terça-feira, 27 de abril de 2021

VIDA EM COMUNHÃO – resenha – parte 1

  


Depois de uma rápida observação sobre a experiência de Finkenwalde (reveja aqui - link), entendo que aqui vale uma resenha obra Vida em Comunhão (no original alemão: Gemeinsames Leben) para se compreender melhor o que pensava nosso teólogo alemão sobre o tema da vida em comunidade cristã e como ela deve se refletir nas ações cotidianas de cada crente nesta vida secularizada.

O texto começa com a citação do Salmo 133:1 – “Como é bom, como é agradável habitar todos juntos como irmãos!” – assim como o fará no princípio de cada capítulo, com exceção do segundo que abrirá uma citação de Lutero. 

Já no primeiro parágrafo Bonhoeffer apresenta a sua intenção para com o texto: apresentar “algumas diretrizes e regras que as Escrituras Sagradas oferecem para a vida em comunhão sob a Palavra”, vida em comum esta que ele considerava como um privilégio e uma “antecipação misericordiosa das coisas derradeiras”. 

O que se deve enfatizar neste primeiro capítulo, como também o fez o próprio Bonhoeffer, é que a fraternidade cristã só existe por e quando é fundamentada em Jesus Cristo.  Os cristãos só vivem juntos quando o fazem por amor a Jesus, daí ele concluir que “primeiro: fraternidade cristã não é um ideal, mas uma realidade divina. Segundo: fraternidade cristã é uma realidade espiritual e não psíquica”.

O segundo capítulo tratará da comunhão diária que deve reinar numa fraternidade cristã – certamente o ponto alto da obra.  Para Bonhoeffer “a vida em comunhão sob a Palavra começa com um culto em conjunto na primeira hora da manhã”; e desta comunhão diária deve necessariamente fazer parte três elementos: a) a palavra da escritura; b) os hinos da igreja e c) a oração da comunidade.  Os três igualmente concorrendo para compor “toda devoção em conjunto”.

A comunhão diária da vida cristã comunitária deve iniciar com a leitura do texto bíblico.  E Bonhoeffer alerta ao fato de que “precisamos tornar a conhecer a Sagrada Escritura como os reformadores, como nossos pais a conheciam”.  A comunhão requer que se dê tempo à leitura do texto bíblico, pois é lá que Deus haverá de falar por Jesus à comunidade dos fiéis. 

E neste aspecto, em especial, o texto do Saltério se mostra de uma utilidade ímpar, afinal “o saltério é a oração vicária de Cristo por sua Igreja.  Agora que Cristo está junto do Pai, a nova humanidade de Cristo, o Corpo de Cristo na terra segue orando até a consumação dos tempos”. 

No saltério é possível à Igreja fazer suas as palavras do próprio Cristo em todos os momentos de sua existência, por isso a comunhão diária cristã deve começar com a sua leitura em comunidade para que a voz de Cristo, razão e esperança de todo cristão, possa ser ouvida e desempenhe o seu papel de vicário dos seres humanos neste tempo presente.  O Saltério é a voz da Igreja através de Cristo falando a Deus em todos os momentos; quer de júbilo e alegria, quer de desconforto e agonia.

No seu texto Orando com os Salmos, Bonhoeffer expressou como o uso litúrgico dos Salmos pode ser o elemento fundamental quando o ser humano passa por momentos difíceis de sofrimento e indignação. São as suas palavras:

O Saltério nos ensina amplamente a achegar-nos de maneira adequada a Deus em vista dos múltiplos sofrimentos que o mundo nos traz.

E mais adiante:

Nos Salmos não encontramos nenhuma aceitação precipitada do sofrimento.  Os salmistas repetidas vezes passam por lutas, angústias e dúvidas.  Chega-se a questionar a justiça de Deus, que permite que o piedoso seja atingido por infortúnios, mas que o ímpio saia ileso.  Questiona-se a vontade bondosa e misericordiosa de Deus (Salmo 44:24).  Seu agir é por demais incompreensível.  Mesmo na mais profunda desesperança, porém, Deus continua sendo o único que é invocado.  O sofredor não espera por auxílio humano.  Autocomiseração não o faz perder de vista a origem e o destino de todo sofrimento: o próprio Deus.  Ele se dispõe a lutar com Deus e contra Deus.  O Deus juiz é lembrado inúmeras vezes de suas bênçãos de outrora, da honra de seu nome entre os homens.

 

Leia a continuação dessa resenha - 

Parte 2 - link

Parte 3 - link

2 comentários:

  1. Muito bom, pastor. Espero ler a parte 2 da resenha.

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    1. Obrigado.
      Vou publicar em breve.
      Realmente o texto de Bonhoeffer vale a leitura. RECOMENDO.
      Abr.

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