terça-feira, 18 de maio de 2021

Carta das Igrejas Batistas de Israel

 


Muitos de vocês enviaram cartas perguntando sobre nós durante este período difícil. Grato pelo seu amor. Por meio deste, estou enviando uma atualização sobre a situação e como ela está afetando nossas igrejas.

Esta carta não é uma tentativa de explicar todas as questões ou tomar partido, mas sim uma atualização e um chamado para orar por nós.

Estamos no meio de mais uma rodada de violência do conflito israelense-palestino, que ocorre desta vez após um ano de lockdown por causa do COVID-19. Também ocorreu durante uma situação política muito instável em Israel (4 eleições em 2 anos) e o cancelamento das eleições na Autoridade Palestina. Atualmente, a Força Aérea de Israel está bombardeando a faixa de Gaza e a faixa de Gaza, controlada pelo grupo militante Hamas, está disparando foguetes contra Israel e há muita destruição e muitas vidas foram perdidas. Há também muita agitação na Cisjordânia e em Jerusalém.

O que está acontecendo dentro de Israel é muito alarmante. Árabes e judeus em Israel estão projetando muita raiva através das revoltas e saques que vem acontecendo há uma semana, e alguns das piores formas de ódio têm se espalhado de ambos os lados. Muitas pessoas inocentes foram atacadas e espancadas e algumas pessoas foram mortas.

Empresas e casas foram incendiadas ou vandalizadas e extremistas estão tentando aterrorizar pessoas inocentes que não se sentem seguras nem mesmo dentro de suas próprias casas. A situação continua perigosa.

Para além da perda de vidas e bens, preocupamo-nos sobretudo com a difusão do ódio e com a destruição da convivência que se construiu com muito trabalho. Afinal, isso vai parar, vai demorar anos para construir o que foi destruído.

Se os alicerces forem destruídos, o que os justos farão? Salmo 11: 3

Choramos com aqueles que choram e temos empatia por todos os que sofrem. Convocamos nossas igrejas para jejum e oração de três dias por nosso país. Continuamos a orar enquanto o chamamos para estar conosco em oração.

Bader Mandour, Oficial de Desenvolvimento (Associação de Igrejas Batistas em Israel)

 

sexta-feira, 14 de maio de 2021

A UNÇÃO EM BETÂNIA

 
 


Como fez a cada final de tarde na última semana, Marcos nos diz que Jesus novamente se recolheu em Betânia, desta vez na casa de um certo Simão.  Poucas pessoas estavam ali.  Talvez apenas seus discípulos e os moradores daquela casa.

Foi então que uma mulher se aproximou com um vaso de alabastro contendo perfume e derramou sobre a cabeça de Jesus.  Há muito de significativo nesta narração curta do evangelista. 

A mulher não é identificada – a grandeza estava na atitude dela e não em sua pessoa.  Mas por outro lado o Evangelho detalha que o vaso era feito de alabastro, um mineral duro, e o conteúdo era de puro nardo, uma especiaria cara para perfumes.

A sequência das ações foi a seguinte: a mulher quebrou o vaso, derramou o seu conteúdo sobre Jesus e os discípulos que observavam tudo se indignaram com aquela atitude.  A desculpa seria que aquele unguento poderia ser revertido em oferta para os pobres (leia em Mc 14:3-5)

Antes, contudo, de analisar a ação da mulher, é importante ver a resposta de Jesus ao comentário dos discípulos: pobres sempre existirão – como também oportunidade de os atender (Mc 14:7).  O destaque que o Mestre fez foi ensinando mais uma vez sobre as escolhas e prioridades do Reino. 

Embora boas ações e caridade sejam importantes e devam merecer cuidado dos discípulos, mas não se pode esquecer que a prioridade absoluta sempre tem que ser o Reino de Deus e servir a Cristo.

Quanto a ação da mulher, Jesus reconheceu que ela se antecipou a ungi-lo, preparando-o para sepultura (Mc 14:8).  A morte estava próxima, e tudo conduzia àquele momento – e Jesus sabia disso muito bem. 

Então o ato de entrega da mulher foi reconhecido como uma doação voluntária e uma declaração de reconhecimento, apreciação, devoção e honra dada a Cristo.

Ao contrário dos discípulos, aquela mulher declarou com sua atitude que toda a sua prioridade era verdadeiramente o Senhor Jesus.  E por isso seu gesto deveria ser contado sempre que o evangelho fosse pregado (Mc 14:9).

terça-feira, 11 de maio de 2021

VIDA EM COMUNHÃO – resenha – parte 3

 


Continuando nossa leitura do texto Vida em Comunhão (reveja a parte 1 e a parte 2), o próximo capítulo tratará da solidão diária.  Nesta liturgia comunitária a solitude representa não um momento de negação da fraternidade cristã, ou a busca de mistérios ocultos numa meditação apenas mística.  A solidão, que significa uma meditação solitária e silenciosa “nada mais significa do que estar à espera da Palavra de Deus”. 

E para demonstrar a relação íntima que deve haver entre o estar solitário na presença de Cristo e a vida em comunhão, Bonhoeffer apresenta um jogo de palavras que bem expressam esta relação entre a comunhão e a solidão:

A pessoa que não suporta a solidão deve tomar cuidado com a comunhão.

A pessoa que não se encontra na comunhão, que tome cuidado com a solidão.

Segundo o texto, a solidão diária do cristão deve significar um tempo necessário:

a) para meditar na palavra – consideremos que a Palavra de Cristo que foi pronunciada na liturgia comunitário logo cedo deve ocupar a mente dos cristãos durante toda a sua lide diária. 

b) para a oração – “também não é preciso que nos esforcemos na meditação em pensar e orar com palavras.  Pensar o orar em silêncio, que só brota do ouvir, pode, muitas vezes, ser mais proveitoso”.  Ou seja, uma coisa leva a outra – “a meditação na Palavra conduz à oração”. 

c) para a intercessão – este é o momento em que o cristão se coloca diante de Cristo apresentado os membros de sua comunidade que sofrem e que precisam da intervenção divina.  Nesta parte da solidão diária do cristão está expresso o seu serviço pelo próximo.  “Negar a intercessão ao próximo, é negar-lhe o serviço cristão”.

Mais uma vez Dietrich Bonhoeffer retoma o veio poético para finalizar o tema e o capítulo: “ao findar do dia, quem retorna à comunhão da família cristã traz consigo a bênção da solidão, e ele próprio recebe a bênção da comunhão”.

Chegando ao quarto capítulo, o tema a ser abordado é o serviço, quando a ênfase recairá sobre a mutualidade do serviço cristão.  A figura usada é de uma corrente com seus muitos elos.  A liturgia deve fomentar na comunidade cristã um senso de pertença que faça com que cada membro da comunidade se sinta indispensável ao serviço que a Igreja – como corpo atuante de Cristo no mundo – tem a executar no e para o mundo. 

Bonhoeffer afirma: “na comunidade cristã, tudo depende de que cada pessoa se transforme num elo indispensável de uma corrente (...) Toda comunhão cristã deve saber que não apenas os fracos necessitam dos fortes, mas também os fortes necessitam dos fracos.  A exclusão dos fracos é a morte da comunhão”.

Aqui deve-se entender que não somente “perdoar é um serviço que nos prestamos mutuamente todos os dias”, como também, “onde estes três serviços, ouvir, servir, suportar, são realizados de forma fiel, lá pode acontecer também o serviço mais elevado e sublime: servir com a Palavra de Deus”. 

Então, Bonhoeffer afirma aqui que na comunidade cristã não deve haver superioridade hierárquica que implique em privilégios para alguns e subserviência de outros, pois a “autoridade poimênica só encontrará aquele servo de Jesus que não buscar autoridade própria, mas que, sujeito à autoridade da Palavra, é um irmão entre irmãos”.

 

Leia mais sobre essa resenha:

Parte 1 - link 

Parte 2link 

Conclusãolink

sexta-feira, 7 de maio de 2021

SE VOCÊS ME AMAREM

  


Em suas palavras finais Jesus entendeu que deveria insistir no tema do amor.  Esta era uma das prioridades de sua missão e era preciso não restar nenhuma dúvida.

Jesus já havia demonstrado a importância e a força do amor em seu ministério na cerimônia do lava-pés (leia em Jo 13:1-10) e o apresentado como a marca dos seus seguidores (em Jo 13:35).  Então ele procurou ser mais enfático: se vocês me amarem, vão observar os meus mandamentos (Jo 14:15).

E este amor é contagiante.  Veja os seus elos: quem observa os mandamentos, ama a Cristo, é amado pelo Pai, Jesus o amará e a glória divina recairá sobre ele (confira em Jo 14:21).

É claro que o amor a Cristo implicará em ódio do mundo (como dito em Jo 15:18-19).  Mas a força do amor que procede do Pai e que levou o próprio Cristo a se entregar pelos seus amigos é garantia de vitória (alinhe Jo 15:13 com 16:33).

E este é o amor que deve ser padrão para o amor fraternal entre os discípulos de Cristo (veja mais Jo 15:12-17).

 

terça-feira, 4 de maio de 2021

VIDA EM COMUNHÃO – resenha – parte 2

 Depois da primeira parte de nossa resenha do livro Vida em Comunhão (veja aqui - link), prossigo com a leitura.

 

A comunhão diária continua com a entoação de cânticos pela Igreja.  O canto comunitário é a expressão da Igreja que louva a Deus como corpo de Cristo, ou seja, “no canto conjunto ouve-se a voz da Igreja.  Não sou eu que canto, mas a Igreja; mas como membro da Igreja posso participar em seu canto”.  Para isso, Bonhoeffer enfatiza neste ponto que o canto congregacional deve ser primariamente uníssono já que o canto artístico polifônico tende a valorizar as vozes individuais com os seus dotes e não o conjunto dos cultuantes que procuram com isso achegar-se mais perto de Cristo em suas vidas. 

Vale mais a ênfase na comunidade como expressão de um único Corpo de Cristo do que qualquer outra manifestação que possa haver na comunhão diária.  Além do mais, o canto em uníssono na comunidade antecipa o derradeiro canto da Igreja, já que “Deus preparou para si um único grande cântico de louvor na eternidade, e quem se junta à comunidade de Deus unirá sua voz a esse canto”.

A devoção diária matinal da comunidade irá terminar com uma oração.  Será buscando a Deus em oração que o crente estará pronto para enfrentar os labores da vida cotidiana.  Mas deve-se lembrar que, ainda aqui, a oração não é fruto de um individualismo, a vida em comunhão exige que sempre quem tome a palavra o faça como interlocutor de toda a fraternidade.  Mesmo uma oração livre e espontânea “dentro da devoção conjunta deve ser a oração da comunidade e não da pessoa que ora”.

Agora o cristão fará diferença na vida moderna.  Somente quem se encontra com Deus na devoção comunitária pode viver a vida na sociedade secularizada sem que isso lhe seja alienante e pesado.

Aqui cabem mais duas longas citações da Vida em Comunhão.  Considerando que o dia do cristão será envolvido em seu trabalho secular, Bonhoeffer considera que a liturgia cristã será o único instrumental de que o fiel poderá dispor na sua lida diária, sem se perder nela.  Ou seja, devoção e trabalho se somam na vida secularizada do cristão, nestas palavras:

Depois da primeira hora do dia até o entardecer, o dia do cristão é dedicado ao trabalho (...) Orar e trabalhar são coisas distintas.  O trabalho não deve prejudicar a oração, nem a oração o trabalho (...) A oração também requer tempo.  A maior parte do dia, porém, é dedicado ao trabalho.  Sem o fardo e o trabalho do dia, a oração não é oração, e sem a oração, o trabalho não é trabalho.  Isso só o cristão sabe.  Assim, é na distinção clara entre ambos que se evidencia na unidade.

E pouco adiante, compreendendo o sentido de 1Ts 5:17 que diz “orar sem cessar”, ele se expressa:

Assim a oração da pessoa crente prolonga-se para além do tempo que lhe é reservado, para dentro do trabalho.  Abrange o dia todo, não prejudica o trabalho, antes fomenta-o, aceita-o, empresta-lhe seriedade e alegria.  Dessa maneira, qualquer palavra, tarefa ou trabalho do cristão se transforma em oração; não no sentido irreal de estar sempre com os pensamentos longe da tarefa a ser cumprida, mas no sentido real de se romper através do duro mundo das coisas para encontrar o gracioso Deus pessoal.

E Bonhoeffer conclui este capítulo acrescentando um pouco de poesia litúrgica ao dia do cristão: “o trabalho do dia chega ao fim (...) uma vez mais se reúne a família cristã.  A comunhão de mesa à noite e a última devoção se unem. (...) Quando cai a noite, a verdadeira luz da Palavra de Deus resplandece com brilho tanto maior para a comunidade”.

 

Leia mais sobre "Vida em Comunhão" -

Parte 1 - link

Parte 3 - link

Parte 4link

 

sexta-feira, 30 de abril de 2021

VENHAM COMIGO

 


Acredito que uma das passagens do Evangelho que transpira mais ternura pode ser lida em Mt 11:28-30.

Mesmo numa leitura simplista, o convite é tocante e atrativo.  Sim, ele demonstra uma força de atração como se efetivamente nos estivesse chamando para um aconchego, um abraço, um colo e um cafuné.

Mais eu sei que ao nos ater às palavras evangélicas, muita riqueza ainda pode ser extraída delas.

Assim, eu o convido a se aprofundar comigo.

 

Aprocheguem-se – A passagem começa com um convite.  Não há aqui um verbo no imperativo. Mas um chamamento ao convívio.

Não é um conjunto de regras a serem observadas.  É um aceno para um relacionamento livre.  O Mestre nos atrai com ternura.   E a sua oferta de amor e carinho não deve ser imposta, mas aceita a partir de uma disposição de responder favoravelmente ao convite.

— Venham! Aprocheguem-se! Cheguem aqui! Vamos caminhar juntos!

 

Todos – O convite é para todos.   Em especial os que se sentem exauridos na caminhada da vida.

Aqui eu percebo a admirável atualidade das palavras de Cristo.  Ele está convidando aos estressados, aperreados, ansiosos – conhece algo mais século XXI?

— Venha aqui você que está pesado com sua síndrome de Burnout! É para você esse convite!

 

Carga – Isso mesmo, Jesus está falando de uma carga, um fardo, um peso, uma canga como aquelas que se coloca sobre as parelhas de bois.

E é coisa que ele conhece bem.  Viveu como homem de dores.  Sabia o que é o padecimento da vida.   Cansado e entortado pelo peso da existência humana.

Então, isso que sobrecarrega meus passos, ele propõe levar sobre si para que eu seja inundado com seu coração humilde e gentil enquanto transcorro esse percurso.

— Antes que se quebrem ante o peso na lide, considerem meu convite!

 

Macia e leve – Certamente é esse o paradoxo e o absurdo do convite: um peso leve e um abuso agradável.

Mas é isso mesmo!  Pode até não fazer sentido, mas é aqui que encontro o desatino da graça que Cristo nos oferece.  Diante do caos e da angústia da caminhada, a graça simplesmente aponta para um convite surpreendente e gentil.

— Troquem seu desespero pela minha incerta esperança! Deixem comigo seu esgotamento e se encham de mim!

 

Sossego – Outra palavra maviosa: sossego – quietude – ordem – repouso.

Em meio ao aperreio desesperado, o sossego daquele que oferece uma paz distinta.  Em plena agitação vazia, a quietude plena.  No meio do caos louco, a ordem.  Para o cansado, o repouso gratificante.

Que melhor pode haver que esse convite:

 


 

terça-feira, 27 de abril de 2021

VIDA EM COMUNHÃO – resenha – parte 1

  


Depois de uma rápida observação sobre a experiência de Finkenwalde (reveja aqui - link), entendo que aqui vale uma resenha obra Vida em Comunhão (no original alemão: Gemeinsames Leben) para se compreender melhor o que pensava nosso teólogo alemão sobre o tema da vida em comunidade cristã e como ela deve se refletir nas ações cotidianas de cada crente nesta vida secularizada.

O texto começa com a citação do Salmo 133:1 – “Como é bom, como é agradável habitar todos juntos como irmãos!” – assim como o fará no princípio de cada capítulo, com exceção do segundo que abrirá uma citação de Lutero. 

Já no primeiro parágrafo Bonhoeffer apresenta a sua intenção para com o texto: apresentar “algumas diretrizes e regras que as Escrituras Sagradas oferecem para a vida em comunhão sob a Palavra”, vida em comum esta que ele considerava como um privilégio e uma “antecipação misericordiosa das coisas derradeiras”. 

O que se deve enfatizar neste primeiro capítulo, como também o fez o próprio Bonhoeffer, é que a fraternidade cristã só existe por e quando é fundamentada em Jesus Cristo.  Os cristãos só vivem juntos quando o fazem por amor a Jesus, daí ele concluir que “primeiro: fraternidade cristã não é um ideal, mas uma realidade divina. Segundo: fraternidade cristã é uma realidade espiritual e não psíquica”.

O segundo capítulo tratará da comunhão diária que deve reinar numa fraternidade cristã – certamente o ponto alto da obra.  Para Bonhoeffer “a vida em comunhão sob a Palavra começa com um culto em conjunto na primeira hora da manhã”; e desta comunhão diária deve necessariamente fazer parte três elementos: a) a palavra da escritura; b) os hinos da igreja e c) a oração da comunidade.  Os três igualmente concorrendo para compor “toda devoção em conjunto”.

A comunhão diária da vida cristã comunitária deve iniciar com a leitura do texto bíblico.  E Bonhoeffer alerta ao fato de que “precisamos tornar a conhecer a Sagrada Escritura como os reformadores, como nossos pais a conheciam”.  A comunhão requer que se dê tempo à leitura do texto bíblico, pois é lá que Deus haverá de falar por Jesus à comunidade dos fiéis. 

E neste aspecto, em especial, o texto do Saltério se mostra de uma utilidade ímpar, afinal “o saltério é a oração vicária de Cristo por sua Igreja.  Agora que Cristo está junto do Pai, a nova humanidade de Cristo, o Corpo de Cristo na terra segue orando até a consumação dos tempos”. 

No saltério é possível à Igreja fazer suas as palavras do próprio Cristo em todos os momentos de sua existência, por isso a comunhão diária cristã deve começar com a sua leitura em comunidade para que a voz de Cristo, razão e esperança de todo cristão, possa ser ouvida e desempenhe o seu papel de vicário dos seres humanos neste tempo presente.  O Saltério é a voz da Igreja através de Cristo falando a Deus em todos os momentos; quer de júbilo e alegria, quer de desconforto e agonia.

No seu texto Orando com os Salmos, Bonhoeffer expressou como o uso litúrgico dos Salmos pode ser o elemento fundamental quando o ser humano passa por momentos difíceis de sofrimento e indignação. São as suas palavras:

O Saltério nos ensina amplamente a achegar-nos de maneira adequada a Deus em vista dos múltiplos sofrimentos que o mundo nos traz.

E mais adiante:

Nos Salmos não encontramos nenhuma aceitação precipitada do sofrimento.  Os salmistas repetidas vezes passam por lutas, angústias e dúvidas.  Chega-se a questionar a justiça de Deus, que permite que o piedoso seja atingido por infortúnios, mas que o ímpio saia ileso.  Questiona-se a vontade bondosa e misericordiosa de Deus (Salmo 44:24).  Seu agir é por demais incompreensível.  Mesmo na mais profunda desesperança, porém, Deus continua sendo o único que é invocado.  O sofredor não espera por auxílio humano.  Autocomiseração não o faz perder de vista a origem e o destino de todo sofrimento: o próprio Deus.  Ele se dispõe a lutar com Deus e contra Deus.  O Deus juiz é lembrado inúmeras vezes de suas bênçãos de outrora, da honra de seu nome entre os homens.

 

Leia a continuação dessa resenha - 

Parte 2 - link

Parte 3 - link

Parte 4link