Mostrando postagens com marcador Salmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salmo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de junho de 2026

COM PACIÊNCIA

O Século XXI tem levado às últimas consequências a realidade caótica em que o ser humano está envolvido por conta de suas próprias decisões e ações pecaminosas.  Segurança, felicidade e paz há muito deixaram de ser realidade no mundo de hoje – e sei que não estou dizendo nenhuma novidade, fazemos parte disto!

Também não é novidade que sob a ótica de Deus, os seus fiéis não têm que viver sob este regime. 

 

Antes de prosseguir, vamos ler o que o texto bíblico pode dizer nesse contexto:

 

O Salmo 40 registra o testemunho do salmista que experimentou a ação divina.  O poema começa com a afirmação de que tudo começou num ato de esperança e paciência: “Esperei com paciência pelo Senhor”. 

Assim, creio que aqui está o segredo de tudo.  Não temos uma afirmação de que os crentes sempre viverão alheios aos problemas e ansiedades da vida – e disto bem sabemos hoje. 

Também não é dito que as soluções seriam de imediato e no nosso tempo – Deus faz as coisas ao seu modo.

Então entendemos que a única saída que nos resta nesse tempo é com paciência esperar pelo Senhor, pois somente nisto poderemos nos firmar para continuar vivendo e encarando as vicissitudes do cotidiano. 

 

E quem não tem nem paciência e nem esperança em Deus, como é que vive?

 

Vivamos pacientemente nesta esperança para que possamos vislumbrar as maravilhas divinas que “são mais do que se pode contar”.

 

 

§ Você pode ler também sobre o tema da paciência como um bago de jaca do Fruto do Espírito aqui no Escrevinhando – link

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

SALMO 8 - leitura africana

 

Entre os diversos poemas que compõem o Livro do Saltério hebraico – O Livro dos Salmos – o de número oito é assim intitulado no original: Para o mestre de música.  De acordo com a melodia Os Lagares. Salmo davídico.  E como o próprio título indica esta é uma canção atribuída à lavra de Davi. 

 


 

 

Um pouco de com um africano lê esse Salmo:

 

O salmista começa esse salmo como se tivesse falando à comunidade e se dirige a Deus como “Senhor nosso” (8:1).  Quando se assenta ao ar livre à noite e observa as miríades de estrelas, porém, deixa de falar em nome de outros e louva a Deus pessoalmente: Quando contemplo (8:3).  Ele considera os céus [...] a lua e as estrelas obra das mãos do Senhor que leva suas impressões digitais.

(...)

Diante de tal majestade, ninguém pode permanecer calado.  Até mesmo os pequeninos, as crianças, os fracos, louvam ao Senhor (8:2a).  A referência ao louvor oferecido pelas crianças não tem paralelo no AT.  Quando, porém, as crianças louvaram a Jesus, ele citou esse versículo para aqueles que o criticavam por aceitar o louvor (Mt 21:16).

(...)

Existe uma ligação estreita entre o papel e o lugar da humanidade nesse salmo e o relato da criação dos seres humanos em Gênesis 1 e 2.  O fato de termos sido criados à imagem de Deus significa que todo ser humano merece ser tratado com respeito e considerado precioso aos olhos do Senhor.

Não é de se admirar que o salmista encerre da mesma forma que começou: Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnifico em toda terra é o teu nome! (8:9).

(Nupanga Weanzana – no Comentário Bíblico Africano)

 

quinta-feira, 2 de maio de 2024

A MORTE DOS FIÉIS



Para Deus, é como perder um olho quando um dos seus piedosos morre.
(Sl 116:15)

 

Não faz muito tempo a COVID nos fez encarar de frente o problema da morte.  Até sei que em outras épocas e culturas a morte pode ser encarada de formas distinta, mas entre nós...

De repente, se foram...

Tanta gente perto, conhecida, querida, amada, pais e filhos.

Os números no Brasil ultrapassaram a casa das sete centenas de milhares de óbitos.

O luto e a dor da perda então se mostraram tão presentes e cruéis como parece que nunca tínhamos experimentado – pelo menos em minha geração.

E entre tantos, ainda vimos partir servos leais cristãos que o vírus não poupou.

 

— Mas, como Deus deixou falecer os seus fiéis?

 

Então levei minha atenção ao texto sagrado em busca de respostas.  Só ali o próprio Altíssimo poderia oferecer explicação para uma dor tão sem sentido!

 

A citação foi quase direta: recordo de ler em quase todo obituário cristão a citação do Sl 116:15 – e geralmente na versão mais tradicional de Almeida que diz ser preciosa à vista de SENHOR a morte dos seus santos.  Como se a morte de um fiel cristão fosse algo que Deus valorizasse, e até gostasse!

 

— Será isso mesmo? Será que Deus tem prazer na morte de seus fiéis?

 

Vamos ler juntos o texto do Salmo para entendê-lo melhor.

 

Em primeiro lugar considere que esse verso é poesia, e da boa!  Então ele precisa ser lido nessa perspectiva.

No Salmo 116 o salmista começa afirmando que ama o Senhor por que ele ouve a sua voz (verso 1) e também reconhece que somente o Senhor é misericordioso para livrar a sua alma aflita (verso 5).  E se questiona como retribuir por bênçãos sem medida (verso 12).

Então, ele se dispõe a celebrar e cumprir seus votos (versos 13-14).

Mas tem um problema: a morte me envolveu com suas cordas (verso 3).  Ora, se os mortos não cantam louvores ao Senhor (considere o Sl 115:17), como louvar a Deus no silêncio da sepultura?

Aqui entra o entendimento do verso 15.  De maneira poética o salmista faz a exclamação: para Deus, perder um dos seus fiéis piedosos é como prejuízo (custa caro!) – seria como perder um olho!

 

É isso mesmo.  Na compreensão poética do salmista, para Deus, quando um fiel morre, é como se ele perdesse um adorador valioso.

Bem, posso entender que a visão do salmista sobre o Deus eterno ainda era limitada, e que na eternidade também haverá louvor ao Criador (Apocalipse é cheio dessas citações).  Mas, ele está salmodiando a certeza que, desse lado da existência, a morte de um fiel é uma perda lastimável – e o Senhor não fica indiferente a isso.

 

Ora, sobre a morte dos santos, ainda é bom citar o texto da profecia de Ezequiel onde Deus diz, literalmente: Eu não tenho prazer na morte de ninguém (Ez 38:32).

Ou seja, numa compreensão bíblica, não faz sentido Deus ter interesse na morte de seus servos, nem que isso lhe seja computado como ganho.  Pelo contrário, Deus nos criou para a vida e para isso foi que ele veio: para nos dar vida em abundância (estou citando Jo 10:10).

E mais.  Se por um lado Deus é o autor e doador da vida (vá a Gn 2:7), por outro, a morte é resultado exclusivo do pecado (considere Rm 6:23).  Como ele teria qualquer satisfação no resultado de algo que o aviltou e separou de si mesmo suas criaturas?

 

Eu creio num Deus que sofreu e chorou cada luto do COVID junto àqueles que sofreram como uma perda irreparável.  Ele recolheu tais lágrimas no seu odre (poesia maravilhosa do Sl 56:8) e os convidou de maneira amável a se acalentar em seu descanso consolador – mesmo em meio a dor – confiando que ele continua sendo bom (termino voltando ao Sl 116:7).

 

 

#1. A versão do Sl 116:15 que está lá no cabeçalho desse texto é minha, feita a partir do hebraico (sem compromisso linguístico), apenas compreendendo o seu sentido poético.

#2. Para dar base a essa reflexão, eu preparei uma Exegese rápida do Sl 116:15 que postei e pode ser acessada nesse link.

 

 

terça-feira, 30 de abril de 2024

Exegese rápida do Sl 116:15

 


Preciosa é à vista de SENHOR a morte dos seus santos.

Assim é a versão mais costumeira de Almeida da Bíblia em Português para o Salmo 116:15.

 

O Senhor vê com pesar a morte de seus fiéis.

E assim é a versão da NVI em português.

 

Qual a versão mais condiz com o original?

 

Vamos trabalhar um pouco com o texto:

No hebraico do Westminster Leningrad Codex (somente consoantes) o palavreado pode ser lido assim:

 

יקר בעיני יהוה המותה לחסידיו׃

 

Analisando, palavra por palavra –

 

יקר yā-qār [adj.] precioso, raro, custa caro/muito
Também aparece em textos como 1Sm 3:1 e Pv 6:26

בעיניbə-‘ê-nê [prep. + subst.] como + olho/vista
Também em Pv 20:12

יהוהYah-weh [subst.] o nome próprio de Deus
Ocorre mais de 6200 no AT Hebraico

המותהham-mā-wə-ṯāh [subst.] a morte
Como em Gn 21:16

לחסידיוla-ḥă-sî-ḏāw [prep. + subst. + pron.] dos seus piedosos/gentis
Encontrado também no Sl 18:25

 

Esse texto nas traduções clássicas:

 

Grego – LXX –
Τίμιος ἐναντίον Κυρίου ὁ θάνατος τῶν ὁσίων αὐτοῦ.

 

Latim – Vulgata Clementina –
Pretiosa in conspectu Domini mors sanctorum ejus.

 

E veja como era versão de Almeida em 1819 –
Preciosa he em olhos de Jehovah a morte de seus privados.

 

Lendo possibilidades de tradução (além de Almeida e da NVI que já citei lá em cima):

 

Inglês – King James Version –
Precious in the sight of the LORD is the death of his saints.

Inglês – New Living Translation –
The LORD cares deeply when his loved ones die.

Francês – Louis Segond (1910)
Elle a du prix aux yeux de l'Eternel, La mort de ceux qui l'aiment.

Alemão – Luther (1912)
Der Tod seiner Heiligen ist wertgehalten vor dem HERRN.

Espanhol – Reina Valera 1909
Estimada es en los ojos de Jehová La muerte de sus santos.

ItalianoRiveduta Bible (1927)
Cosa di gran momento è agli occhi dell’Eterno la morte de’ suoi diletti.

 

Comentando esse verso, o Comentário Bíblico Africano assim se expressa:

 

As palavras preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos (116:5) não significa que Deus deseja a morte deles.  Antes, indicam que Deus atribui alto valor a seus santos e não permite que percam a vida facilmente.

 

Luiz Sayão, (num artigo para a FTBSP) assim comenta:

 

Aqui a palavra yaqar é vista no seu sentido de “algo de alto custo”, isto é, “precioso”.  Isso significa que para Deus a morte de um fiel é algo que custa muito. A tradução de Toombs, por exemplo, capta bem a ideia: “O SENHOR não é indiferente ao fato de seus fiéis serem ou não mortos”.  Numa tradução bem contemporânea, poderíamos dizer que para o SENHOR a morte de seus fiéis “não passa em branco”.  A morte de alguém que é fiel ao SENHOR recebe a atenção de Deus, assim como uma pedra preciosa atrai o olhar de alguém.

 

Então, eu traduziria assim o verso (sem compromisso linguístico), apenas compreendendo o seu sentido poético:

 

Para Deus, é como perder um olho quando um dos seus piedosos morre.

 

Você pode ler uma reflexão bíblica a partir desse trabalho rápido de exegese bíblica intitulado A MORTE DOS FIÉIS no seguinte link.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

ADORANDO NOS SALMOS

 

Venham! Vamos cantar ao Eterno!
Vamos dar um grito de alegria à Rocha da nossa salvação!
(Sl 95:1)
 

O Livro bíblico dos Salmos é, na verdade, uma compilação de vários cânticos e orações.  Ele se constituiu como um Hinário do culto no Templo de Jerusalém, e como tal expressou a fé e a devoção do povo de Israel. 

Alguns aspectos nos chamam a atenção no cântico dos Salmos:

Primeiro.  A adoração a Deus deve ser o brado de lamento e esperança diante de um Deus que tem tudo em suas mãos.  Com os Salmos cantamos a certeza que mesmo diante de um tremendo poço de lama e desespero eu ainda podemos continuar tendo esperança e clamando, pois ele sempre ouve nosso brado (Sl 40:1-2).

Segundo.  Mesmo Deus em toda a sua majestosa grandiosidade ainda assim atenta para os seres humanos tratando-os com dignidade e favorecimento.  Nosso Deus tem seu nome e glória preenchendo toda a terra, mas, ainda assim, ele tem cuidado, atenção e amor para os seus (Sl 138:6).

E terceiro.  Nos Salmos, com o povo de Deus, damos voz à certeza de que o nosso Deus está presente no templo, no meio da congregação (Sl 11:4).  Então, diante isso, faz-se necessário um comprometimento ético bem mais sério para qualquer um comparecer diante deste Deus (Sl 15).

Visando a adoração tirada do exemplo bíblico, vamos celebrar com os Salmos que são a voz de Deus que por nós fala mostrando a verdadeira adoração.

(A partir de uma reflexão do livro "No Baú da Adoração", publicado em 2004)

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

EU PEDI AO ETERNO

 

 

Hoje eu quero tomar como minhas as palavras e sentimentos do salmista no Sl 27:4.  Entendo que o livro dos Salmos é o repositório de emoções e sentimentos humanos que encontramos na Bíblia.

 

Uma coisa eu pedi ao Eterno – e isso eu vou buscar: que eu possa permanecer ali, na casa do Eterno todos os dias da minha vida [apenas] para contemplar o esplendor do Eterno e possa meditar no seu templo.

 

Acompanhe comigo.

Em primeiro lugar o salmista pede ao Eterno: ele coloca diante de Deus o que realmente deseja.  Ele se sente livre para trazer diante do Senhor aquilo que mais deseja.  Assim deve ser o relacionamento com Deus: como Pai Amoroso e Deus Todo-Poderoso.  É a ele a quem dirijo as minhas súplicas.

Mas o salmista prossegue dizendo que não somente pediu, como também está disposto a se empenhar para que seu desejo se concretize. 

Tendo colocado nas mãos de Deus, agora posso dizer que meu coração está cheio de desejos e que não medirei esforços para que seja realizado em minha vida aquilo que eu mais almejo.

E o que eu realmente desejo: permanecer ali, na casa do Eterno.  Não há lugar melhor, nem companhia mais gratificante do que a casa e a presença do Amado.  É só isso que importa.  O que realmente eu quero é poder estar na presença de Deus, em sua casa, cultuando e louvando ali ao meu Deus.

Então, por isso mesmo, por estar na casa do Eterno, eu posso finalmente experimentar a razão de minha existência completa: contemplar o esplendor do Eterno.  Desejo estar diante de Deus para contemplar-lhe a beleza de sua santidade, desfrutar das alegrias de sua gloriosa presença: desfrutar simplesmente de sua companhia.  É isto que eu realmente quero.

Como disse lá em cima, fazendo minhas as palavras do salmista, gostaria de abrir meu peito e também expressar meu desejo ardentemente:

 

  Uma coisa eu pedi ao Eterno – e isso eu vou buscar

 

(Na imagem lá em cima, os vitrais da PIB em Curitiba – crédito: Google Maps)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

UM SALMO FÚNEBRE PARA 2021

 Agora que estamos encerrando esse ano de 2021, permita-me publicar um salmo nos moldes do 137: como cantaremos nessa terra estranha?


 

Ó Altíssimo! Tu és bom.
Teu amor indizível vai além das circunstâncias.

Mesmo com os olhos marejados,
não nos esqueceremos de ti.

 

Mas, como te cantaremos nessa noite que parece não ter fim!?

Como te bendiremos em meio a esses rumores de morte!?

 

Tu que és a própria vida.

 

A COVID traz morte,
mas a negação do cuidado e prevenção a agiganta.

A fome de nossos irmãos nos mata por dentro
e a ganância de uns nos fere a todos.

O gesto famigerado e anticristão da arminha no dedo convida à morte.
E só o crucificado para se apiedar de nós.

As fakes news espalham a morte.
Mas o silêncio da verdade é cúmplice delas.

O aborto gera a morte inocente.
Assim como a maternidade e a infância vilipendiadas.

O isolamento nos consome.
Pior é a insensibilidade.

O desmatamento para o agronegócio nos asfixia,
e a carestia e o desemprego embota a esperança.

A retidão está ausente,
e a justiça comprada a dinheiro.

Sem educação, saúde ou dignidade o povo perece.

O sexo irresponsável escancara o egoísmo dessa geração.
Mesmo que se use o argumento do amor.

Mulheres estão morrendo por quem as deveria amar
e nossas crianças abusadas por quem as deveria proteger.

As famílias se diluem,
pois os modelos e parâmetros nos envergonham.

E ainda, púlpitos se vendem
e já parece escassa alguma voz profética.

 

Todo isso fede a morte,
pois está preso pelos grilhões do pecado.
Sim. Tudo isso é pecado.

A esquerda sem Deus é estéril.
E a direita fanática é sepultura caiada.

 

Ora. Onde está ó morte a tua vitória?
Onde estão teus grilhões?

 

Acontece que tragada foi a morte na vitória.

E permaneço crendo que nada disso vai me separar do amor de Deus em Cristo Jesus.

E nós continuaremos a louvar e adorar ao Altíssimo e Eterno que conquistou a vitória no madeiro.

 

Aleluia! 

terça-feira, 15 de junho de 2021

UMA ESTRUTURA INTERNA DOS SALMOS

  


Ao contrário da divisão tradicional canônica que conhecemos em cinco livros e que não respeita relações contextuais ou temáticas, vários comentadores modernos têm optado em estabelecer uma relação estrutural interna mais relacionada com temas e usos litúrgicos. 

Quanto ao número destas divisões, estes têm variado dependendo da visão de cada autor e da abrangência que queiram dar ao uso dos textos.  Ou seja, seguindo a linha de autores como Mowinckel, Champlim, Durham, Weiser, Brueggemann entre outros, observamos que os temas principais do saltério percorrem transversalmente em todo o livro e, mesmo constituindo-se na sua maioria em temas relativamente homogêneos, são suficientemente abrangentes e ocorrentes para cobrir os mais diversos aspectos da vida humana.

 

Vejamos um pouco dessas propostas:

(1) Sigmund Mowinckel em The Psalms in Israel's Worship fez a sua classificação tomando como base o “culto em si, suas diferentes ocasiões, situações e atos”.  Segundo ele os salmos se dividem em: a) Salmos reais; b) Os hinos de louvor; c) Salmos para o festival de entronização de Javé; d) Salmos de lamentação nacional.

(2) O maior número de divisões interna atribuída ao Livro dos Salmos está na classificação de R.N. Champlim.  Na sua obra O Antigo Testamento Interpretado – versículo por versículo ele classifica os Salmos em 17 tipos, além dos chamados Salmos Penitenciais que ele os coloca numa classificação em separado. 

Para Champlim os três maiores grupos são os Salmos de Lamentação (com 65 Salmos), os Salmos de Ação de Graças e Louvor (com 27 títulos) e os Salmos Majestáticos (com 25 títulos).  Porém uma observação sobre esta classificação é que vários Salmos se encontram em mais de uma tipificação fazendo da relação uma exaustiva, mas pouco funcional lista de número de capítulos.

(3) John I. Durham no comentário contido em The Broadmann Bible Commentary classifica os Salmos em quatro grupos: 1. Hinos e Salmos de Louvor (com 74 Salmos), 2. Lamentos (com 56 Salmos), 3. Salmos Reais (com 11 Salmos), e 4. Salmos de Sabedoria (com 9 Salmos).  Esta divisão apesar de ser apresentada sem muita explicação teológica mostra um bom quadro de subdivisões que acaba se tornando bastante útil.

(4) Entre os comentadores, talvez o que mais se ocupada de alinhavar as razões e implicações de sua classificação seja Artur Weiser.  Na sua obra Os Salmos, ele chama simplesmente de gêneros literários dos Salmos.  São cinco os grupos: hinos; lamentações; salmos de ação de graças; bênção e maldição; poesia sapiencial e didática.  Esta classificação de Weiser, cuja argumentação teológica se mostra bem fundamentada, e é abrangente o suficiente para trabalhar inclusive com textos poéticos hebraicos fora do Saltério.

(5) O mais inovador e criativo, contudo, é Walter Brueggemann na sua obra The Message of the Psalms onde se propõe a classificar os Salmos a partir do uso que os fiéis fazem dos textos nas suas orações com os Salmos, porém sem se descuidar do trabalho crítico.  São as palavras de Brueggemann:

A discussão seguinte é organizada ao redor de somente três temas gerais, poemas de orientação, poemas de desorientação, e poemas de nova orientação. (...) Para organizar nossa discussão nesta maneira, nós propomos uma correlação entre os ganhos do estudo crítico (especialmente com Gunkel e Westermann) e as realidades da vida humana (entendendo para isto o uso de muitos Salmos na vida do orante).

A grande novidade do trabalho de Brueggemann é que ele faz uso dos textos a partir da própria aplicação que os mesmos tiveram para os primeiros leitores judeus tanto quanto hoje têm para os cristãos que usam os mesmos textos aplicando-os para as suas vidas cotidianas, quer individualmente, quer coletivamente. 

Ou seja, em todas as épocas o Livro do Saltério mostra-se atual e relevante pois a vida humana sempre está estacionada em algum destes pontos, ou está em movimento de um para outro ponto – assim esta classificação é ao mesmo tempo a mais abrangente e a mais específica.

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

ALTOS E BAIXOS

 

A vida do cristão pode estar sujeita a altos e baixos.  Quando nos sentimos espiritualmente fortes – nos altos da vida – somos tomados de uma santa ousadia no Espírito (veja Jo 14:26).

Mas há situações em que parece nosso ímpeto cristão se esvai.  São nestes vales da vida que nos vem a cobrança sobre a validade e as implicações práticas de nossa confiança: “Onde está seu Deus?”.

Para estes momentos, é bom aprender com o salmista.  Leia os Salmos 42 e 43 e depois acompanhe comigo o que posso extrair deles:

 

# Ter sede de Deus deve normal de sua vida – lembre-se disso.  Um cristão que não deseja profundamente as águas que correm do trono de Deus é porque ainda não experimentou do melhor (veja Jo 4:10 e Ez 47).

# Esteja sempre preparado tanto para vivenciar os momentos de triunfo espiritual como para suportar os momentâneos e circunstanciais fracassos na vida, pois ambos os momentos virão.

# Nunca deixe de se lembrar como foi o seu tempo de adoração quando esteve diante do Senhor (observe a repreensão de Ap 2:4).  Serão tais lembranças que lhe renovarão o ânimo nos momentos mais duros da caminhada cristã.

# O questionamento pode até lhe incomodar; mas mantenha firme a sua convicção e não deixe que as dúvidas alheias o façam perder de vista o seu Deus.

# Não tente disfarçar algum abatimento espiritual.  Isso um dia acaba acontecendo com qualquer cristão.  Só não faça disso uma constante em sua vida devocional.

# Quando estiver desanimado: assuma o problema; mas não se conforme com ele: busque a solução que certamente só o Senhor pode dar.

# E principalmente: em toda e qualquer circunstância mantenha firme a certeza que Deus pode mudar sua história como também seu interior.  Mesmo que ainda não tenha chegado o tempo de Deus, nunca duvide que ainda o louvará.