terça-feira, 16 de outubro de 2018

A DIDAQUÉ E O CULTO



A Didaqué é um escrito cristão anônimo do final do século I e início do II, composto de 16 pequenos capítulos e que registra os primeiros movimentos de estruturação, de doutrina e de liturgia da igreja logo após a era dos apóstolos. Urbano Zilles na introdução da edição do texto em língua portuguesa terce os seguintes comentários:

A Didaqué (Διδαχή) (Doctrina Apostolorum) é uma pérola preciosa da literatura dos Padres Apostólicos. (...) Trata-se do mais antigo manual de religião da comunidade cristã primeva, que conhecemos até o momento. Durante muitos séculos era desconhecida. (...).
Nota-se logo que as comunidades cristãs ainda não estavam plenamente estruturadas. Os apóstolos e os profetas ocupavam maior destaque que os bispos e os diáconos. A comunidade, não o ministro, administra o batismo. O rito batismal e o rito da celebração eucarística ainda não estão fixados. Enfim, a liturgia, se a compararmos, por exemplo, com as formas apresentadas pelo escritor Justino (morto ca. 165), ainda é pobre e embrionária.

No texto da Didaqué há um capítulo específico contendo instruções sobre o batismo, onde é instruído explicitamente: “batizai em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo em água corrente” (VII.1).
Também há um capítulo sobre o jejum e a oração onde é repetida quase que literalmente a oração do Pai Nosso (VIII.3 – Mt 6.9-13).
E dois capítulos sobre a celebração do culto terminando com uma fórmula litúrgica para ser repetida no final das celebrações: “Venha tua graça e passe este mundo! Amém. Hosana à casa de Davi. Venha aquele que é santo! Aquele que não é (santo) faça penitência: Maranatá! Amém.” (X.6).
Um outro destaque no texto da Didaqué é o capítulo XIV que trata da santificação do domingo pela celebração cristã. Por se tratar de um texto escrito imediatamente após o período apostólico é significativo ele atestar que a igreja já associava as reuniões regulares no primeiro dia da semana (domino dei) com a celebração de culto.
O dia específico de adoração da igreja primitiva era o domingo por que ele estava associado ao sacrifício e à ressurreição de Cristo. Sendo assim, o dia de adoração dos cristãos deveria sempre evocar o memorial destes eventos com confissão de pecados, e celebração eucarística: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei (celebrai a eucaristia), depois de haverdes confessado vossos pecados, para que vosso sacrifício seja puro” (XIV.1).
(Na imagem lá em cima, uma reprodução da última página da Didaqué – fonte: wikipedia.org)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A BÍBLIA, POR ELA MESMA


Há diversas passagens da própria Bíblia que nos dão instruções de como devemos nos relacionar como texto. Vejamos apenas algumas destas e deixemos a Palavra de Deus nos falar por si própria:

# Ajunta-me este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, e aprendê-la são, para me temerem todos os dias que na terra viverem, e as ensinarão a seus filhos (Dt 4:10).
# E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas (Dt 6:6-9).
# Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, cuidando de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; não te desvies dela, nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que sejas bem sucedido por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem-sucedido (Js 1:7-8).
# Esforçai-vos, pois, para guardar e cumprir tudo quanto está escrito no livro da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda (Js 23:6).
# Ide, consultai ao Senhor por mim, e pelo povo, e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se acendeu contra nós, porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito (2Rs 22:13).
# Grandes são as obras do Senhor, e para serem estudadas por todos os que nelas se comprazem (Sl 111:2).
# Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus (Mt 22:29).
# Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim (Jo 5:39).
# Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Ef 6:17).
# Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa (2Ts 2:15).
# Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino (2Tm 4:2).
# Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo (Ap 1:3).

E mais, ainda a Bíblia nos dá a indicação de que seu conteúdo deve ser mais que objeto de curiosidade ou histórias mortas, é para ser vivenciado. Acompanhe mais:
No livro da profecia de Amós nós lemos a instrução divina: "Pois assim diz o Senhor à casa de Israel: Buscai-me, e vivei" (Am 5:4). Pela palavra profética, Deus está dizendo que a única possibilidade de se ter vida é buscando-o.
Sendo a Bíblia a nossa única fonte veraz para conhecermos a Deus, porque somente ela foi divinamente inspirada (2Tm 3:16), então somos levados a concluir que somente viveremos em plenitude quando buscarmos a Deus nas páginas sagradas com todo o nosso coração (Jr 29:13).
Vamos além:
Jesus conclui seu Sermão da Montanha ilustrando a importância de seus ensinamentos. Se por um lado "todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha", por outro lado "todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia" (Mt 7:24 e 26).
Com isto o Mestre está nos ensinando que somente ser conhecedor, ou leitor apenas, das páginas da Bíblia não é suficiente; é preciso ser um cumpridor de todo quando foi dito. Sem vivência diária, sem se encarnar as lições, sem trazê-la para nossa experiência, a Bíblia não fará sentido.
É preciso viver a Bíblia todos os dias para que Deus nos fale e, ouvindo-o tenhamos vida eterna em Cristo Jesus – conforme Jo 20:31.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

CULTO LEVÍTICO vs. ADORAÇÃO HOJE


Embora a igreja não viva mais no período em que vigorava a lei da Antiga Aliança, já que uma Nova foi estabelecida com base na graça que vem de Jesus; contudo o estudo das instruções no Livro da Lei do passado dada aos filhos de Israel muito tem a dizer quanto ao culto e à adoração hoje.
Uma primeira observação: Deus não muda. Como no passado, ele hoje continua a exigir uma separação absoluta entre o que é sagrado – sendo dedicado a sua adoração – e o que é profano (é bom lembrar que a ordem quanto à santidade prescrita em Lv 11:44-45 é copiada nos mesmos termos em 1Pe 1:16).
Paulo, considerando isso, leva esta exigência divina, em requerer para si a adoração de um povo separadamente seu, a uma nova dimensão: não se ponham em jugo desigual com descrentes (2Co 6:14 – continue lendo até o final do capítulo).
Assim como no Levítico, no meio da igreja hoje, ao exigir uma distinção entre o que é consagrado ao culto e à adoração daquilo que está disposto no mundo, o objetivo de Deus é separar e purificar um povo exclusivo para si e com ele manter uma relação de amor e aliança diferenciada (compare 1Pe 2:9 com o amor explícito citado em Ef 5:2527).
A outra observação que o estudo da lei instruída em Levítico traz é sobre o aspecto didático que deve estar presente no culto. Desde os tempos da igreja primitiva, as celebrações cristãs são realizadas tendo como base o conhecimento, a leitura e o estudo da Palavra de Deus. Este é um aspecto do culto cristão que não pode ser desprezado nas celebrações cristãs sob o risco de se transformar tais reuniões em apenas eventos vazios da presença divina.
O Senhor da igreja ainda requer que seus adoradores conheçam a quem adoram (Jesus citou isso a mulher samaritana em Jo 4:22), e isso se dá quando o culto é feito tendo como alicerce um estudo santo e criterioso do texto bíblico; para que não se transforme em ritos sem sentido. Observe que na recomendação a Timóteo a Palavra de Deus encontra o seu lugar devido: leitura pública, exortação e ensino (1Tm 4:13).
Quanto à ordenação e ao detalhamento em que deve transcorrer o culto público em nossas igrejas, as palavras do apóstolo Paulo são bem claras: mas tudo deve ser feito com decência e ordem (1Co 14:40).


terça-feira, 2 de outubro de 2018

MONOTEÍSMO – um único Deus


Uma definição inicial e até simplista de monoteísmo seria a crença ou fé na existência de um único Deus e sua devoção total a ele. Em oposição a crenças henoteístas que afirmam a possibilidade da existência de vários deuses porém com uma supremacia absoluta de apenas um sobre todos ou outros; ou a crença politeístas que acredita nas existências de vários deuses compartilhando de um panteão.
Mas é claro esta definição não é suficiente para representar toda a complexidade do espectro da fé exercida pelo ser humano. Nem todos os desdobramentos cabem nestas definições clássicas.
John Hick observando a questão do monoteísmo teórico e do henoteísmo prático que envolve a vida de muitos seres humanos assim se expressa:
... empregamos nossas energias a serviços de várias deidades – o deus do dinheiro, o da empresa de trabalho, o do sucesso, o do poder, o do status de deus, e (por um breve período, uma vez por semana) o Deus da fé judaico-cristã.
Assim o conceito de crença – e consequentemente de monoteísmo – deixa de ser apenas uma modalidade litúrgica para ganhar uma dimensão existencial que engloba toda a vida humana.
Aqui as observações de Paul Tillich se mostram inteiramente relevantes. Ele compreendia que o tema do monoteísmo só poderia ser realmente colocado depois de o conceito de realidade de Deus já estivesse devidamente esclarecido, pois é a partir do seu conceito de Deus que o ser humano estabelece tanto objetivamente quanto subjetivamente a sua relação existencial consigo mesmo e com a vida que o cerca. E mais, "o homem só pode falar dos deuses à base de sua relação com eles".
Nesta perspectiva, como conceituaremos então Deus? É o próprio Tillich quem conceitua Deus como sendo "o elemento absoluto da preocupação última do homem" e por isso mesmo exige do homem uma "paixão absoluta".
Assim, ainda seguindo a mesma linha de raciocínio, toda e qualquer coisa ou pessoa que ocupe esta preocupação última no ser humano tomará um lugar que cabe exclusivamente a Deus. Todo valor relativo que pretenda a absolutização é um valor idolátrico e por isto mesmo demoníaco – antidivino.
Ora, se pensarmos na existência humana como um conjunto de complexidades que de per si exigem soluções e que por isto não podem ser relegadas ao subterrâneo da vida humana, então temos um conflito: um valor exige preocupação última e em nome dele todos os outros têm que ser deixados para segundo plano; mas por outro lado há valores que exigem também preocupação e paixão.
Voltando a Hick e à sua análise da religião observamos que ele propõe uma resposta:
Então, Deus, segundo o Judaísmo e o Cristianismo, é ou possui um ser ilimitado e os vários "atributos" ou caracteres divinos apresentam os mais variados aspectos, de acordo com os quais a infinita realidade é ou existe, ou possui um ser.
Temos então, assim, uma conceituação que pode nos conduzir a uma compreensão deste elemento na construção da identidade do ser humano: Monoteísmo é a paixão absoluta e a preocupação última em um Deus que em si encerra todos os aspectos da vida e que tem todas as respostas à finitude humana. Nas palavras do Novo Testamento: "Cristo é tudo em todos" (Cl 3:11).

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A ADORAÇÃO QUE DEUS ACEITA


Considere os irmãos Caim e Abel e como eles apresentaram culto e adoração. O texto sagrado diz: Passado algum tempo, Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe as partes gordas das primeiras crias do rebanho. O Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta. Por isso Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou (Gn 4:3-5).
Um dos elementos fundamentais de todo culto cristão é a adoração – a celebração. Para haver culto é preciso que haja necessariamente a adoração e a celebração; isso inclui a comemoração, a alegria e a festividade.
Mesmo sem um ordenamento formal que estabelecesse o culto de Caim e Abel, mas é possível destacar que eles buscaram o Senhor para apresentar suas ofertas. Desde o início, a celebração de culto era a demonstração da gratidão pelos frutos do trabalho. Isto era uma dádiva divina e a Deus deveria ser prestado o culto em gratidão. Caim agradeceu pela colheita e Abel pelas crias do rebanho.
Hoje também tenho que revestir meu culto de um caráter celebrativo. Culto tem que ser festa: é comemoração pelas bênçãos que o Senhor tem dado. Quando me torno conscientes de que no Senhor meu trabalho não é inútil, isto tem que gerar em mim um espírito de celebração – assim sou levado a cultuar (sobre seu trabalho leia 1Co 15:58 e sobre a atração ao culto Sl 122:1).
A outra lição que salta aos olhos no culto oferecido por Caim e Abel é a diferença quanto a sua aceitação por parte de Deus. E aqui preciso me concentrar na motivação e nas circunstâncias que levaram ao desfecho de um e de outro oferecimento. E mais que isso, a atitude de cada cultuante, pois foi este o diferencial.
O que leva a Deus a se fazer presente (encontro que transforma uma simples reunião em culto) é a atitude e o caráter dos cultuantes. Jesus garantiu que entre dois ou três reunidos em seu nome, ele estaria presente (confira em Mt 18:20). Veja que o diferencial é estarem em nome de Cristo.
Assim, ampliando a compreensão para chegar no ponto principal devo observar o provérbio que diz: O sacrifício dos ímpios já por si só é detestável; tanto mais quando oferecido com más intenções (Pv 21:27).
Também é necessária a citação do texto aos Hebreus quando afirma que pela fé Abel foi reconhecido como justo (Hb 11:4). Ou seja: por mais festivo, alegre e celebrativo que um culto possa parecer, ele só será verdadeiramente aceito por Deus, como expressão de adoração, quando for resultado de um coração puro e uma alma sincera e consagrada ao Senhor.
Um culto que preze pela forma litúrgica adequada mas descuide do coração contrito será até belo de assistir, mas acabará por ser rejeitado por Deus e com isso causará apenas revolta e decepção nos que dele participaram.
Nisto está a repreensão e o desprezo citado pelo profeta Amós ao culto (leia toda a passagem de Am 5:21-24). Embora deva haver um ordenamento cultual a nortear nossas celebrações (é o que diz Paulo em 1Co 14:40), mas, com certeza, é com mãos lavadas, língua sincera e um coração entregue a Jesus que verdadeiramente haveremos de cultuar a Deus e por ele ser aceito em seu lugar santo (considere atentamente o Sl 24:3-6).


terça-feira, 25 de setembro de 2018

É POSSÍVEL CONHECER DEUS?


Uma das características mais marcantes do ser humano é sua complexa ambiguidade. Seja qual for o ângulo que se observe, o ser humano é constituído de facetas múltiplas. Entre tais ambiguidades, dois aspectos chamam a atenção: a moral e a existencial.
Do ponto de vista moral, o ser humano traz em si fundamentos essencialmente maus e bons. Hora mais propenso a um lado, hora a outro, hora mesclando simultaneamente ambos. Qual seria a verdadeira e primordial essência humana? Como ela se configuraria?
No aspecto existencial, ao ser humano é tocada a vida física – temporal e histórica – e a imaterial – sublime e eterna. Como ambas de configurariam? Como conciliar o final e o porvir? O dado e projetado?
É no âmbito de tais dilemas que a pergunta essencial sobre Deus se encaixa: quem é Deus? Como concebê-lo ou compreendê-lo? É possível conhecer Deus? Vai-se ao seu encontro religiosamente, ou ele mesmo dá-se a conhecer?
Se Deus é bom, por que há mal no mundo? Se Deus é eterno, como toca a história? Num mundo de leis e racionalidade é possível encontrar dados – ou sequer resquícios – que provem à razão humana a existência divina? Em meio a uma fé revelada, é cabível uma interpretação teológica?
Parece-me óbvio que mesmo em diferentes época e por diferentes métodos a busca do ser humano em desvendar os mistérios da divindade não lograram êxito completo e definitivo e Deus – na linguagem barthiana – continua como o totaliter aliter.
Assim, a verdade essencial sobre quem é Deus perdura como o mistério a ser elucidado. Da mesma forma que a própria essência ambígua do ser humano, que lhe aponta a lampejos de bondade e maldade, de glória e vergonha, de limitação e expansão, física e metafísica.
Nesse sentido, a concepção cristã de Revelação e Encarnação como sendo a iniciativa do próprio Deus em se fazer conhecido e se achegar ao ser humano, limitando-se (esvaziando-se) de maneira a se tornar compreensível a homens e mulheres, mesmo em suas carências morais e racionais.
Mas ainda aqui – na concepção cristã – o conhecimento de Deus haverá de ser mediado pelas instâncias da fé. Ou seja, o Deus que é totalmente outro em sua natureza essencial e moral só pode ser percebido quando a fé entra na equação para “calibrar” a razão e então, em trabalho mútuo, religião e racionalidade desvendam o caminho do conhecimento divino.
Acontece que a própria fé e religião cristã naturalmente tendem a um processo de institucionalização e normatização dogmática dos seus postulados – e diríamos que é histórica e conceitualmente impossível se fugir deste processo. O que gera novas questões: como continuar mediando o conhecimento de um Deus inefável mas revelado em meio a fé sistematizada e normatizada?
E mais uma vez a ambiguidade humana se mostra presente. O Deus cristão tanto se mistura aos corredores institucionais da fé como o transcende – assim como o faz tanto na moralidade humana como no cosmo enquanto realidades onde coabitam a ordem e o caos.
Deus pode ser conhecido na fé estabelecida e cultuada a sólida tradição religiosa – e verdadeiramente precisa dela em certo sentido para lhe dar coerência histórica – como dela vai sempre além podendo ser percebido nas peculiaridades humanas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

APRENDENDO COM O PRIMEIRO CASAL


O texto que tomo como base para esta reflexão é Gn 3:8 – Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
A lição aprendida com o primeiro casal deve ser o ponto de partida para toda nossa compreensão da adoração e do culto hoje.
A essência do relacionamento entre a divindade e a humanidade que encontro demonstrada nas narrativas do paraíso não está na forma ou estrutura cultual – lá não existe liturgia ou sacerdócio. O primordial que é destacado está no encontro.
Veja o que posso então aprender em relação a nossa adoração a partir desta compreensão bíblica.
Primeiramente que na intenção original de Deus ao criar os seres humanos está a glorificação do próprio Senhor (leia Is 43:7). E isto era o que acontecia com regularidade no Éden. Antes do pecado não havia necessidade de intermediários entre o Criador e as suas criaturas, logo a glória divina podia ser contemplada e exaltada diretamente.
Aqui destaco o encontro. Toda a adoração e culto que o ser humano presta ao Deus verdadeiro deve se iniciar com um encontro real entre eles.
Lembre-se de que Jesus veio para se encontrar com os que eram seus, mas como isso não aconteceu, a possibilidade de encontro foi ampliada para quem quisesse recebê-lo (este é o sentido de Jo 1:11-13).
Sendo criados exclusivamente para a glória de Deus, homens e mulheres só voltarão a experimentar das delícias do paraíso com a companhia divina. Sem um encontro com Deus não há adoração e não há culto. Disto todos sentimos falta enquanto vivemos esta vida natural, e isto o culto tem que proporcionar: um encontro verdadeiro com o Deus verdadeiro.
Em segundo lugar aprendo que no meio do jardim o homem e sua mulher detectaram a presença de Deus de forma bem nítida e clara (é verdade que depois do pecado esta percepção tornou-se assustadora para o casal). Deus demonstra que também tem prazer no encontro como suas criaturas. Ao colocar sua imagem no ser humano ele indica que pretende se relacionar de maneira mais direta com eles – daí a busca pelo encontro.
Deus sempre procura suas criaturas prediletas, mesmo que estas estejam escondidas (como fez na parábola da ovelha perdida em Lc 15:1-7). E mais, nesta busca pelo encontro, o Senhor dar-se a conhecer, mostra-se perceptível, deixa clara sua intenção de encontrar-se com o primeiro casal.
Assim a adoração e o culto devem ser uma resposta a esta iniciativa do Senhor em buscar o encontro. Adoramos e cultuamos quando percebemos claramente quem é o Deus que com a sua voz, naquele lugar e momento nos chama ao encontro com ele mesmo; e percebendo desta forma, respondemos a ele.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sobre ministério pastoral


Recentemente a acadêmica Taynara Barreto, curso de Jornalismo da UFS – Universidade Federal de Sergipe, me procurou. Para atender a requisitos estudantis precisava fazer algumas perguntas. Foi um privilégio participar.
Com a devida autorização, reproduzo aqui perguntas e respostas.

Como funciona a organização da Igreja? (Hierarquia)
Numa igreja Batista não há hierarquia propriamente dita. Todos os membros regulares têm iguais direitos e responsabilidades. Aqui se vive o princípio de “um membro, um voto”. Todos podem falar e decidir sobre questões administrativas. Há liderança que ajuda a conduzir o povo, principalmente nas questões de cunho espiritual.

É necessário ter algum conhecimento específico para ser pastor? Qual? Como funciona esse aprendizado?
As igrejas batistas mantêm Seminários onde os candidatos ao pastorado podem estudar e se preparar para melhor exercerem as funções pastorais. Os cursos de Teologia oferecidos vão desde ensino médio até pós-graduação. Porém em geral as próprias comunidades podem escolher livremente suas lideranças.

Em que momento decidiu ser pastor? Por qual motivo? Quais os acontecimentos políticos e sociais que estavam acontecendo na época?
A minha escolha pelo ministério pastoral se deu no final de minha adolescência. Desde muito cedo eu sabia que me envolveria com trabalho eclesiástico, espiritual e pastoral, mas foi somente ao final do curso médio (2º grau) que entendi de Deus que deveria estudar e me preparar melhor para a vida ministerial.

Na família, mais alguém é pastor? Diria que houve influência, ainda que indireta, para essa decisão?
Na minha família, há uma linhagem e lista bem significativa de pastores e líderes eclesiásticos. Sobre a influência: claro que sempre há. Mas eu destacaria o termo: influência indireta. Em cada caso a decisão é sempre uma resposta pessoal à vocação.

Sempre foi dessa religião? Se não, qual a outra e por que mudou?
Sou de família tradicional evangélica/batista já de algumas gerações. Como se costuma dizer: eu nasci na igreja!

Como pastor, seu comportamento difere dos demais membros da igreja? De que forma?
Compreendendo a igreja na metáfora do corpo – foi o apóstolo Paulo quem a usou – cada membro tem uma função e tarefa a desempenhar para que o corpo funcione adequadamente. Assim, como pastor, tenho atribuições que me são peculiares que implicam nas ministrações de prédica, acompanhamento do rebanho, amparo e suporte espiritual, entre outros.

Ser pastor é uma vocação ou uma profissão?
De modo bem direto: em primeiro lugar é uma vocação. A resposta tem de ser dada nesta perspectiva. Mas acaba também se tornando uma profissão.

Como são tomadas as decisões importantes para a Igreja? Existe alguma reunião com todos os membros, por exemplo?
Como já citei lá na primeira pergunta, as decisões administrativas são tomadas dando-se ouvido a todos os membros regulares da igreja. Para isso temos reuniões administrativas periódicas onde tais decisões podem ser debatidas e decididas. Mas circunstancialmente também é possível se utilizar de outros mecanismos de consulta e decisão.

Em sua opinião, quais as principais situações vividas que influenciam o indivíduo a se tornar pastor?
O ponto principal é a consciência espiritual de vocação. Homens e mulheres precisam ter isso bem definido. Sem tal certeza vocacional a coisa não funciona. É aquela certeza de que foi Deus que o escolheu para a tarefa que o move em direção ao ministério. Mas outros instrumentos que ajudam a confirmação, como a orientação de outros pastores que atuam no ministério, o apoio da igreja e comunidade local e espírito e desejo de liderança e serviço por exemplo.



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

PENSEM NESSAS COISAS


O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, dá a seguinte instrução:

Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro,
tudo o que for nobre,
tudo o que for correto,
tudo o que for puro,
tudo o que for amável,
tudo o que for de boa fama,
se houver algo de excelente ou digno de louvor,
pensem nessas coisas
.
(Fl 4:8 – NVI)

Vamos detalhar um pouco cada palavra:

Verdadeiroἀληθής – confiável, sincero, genuíno – também em Jo 19:35 e 1Pe 5:12
  • Jesus, falando aos seus discípulos, se apresentou assim: “Eu sou a verdade” (confira Jo 14:6). Pense na Verdade.

Nobreσεμνός – digno de respeito, sério, acima de reprovação – também em Tt 2:2
  • Através do profeta, o Senhor exige silêncio nobre e respeitoso diante de sua presença (leia em Hc 2:20). Pense na Dignidade.

Corretoδίκαιος – reto, justo, equânime – também em Mt 13:43 e 2Tm 4:8
  • Também é pelo profeta que o Senhor declara sua essência imutável, justa e correta (em Ml 3:6 e também Jr 23:6). Pense na Justiça.

Puroἁγνός – santo, casto, inocente – também em 2Co 7:11
  • Pedro repete a declaração lida no AT que Deus é santo e é o nosso padrão (1Pe 1:16 citando Lv 11:44 – confira ainda Is 5:16). Pense na Santidade.

Amávelπροσφιλής – aceitável, agradável – somente aqui no NT grego
  • É bem conhecida a declaração de João em sua primeira carta: “Deus é amor” (lá em 1Jo 4:8). Pense no Amor.

Boa fama – εὔφημος – digno de louvor, atrativo – somente aqui no NT grego
  • A conduta de Jesus era irretocável e conhecida de todos a ponto de ele poder enquadrar seus opositores (ateste em Jo 8:46). Pense no Irrepreensível.

Excelente – ἀρετή – virtuoso, disposto a fazer o bem – também em 2Pe 1:5
  • Um dos atributos divinos mais citados nos Salmo é que Deus é bom (veja por exemplo Sl 25:8 / 73:1 / 145:9). Pense na Bondade.

Digno de louvor – ἕπαινος – aprovado, reconhecido – também em Ef 1:6 e 1Co 4:5
  • Apocalipse é enfático em afirmar que somente o que está sentado no trono e o Cordeiro são dignos de louvor e adoração (nunca se esqueça de Ap 5:13). Pense no Adorado.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

O DESTINO DOS APÓSTOLOS


Os Evangelhos dizem que entre seus discípulos, Jesus escolheu doze e os designou para serem apóstolos (no grego: μαθητής – discípulos e ἀπόστολος – apóstolos – confira Mt 10:1-4; Mc 3:13-19 e Lc 6:12-16).
Seguindo a ordem como Mateus apresenta, vejamos um pouco sobre cada um deles e o destino que tiveram.

Simão PedroΣίμων Πέτρος – o nome original dele era apenas Simão. Jesus o apelidou de Pedro (veja Jo 1:42 – no aramaico: כיפא Cefas) por seu temperamento duro. Era gagileu e deve ter morrido em Roma sob a perseguição de Nero.
AndréἈνδρέας – era irmão de Simão Pedro. Depois de evangelizar por regiões da Ásia Menor e Grécia, fixou-se em Bizâncio (hoje Istambul) onde fundou a igreja ali. Conta a tradição que morreu em uma cruz em forma de “X”.
TiagoἸάκωβος – o primeiro dos filhos de Zebedeu. A tradição o chama de Tiago Maior. Jesus chamou os dois irmãos de Boanerges (veja Mc 3:17), que quer dizer: filhos do trovão, por causa do temperamento altivo e zelo. A sua morte foi ordenada por Herodes (confira At 12:1-2).
JoãoἸωάννης – o outro dos filhos de Zebedeu. Provavelmente o mais novo dos apóstolos. Seu nome está ligado ao Evangelho, a três cartas e ao livro de Apocalipse no Novo Testamento. Policarpo, seu discípulo, atesta que ele faleceu em Éfeso no ano 103 com 94 anos.
FilipeΦίλιππος – era natural de Betsaida, na Galileia e apresentou Natanael a Jesus. Diz a tradição que foi casado e teve duas filhas. Desenvolveu seu ministério no norte da África e na Ásia Menor, onde deve ter sido executado.
BartolomeuΒαρθολομαῖος – a única citação dele no Novo Testamento é na relação dos doze. Mas a tradição o associa ao nome de Natanael. Por relatos antigos, diz-se que ele viajou e pregou na Armênia, Etiópia e Arábia.
ToméΘωμᾶς – ficou conhecido como o discípulo incrédulo (veja o episódio em Jo 20:24-25). Foi um dos ativos pregadores em direção ao leste, fundando igrejas na Síria e na Índia, onde sofreu martírio.
MateusΜαθθαῖος – coletor de impostos que Jesus encontrou em Cafarnaum (veja Mt 9:9). Também conhecido como Levi. Desenvolveu seu ministério na Pérsia e na Etiópia, onde foi apunhalado e morto. Foi o escritor de um dos Evangelhos do Novo Testamento.
Tiago Ἰάκωβος – o Novo Testamento indica este como filho de Alfeu para o diferenciar do outro. A tradição chama de Tiago Menor. Levou o seu ministério para as regiões da Síria, onde foi apedrejado.
TadeuΘαδδαῖος – ficou conhecido por esse nome para diferenciar do outro Judas. Foi martirizado a machado por autoridades persas, depois de ter pregado na Judeia, Samaria e Mesopotâmia.
SimãoΣίμων – também para diferenciar de Simão Pedro, esse ficou conhecido Zelote, provavelmente por estar ligado ao grupo judaico radical assim chamado. Foi martirizado a mando do imperador Trajano por se recusar a adorar o deus-sol.
Judas Iscariotes – Ἰούδας ὁ Ἰσκαριώτης – o apóstolo traidor. Suicidou-se por enforcamento (confira Mt 27:5).

OUTROS NOMES DO NOVO TESTAMENTO –

Paulo – Παῦλος – unanimemente reconhecido em toda a cristandade como apóstolo. Seu nome original era Saulo (em hebraico: שאול), mas ele passou a usar o romanizado Paulo ao iniciar sua jornada missionária. Prisioneiro em Roma, morreu decapitado.
Matias – Μαθθίας – escolhido para ocupar o lugar de Judas depois de sua morte. Judeu de nascimento, pouco se fala sobre ele. Há informações de ele ter pregado tanto na Judeia, quanto na Etiópia e na Geórgia, nos limites da atual Rússia.



terça-feira, 4 de setembro de 2018

100 nomes que todo evangélico brasileiro precisa conhecer – 2ª parte

Vamos continuar com a lista dos 100 nomes que entendo que todo cristão evangélico brasileiro precisa conhecer. Só relembrando: aqui apresento em ordem alfabética (veja aqui a primeira parte dessa listalink).

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Alemanha – Músico luterano, compositor, multi-instrumentista, professor, cantor e maestro. Na posteridade tornou-se conhecido como o quinto evangelista pela espiritualidade, piedade, devoção e fervor de sua música.
John Bunyan (1628-1688) – Inglaterra – Teólogo batista, pregador e romancista. Autor de O Peregrino (em inglês: The Pilgrim's Progress), provavelmente a alegoria cristã mais conhecida em todos os tempos.
John Smyth (1570-1612) – Inglaterra – Considerado um dos fundadores da igreja batista moderna ao defender a necessidade do batismo adulto e consciente dos crentes.
John Stott (1921-2011) – Inglaterra – Pastor e teólogo anglicano. Um dos principais formuladores da fé cristã no século XX. Em 2005 foi considerado pela Revista norte-americana Time entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.
John Wesley (1703-1794) – Inglaterra / EUA – Líder do movimento metodista e um dos principais avivalistas do século XVIII.
Jonatan Edward (1703-1758) – EUA – Pregador e missionário congregacional, também considerado um dos maiores pensadores norte-americanos do século XVIII.
José Manuel da Conceição (1822-1873) – Brasil – Ex-sacerdote católico-romano. Ingressou na Igreja Presbiteriana do Brasil e tornou-se o primeiro pastor evangélico brasileiro.
José Rego do Nascimento (1922-2016) – Brasil – Pastor batista. Um dos principais líderes do movimento de renovação espiritual a partir dos anos 1960 e da Convenção Batista Nacional.
Júlio Andrade Ferreira (1912-2001) – Brasil – Pastor, escritor e teólogo presbiteriano. Foi fundador da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE).
Justino Mártir (100-165) – Cisjordânia / Roma – Um dos primeiros cristãos a usar a apologética racional para defender o cristianismo frente aos ataques da filosofia.
Karl Barth (1886-1968) – Suíça – Teólogo Reformado. Um dos principais pensadores do início do século XX. Usou sua teologia para desafiar a igreja a se opor ao regime nazista. A principal obra literária é o comentário à Carta aos Romanos.
Luigi Francescon (1866-1964) – Itália / EUA / Brasil – Fundador da Congregação Cristã no Brasil, além de outras igrejas e comunidades de linha pentecostal na América e Itália.
Marcolina Magalhães (1909-1988) – Brasil – Primeira missionária batista nomeada pela Junta de Missões Nacionais. Fundou escolas e igrejas no centro do Brasil (principalmente em Tocantins).
Mário Barreto França (1909-1983) – Brasil – Poeta, professor e militar. Publicou mais de uma dezena de livros e é considerado uma dos mais influentes poetas evangélicos brasileiros.
Martin Luther King Jr. (1929-1968) – EUA – Pastor batista. Ativista político e defensor dos direitos civis. Ganhou o Prêmio Nobel em 1964.
Martinho Lutero (1483-1546) – Alemanha – Principal e mais conhecido reformador da igreja no século XVI. Entre as ênfases de sua obra e pregação está a suficiência da graça de Cristo. É dele a primeira tradução da Bíblia para o alemão.
Menno Simons (1468-1561) – Holanda – Convertido aos anabatistas, liderou e influenciou um movimento de reforma no centro da Europa.
Myrtes Mathias (1933-1996) – Brasil – Poetisa evangélica brasileira. Seus poemas sacros são reconhecidos no Brasil e internacionalmente.
Nicolau Zinzerdorf (1700-1760) – Alemanha – Reformador religioso e líder da Igreja Morávia. Escreveu diversos hinos e sermões e influenciou o surgimento do pietismo alemão.
Nílson do Amaral Fanini (1932-2009) – Brasil – Pastor batista. Por mais de quatro décadas, líder evangélico no Brasil. Foi presidente da Aliança Batista Mundial.
Oral Roberts (1918-2009) – EUA – Um dos mais notáveis pregadores e televangelistas pentecostais. Fundou escolas e universidades.
Paul Tillich (1886-1965) – Alemanha / EUA – Um dos mais influentes teólogos acadêmicos do século XX. Entre suas principais obras estão: A Coragem de Ser e Teologia Sistemática.
Paulo Leivas Macalão (1903-1982) – Brasil – Pioneiro pastor da Igreja Assembleia de Deus. Fundador do Ministério Madureira. Pregador e compositor, participando na formação da Harpa Cristã.
Pelágio da Bretanha (350-423) – Britânia (Inglaterra) – Monge ascético que defendia que a salvação humana era de inteira responsabilidade do próprio ser humano.
Philip Jacob Spener (1635-1705) – Alemanha – Luterano ortodoxo, é considerado um dos pais do pietismo protestante por sua pregação contra o que ele considerava ser o cristianismo decadente de sua época.
Phineas F. Breese (1838-1915) – EUA – Teólogo, professor e pastor. Considerado o principal responsável pela fundação da Igreja do Nazareno.
Policarpo de Esmirna (69-155) – Ásia Menor – Discípulo direto do apóstolo João, de quem foi sucessor. Morreu martirizado.
Robert Kalley (1809-1888) – Escócia / Brasil – Missionário e fundador da Igreja Presbiteriana em Funchal/Portugal e da Igreja Evangélica Fluminense.
Robinson Cavalcanti (1956-2005) – Brasil – Bispo Episcopal Anglicano. Foi professor, pregador, escritor e influente pensador protestante brasileiro.
Rosalee M. Appleby (1895–1991) – EUA / Brasil – Missionária batista. Uma das principais influenciadoras da Renovação Espiritual dos anos de 1960.
Rubem Alves (1933-2014) – Brasil – Pastor presbiteriano. Destacou-se como educador, escritor, poeta e psicanalista. Um dos primeiros a refletir sobre a Teologia da Libertação.
Russell Shedd (1929-2016) – Bolívia / Brasil – Filho de missionários da Missão Batista Conservadora. Também veio ao Brasil como missionário. Tornou-se um mais influentes biblistas e professores evangélicos.
Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) – Polônia / Brasil – Judeu convertido ao cristianismo. Como líder batista, fundou diversas igrejas e seminários no Brasil. Também foi responsável pela criação do Cantor Cristão e de O Jornal Batista.
Sérgio Pimenta (1954-1987) – Brasil – Um dos principais compositores cristãos brasileiros, com mais de 300 composições. Foi também responsável pela renovação musical e litúrgica evangélica no Brasil dos anos 1970 e 1980.
Simão Teólogo (949-1022) – Grécia – Monge, poeta e músico carismático ligado à Igreja Ortodoxa. Notabilizou-se por seus estudos bíblicos e seus relatos sobre experiências espirituais e dons.
Søren Kierkegaard (1813-1855) – Dinamarca – Teólogo, poeta, crítico social e filósofo existencialista. Seu trabalho buscou respostas para a angústia e o desespero humano.
Tácito da Gama Leite Filho (1951-2011) – Brasil – Pastor, escritor, filósofo, pensador e influente líder batista e metodista.
Teodoro de Beza (1519-1605) – Suíça – Discípulo de Calvino a quem sucedeu na liderança da Igreja Reformada em Genebra.
Tertuliano de Cartago (160-220) – Cartago (África) – O primeiro e mais prolífico autor latino da igreja. Foi o primeiro a usar o termo Trindade para se referir ao Deus cristão.
Tomás Cranmer (1489-1556) – Inglaterra – Arcebispo anglicano de Cantuária e líder da reforma da Inglaterra. Escreveu e compilou as primeiras edições do Livro de Oração Comum.
Tomás de Aquino (1225-1274) – Itália – Principal doutor e sistematizador da doutrina cristã na Idade Média. Também é um importante intérprete da filosofia de Aristóteles. Sua obra principal é a Suma Teológica.
Tomás de Kempis (1380-1471) – Alemanha – Em seu livro mais conhecido, Imitação de Cristo (quatro volumes), ele desafia a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.
Ulrich Zwinglio (1484-1531) – Suíça – Teólogo e um dos principais líderes da Reforma Protestante da Suíça. Preocupou-se, em sua teologia, com a salvação de seu povo.
Waldemiro Tymchak (1937-2007) – Brasil – Pastor batista, missionário e evangelista. Foi um dos missiólogos mais destacados do século XX.
William Booth (1829-1912) – Inglaterra – Filantropo e pregador de origem metodista. Foi o fundador e primeiro general do Exército da Salvação.
William Buck Bagby (1855-1939) – EUA / Brasil – Missionário pioneiro que fundou a Primeira Igreja Batista na Bahia e a no Rio de Janeiro, além de outras sete igrejas. É também um dos principais influenciadores na criação da Convenção Batista Brasileira.
William Carey (1761-1834) – Inglaterra / Índia – Considerado o “pai das missões modernas”. Realizou trabalhos sociais e de evangelização. É um dos fundadores da Sociedade Batista Missionaria de Londres.
William Edwin Entzminger (1859-1930) – EUA / Brasil – Um dos pioneiros do trabalho evangelístico batista no Brasil. Foi também músico editor e diplomata.
Zacarias Clay Taylor (1851-1919) – EUA / Brasil – Pastor e missionário batista. Participou na fundação da Primeira Igreja Batista na Bahia.
Zênia Birzniek (1917-2012) – Letônia / Brasil – Enfermeira e missionária batista. Atuou no interior nordestino (principalmente em Sergipe) abrindo igrejas e cuidando da saúde.

Sei que a lista não completa nem definitiva, até eu mesmo já senti falta de alguns nomes que poderiam enriquecê-la.  Se você quiser acrescentar com alguém que ainda precisaria ser citado: contribua.