terça-feira, 3 de novembro de 2026

CRISTÃOS E IDOLATRIA

 



 É possível um cristão ser um idólatra?

 

A primeira definição a se fazer é sobre o conceito de cristão. 

Se para o termo cristão aplicamos um conceito espiritual de um seguidor de Cristo, então o fiel que adora com exclusividade o Deus Altíssimo, revelado no Cristo Encarnado, na dependência do Santo Espirito e busca o seu Reino em primeiro lugar, esse nunca será idólatra (referências: Dt 6.4 / Jo 1.1-5 / Mt 6.33).

Se para cristão, chamamos a tradição ocidental com contornos de cristandade cultural, então não somente é possível essa pessoa e cultura de tornarem idólatras como também há vários exemplos históricos de que tais desvios aconteceram.  Na Bíblia os filhos de Israel se curvaram para um bezerro de ouro (em Ex 32).

Na história, um exemplo é o Édito de Tessalônica assinado pelo Imperador romano Teodósio I no ano 380 que tornou o cristianismo a religião oficial do Império – o que acabou criando a Igreja Estatal e a idolatria que daí se seguiu.

Um parêntese, já enviesando o assunto:  em todo e qualquer registro e momento da história, toda vez que a igreja abdicou de seu papel profético diante da sociedade e dos poderes constituídos e se alinhou aos palácios ela se tornou idólatra e comungou com os pecados.  E seu fim foi trágico.

Assim, voltando para enfatizar: é possível sim um cristão se tornar um idólatra e, por isso, deve-se manter vigilância constante.

 

 Há diferença entre praticar idolatria (de forma pontual) e ser um idólatra?

 

A verdade bíblica é que idolatria é pecado (confira Ex 20.3-4 / Is 42.8 / Sl 115.4-8 / Mt 4.10 / 1Co 10.14 / 1Jo 5.21).  Isso é verdade inquestionável e fundante de nossa fé cristã.

Também aqui se faz necessário uma distinção importante.  Embora toda prática pecaminosa (inclusive idolatria) seja reprovável diante de Deus, as consequências e desdobramentos humanos, históricos e sociais de cada pecado são distintos.

Uma prática pontual de um pecado indica desfechos pontuais.  Práticas repetidas e costumeiras de pecados produzem efeitos perenes.  Assim também é com o pecado da idolatria: adoração idólatra ocasional gera danos ocasionais, adoração idólatra constante gera danos espirituais repetidos e constantes.

Mas é importante destacar que, espiritualmente, todo pecado gera morte e a consequente separação espiritual de Deus (citação de Rm 6.23).  Ou seja, embora possa haver diferenças sociais entre pecados pontuais ou costumeiros, qualquer deles nos torna devedores para com Deus.

 

 Caso um cristão venha a dar espaço para ídolos em seu coração, é possível a restauração?

 

Aqui continuo a partir da mesma citação bíblica que terminei o ponto anterior.  Se todo pecado gera morte espiritual (o que inclui a idolatria), também é verdade bíblica essencial para nossa fé cristã que a dádiva da graça de Cristo é a vida eterna (volte a Rm 6.23).

Outra citação bíblica importante para compreensão: na sua Primeira Carta João  aconselha a seus filhos a não pecarem, mas, havendo ocasionalmente cometido qualquer pecado – até idolatria – o procedimento cristão deve ser de arrependimento, confissão e confiança no nosso advogado (no grego: παράκλητος – o que está ao nosso lado no chamado) que é fiel e justo para nos perdoar e purificar por completo (leia 1Jo 1.5-10).  Essa é a garantia que nos vem do sacrifício da cruz: o perdão (ainda em 1Jo 2.1-2).

 

Fechando o tema:

 

Idolatria é toda prática, devoção, costume ou adoração em que Deus tenha sido deslocado do centro e primazia de vida e culto.  Quando atribuímos a qualquer valor: homem, governo, coisa ou ideia, um lugar ou posto que só cabe ao Eterno Trino Deus, aí está a idolatria (no primeiro mandamento em Ex 20.3 e repetido por Jesus ao rechaçar o diabo em Mt 4.10).

Toda idolatria é pecado reprovável diante de Deus e nenhum cristão autêntico e comprometido com a sinceridade de seu compromisso espiritual deveria sequer cogitar esse pecado.   Isso é abominável diante de Deus (dito em Dt 27.15).

Com tristeza temos que constatar, porém, que historicamente, como humanos nessa caminhada da vida, estamos sujeitos a cometer os pecados que reconhecemos serem mortais.  Mas isso não é nosso fim.

Quem blasfemar – idolatrar – indo atrás de outros deuses pode ser perdoado, pois o único pecado sem perdão é a rejeição deliberada da obra magnífica do Espírito Santo (Jesus disse em Mt 12.31-32). 

E finalizo com a visão alentadora do Apocalipse.  Quando João viu a multidão incontável de gentes de toda nação, tribo, povo e língua, em pé, diante do trono do Cordeiro, celebrando de vestes brancas, foi-lhe dito que se tratavam daqueles que lavaram e branquearam suas vestes no sangue do Cordeiro (maravilha em Ap 7.9-14).

 

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