns contra os outros
como o Senhor lhes perdoou.
Acima de tudo, porém,
revistam-se ao amor, que é o elo perfeito.
(Cl 3:12-14)

 

Nesta passagem (e em outras como Rm 12:16; Ef 4:1 e Fl 2:3) o apóstolo apresenta a humildade como tão importante para o viver diário do cristão como a bondade e o amor.

E são de Tiago as palavras que nos mostram o quão importante é esta disposição: pois só assim o Espírito que habita em nós nos concede graça maior (leia em Tg 4:5-6).

É bom também lembrar que entre as maravilhosas características do amor, conforme cantado por Paulo, está em que ele não se ensoberbece (veja o poema de 1Co 13, em especial o verso quatro).

Igualmente o NT também concorda que a soberba e o espírito arrogante afasta o ser humano de Deus pois ele sempre resiste ao soberbo (também dito em Pv 3:34 e repetido em Tg 4:6).

Além de que João nos instrui que tal atitude vem do mundo e da carne – logo não do Pai – e, portanto, quem mantém tal postura, o amor do Pai não está nele, afinal, o mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre (palavras de 1Jo 2:15-17).