sexta-feira, 29 de maio de 2015

... EU VI O SENHOR

... eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado,
 e a aba de sua veste enchia o templo.
(Is 6:1)
Estudar a Bíblia é sempre uma agradável tarefa.  E aprender das páginas sagradas quem é o Deus ao qual dirigimos a nossa adoração é uma tarefa muito mais gratificante.  Pois é isto mesmo: o Deus a quem nos dirigimos nas nossas celebrações hoje é o mesmo Deus que se revelou nos textos antigos – Hb 1 nos diz que Ele falou aos pais pelos profetas...
Um destes textos majestosos é a visão do profeta Isaías.  No capítulo 6 no seu livro de profecias, o profeta relata que viu o Senhor.  Ele estava no templo e esta visão mudou a sua vida.  A visão do Senhor sempre nos provoca mudanças!  É para isto que estamos vindo ao templo: para ver o Senhor.  Deus está em todo lugar; mais há uma presença dele que é especial, grandiosa, tremenda, majestosa!  No seu templo Ele se revela de maneira especial aos seus.
Isaías então observa a atitude de louvor e reconhecimento da santidade de Deus nas palavras dos querubins: Santo!  Santo!  Santo é o Senhor dos Exércitos!  A visão de Deus deve infundir em nós um reconhecimento de sua santidade e isto se desdobra no reconhecimento de nossa fraqueza e pecado: "Ai de mim!" – é a exclamação do profeta.  Eu vi Deus em sua santidade e por isto estou perecendo!  Mas Deus lhe faz tocar a brasa viva do altar e lhe purifica os pecados – só Deus para fazer isto!
Que possamos adorá-lo reconhecendo sua santidade e amor que nos toca, muda e tira o pecado.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004.  Na imagem: detalhe do afresco retratando o profeta Isaias, pintado pelo italiano Giambattista Tiepolo no Palazzo Patriarcale de Udine / Itália em 1726)

terça-feira, 26 de maio de 2015

O Novo Testamento: livro por livro

O Novo Testamento foi escrito originalmente em língua grega – conhecida como koiné ou língua comum.  Mas desde muito cedo recebeu versões em outras línguas.  No quadro abaixo veja comparação dos nomes dos livros do NT em português – como denominamos costumeiramente em nossa língua – e em grego, além dos títulos em hebraico e no latim da Vulgata.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A FAMÍLIA DE DEUS

A Bíblia nos diz que no princípio Deus criou todas as coisas.  Neste processo, formou o ser humano a sua imagem.  Compreendendo assim, inicialmente devemos ver que Deus é o modelo que todo homem e toda mulher deve seguir.  Pensando em família, o modelo apresentado pelo Mestre deve ser então o parâmetro para as nossas famílias.
Como igreja, somos chamados de Família de Deus.  Como família, também nós – igrejas – temos virtudes e defeitos. Mas, sem dúvida, é pensando numa igreja-família que devemos aprender os acertos de uma para passá-los à outra e os vícios de cá para evitá-los lá.
Lendo a Carta aos Efésios podemos extrair pelo menos três parâmetros básicos que uma família deve apresentar para ser considerada Família de Deus – aqui penso tanto na minha igreja em geral como na minha casa em particular.  Vejamos:
Portanto, sejamos imitadores de Deus, como filhos amados (Ef 5:1).  A família deve ser lugar de crescimento.  Num lar onde o modelo divino prevalece, os pais são exemplos dignos a serem seguidos e os filhos sabem que seguir os seus passos é garantia de qualidade de vida (veja no Sl 132:12 uma promessa sobre isso).
Como filhos de Deus, devemos olhar para nosso Pai celeste e procurar imitá-lo em tudo.  Assim deve ser o padrão de relacionamento na Família de Deus.
Do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra (Ef 3:15).  A família precisa ser um lugar de referência. Ao colocar a família como referência, Deus estava estabelecendo um ambiente onde cada um dos seus filhos e filhas experimente a certeza de se saber incluído (lembre que foi disso que o filho pródigo sentiu falta ao lembrar da casa do pai na parábola em Lc 15:17).
Como Família de Deus é importante que transformemos nosso lar em um lugar onde todos possam ter referência e sentido para suas vidas.  Assim deve ser o parâmetro na Família de Deus.
Vocês já não são estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Ef 2:19).  A família tem que se tornar necessariamente um lugar de acolhimento.  O ambiente da família no modelo de Deus é o lugar onde cada um dos seus membros – do mais velho ao mais novo – se sente querido e acolhido e sabe que é bem vindo e tem abrigo (a promessa de Jesus sobre as moradas da casa do Pai em Jo 14:2 transpira um acolhimento assim).
Como na casa do Pai eterno, as nossas casas precisam ser um lugar que nos permita chegar e saber somos sempre bem-vindos.  Assim deve ser o lar que se espelha da Família de Deus.
Deus é o nosso Pai amoroso, e seu exemplo de família precisa ser valioso e indispensável para construirmos nosso lar e nossa igreja.  Que façamos deste exemplo nosso parâmetro de vida; para a glória exclusiva do Pai.

(Este texto apareceu pela primeira vez no sítio ibsolnascente.blogspot.com em 30/04/2009)

terça-feira, 19 de maio de 2015

Celebrações e Missões

O porto-riquenho Orlando Costas, no último capítulo do livro sobre Compromisso e Missão, compreende a missão como celebração, abordando aspectos como celebração contextual, comunitária e significativa.  Neste texto ele afirma que o “culto está intrinsecamente relacionado com a ação de Deus na história e a conversão das nações ao Deus trino e uno”.  O que está claro é que a celebração cristã é parte integrante – e diria fundamental – da missão da igreja.  A igreja cumpre a sua missão enquanto celebra a seu Deus em Cristo Jesus e, por outro lado, a igreja celebra enquanto cumpre a missão.  Celebra a Deus por Jesus e sua vitória sobre a morte, o pecado e sobre as nações estendendo o reino; e celebra a alegria de fazer parte no cumprimento da Grande Comissão. 
O mesmo Jesus que diz: “eu vos escolhi (...) para que vades e deis frutos” (Jo 15:16) é o Jesus que aceita e se compraz com o louvor que lhe é prestado pelas crianças (cf. Mt 21:16), do leproso que o curou (cf. Mt 8:2) e de vários outros.  É o Jesus que entra triunfante em Jerusalém sob o louvor e reconhecimento do povo que clamava: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mc 11:9).  E é o próprio Jesus que afirma também que o Espírito da verdade que haveria de vir depois dele para instruir os discípulos em toda a verdade haveria de o glorificar (cf. Jo 16:14).  Para Jesus Cristo, os discípulos que deveriam ir para dar fruto deveriam estar necessariamente envolvidos no processo de louvor e celebração: missão e celebração devem andar sempre juntos, como compromissos inalienáveis da igreja de Cristo.
Uma outra visão diz que, segundo o pastor Fabiano Nicodemo: "o próprio culto tem que ser uma celebração cativante para que as pessoas possam ter vontade de estar ali, voltar e visitar e vindo ouvir a clara Palavra de Deus para que o Espírito Santo possa tocar e transformar suas vidas".
Esta visão estabelece o culto e a celebração apenas como uma estratégia para se cumprir a missão, sendo utilizado para que pessoas sejam alcançadas pela mensagem que deve ser proclamada e tenham a sua vida transformada – único objetivo das missão.  Mas, embora possamos concordar que o objetivo da missão seja transformar vidas ao confrontá-las com a mensagem do evangelho, não é correto limitar o louvor e a celebração na vida e missão da igreja apenas a um atrativo para a proclamação, um meio que será utilizado para se chegar a um fim outro e distinto. 
O chamado missionário da igreja à proclamação deve não só impingir na igreja o ardor por fazer de todas as nações verdadeiros adoradores da glória de Deus, como também ela mesma adotar uma postura de adoração e celebração que visam única e exclusivamente a glória de Deus.  

sexta-feira, 15 de maio de 2015

O DEUS A QUEM ADORAMOS

De eternidade a eternidade tu és Deus.
(Sl 90:2b)
Convém refletir sobre personagens que compõem na celebração de adoração da Igreja.
A primeira personagem que deve ser referida é, com certeza, o Deus a quem toda adoração deve ser dirigida.  Logo no primeiro mandamento o Senhor requer para si a exclusividade da adoração do crente: "Não terás outros deuses" (Êx 20:3).  Deus exige exclusividade daquele que dele se aproxima.  Todo louvor e toda adoração devem ser dirigidos unicamente a Deus.
Mas, quem é este Deus a quem adoramos?  O Sl 89:7 nos diz que: "na assembléia dos santos Deus é temível, mais do que todos os que o rodeiam".  Deus é o santo de Israel – o altíssimo, e por isso deve ser reverenciado e temido.
Por outro lado, este Deus excelso e tremendo diante do qual são exigidos santidade e respeito também é o Deus que se volta para o seu povo.  O Sl 138:6 reconhece: "embora esteja nas alturas, o Senhor olha para os humildes, e de longe reconhece os arrogantes."  Deus é o nosso Pai que se compadece do seu povo e vem ao encontro daqueles que os buscam com sinceridade de coração.
Adoremos a este Deus supremo e compassivo.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 12 de maio de 2015

O AT: livro por livro

Aí está a relação dos livros do Antigo Testamento conforme consta em nossas Bíblias cristãs (protestantes) e como os mesmos são denominados em língua grega (de acordo com a LXX – Septuaginta), no original em hebraico e na versão latina da vulgata:

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CONSIDERANDO O SEGUNDO DOMINGO DE MAIO

Chegamos ao segundo domingo de maio – Dia das Mães – e sob esta inspiração, gostaria de refletir sobre algumas instruções bíblicas no trato dos filhos.  O sábio ordena: instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele (Pv 22:6).  E em Ef 6:4 eu leio: vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.
Estes e outros textos bíblicos nos informam que os filhos – que são tidos como herança do Senhor (confira Sl 127:3) – são responsabilidade dos pais e mães que os têm.  As alegrias da maternidade vêm sempre acompanhadas da responsabilidade da criação.  Ou seja, diante de Deus, devo saber que os meus filhos são o meu ministério, e que Deus me confiou para que os eduque e instrua nos caminhos sagrados.  Ensinar a Bíblia, a buscar a Deus, a se comprometer com os valores do Reino de Deus são parte fundamental da herança que devo deixar para as próximas gerações.
A Bíblia ainda se refere à necessidade de repreensão e admoestação que também cabe aos pais em relação aos filhos.  Se sou responsável pelo processo educativo, também devo ser responsável pela correção – quando necessária – dos que estão sob o meu cuidado.
Tenho por certo que esta atividade atribuída aos pais e mães pela Palavra de Deus é por demais séria e compreende níveis de responsabilidades que por vezes excedem às reais capacidades da maternidade e paternidade.  Então só me resta uma opção:  Preciso clamar a Deus por nossos pais e mães para que o próprio Deus os capacite para cumprirem às suas missões.
Coloquemos nossas mães no altar de Deus!

terça-feira, 5 de maio de 2015

O profeta Ezequiel – prisma de visão

Ezequiel nasceu sacerdote mas Javé o fez profeta.  Simplesmente esta afirmação já pode demonstrar todo o prisma de visão do profeta.  Ezequiel recebeu uma educação típica de um filho de sacerdote que haveria de assumir as suas funções do Templo de Jerusalém, educação esta recheada de regras de pureza particulares deferentes das dos outros jovens contemporâneos seus.  É interessante verificar até que ponto ele acumula as funções e implicações do sacerdócio e do profetismo já que seu livro está consideravelmente mesclado de elementos de tradições sacerdotais.
O século VI a.C. em que viveu Ezequiel foi marcado para as Escrituras como a época da formação e compilação do documento sacerdotal e Ezequiel, sendo do auto clero judaico, participou ativamente deste trabalho.  A teologia sacerdotal com suas fórmulas jurídicas ou ligadas à casuística, sua ideia de sábado (Sabath) e circuncisão ia de encontro a toda a ideologia da Obra Historiográfica Deuteronomista – OHD formada por volta da reforma de Josias cem anos antes.  Por ser influenciado pelo trabalho de Jeremias, que por sua vez foi profundamente pela OHD, Ezequiel deve ter sentido o peso desta obra, porém, como sacerdote, sua maior influência deve ter sido recebida pela obra sacerdotal da qual foi um importante colaborador.
J.M. Asurmendi o descreve assim: Homem da instituição por nascimento, em estreita dependência da monarquia, volta para o passado onde colhe as instruções que transmite ao povo, Ezequiel, sacerdote do santuário principal da nação, não era, a priori, o homem mais apto para realizar a missão profética.
Mas Ezequiel tem convicção de que Deus o escolhe e, a partir deste ponto de vista, sente que a palavra profética é colocada com todas as suas características e implicações na sua boca.