sexta-feira, 31 de agosto de 2012

OUVIRAM O QUE FOI DITO...


Por pelo menos cinco vezes, no Sermão do Monte, Mateus observa Jesus dizer: Ouviram o que foi dito... Para depois completar: Eu, porém digo agora a vocês...  Demonstrando uma nítida linha de oposição entre ambos os dizeres.  Isso é um dado – ponto.  Mas, o que podemos aprender destas informações?
Primeiro, que Jesus não somente conhecia a Lei dada aos judeus, como também se sabia superior a ela.  Embora não invalidasse o que fora dito, Jesus certamente ultrapassou e ampliou o sentido da Lei dando-lhe o real significado. 
Ora, Jesus é a irrupção da era da graça, logo a Lei formal dada aos antigos precisava ser superada.  Já não mais deveremos viver sob o império da Lei que nos julga e condena pelos nossos pecados.  Agora estamos sendo absolvidos pela dádiva da graça que advém de Jesus e nos condiciona a um novo relacionamento com Deus.
Também, na nova dimensão apresentada por Jesus, a Lei não é mais exterior, mas sim interior.  O importante não é cumprir ritos e obrigações legais, nem diante dos seres humanos, nem diante de Deus.  O importante é a intenção de ações que move corações e vida para um encontro real e pessoal com Deus e com o próximo.  A graça brota em um coração que se aproxima intencionalmente da vontade de Deus e não da satisfação de determinados imperativos éticos.
Hoje que sabemos que em Cristo a graça superou a Lei, vivamos com intenção a nova relação que Cristo nos apresenta para com Deus.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parábola das coisas – a feira


Em qualquer cidade ou povoado sempre haverá uma feira: um lugar, uma praça, um espaço destinado ao comércio, onde produtos são expostos e pessoas compram e vendem – ou simplesmente trocam – o que para ali se leva e traz.
Sei que não foi Deus quem criou a feira.  Isso é resultado da construção social humana. E até por isso é impossível determinar um modelo ou padrão que atenda a todas as variedades culturais com a qual a feira se travestiu ao longo da história.
Mas feira é feira e mesmo sem muita explicação, as chamadas feiras-livres que povoam nossas cidades estão aí como parte significativa de nossa convivência: geralmente na rua, explicitando alguns traços bem característicos de nossa identidade com uma generosa dose de improvisos e espontaneidades.
Ir a feira – dizem os habituès – é mais do que um costume, requer certos maneirismos e muito de intuição e jogo-de-cintura.  O ideal é sair bem cedo, caminhar, pechinchar, escolher e só trazer o que realmente valha o carrego.
Por outro lado, gosto de olhar a feira como um paraíso dos sentidos.  É ali, no meio de toda aquela agitação que me agrada deixar aflorar cada uma das janelas que meu Criador me presenteou.  Desfrute um pouco comigo.
Comece pela visão.  Uma verdadeira feira-livre, daquelas que se instalam no meio do cinza das cidades, é um extasiar de cores: tomates vermelhos, alfaces verdes, melões amarelos, ovos brancos, macaxeiras marrons, além de laranjas, beterrabas, coentros, mangabas, siriguelas e por aí vai...
Dê atenção a audição.  Numa feira, cada bom vendedor canta enquanto tenta seduzir seu freguês numa mistura de toadas que se sucedem, misturam e ecoam, fluindo pelos ouvidos.
Ah! E o olfato.  Qualquer feira que se preze tem que deixar acontecer seus aromas.  Principalmente quando seus produtos se destinam ao prato.  O peixe fresco tem seu cheiro próprio.  Mas não é só ele.  Cada fruta, verdura, legume ou o que mais ali esteja tem que me convencer pelo nariz.
Não se esqueça do tato.  Cada hortaliça tem sua textura devida, umas naturalmente mais lisas e suaves, outras mais ásperas e enrugadas.  O toque tem que passear pelas bancas enquanto se frequenta uma feira.
E, claro, finalmente o paladar.  Não há feira de verdade em que não se fique de água na boca.  O gosto do amendoim cozido ou do beiju molhado.  A fatia de queijo experimentada e testada.  A fruta discretamente beliscada.  A água de coco enquanto se retoma o fôlego para continuar a caminhada...
Olhando assim: feira é festa dos sentidos.  Não sei se você já parou para pensar nisso, mas para mim a feira é uma oportunidade sempre inusitada de glorificar ao Pai Celeste por cada um dos sentidos que estão ali exuberantemente estimulados para me lembrar o quanto Deus é criativo e caprichoso.
E eu continuo a louvá-lo assim!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

MORRI E VIVI


Pois, por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus.  Fui crucificado com Cristo.  Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.  A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2:19-20).
Estas palavras do apóstolo Paulo, além se serem um testemunho de sua própria experiência de novo nascimento em Cristo, nos serve como parâmetro e desafio para nossa vivência individual cristã. 
Acompanhe comigo rapidamente o binômio sob o qual se move a declaração apostólica. 
Primeiro é dito: eu morri em Cristo.  Com isso Paulo afirma sem sombra de dúvida que na cruz estava cravada toda a sua existência.  Não somente o pecado estaria liquidado no sangue da cruz, mas também estava finda a história e personalidade do homem Saulo.  Todas as suas vontades e direitos foram crucificados naquela Páscoa.
O outro lado da expressão é: eu vivi em Cristo.  Aqui está muito mais que uma motivação para nova vida: está a sua verdadeira essência.  Na ressurreição de Cristo renasce tanto o perdão para os pecados humanos como uma nova história e personalidade que só tem razão de ser em Cristo Jesus.
Se na cruz morreram minha vontade e direito, na vitória de Cristo encontro a vontade e planos divinos que passam a ser a tônica da minha atual existência.
Quando olho para a morte de Cristo como a minha morte e para a vida do Mestre como a minha vida, então sou levado forçosamente a dedicar inteiramente tudo o que tenho e sou no seu altar e consagrar-lhe mais ainda o tudo que disponho numa atitude de louvar e gratidão. 
Exaltemos ao Senhor afirmando: Cristo vive em mim!  Aleluia!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Disciplina cristã XIII – SERVIÇO


A disciplina do serviço cristão tem como fundamento as instruções deixadas por Jesus Cristo (como pode ser lido em Jo 13:15).  Os mandamentos que apontam para esta disciplina são aqueles que o Mestre reputou como sendo os mais importantes de toda a Bíblia:
Respondeu Jesus: " ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’.  Este é o primeiro e maior mandamento.  E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.  Destes dois mandamentos dependem a Lei e os Profetas".
(Mt 22:37-40)
A disciplina cristã do serviço deve ser embasada num amor incondicional a Deus e ao próximo.  O serviço entendido como uma disciplina cristã é sempre um ato de amor voluntário e disponível em prol de Deus e dos outros.  Esta vinculação entre serviço cristão e ordenamento de amor traz em si algumas implicações.
Em primeiro lugar, o serviço cristão, resultado de uma vida de disciplina de amor, tem que fazer ecoar no outro o amor que afirmo ter para com o Senhor.  Ora, sem amor a Deus não há vida cristã, e como Jesus afirmou que o amor ao próximo é um mandamento semelhante a este, então o amor ao próximo e o serviço e cuidados dispensados a eles são então igualmente indispensáveis para uma vida cristã santa e sadia (veja mais 1Jo 4:20-21).
O cristão não pode se excluir da necessidade de buscar o bem e trabalhar em favor daqueles que mais precisam dos seus esforços.  Na parábola de bom samaritano Jesus enfatizou que para se herdar a vida eterna é preciso amar o próximo e isto só acontece quando se é capaz de notar o sofrimento daquele que está caído ao longo do caminho, descer da montaria e oferecer ajuda, mesmo que isto não tenha uma relação com a espiritualidade costumeira (leia em Lc 10:25-37 que o posicionamento do sacerdote e do levita em contraste com o do samaritano aponta para esta compreensão).
Outras implicações necessárias estão nas palavras de Jesus: quem quiser ser importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo (Mt 20:26-27).  Na vida cristã não há maior valor que ser servo (o verso seguinte mostra Jesus como o exemplo desta afirmação).  Para Jesus, o alvo de qualquer cristão que se engaja na batalha espiritual com disciplina é poder viver de modo a servir e ser útil a todos aqueles que o rodeiam; pois só assim o amor de Deus sobressairá (veja ainda Mt 5:16 – boas obras que glorificam o Pai).
Finalizando: há maior felicidade em dar do que em receber (At 20:35).  Estas palavras reconhecidas com sendo da boca de Jesus implicam que a vida de serviço do cristão disciplinado será sempre uma busca pelo melhor para o seu Senhor, e isto só acontecerá quando houver maior prazer em dar (o que tenho e o que sou) para Deus e para o próximo, do que em buscar receber qualquer vantagem, lucro, bênção ou louvor.  O cristão disciplinado sempre está disposto a dar aquilo que o próximo precisa e nem por isso espera receber algo em troca, pois a felicidade está no ato de oferecer e não em ganhar.
(Na imagem lá em cima, jovens de nossa igreja empenhados no serviço, enquanto preparavam o Congresso de Juventude que ocorreu este mês.  Fotos: Jonatan Santana)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ESTAREI ME MUDANDO


Pensei em iniciar este texto citando Carlos Drummond de Andrade em uma crônica excelente (redundância!?) na qual ele se refere à passagem de tempo entre a compra e a venda de uma casa.  Lembro da crônica e sei que tenho o livro com ela, mas, a esta altura, o tal livro já está devidamente encaixotado e guardado.  Aí fica difícil...
Vou tentar de outro jeito.  Como dizem os operadores de telemarketing de plantão: estarei me mudando
(Mas me deixe abrir um parêntese.  Se eles soubessem que cada vez que empregam um gerúndio estão correndo um real risco de perder o cliente!  O que não só irrita como ofende a minha parca inteligência.  Isso não vem ao caso agora.  Vou fechar o parêntese e voltar à mudança.)
Estou deixando o endereço onde morei por mais de uma década aqui em Aracaju e, provisoriamente, me instalando numa casa de meus sogros (também em Aracaju) até que possa me mudar para a nova casa.
A ênfase deve está no advérbio: provisoriamente.  Neste sentido posso usar a expressão: estarei me mudando!  Pois começando esta semana e nos próximos meses estarei em processo de transferência de uma casa a outra.  Já não estou na antiga residência, mas ainda não me alojei na nova.  Estou de passagem!
Nestas horas, parece que a vida se vira de pernas para o ar.  A velha rotina precisa ser reformulada, e até que as coisas se arrumem novamente, tudo está fora de lugar.  E no meu caso agora, não sei quando estarão lá.
Além da situação de descompasso e novo compasso que a mudança traz, parece que só nestas horas nos damos contas de quantas coisas foram acumuladas ao longo dos anos: livros, papeis, roupas, discos, chaves, panelas, aparelhos, cacos que precisam ser acondicionados para o transporte. 
E o que dizer dos cheiros, sons, referências, horários, rotinas, histórias que não têm como ser empacotados mas precisam de um lugar nas memórias pois, de algum modo, ficarão para sempre, só que devem ceder lugar a novas vivências que nos aguardam...
Estou atestando: eita coisa aperreada é se mudar!!
Só que eu quero terminar este texto citando as palavras sagradas aos Hebreus: não temos aqui morada permanente (leia em Hb 13:14).  E como tais palavras estão ficando límpidas enquanto transcorro a realidade de que estarei me mudando!  Já não sou mais daqui, mas ainda não cheguei lá!  Assim é compreensível minha desadequação neste tempo presente pois tudo agora é provisório – e vou me acomodando como dá, enquanto espero minha morada definitiva a qual será incomparavelmente melhor (confio no que diz Rm 8:18).
E tudo será somente a glória de Deus.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Disciplina cristã XII – CRESCIMENTO ESPIRITUAL


Já sabemos que disciplina cristã é resultado de uma vida dedicada e esforçada em cumprir o planejamento de Deus para o cristão.  Neste sentido, sem empenho e comprometimento não há crescimento ordenado e disciplinado: o que nasce menino na fé, assim permanece sem alcançar objetivo algum (vá a Ef 4:13).
Na Bíblia encontramos indicações seguras de como vivenciar esta disciplina cristã com propriedade.  O profeta Oseias é o ponto de partida.
Conheçamos o SENHOR;
esforcemo-nos por conhecê-lo.
(Os 6:3a)
A disciplina do crescimento espiritual, como toda disciplina cristã, começa com uma disposição interior de fazer a vontade de Deus e viver de acordo com ela.  É preciso ter iniciativa e esforço no sentido de buscar sempre o amadurecimento.  Na mesma linha, o autor aos Hebreus instrui sobre a necessidade de prosseguir deixando os rudimentos da fé que, mesmo indispensáveis, mas precisam ser superados para que avencemos para a maturidade (Hb 6:1).  E o próprio autor se inclui neste empenho: assim faremos, se Deus o permitir (Hb 6:3). 
Outro aspecto a se destacar é que para crescer espiritualmente é necessário se nutrir adequadamente (sobre isso, a adoção de outras disciplinas como oração e leitura bíblica muito ajudam). 
Voltando a figura do novo nascimento.  Como recém nascido na fé o cristão precisa do alimento apropriado para o crescimento espiritual acontecer com disciplina, então se deve começar com o puro leite espiritual (expressão de 1Pe 2:2) – e isso deve ser feito de maneira regular e constante.  Assim como no corpo físico, no espírito é fundamental haver desde cedo nutrientes divinos para o crescimento sadio.
À medida, porém, que o crente cresce, o leite então já não oferece subsídios adequados para continuar o processo disciplinado de crescimento espiritual.  Ou seja, quem começou tomando apenas leite não pode sempre continuar assim, é preciso partir com determinação em busca de novos alimentos que forneçam nutrientes adequados para continuar crescendo e se desenvolvendo (Hb 5:12-13 aponta isto claramente).
Devo ainda citar também aqui a instrução paulina aos cristãos de Corinto como bom modelo da disciplina do crescimento espiritual:
E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é Espírito.
(2Co 3:18)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ABA, PAI


No ensejo da passagem do Dia dos Pais, eu quero levar meus olhos a buscarem no texto bíblico esta figura.  E para esta leitura eu lhe convido a mirar as páginas sagradas comigo e perceber que até numa rápida folheada o conceito paterno de Deus está presente praticamente em toda a Bíblia.
Deixe-se levar um pouco:
Em Rm 8:15 eu leio que o Espírito nos tem adotado para que o possamos chamar de “Aba, Pai”.  Ter o Senhor como Pai é ter a garantia de uma relação íntima e pessoal com Ele.  É João quem garante: “... deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (vá a Jo 1:12).
Lucas, por sua vez, registra que Jesus contou uma de suas narrativas que ficou conhecida como a Parábola do Filho Pródigo (em Lc 15:11-32); mas que na verdade deveria ser conhecida como a “Ilustração do Pai Supremo”, já que este é o tema central da narrativa. 
Tomando esta parábola como parâmetro e oriente em nossa folheada, avencemos um pouco mais:
A parábola se abre apresentando um Pai que respeita as decisões do seu filho (confira no verso 12).  Isto demonstra o valor da liberdade consequente pelas escolhas que o Pai desenvolveu nos seus filhos.  Do mesmo modo, Deus nos outorga um espírito livre e responsável por nossas decisões (confira neste sentido Jo 8:36).
No cerne na história encontro o amor do Pai.  Não um amor qualquer, mas um amor que acolhe indistintamente todos seus filhos: o mais novo que voltou (verso 20) e o mais velho que ficou (verso 28).  Assim Deus ama a cada um como é e sempre está disposto a aceitar seus filhos em seu aconchego paterno (claramente em Rm 2:11). 
Finalizando, vejo a atitude do Pai demonstrando um cuidado que repara integralmente seus filhos (versos 22-23).  Do mesmo modo, Deus valoriza e reconstroi os seus amados independentemente da vida que eles tenham levado (uma boa interpretação para Mt 11:28-30).
Diante disto, minha expressão de gratidão e louvor ao Deus-Pai deve acompanhar as palavras de João quando diz: Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! (1Jo 3:1).

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Disciplina cristã XI – PERDÃO


Em toda a Bíblia, o perdão humano é sempre influenciado pelo perdão divino (acrescente ainda que primeiro ele nos amou com é dito em 1Jo 4:19).  É considerando assim que procuramos olhar a disciplina do perdão como algo a ser seriamente encarado, já que tal atitude influencia nossa relação com Deus e com os demais irmãos.
Quanto a isso, Jesus faz uma severa advertência, comentando o pedido de perdão da Oração do Pai-Nosso: como poderemos suplicar pelo perdão divino se não somos capazes de – sob sua influência – estender o mesmo perdão ao nosso próximo (Mt 6:14-15).
Nesta linha de raciocínio, a disciplina do perdão tem que ser vivenciada como algo incondicional (argumento de Rm 5:8).  Ora, se somos alvos do amor sem exigências prévias ou pré-condições de Deus – e o perdão divino é colocado exatamente nesta medida – então o perdão que devemos oferecer a quem nos fere ou ofende tem que ser na mesma medida.
Outro ponto importante a se destacar nesta lição é a extensão – quantidade – de perdão que devo oferecer.  No contexto da parábola do servo impiedoso, Jesus indica que nosso perdão deve se estender por setenta vezes sete; ou seja, atualizando a linguagem, não pode haver limite para que perdoemos a quem carece do nosso perdão (Mt 18:22 e Lc 17:4).
E mais.  Como disciplina cristã, o perdão exige sempre dos discípulos de Cristo iniciativa.  Jesus instruiu que se o outro pecar e nos ferir, nós é que devemos ter a atitude e iniciativa de ir ao seu encontro e propor perdão e reconciliação.  No Sermão da Montanha Jesus disse claramente que para se cumprir a Lei de Deus e agradá-lo em adoração – entregando a oferta – faz-se necessário entrar em acordo com o irmão.  Isto quer dizer que, para Jesus, o perdão é pressuposto fundamental para a comunhão com Deus (leia em Mt 5:23-26). 
Em se tratando de perdão e reconciliação, uma última observação precisa ser considerada: Paulo aos Romanos (citando Pv 25:21-22) estabelece como prática disciplinar do cristão não somente um perdão citado ou formalizado, mas uma atitude de restauração e reparação:
"Se teu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber.  Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele".
(Rm 12:20)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

AMAR É DAR!


O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Roma, afirmou que "Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós" (confira em Rm 5:8).  E este é apenas um dos textos bíblicos que relaciona o ato de amar com o ato de dar. 
De saída: me parece que no texto sagrado um não subsiste sem o outro!  Mas vamos implicar pelo menos dois pontos:
Em primeiro lugar, a principal demonstração do amor de Deus pelos seres humanos – suas criaturas decaídas – é que ele se deu em Jesus Cristo por cada um dos pecadores.  Esse amor que é a essência de Deus (lembre 1Jo 4:8!) só pode ser percebido por nós porque ele foi capaz de se dar em nosso lugar. 
É no ato de doação máxima e voluntária da cruz que Deus demonstra toda a extensão significativa e profundidade abrangente do seu amor.
O outro ponto a se pensar nesta relação é que Jesus nos ordenou que a medida e o padrão do nosso amor deveria ser aquele mesmo do amor de Deus para conosco (lembre mais Jo 13:34!).
  Sendo assim, então o nosso amor cristão deve ser construídos nos atos de doação voluntária e cotidiana em nossas vidas e em nossos relacionamentos – desta forma devemos viver como cristãos.
Ora, se o amor imensurável de Deus sem medida é afirmado no ato de doação sem medida; e esse deve ser o nosso padrão: que aprendamos a lição de amar e dar cotidianamente para que Cristo seja o padrão e modelo de nossa vida a ser cada dia.