sexta-feira, 30 de março de 2012

BENDITO O QUE VEM


O domingo que antecede ao da ressurreição é tradicionalmente celebrado pela cristandade como o Domingo de Ramos. A história narrada nos quatro evangelhos é bastante conhecida: Jesus, montado em um jumento, entrou em Jerusalém sob a aclamação do povo que dizia: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! (confira em Mt 21:1-11; Mc 11:1-11; Lc 19:28-40 e Jo 12:12-19).
Apesar da exultação da multidão, pelo menos três verdades escaparam ao povo e quero chamar a atenção a elas aqui, pois foram tais que provocaram, por um lado a incompreensão e revolta dos judeus, e por outro a rejeição do seu Messias.  Acompanhe comigo.
Em primeiro lugar devo lembrar das palavras de Jesus: "Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus" (Lc 9:61).  Seguir o Rei Jesus tem que ser mais que uma expressão de júbilo, um brado de vitória, um tomar posse das bênçãos: é assumir todas as implicações da sua fé e de seu comprometimento com o Reino de Deus, e levá-lo às últimas consequências.
Em segundo lugar, também é importante ressaltar que Jesus falou: "alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me" (Mt 16:24).  É preciso tomar a cruz – negar-se e esvaziar-se de si mesmo – para que se possa ser um seguidor e habitante do Reino de Deus.  O Reino não é o lugar aonde vou quando preciso obter benesses e favores – mesmo que sejam espirituais – e sim a disposição de seguir a Cristo com humildade e coragem.
E finalmente, os habitantes de Jerusalém não consideraram mais uma afirmação de Jesus: "O meu reino não é deste mundo" (Jo 18:36).  Seguir a Jesus tem que sempre trazer a perspectiva de que o projeto divino não se esgota nesta vida presente – o melhor ainda está por vir no grande Dia do Senhor.  Mais do que aqui e agora, o Rei Jesus me garantiu a vida eterna.
Ousemos cantar o brado de Hosana: Bendito o que vem!  Fazendo-o, contudo com compromisso, coragem e esperança.

terça-feira, 27 de março de 2012

Salmo 116 – uma leitura


O contexto que gerou a adoração na eira de Araúna foi a reparação por um ato equivocado praticado por Davi (confira em 2Sm 24).  Por outro lado, quando lemos o Sl 116 o que realmente motiva o sacrifício é o desejo de retribuir toda a bondade demonstrada pelo Senhor (Sl 116:12).
Em comum, porém, em ambos os casos, pode ser notada a súplica pelo auxílio divino diante do infortúnio.  Davi clamou diante da repreensão divina: Agora, SENHOR, eu imploro que perdoes o pecado do teu servo (2Sm 24:10).  O salmista também apresentou o seu clamor:
As cordas da morte me envolveram,
as angústias do Sheol vieram sobre mim;
aflição e tristeza me dominaram.
Então, clamei pelo nome do SENHOR:
Livra-me, SENHOR!
(Sl 116:3-4)
Também em ambos os casos, o clamor deu lugar aos sacrifícios de adoração.  O salmista reconhece que somente o Senhor é misericordioso para livrar a sua alma aflita (Sl 116:5).  E se questiona como retribuir por bênçãos sem medida.  O salmista então conclui que a única maneira é adorando ao Senhor:
Oferecerei a ti um sacrifício de gratidão
e invocarei o nome do SENHOR,
Cumprirei para com o SENHOR
os meus votos,
na presença de todo o seu povo,
nos pátios da casa do SENHOR,
no seu interior, ó Jerusalém
Aleluia!!
(Sl 116:17-19)

sexta-feira, 23 de março de 2012

O SIMPLES COTIDIANO


A minha vida – assim como foi a dos antigos judeus e deve ser a sua também – vive às vezes de altos e baixos.  Umas vezes estou no pico, lá em cima e outras no fosso, lá em baixo.  De resto, na maioria do tempo, vivemos a normalidade do cotidiano.  E, ao contrário dos extremos, quando sou levado a buscar mais a Deus, é a rotina diária que realmente me desafia a colocar minha vida nas mãos do Cristo.
Assim, no simples cotidiano, lendo a Bíblia sem maiores sobressaltos, encontro indicações de que o Mestre tem algo maior e mais significativo para mim no dia-a-dia.  Veja o que encontro nas páginas sagradas:
No curto verso de Jo 7:53 é dito simplesmente que depois de os guardas se admirarem de Jesus e não o prenderem, “cada um foi para sua casa”.  E só!
Em diversas ocasiões também o próprio Jesus, após realizar um milagre, simplesmente instruiu: “...vá para sua casa” (confira em Mt 9:6 ou Lc 8:39).  A lição que fica sobre a verdadeira vida cristã a ser vivida encontra-se no cotidiano da casa.  Lá onde a vida prossegue rotineiramente é que o Mestre quer que eu viva a minha inabalável fé.
Em Pv 30:7-9 o sábio pede a Deus que não lhe dê fortuna nem sacrifícios extremos, mas o básico para viver, pois é nesta condição que deve florescer a sua capacidade de confiar no Senhor. 
Convém lembrar que estas palavras se casam perfeitamente com a Oração Modelo: “Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia” (leia em Mt 6:11).  Jesus ensina a pedir pelo suprimento cotidiano e aprender a confiar nele, tendo apenas as porções diárias.
Um outro exemplo interessante são as palavras que Jesus dirigiu a Tomé: “Felizes os que não viram e creram” (Jo 20:29). 
Permitindo-me aqui uma extrapolação é possível compreender que Jesus está bendizendo o fiel que deposita sua fé no Senhor mesmo que nada de extraordinário lhe aconteça – o fiel que, no cotidiano, sabe reconhecer a Jesus como “Senhor meu e Deus meu!” (foi a exclamação de Tomé em resposta em Jo 20:28).
Vamos pedir a Deus que nos abençoe e nos faça ser fieis em nosso simples cotidiano; que ele assim o fará.

terça-feira, 20 de março de 2012

Parábola das coisas – a panela


Desde os tempos mais primordiais, o ser humano trouxe entre seus apetrechos mais cotidianos uma panela.  Tendo sido confec-cionadas de diversos materiais – de barro, pedra ou metal – e das mais diferentes formas e tamanhos – caldeirões, caçarolas ou assadeiras – a panela sempre manteve o seu conceito essencial: um vasilhame onde o de comer pudesse ser colocado para ser levado ao fogo e, tendo passado pela alquimia deste, se ver transformado em refeição.
Por conta desta familiaridade, a panela se prestou ao longo das eras às mais diversas comparações e sugestões; poucas são as culturas em que ela não esteja presente, nem que seja como coadjuvante.  Duvida disso?  Então se lembre da primogenitura de Esaú trocada pela sopa de lentilhas que estava na panela de Jacó (leia em Gn 25:39-34)!
E ainda por conta desta mesma familiaridade, vou me dar o direito de propor usar a panela como parábola numa perspectiva diferente. 
Considerando que a vida da gente sempre está envolvida num processo nutricional, então penso que é sábio compreender que sou um ingrediente nas mãos do eterno e divino Chef.  Veja que isso não me menospreza ou rebaixa, pelo contrário, é uma honra e me sinto agraciado em poder ser participante de tão maravilhosa cozinha!
Continuo com a parábola: o Pai Eterno tem a receita certa para minha vida, e como verdadeiro Mestre Cuca ele me toma no momento certo e na medida exata e me coloca na sua panela.  É claro que este ato não é aleatório nem resultado do acaso, mas uma ação pessoal e intencional – um ato de amor.
Ora, a panela é a vida!  Fui colocado nela junto com outros ingredientes que compõem o saboroso manjar que está sendo preparado para ser servido na eternidade.  Sei que às vezes me sinto desconfortável na panela, estranho alguns outros que me acompanham ali, ou sou tentado a descrer do Cozinheiro e de sua receita.  Para tais momentos, a fé funciona como um condimento que me cobre e me condiciona a continuar na panela.
Um detalhe, contudo não pode ser esquecido.  A panela existe para ir ao fogo.  E comigo não é diferente.  Enquanto faço parte da receita naturalmente sou levado ao fogo, por vezes um fogo brando e contínuo, outras um fogo ardente e forte.  Umas vezes é própria vida que me cozinha com as suas provações, outras é o Espírito que me vem como fogo santo.
O certo é que fui colocado na panela da vida, e tenho sido feito passar pelo fogo.  E embora isso, por hora, possa me parecer até doloroso, mas a certeza de que estou sendo transformado de glória em glória me faz verdadeiramente grato por Deus, em Cristo, ter me feito este bem (veja neste sentido as palavras apostólicas em 2Co 3:18 e Rm 8:18).

sexta-feira, 16 de março de 2012

QUANDO O POVO DE DEUS LOUVA


O povo de Deus desde os tempos antigos tem se caracterizado por ser um povo que é festivo, alegre e sempre disposto a celebração.  Com a chegada da igreja esta marca continuou a ser um importante distintivo.  E as palavras do apóstolo Paulo vão exatamente nesta direção: cantem salmos, hinos e cânticos espirituais... (leia em Cl 3:16).
Sendo esta uma realidade, eu queria aqui olhar na Palavra de Deus sobre o que realmente então acontece quando o povo de Deus se põe a cantar, a louvar e a adorar ao Senhor.  Quatro textos oferecem respostas.
1. O evangelista Mateus diz que logo após ter celebrado a última Páscoa com seus discípulos, Jesus entoou um hino e saiu para o monte das Oliveiras (em Mt 26:30).  O texto é bem simples e às vezes passa até despercebido; mas o que ele aponta é que o louvor precedeu a prova do Getsêmani.  Quando o povo de Deus louva ao Senhor, ele o capacita para enfrentar e vencer as provas. 
Quer se preparar para as batalhas espirituais?  Louve ao Senhor!
2. O livro de Atos dos Apóstolos constata que, mesmo estando na prisão, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus (em At 16:25).  No verso seguinte então está dito que um terremoto abriu as portas da cadeia.  Em meio a lutas e problemas, o louvor se mostra como uma senha que traz a ação de Deus ao nosso favor.  É o louvor que quebra as barreiras que me impedem de experimentar a liberdade de Cristo. 
Quer se livrar das cadeias e opressões de sua alma?  Louve ao Senhor!
3. O primeiro livro da Bíblia apresenta o momento em que o servo de Abraão, tendo entendido que o Senhor havia providenciado sucesso a sua missão, se prostrou em adoração e obteve a certeza de que Deus estava naquele negócio (em Gn 24:26).  Quando o servo se prostra em adoração, o Senhor confirma sua ação favorável.  Somente louvando podemos descansar na certeza de que Deus age em nosso favor. 
Quer ter certeza de que o Senhor é por você?  Louve ao Senhor!
4. E o melhor de todos: no livro das crônicas encontra-se o registro do momento em que o rei Salomão terminou sua oração por ocasião da inauguração do templo em Jerusalém e a glória do Senhor encheu o lugar (em 2Cr 7:1).  Melhor que vitória nas lutas; melhor que liberdade de opressões; melhor que a bênção de Deus, sem dúvidas alguma é a presença do próprio Deus!  Quando o povo de Deus louva, ninguém menos que Deus em pessoa vem estar conosco.  
Quer desfrutar da presença gloriosa do Senhor?  Louve ao Senhor!

terça-feira, 13 de março de 2012

Salmos 42-43 – uma leitura


No livro dos Salmos, o leitor cristão encontra descritos todos os sentimentos humanos; tantos aqueles considerados bons, como os reprováveis.  Toda a extensão daquilo que um ser humano é capaz de sentir está descrito nos salmos que, por sua vez, podem lhe servir de expressão.
Neste sentido, os sentimentos de dor, perda, frustração, revolta e desilusão também são encontrados entre seus poemas sagrados.  Isto não significa, contudo, que a Bíblia incentiva um sentimento ou espírito destrutivo como algo recomendável ao cristão, pelo contrário: ao citar tais sentimentos, os salmos nos ensinam como lidar com eles e superá-los de modo a viver uma vida digna e espiritualmente saudável.
Em salmos como os 13, 69, 86 e 102 o salmista questiona o Senhor sobre a razão de ser do seu sofrimento, apresenta a sua súplica e espera que Deus venha ao seu encontro para livrá-lo da aflição.
Compostos como uma única unidade literária, os salmos 42-43 são certamente os que melhor tratam do tema.  Os salmos começam apresentando a dor e angústia do salmista e como ele anseia pelo refrigério divino:
A minha alma tem sede de Deus,
do Deus vivo.
Quando poderei entrar
para apresentar-me a Deus?
(Sl 42:2)
Mesmo sendo um levita ungido por Deus para o serviço sagrado, mas a alma ainda estava aflita e as noites de choro pareciam-lhe intermináveis (Sl 42:3).  Assim deveria estar a alma de Davi chorando pela criança doente (2Sm 12:16) como se um abismo arrastasse outro em sucessão de desgraças (Sl 42:7).  A alma lá no seu interior estava profundamente triste e perturbada (Sl 42:5) e até parecia que Deus tinha se esquecido dele (Sl 42:9).
A alma triste, porém não fica realmente abandonada quando a oração lhe serve de alento (Sl 42:8); por isso o salmista pode exclamar com fé e convicção mais de uma vez, ainda que naquela situação: ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei! (Sl 42:5; 11; 43:5).
O salmo então conclui com uma palavra de louvor ao Senhor que dá resposta as orações de seu servo, livra dos seus infortúnios e cura todas as doenças da alma:
Então irei ao altar de Deus,
a Deus, a fonte da minha
plena alegria.
Com harpa te louvarei
ó Deus, meu Deus!
(Sl 43:4)

sexta-feira, 9 de março de 2012

ISSO É O DEDO DE DEUS


Esta flor eu achei num jardim pouco cuidado,
numa repartição pública em Gararu, sertão sergipano.
Isso também é o dedo de Deus!

Cruzei com esta frase em minha leitura bíblica: Isso é o dedo de Deus!  Ela foi dita pelos magos do faraó, tentando se explicar diante da terceira das pragas que se abateram sobre o Egito, antes do êxodo (leia a expressão em Êx 8:19).  Ela, a frase, se destacou frente aos meus olhos, e desde então vem coçando minha cabeça. 
Assim, eu queria trazer um pouco das idéias que povoaram minha cabeça estes dias.  É claro que depois de ruminar sobre o tema já abandonei por completo o contexto original e me dei a liberdade de perceber onde caberia uma exclamação similar: aqui tem o dedo de Deus!  Deixe-me dizer de outra forma: andei tateando e degustando um pouco da vida, buscando aquele tempero (às vezes até secreto!) que traz ao arroz com feijão tradicional de todo dia um gosto próprio e que indica o dedo daquela cozinheira familiar.
Deixe também sua mente e suas sensações vaguearem um pouco comigo e vamos tentar identificar onde podemos perceber o dedo de Deus.
Comece pensando no aconchego de um amigo, no sorriso de mãe ou num olhar fraterno.  São gestos simples, mas que demonstram algo além do superficial.  Depois se volte para aspectos mais insólitos como a paz desfrutada em meio ao caos, o amor apesar do desencanto ou a alegria mesmo entre as lágrimas.  Com certeza isso é o dedo de Deus!
Mas estes exemplos são bem subjetivos e introspectivos.  Eles exigem uma certa dose de sensibilidade espiritual para saborear neles o tempero divino.  Indo mais além, em situações concretas, talvez você até diga que foi o acaso, a fatalidade ou o destino.  Eu, porém insisto: aqui também tem o dedo de Deus.
A Bíblia insiste em afirmar que Deus tem a história em suas mãos (confira as palavras de Is 43:13 por exemplo).  Desta afirmação geral é possível perceber o dedo de Deus na voz familiar que mesmo no meio do barulho de um grande shopping faz com que a criança que se achava perdida sinta segurança; ou na sentença justa declarada para a humilde viúva quando ela até já pensava em desistir frente à lerdeza da justiça.
Vou além.  Também a Bíblia diz que os céus declaram a glória de Deus (leia o Sl 19:1).  E aqui, com um pouco de poesia, não é difícil detectar o dedo de Deus.   É só dá atenção ao mandacaru quando flora na caatinga; ou a brisa do fim de tarde amenizando o calor; ou ainda a lua cheia que nasce brilhantemente linda por detrás da serra no sertão.  O dedo de Deus está em tudo isso!
Então glorifique a Cristo comigo por perceber o salpicado do dedo de Deus no sabor de sua vida.

terça-feira, 6 de março de 2012

MEU IRMÃO ROBINSON


Passada mais de uma semana das primeiras notícias que me chegaram sobre a morte de Dom Robinson Cavalcanti e sua esposa; depois de apresentados detalhes da tragédia; depois de prestadas as justas homenagens e de terem sido publicadas variadas e apropriadas notas; depois de passado o impacto inicial e de poder refletir sobre o sentimento de orfandade que se abateu sobre a nação evangélica brasileira e sobre a crueza da vida que tal episódio nos impõe; sinto-me impelido a dizer algo sobre meu irmão Dom Robinson.
Antes de mais, deixe-me lembrar que embora seja verdade que irmão não se escolhe, apenas amigos, eu certamente o teria escolhido com santo orgulho para constar na minha relação de irmãos.
É verdade que nunca tive contatos mais pessoais ou o privilégio de desfrutar de momentos de íntima descontração com Dom Robinson.  Certamente meu nome não constaria da relação de convivas para suas bodas.  Mas isto não é um problema e nem faço este tipo de colocação com nenhum resquício de mágoa, queixa ou carência.  Fomos separados pela geografia e um pouco pela história – mais só um pouco!  Mas isto também não é um problema, pois em Cristo fomos irmãos.  E isto vale muito mais.
Pelo pouco que li dele e o ouvi falando posso dizer, sem medo de errar, que Dom Robinson Cavalcanti foi verdadeiramente um profeta de Deus para o Brasil.  Ele foi um daqueles cristãos que, por terem levado a sério e com ousadia sua vida e sua missão, enchem de brio e orgulho a nossa rica herança cristã brasileira.  Sobre ele se pode dizer que ouviu as palavras ditas a rainha Ester como se fossem suas, e as encarnou corajosamente (confira em Et 4:12-14).
Lembro-me de duas frases que ouvi de Dom Robinson, ainda antes de ele ter sido sagrado ao episcopado, e que de certo modo ajudaram a forjar meu início de formação teológica e pastoral – e aqui as cito de memória.
Numa reunião preparatória do MEP (Movimento Evangélico Progressista) ele disse sonhar em envelhecer fazendo passeatas e pregando o evangelho – engajamentos plenamente compatíveis.  Não sei se Deus fez acontecer seu sonho, mas tenho certeza que Cristo realizou muito além do que ele pediu ou pensou (com base em Ef 3:20).
Falando na capela do Seminário Batista do Norte em Recife, onde estudei, ele nos cutucou afirmando ser evangélico por verdadeira opção enquanto nós o éramos por alinhamento denominacional.  E o desafio ficou como um chamado ao comprometimento voluntário e decidido com o evangelho que pregamos (seriam legítimas para ele as palavras de Js 24:15).
Quero concluir estas palavras pontuando que naquela noite, enquanto a morte recolhia Dom Robinson Cavalcanti e sua esposa, lá da eternidade, o Senhor o aguardava para lhe dizer: "muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito.  Venha e participe da alegria do seu senhor!" (Mt 25:21).

sexta-feira, 2 de março de 2012

CELEBRAMOS A CEIA DO SENHOR


Quando celebramos a Ceia do Senhor, celebramos a obra salvífica de Cristo na cruz do Calvário e o resultado desta em nossas vidas.  Assim quando estamos diante dos elementos da Ceia o que temos é um memorial daquilo que Cristo já realizou e que hoje podemos experimentar pela fé, sabendo que o poder da graça está no Senhor e não nos elementos em si.
A Ceia do Senhor, por ser um memorial, deve sempre fazer aflorar em nossas lembranças aquilo que éramos, o que aconteceu conosco através de Jesus Cristo, o que agora somos e o que nos aguarda o futuro. 
Em Jo 8:34 é dito que quem comete pecado é escravo do pecado.  Na nossa condição inicial, nós éramos pecadores, escravos do pecado, e por isto mesmo sem opção no mundo.  Estávamos implacavelmente condenados a uma separação eterna das bênçãos divinas por conta daquele que nos sujeitou (confira Rm 8:20).  Mas em Cl 1:13 nós lemos que Deus em Cristo “nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado”.  Na Ceia do Senhor nós celebramos a certeza de que já não estamos debaixo do poder das trevas que nos escravizava, mas fomos resgatados e levados para ser cidadãos do Reino de Deus.
Na Ceia do Senhor está a convicção de que agora podemos estar livremente na presença de Deus, desfrutando de suas benesses, pois é o próprio Cristo quem nos afirmou: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer” (Jo 15:15). Hoje tomamos os elementos da Ceia do Senhor não como quem espera receber uma bênção especial a partir deles, mas como quem já desfruta no tempo presente das alegrias de ser considerado amigo de Deus e por isto mesmo pode seguir vivendo nesta certeza, esperando que do futuro Cristo haverá de completar a sua obra resgatando-nos completamente.
Celebremo-lo nesta esperança.