segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

CHEGAMOS AOS CEM ANOS

Hoje a Primeira Igreja Batista de Aracaju – a PIBA – é centenária.  Mas a Igreja não é o prédio, o templo com suas salas e estruturas, nem a organização com suas burocracias.  A Igreja somos eu e vocês que a vivemos em nossa comunhão diária, que a herdamos e a legamos.  Então, permita-me escrever em primeira pessoa.
Chegamos aos cem anos.  Dizer que esta é uma data relevante e histórica é apenas transitar por lugar-comum ou reafirmar o mais do óbvio.  Sei também que fugir disso é quase inevitável e não tem muito porquê.  Devo, pois, somar-me às celebrações deste momento ímpar.
Assim, chegamos a esta data centenária!  O tempo sucedeu ao tempo e aqui estamos.  Talvez, do ponto de vista deste tempo cru, cem anos não seja diferente do completar 47 ou 32 anos.  Não sei, não estava por aqui.  Pode ser que os anais da história nos contem algo.
Mas chegar aos cem anos é bem mais que a soma de dias, meses e anos.  Somos humanos – Deus assim nos fez – somos feitos de histórias e de lembranças.  Vivemos não dos fatos secos ou dos documentos frios, mas do que fazemos deles e das interpretações que a eles damos.  Assim, cem anos não podem ser iguais a trinta ou quarenta.  Eles nos tocam de maneira diferente: é um marco, uma data completa, um ciclo inteiro.  É mais que a soma de passos, desde o primeiro, passando por cada um deles.  É uma referência de chegada.
É nosso.  É humano celebrar cem anos de maneira diferentemente especial.  E por ser coisa de gente – mulheres e homens, nós os festejamos do nosso jeito: dando graças àquele que estava no início conosco, caminhou ao nosso lado todo este tempo e ainda permanece aqui, presente e atuante.
É inimaginável não fazer nossas as palavras da poesia sagrada de Davi: Se o Senhor não estivesse do nosso lado; que Israel o repita...  Sim, se não fosse o Senhor Jesus Cristo, a igreja não chegaria onde chegou: O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.  Bendito seja o Senhor! (Sl 124, versos 1, 6 e 8).
Contudo, amanhã, depois dos cem anos, o sol vai se levantar novamente, como fez neste anos que para traz já ficam.  E começaremos uma nova caminhada.  Novos passos, novas pegadas, novas marcas a se atingir que, a bem da verdade, apenas continuam as trilhas antigas.
Por isso, certamente também fazemos nossa a disposição da família de Asafe: O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram, não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez (Sl 78:3-4).
Outros dias, meses ou anos virão até que o Senhor da Igreja, o noivo, o Cordeiro em glória chegue para nos levar consigo.  Então nos será dada a eternidade pela sua graça.
Chegamos aos cem anos.  Glória a Cristo, Senhor da Primeira Igreja Batista de Aracaju.

(Texto publicado originalmente no Informativo PIBA 2013)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

LIVRANDO-SE DAS PRISÕES

Na história da igreja, vários foram os momentos em que os verdadeiros servos de Cristo tiveram que se submeter a prisões para não negar a sua fé.  Isto se repete ainda em vários lugares de nosso planeta.  Mas graças a Deus em nossa pátria podemos expressar livremente a nossa crença sem que isto nos cause perseguições.
Se não estamos expostos a prisões físicas, contudo percebemos que alguns crentes em Cristo ainda trazem em si marcas profundas de prisões na alma.  São pessoas que não conseguiram se libertar de traumas, cicatrizes, recalques, amarras e outros grilhões que o Inimigo de nossas vidas os tem aprisionado ao longo dos anos.  Mesmo sendo cristãos autênticos, mas ainda se sentem presos.
Para estes que vivem nesta situação, a única saída é aprender com aqueles que tiveram que suportar as prisões físicas e ver como eles alcançaram a liberdade completa que só o Senhor Jesus pode oferecer.
No texto de Atos 16 está narrado que Paulo e Silas foram presos por fazer o bem, mas nem por isto eles murmuraram ou se voltaram contra o Senhor.  O texto diz que por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus (At 16:25).  Que visão maravilhosa!  Os outros presos os ouviam porque somente quem tem a verdadeira liberdade interior pode louvar ao Senhor numa hora desta.
Aqui se processa a mudança da história: De repente houve um terremoto (At 16:26).  Quando Deus ouviu seus servos cantando e louvando seu nome em meio aquela situação, ele entrou com providência e mudou o curso da história.  Um terremoto foi provocado e os discípulos se viram livres.  É isto que acontece quando louvamos ao Senhor mesmo diante das cadeias – ele traz liberdade completa (Jo 8:36).
Sendo esta a sua situação; sentindo preso mesmo que seja somente em sua alma.  Ore e cante louvores ao Senhor que ele vai provocar um terremoto em sua vida e providenciar a sua liberdade completa para a glória dele.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Parábola das coisas – A BICICLETA

Lembro-me bem de um grande amigo que tive na infância e adolescência que repetia como um jargão: – Viver é igual a andar de bicicleta.  Se parar, cai!  Lembro também que para a nossa idade na época, parecia até um ensaio de um aforismo profundo.  Mas como ele repetia com frequência, e muita vezes de forma aleatória e sem conexão com contexto algum, a frase se desgastou.
Mas de tanto ser dita, ficou na memória.  Tanto é que ainda hoje eu consigo lembrar dela e do seu autor.
Outro detalhe da lembrança é o fato de a bicicleta ser companheira constante.  Por um período, foi o transporte que me levou para a escola.  Saía montado nela com a turma da igreja – a minha turma.  Fui a praia, ao parque e outros destinos montado em sua cela.  Inventei.  Cresci.  Vivi.  Aproveitei.
Hoje ainda tenho uma em casa e ela por vezes me cobra novamente um passeio.  Confesso que vontade até tenho, mas...
Então, a turma de hoje se rendeu aos falares de fora e a chamam de bike – e ainda acham chique!  Sei não! Acho besteira.  Falta história.  Falta memória.  Falta identidade.  Para mim aquela coisa com duas rodas tem que se chamar bicicleta porque é desse jeito que me evoca significado.
Aguça lembranças de um tempo de brincadeiras e estudos, de sonhos fugazes – ou outros mais ao alcance do guidão.  De um tempo que se andava porque queriam chegar e se corria por sobrava energia.
— E o pior é que começo a desconfiar que hoje corremos porque precisamos chegar e andamos pois já nos falta energia!
Mas a verdade é que a lição ficou.  A despeito de tudo; a despeito da agenda mais alheia que minha; a despeito do inevitável peso dos janeiros; a despeito do caos das vias públicas; sim, apesar disso, a lição realmente ficou: viver é igual andar de bicicleta.  Se parar, cai!
E assim, continuo pedalando a vida, nunca me esquecendo de fazer minhas as palavras apostólicas com coragem e determinação de ciclista: "Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus"  (Fl 3:14).

— Eh! Se parar, cai!

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O ESCOLHIDO – Rildomar

Um irmão e amigo em comum me trouxe do Recife no último domingo o mais recente trabalho do Pastor Rildomar Nascimento – mais conhecido apenas como o cantor Rildomar.  O ESCOLHIDO é o nome do CD que traz 10 novas gravações e que, com certeza, eu o ouvi com carinho e grata satisfação.
Dono de uma voz singular e poderosa, Rildomar a tem dedicado ao serviço e louvor do Senhor com canções e pregações que honram o Mestre, edificam a igreja e enriquecem a hinódia cristã brasileira.
Mas tenho o privilégio de tê-lo no rol dos meus amigos, assim, qualquer comentário pode vir carregado de cores pessoais – não que isso seja necessariamente um problema!  Contudo, quero aqui apresentar as músicas do CD na certeza de que é material de primeira qualidade.  Em tempo: as música são de autoria do próprio Rildomar, com exceção das de nº 4 e 7.
O trabalho se abre com a música: A Missão do Escolhido – primeira música e que inspira o título de toda a obra.  É uma canção que ao mesmo tempo desafia e inspira.  Desafia porque instiga ao que tem a missão para ir adiante.  Inspira porque faz lembrar que aquele que vocaciona é sempre companheiro na jornada missionária.  É Deus quem diz: "Sou contigo... Sou teu grande EU SOU".
A segunda gravação é O Toque do Espírito Santo.  É uma oração de súplica que reconhece que somente quando o Espírito toca é possível o crente declarar: "eu quero te adorar".  Comentário meu: este é o ápice da missão, adorar ao Senhor.  Bom começo.
Seguem-se: Quantas Vezes (música três) e Quando Encontrei Jesus (música quatro) que juntas declaram que embora seja impossível definir Jesus, mas, como um testemunho pessoal, ele reconhece que o encontro com Jesus o aliviou do todo fardo e peso.
Salmo 23 é a quinta gravação.  Como o título já anuncia, é uma metrificação livre o Salmo bíblico e que declara com segura insistência: "Aleluia. O Senhor é o meu Pastor".  Mais um comentário meu: o ritmo é delicioso e vale ouvi-la repetidas vezes.
A canção 6 – Momentos na Vida – relembra que alguns destes momentos nos fazem chorar, mas com Cristo "tão feliz eu sou".  A música 7 – Pra Te Adorar – é uma declaração de fé e adoração: "estou aqui para te exaltar, te entregar o melhor de mim".
A música 8 – Você e Eu – e a 9 – Meu Filho – têm tons bem familiares.  Como uma canção de amor, ele reconhece que a esposa e filho são resultado da promessa e realização de Deus em sua vida.  Ainda meu comentário: a família no altar de Deus é sempre uma bênção.
E o trabalho conclui com a gravação de nº 10 – Misericórdia e Graça.  Uma bela oração: "suplico por misericórdia" para então afirmar o "louvor por sua graça".
Vou terminar estes comentários ainda com toque pessoal: Parabéns Rildomar por mais este trabalho de louvor.  Eu agradeço ao Senhor por tê-lo escolhido como portador de sua palavra.  Continue fiel à sua vocação – e também nos brindando com tais magníficas canções, para a glória do Mestre.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cinco conselhos bíblicos sobre a AUTORIDADE

A vida humana em sociedade é constituída de relações de poder e autoridade.  Isto é inevitável.  Basta qualquer observação.  E a Bíblia reconhece isto.  Assim, diante desta constatação, procuramos trazer lições sobre como se portar e viver nestas condições, lições estas que atualizamos e devemos empregar em nosso viver diário como luzeiros no mundo (esta expressão desafiadora está em Fl 2:15).
a) Reconheça que na vida sempre haverá papeis a serem vivenciados nas relações de autoridade.  Seja qual for a sua situação, que prevaleça em todas as circunstâncias a sua fidelidade e o seu compromisso com o Senhor e que esta seja demonstrada em sua vida (lembre-se das palavras de Jesus em Mt 5:16).
b) Numa situação de subordinação hierárquica, mantenha sua conduta irrepreensível, respeite os superiores e continue trabalhando como se para o Senhor (é importante citar Fl 2:14-15).
c) É natural querer ascender na vida, mas nem faça disto seu objetivo único na vida, nem o faça através de quaisquer meios (considere Mt 6:33 e dê bastante atenção a Pv 25:6-7).
d) Quando numa posição de chefia ou comando, aplique os valores do Reino de Deus nas suas tomadas de decisão e no tratamento com seus subalternos (veja Pv 29:2 e Ef 6:9).
e) Quanto aos que estão em posição de poder político e social; dispense à pessoa que o ocupa o respeito devido, e à função em si o temor e a obediência necessária (considere 1Pe 2:13).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

DEIXANDO PARA AMANHÃ

Eu me pergunto porque nós, sabendo o poder do Deus a quem servimos, deixamos a angústia fazer morada em nosso coração.
Muitas vezes estamos tão desesperados que não conseguimos nos lembrar da autoridade que nos foi outorgada para falarmos aos montes: "Lança-te ao mar" (Mt 21:21-22).
O que acontece, na realidade, é que como o faraó, no texto de Êx 8:9-10, deixamos  para amanhã.  E aí, vivemos mais um dia e depois outro e outro com os problemas nos atormentando e tirando a nossa paz.  Simplesmente porque não falamos: agora.  É hoje que em nome de Jesus e com autoridade a mim dada por ele mesmo, que isso vai parar.
Procrastinar é o nome dado a essa atitude.  Deixar  para depois.  Saber que pode ser agora, mas adiar.
O faraó viveu mais uma noite de rãs subindo por ele, em sua cama, na sua casa e de todo o povo egípcio, quando bastava ele dizer: agora ("tua é a honra de dizer-me quando devo orar...").
Até quando deixaremos as rãs invadirem a nossa casa, a nossa cama, não nos deixando dormir, angustiados?
Até quando seremos atormentados? A decisão, na verdade, é nossa.
Basta abrir a nossa boca com autoridade e falar com fé (Mt 21:22).
Quem tem ouvidos para ouvir ouça.

Reflexão escrita por Elda Linhares Lima Nogueira - esposa que o Senhor me deu - e que publico aqui com distinção.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

UMA SEGUNDA-FEIRA, MARCELO DEDA

A minha manhã da última segunda-feira (02/12) parecia prometer uma agenda pessoal extremamente lotada. Alguns compromissos pessoais e outros profissionais inadiáveis.
Mas o dia amanheceu antes da agenda, com a notícia que Marcelo Deda – Governador de meu Estado de Sergipe – havia travado sua última batalha pela vida nesta madrugada e, infelizmente, havia saído vencido.
Durante todo o dia, li e ouvi declarações de mulheres e homens públicos, estadistas, companheiros de longe e de perto, tecendo merecidos elogios à figura política, sua trajetória, história, lutas e conquistas para o Brasil e em especial, Sergipe.
Não me esqueço que há também um outro lado.  Mais pessoal e humano.  Ele tinha família: mulher e filhos (que os conheci em eventuais circunstâncias sociais).  Sei que do ponto de vista deles, a segunda-feira chegou mais sombria!
Então não acho que devo aqui me despedir do Marcelo Deda com linhas de apontes políticos – a história o colocará no devido lugar dos grandes de Sergipe.  Também não pretendo me colocar no rol da intimidade – embora o tenha ouvido me chamar de amigo.
Entendo que meu olhar é outro.
Esgueirando-me entre as tarefas diárias e o acompanhamento das notícias sobre as exéquias do Governador, o Salmo 90 ressoou como um canto-chão em minha mente: pois a vida passa depressa, e nós voamos! (verso 10).
E me lembro de Marcelo Deda no templo de nossa Igreja em Aracaju agradecendo pelas suas vitórias na vida e na política (a foto aí testemunha este momento).  Também me lembro conversando particularmente com ele sobre as prioridades da vida e do trato espiritual.  E ele me falando de sua fé e convicção cristã.
Não o acompanhei em seus últimos momentos e por isso não sei que confissões fez ou como foi seu derradeiro suspiro.  Deus o sabe!
Sei que o texto bíblico atesta que é o Senhor quem levanta os reis e os coloca em posição de autoridade (confira Rm 13:1).  E ainda nesta hora eu o louvo por ter colocado um homem como Deda no comando de minha cidade e do meu Estado.  Isto nos engrandeceu enquanto cidadãos.
Mas também oro pelos que agora choram sua perda: — Que o Santo Espírito Consolador os conforte!
E assim, a segunda-feira se foi em Sergipe, agora já sem o nosso Governador Marcelo Deda.  Fica a lembrança, fica a história, ficam as memórias...