sexta-feira, 29 de julho de 2016

NO PRINCÍPIO – O DIA UM

E disse Deus:
haja luz.
E o que antes não era, começou a ser:
a luz aconteceu,
pois ele chama à existência coisas que não existem.
Deus é criativo!
Trezentos mil quilômetros por segundo.
Explosões cósmicas. Siderais. Quânticas.
 Fragmentos de pura física. Química.
 Incontáveis sois.  Supernovas.
Elétrons. Nêutrons. Prótons.
Ondas. Bósons. Gravidade.
Partículas. Pulsares.
Quasares.  Fótons.
Radiação. Calor.
 Infinitude.
E=mC²
Pipocando, expandindo, formando, indo.
Luz, brilho, claridades.
E Deus observou que ficou bom!
O Criador então entendeu que luz e trevas
são partes integrando a criação.
Instados a coexistirem,
cada um do seu lado –  
à sua maneira.  Incompletos.
Criaturas diurnas noturnas.
Então começou o crepúsculo
e a tardinha abraçou a noite.
Mas eis que rompeu a manhã e,
como um sacrifício
de culto eterno, aconteceu
o dia um. 


terça-feira, 26 de julho de 2016

Figuras da salvação

O conceito bíblico de salvação pode ser expresso a partir de algumas figuras de linguagem que nos ajudam a compreender um pouco desta doutrina fundamental de nossa fé.  Aqui temos um resumo delas: 


sexta-feira, 22 de julho de 2016

NO PRINCÍPIO – O COMEÇO

No princípio de tudo,
antes mesmo que o nada existisse.
Antes do big bang,
antes de qualquer partícula primordial,
antes do tempo e do primeiro momento.
No princípio criou Deus os céus e a terra.
O céu lá em cima e o chão cá em baixo –
Deus criou o tudo:
porque só ele mesmo podia
sem nada fazer isto.
Mas, o que ele criou
no princípio, estava deserto,
ermo,
sem forma,
vazio,
amálgama de compostos –
o caos em formação.
Apenas as trevas profundas
cobriam a face do cosmos.
Um universo de nada.
E o hálito divino
soprava sobre a face das águas.
Qual útero cosmogônico,
teogônico,
a criação estava sendo gerada –
fecundada –
germinada por semente divina que pairava.
Mas isso era só o começo.

terça-feira, 19 de julho de 2016

UMA IGREJA MISSIONÁRIA

A Teologia clássica aponta como sendo tríplice a missão da Igreja: a) Celebrar corretamente as ordenanças; b) Reconhecer o senhorio de Cristo e c) Prestar o louvor devido a Deus.  Observando cuidadosamente cada um destes aspectos em separado haveríamos de perceber que elas trazem nuances desafiadoras de per si para a vida eclesiástica.  Contudo nesta reflexão gostaríamos de abordá-los como sendo uma resposta única ao desafio missionário dado pelo fundador da igreja aos seus seguidores: “Vão e façam discípulos...” (Mt 28:19).
Inicialmente, uma ressalva ainda se mostra imperiosa ser feita.  A igreja fundada por Cristo vive no mundo (Jo 17:15) e por isso deve cumprir obrigações regulares e legais diante dos poderes constituídos para este tempo presente. 
Voltando a Teologia clássica: Somos cidadãos de duas pátrias e temos obrigações com ambas.  Ou seja, vivendo no Brasil, temos obrigações com as leis e os institutos do direito brasileiro – isto já mereceria um estudo e uma reflexão mais acurada.  Mas a igreja não é e nem pode se portar como uma instituição ou organização secular qualquer pois a sua missão ultrapassa os ditames das leis seculares que a governa.  E é isto que nos interessa nesta reflexão: uma igreja missionária é aquela que faz sobressair a sua vocação espiritual sobre qualquer empreendimento temporal.
Voltemos a tríplice missão da igreja analisada sob a ótica do discipulado. 
Cumpre-nos como Igreja de Cristo celebrar corretamente as ordenanças deixas pelo Mestre.  Aqui entendemos Batismo e Ceia do Senhor. E somente as suas citações já nos apontam ao discipulado.  A missão da igreja de celebrar o batismo como o testemunho daquilo que já foi operado no interior do ser humano desafia-nos a apresentar a Cristo como a única solução para o destino final de homens e mulheres (At 16:31).  As águas do batismo devem ser ministradas àqueles que já confessaram a Cristo como seu Salvador e Senhor; por isso celebrar corretamente o batismo implica necessariamente em apresentar a Cristo às nações.  Sem discipulado verdadeiro, não pode a igreja celebrar batismo corretamente.
Seguindo a mesma linha de raciocínio, a Ceia do Senhor é o congraçamento e a celebração da obra savífica de Cristo na cruz do calvário.  Quando a igreja se reúne para comer do pão e beber do cálice, ela relembra em temor e reverência tudo o que Cristo Jesus passou para a nossa redenção.  E sobre isso o apóstolo Paulo é bem enfático no que se refere à celebração da Ceia do Senhor como parte da missão da igreja.  Comer do pão e beber do cálice como celebração apropriada da missão da igreja só acontece quando tal celebração está envolvida no anúncio da morte de Cristo e na espera ansiosa da sua volta (1Co 11:26).  Ou seja, sem o discipulado a refeição não pode ser considerada celebração cristã; e vai além, sem o anúncio, o pão e o vinho pode nos tornar culpados pelo corpo e sangue de Cristo (1Co 11:29).
O segundo aspecto da tríplice missão da igreja e o reconhecimento de Cristo como Senhor absoluto da igreja.  Apresentando-se como a Videira verdadeira, Jesus destacou que havia escolhido seus discípulos e os nomeado para que produzissem frutos permanentes.  Nisto está a essência da submissão ao Senhor.  Ele nos deu uma tarefa para a qual fomos especialmente nomeados: produzir frutos, fazer discípulos e que estes discípulos se tornem permanentes e produzem sempre mais discípulos.  A igreja cumpre sua missão em reconhecer o senhorio absoluto de Cristo em sua vida quando cumpre fielmente a sua incumbência, produzir frutos; produzir mais discípulos.
Finalmente, a último aspecto da missão da igreja consiste em prestar o louvor devido a Deus.  Para isso fomos criados; para isso nascemos; para isso existimos: para adorar ao Senhor!  No seu Hino Cristológico Paulo declara que o destino de todo ser humano é confessar que Jesus Cristo é Senhor para a glória de Deus Pai (Fl 2:11).  E nesta celebração devemos atrair mais e mais pessoais para juntos proclamarmos a glória de Deus.  O nosso louvor neste tempo deve ser contagiante, atraente.  Embora tenha como alvo primordial a exaltação do nome do nosso Senhor, porém, deve anunciar as grandezas daquele que nos salvou e conclamar todos os habitantes da terra a aclamar ao Senhor (Sl 100:1).
Assim é que podemos considerar como uma igreja verdadeiramente missionária aquela que reconhece e cumpre a sua missão, celebrando as ordenanças deixadas pelo Mestre, reconhece o senhorio de Cristo e presta o louvor devido a Deus, fazendo discípulos.  Que nos faça desta maneira o Senhor.  Amém.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A DOR SE FOI

No último mês uma recorrente crise de cálculo renal – melhor dita: pedra nos rins – dominou minha rotina.  Com dores beirando a insanidade, visitas repetidas ao hospital, sequências de remédios e substituição deles, noites em claro (ainda que algumas com as luzes apagadas!), agendas ignoradas e expectativa de que elas estavam já beirando a saída, quatro luas se foram.
Bem, deixe-me adiantar logo o fim da história: Agora já posso respirar aliviado.  Num domingo no final da tarde, estando no hospital, enquanto vários irmãos de fé levantavam preces aos céus pela minha saúde, a mão do Todo-Poderoso conduziu as pedras para que saíssem sem precisar de cirurgia.  E as dores se foram...
— Aleluia!
Agora, então, para não deixar o relato tão resumido e aproveitar para fazer fecundar alguma reflexão, vários episódios podiam ser narrados, mas penso que um em especial resume bem os ocorridos.
Depois de noites repetidas no hospital, passei a segunda-feira, de licença médica, me recuperando em casa.
Mais uma noite chegou.
E as dores? Voltariam? Suportaria? Novamente no hospital? Mais remédio? Gemidos? Grunhidos?
Pior que a expectativa, só a dor já conhecida.
A virada da meia noite começou a anunciar-se e com o cruzamento dos ponteiros os primeiros sinais dolorosos na altura dos rins. 
Mal presságio. 
Uma hora depois, toda a plenitude.  A inominável que se inicia nos rins e de lá se irradia já reinava onipresente.  Os terrores da noite em perfeito HDHigh Definition!
A discussão sobre qual a dor mais doída é filosófica – ou a diferença entre a dor física e a dor moral e espiritual é completamente irrelevante.  Simplesmente dói ...  e muito. 
Sempre dividi as dores em dois grupos: as que estão ali mas que ainda permitem algum pensamento e ideia e as que se impõem absolutas.
Devo descrever aquela noite nestes termos: Não há posição confortável.  Não há alívio.  Apenas doi.  Doi.  Doi.  E todo o universo se resume a isso: doi.
E as horas foram se sucedendo.  Na cama, no sofá, na cadeira.  De volta ao sofá.  Na cozinha, na sala, no quarto, diante da televisão.  E já não sei mais onde.  Nem como.
A fé se dilui e a oração desfaz-se entre as dores.  Só me restam as palavras de Jó quando suspirou: "mas comprida é a noite, e farto-me de revolver na cama até a alva".
Então é verdade que em nenhum outro momento me pareceu mais vívida a certeza de que o Espírito por mim intercedeu com gemidos inexprimíveis.  Cada uma das palavras apostólicas. 
Pelas suas pisaduras...  Cada pegada!
Uma.  Duas.  Três.  Quatro.  A noite se vai.  O mundo em silêncio dorme.  A dor continua.
É claro que imagens e linguagens não foram formuladas na madrugada.  Inconcebível.  Certamente refiz incontáveis vezes as dispersas e dolorosas lembranças, a ponto de ter algo para narrar – e é isso que vai aqui.
Continuando.
Os primeiros claros no horizonte anunciavam o alvorecer.  Mais uma vez tentando uma posição no sofá.  Não por esperança ou conforto, mais pelo rodízio.
E assim como começou sem clemência se foi.  Assim mesmo se foi!
Aqui é citação literal da primeira expressão na mente, olhando a janela, deliciando a vista matutina e sem explicação ou razão não sentindo dores:
O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo.
Milagre? Você pode dizer o que quiser, para mim foi – e isso basta.  Agora o sol tem outro brilho, o sorriso mais raízes, os passos mais destinos.
As pedras ainda estavam lá e voltariam a dar trabalho.  Nem sei se a dor dos outros episódios foi diferente.  Como disse, elas só saíram dias depois de volta ao hospital.  Mas eu sei em quem tenho crido, e estou bem certo...
A dor se foi por que dele, e por ele, e para ele são todas as coisas.  Glória, pois, a ele eternamente.  Amém.

Ah.  Sim.  Em tempo.  As citações bíblicas estão diluídas no texto de propósito.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

O CULTO COMO DEDICAÇÃO

Eis-me aqui. Envia-me.
(Is 6:8)
Deus tem nos dado a oportunidade de conhecer a celebração do culto por diversos ângulos e em suas várias facetas.  Hoje cumpre-nos observar o culto como dedicação.  Em diversos lugares na Bíblia o culto está associado à oferta e à dedicação ao Senhor.  Cultuar a Deus significa também uma entrega e dedicação ao Senhor que tudo nos dá.
O Salmista se questiona sobre o que fazer diante dos benefícios que Deus tem dado.  A resposta é dada em três verbos: tomarei ... invocarei ... pagarei. (Sl 116:13-14).  A percepção do culto como dedicação ao Senhor leva-nos claramente a estes três verbos – como fez o salmista.  Cultuar a Deus é receber o cálice da Salvação – obra exclusiva de Deus que pela sua graça a oferece a todos os que se quedam diante da manifestação gloriosa do seu poder.
Este culto que é resultado de se ter recebido a salvação de Deus deve, então, se manifestar como uma invocação do nome do Senhor; o que implica em reconhecimento do seu poder manifesto e inteira dependência de sua vontade.  E tudo isto desemboca então no pagamento de votos.  O culto ao Senhor é o momento sublime quando o salvo que invocou o nome do Senhor deve cumprir os seus votos, reafirmando-os e dedicando-se inteiramente.  Culto é renovação de compromissos para com Deus e entrega total de bens e vidas ao Criador e Sustentador de nossa existência.  Culto são votos reafirmados e vidas dedicadas no altar do Deus.
Que possamos fazer de nossos cultos dominicais momentos de dedicação e renovação de nossos votos ao Senhor.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)