sexta-feira, 27 de abril de 2012

UM CERTO JOVEM


Três dos Evangelhos contam que certo jovem foi procurar a Jesus interessado em saber como poderia alcançar o Reino eterno (confira em Mt 19:16-22 / Mc 10:17-22 / Lc 18:18-30).  Pelo diálogo com o Mestre é fácil compreender que ele era um bom moço, cumpridor das Leis divinas, bem intencionado – além de rico.  Parecia tudo correto, um candidato ideal para herdar a vida eterna; mas o fim não foi este.  Por quê?  Acompanhe comigo uma rápida análise do episódio:
Por mais que conheça a história, não posso deixar de destacar a realidade que o jovem buscava seguir os preceitos divinos desde a sua juventude (veja Lc 18:21).  E mais ainda: ele mesmo procurou Jesus demonstrando ter uma real intenção de fazer algo que lhe coubesse para adquirir o direito a herança eterna.  Que bom exemplo.
E hoje?  Será que se questionado por Jesus eu poderia responder como o jovem da história?  Será que tenho cumprido a Lei de Deus em minha vida, e ela faz parte de minha própria maneira de ser desde criança?  E mais ainda, tenho demonstrado real interesse em buscar a Jesus para dele saber o que preciso fazer para ser herdeiro do reino?
Lá na história bíblica, conhecendo o coração, Jesus anunciou a sentença: Falta-te uma coisa (leia em Mc 10:21).  Ter observado a Lei e demonstrar uma boa intenção – embora valorizado pelo Mestre – não é suficiente para se alcançar a vida eterna.  No caso do jovem, faltava-lhe se desfazer dos bens que ocupavam um lugar de primazia em sua vida.  Somente colocando Deus em primeiro lugar alguém se torna apto para o Reino.
Mais uma vez volto meu foco para mim.  O que será que falta para me tornar cidadão do Reino de Deus?  O que preciso deixar?  O que está atrapalhando a minha e a sua caminhada nesta vida para que alcance a futura?
A história deste encontro de um certo jovem com Jesus pode muito se parecer com a nossa vida; mas que o nosso fim seja diferente daquele narrado nos Evangelhos.

terça-feira, 24 de abril de 2012

QUANTA BÍBLIA!!!


Hoje em dia, nas prateleiras de qualquer livraria, e não precisa ser especializada, há uma infinidade de Bíblias em exposição.  Haja Bíblias!  Há modelos de luxo e populares; traduções e tradições variadas; Bíblia para jovens, homens ou mulheres; para quem ora, luta e quer ter vida vitoriosa; há edições comentadas, coloridas e anotadas; na linguagem de hoje, de ontem e de trasantontem...   E por aí vai...  Há Bíblias para todo gosto!
Mas antes de prosseguir nesta linha principal de raciocínio, deixe-me apresentar uma citação:
No final do século II de nossa era, Tertuliano – o primeiro e um dos principais pais latinos da Igreja Cristã – afirmou: “Aquilo que nós os cristãos somos, são-nos as Escrituras desde a sua origem”.  Ou seja, desde a nossa origem, nós cristãos sabemos que toda a nossa fé, toda a nossa prática e toda a nossa existência estão pautadas exclusivamente nas Escrituras Sagradas – a Bíblia.  Somos a religião do livro, nos apegamos a ele e dele retiramos todas as nossas convicções e padrões. 
Voltei.  Não quero julgar ninguém – não tenho este direito – mas como toda questão, esta também tem pelo menos dois lados: um bom e um ruim.  Senão, acompanhe comigo.
Por um lado é bom ter variedade de edições da Bíblia.  Ela é a Palavra de Deus e foi escrita num contexto muito diferente do nosso.  Era um mundo antigo, rural e oriental; hoje eu vivo num mundo moderno, urbano e ocidental.  Então para eu ter acesso às verdades eternas contidas no Livro uma boa tradução se faz necessário.  E há homens e mulheres de Deus que ainda fazem muito bem esta tarefa.
É útil e válido ter versões diferentes que procurem compreender o que foi dito no passado e transmitir para o nosso povo, em nossa linguagem e de modo relevante.  E mais, a tarefa de ler e comparar diferentes trabalhos de tradução só faz ajudar a entender o que o original queria dizer.  O estudante sério da Palavra de Deus tem obrigação tanto de não ser ignorante nas línguas originais quanto ser capaz de fazer este trabalho comparativo.
Mas há um outro lado.  Quando noto tanta Bíblia a venda, entendo que a maioria está ali publicada e disponível com o principal objetivo comercial.  É só para vender e ganhar dinheiro mesmo!  Algumas são como carro novo: muda-se o desenho do retrovisor para vender o carro novo – a montadora precisa faturar!  Faz-se uma apresentação gráfica diferenciada para incrementar o negócio – a editora precisa faturar!
O conteúdo bíblico propriamente dito de muitas destas Bíblias são copiados ou transcritos de outras versões já no mercado, acrescenta-se mapas, comentários, opiniões(!); destaca-se versos específicos e, pronto!  Um novo produto está nas prateleiras.
Como disse: não tenho o direito de julgar ninguém, mas esta relação comercial com a Palavra de Deus me assusta (já pensou em aplicar Mt 10:8 a este contexto?).  E se você me perguntar sobre o que fazer a respeito: confesso que não sei.  É salutar para a igreja ter diferentes versões à disposição, mas negócio é negócio...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

HERODES vs. DEUS


O nome de Herodes está ligado a uma dinastia de reis que governaram sobre Israel por volta do primeiro século.  No geral foram apenas vassalos de Roma que dependiam a sua autoridade da submissão aos ditames do poder imperial.  No capítulo 12 do livro dos Atos dos Apóstolos está narrado um relato que conta da postura de Herodes quando se assentou em seu trono e seus desdobramentos.
Um ato que poderia parecer banal e corriqueiro pode, contudo ensinar lições valiosas.  No texto é dito que, depois de um acordo com os habitantes de Tiro e Sidom, Herodes vestiu-se como um rei, assentou-se no trono e dirigiu a palavra ao povo.  Neste ponto o povo clamou: “É voz de um deus e não do homem!” (At 12:22).  Que terrível engano do povo – a voz do povo não é a voz de Deus!!! – pois a presunção de Herodes junto com a aclamação popular custou-lhe a vida.  O texto observa que Herodes morreu por que ele “não glorificou a Deus” (At 12:23).  Lembre-se que Deus não divide a sua glória com ninguém!
No verso 24, contudo há uma expressão que parece uma simples anotação de rodapé: “Entretanto, a palavra de Deus continuava a crescer e a espalhar-se”.  O texto parece dizer que, a despeito de tudo isto, o evangelho e a obra de Cristo cumpria o seu papel.  Enquanto a presunção dos poderosos é causa de sua ruína, Cristo honra a sua palavra fazendo os seus serem frutíferos.  O nosso trabalho deve depender exclusivamente do Senhor da Igreja que em todas as circunstâncias, e apesar delas, faz o seu poder triunfar sobre tudo e sobre todos.  Não há nada que o pode deter.
Do embate entre Herodes e Deus, aprendo então que convém depositar minha confiança no Senhor, e não nos poderosos deste mundo, pois todos passarão enquanto a Palavra de Deus permanece para sempre.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Salmo 145 – uma leitura


Durante toda sua vida, o pastor e rei Davi compôs diversos salmos.  Muitos deles estão hoje em nossa Bíblia e refletem a experiência e a intimidade que este homem de Deus teve com o seu Senhor e nos servem de inspiração para a nossa caminhada cristã.
Entre os salmos divídicos, o cântico de louvor que é o Sl 145 bem pode ser entendido como um que representa a reflexão de um homem que viveu a experiência de ter um coração moldado de acordo com o seu Deus e o louva por tudo o que aconteceu em sua vida.
O salmo é organizado em hebraico em ordem alfabética e em toda a sua composição demonstra um tom de alegria e regozijo.  Não temos a melodia original, mas nos parece que deveria ser cantado em ritmo de festa pois a sua cadência nos conduz à alegria, ao júbilo e à dança.
Eu te exaltarei, meu Deus e meu rei;
bendirei o teu nome para todo sempre!
Todos os dias te bendirei
e louvarei o teu nome para todo
o sempre!
Grande é o SENHOR e digno de ser
louvado;
sua grandeza não tem limites.
(Sl 145:1-3)
Também nos deve chamar a atenção neste salmo que Davi louva o Senhor porque as grandezas dos feitos divinos serão anunciados às gerações seguintes (Sl 145:4-6) e que o reino e domínio do Senhor permanecerá de geração a geração (Sl 145: 13).
Assim é que a este Senhor que é misericordioso e compassivo, paciente e transbordante de amor (Sl 145:8) o poeta Davi se dispõe a louvar com toda intensidade.  Só quem o conheceu de uma maneira tão profunda pode louvá-lo dessa forma:
Com meus lábios louvarei o SENHOR.
Que todo ser vivo bendiga o seu
santo nome
para todo sempre!
(Sl 145:21)
Só nos resta dizer: Aleluia!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

ISTO É BOM E SAGRADO!


Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus Pai.  Estar em sua presença é contemplar a gloriosa e fulgurante manifestação divina.  Estar na presença sagrada é, para o ser humano, atingir o seu objetivo último na criação.  Alguns discípulos do Mestre experimentaram isto no episódio da transfiguração, e na perspectiva desta cena fantástica podemos também aprender e experimentar um pouco do contato santo e de suas implicações.
Os evangelhos nos contam que Jesus levou Pedro, Tiago e João a um monte para um momento particular: Jesus quis dividir sua intimidade com os seus discípulos, bastava para eles estarem ali e desfrutarem.  Lá eles contemplaram a Jesus transfigurado, viram que sua face “resplandecia como o sol” e suas roupas “tornaram-se branca como a luz” (confira em Mt 17:2).  Além disto os discípulos ainda poderam vislumbrar homens de Deus como Moisés e Elias.  Os discípulos ficaram fascinados!  É sempre assim: quando contemplamos a glória do Senhor somos tomados pelo seu Espírito que nos invade e nos deixa extasiados de santidade, louvor e gratidão.
Nesta situação Pedro exclamou: “bom é estarmos aqui” e diz a Jesus: “farei aqui três tendas” (leia no verso 4).  É realmente elogiável a disponibilidade de Pedro.  Ele estava disposto a fazer qualquer coisa, só não deixar aquele lugar e quebrar o encanto daquele momento.  Pedro sabia que a presença de Jesus glorificado era boa demais para se desfrutar – e isto ele fez – só não queria que acabasse.  Como o apóstolo, é preciso estar disposto a sorver o momento de comunhão com Deus até o último minuto para que não se perca nada desta sublime companhia.
Assim, insisto em um ponto que para mim é fundamental:  toda semana nos reunimos na casa de Deus para um tempo de intimidade com Jesus.  Isto é bom e sagrado!  Vamos tornar este encontro um momento sublime e vibrar com ele como fez Pedro.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Tarde te amei...


Fizeste-nos,
Senhor, para ti e o nosso coração está inquieto
Até descansar em ti.

Tarde te amei,
Ó Beleza sempre antiga, e sempre nova,
Tarde te amei!
Eis que tu estavas dentro de mim e eu fora,
E por fora te buscava;
Me lançava sobre essas coisas
Formosas que tu criaste.
Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti aquelas coisas que,
Se não estivessem em ti, não seriam.
Chamaste e clamaste, e quebraste minha surdez;
Brilhaste e resplandeceste
E curaste minha cegueira;
Exalaste teu perfume e respirei,
E suspiro por ti;
Gostei de ti, e sinto fome e sede;
Me tocaste, e abrasei-me na tua paz.
Agostinho de Hipona

quinta-feira, 5 de abril de 2012

MAIOR AMOR


"Ninguém tem maior amor do que este..." estas palavras eu leio no Quarto Evangelho.  Elas me falam da comparação absurda entre o maior amor encarnado em Jesus Cristo e a necessidade que tenho de também viver na base do amor (leia em Jo 15:13).
Mas amor não é teoria, nem discurso ou só conversa.  Então, na verdade, o evangelista está me dizendo que ninguém no mundo tem um amor maior que o de Jesus porque ele se deu na cruz do Calvário.  E, nesta época quando estamos celebrando a mais importante e significativa festa cristã, o amor de Cristo será sempre algo que me contagia e completa.
Ora, isso dito de maneira mais simples e nordestina, como é minha alma e minha cultura, devo dizer que quando se trata do maior amor, o amor de Cristo, ele sempre será muita farinha para o meu pirão.  E mais, enquanto esta farinha é derramada no caldo da minha fé, as verdades bíblicas vão se tornando consistentes em minha vida.
Neste sentido, pelo menos dois textos bíblicos engrossam meu pirão.  O primeiro deles é quando o evangelista João vai introduzir o relato do lava-pés.  Ali está dito que Jesus, tendo amado os seus, amou-os até o fim (registrado em Jo 13:1).  Esta simples frase me dá pelo menos mais duas linhas de compreensão.  Por um lado Jesus manteve o seu amor para comigo até o último instante.  Ele não me largou pelo caminho.  Quem já preparou pirão na beira do fogo sabe que o segredo é continuar sempre mexendo o caldo enquanto a farinha vai sendo derramada.  Isso Jesus fez até o fim.
Ainda sobre o mesmo verso, outra linha é entender que Jesus me amou até as últimas consequências.  Ele não permitiu que o pirão se estragasse, embolasse ou se perdesse.  Mesmo no calor do fogo ou com os salpicados constantes – típicos do pirão – o amor o fez assumir por completo minha remissão.  O pirão que sou hoje é porque Jesus suportou tudo por mim.
O outro texto é de Paulo quando diz que o amor de Cristo nos constrange (confira em 2Co 5:14).  Entendo que o apóstolo quer dizer que o maior amor me deixa estupefato, com os olhos brilhando, e com uma palpitação excitada; mas também me desafia, futuca e me deixa encabulado.  E mais: é o amor da cruz que dá gosto ao meu pirão.  Sou completamente envolvido pelo maior amor, dele assumo o sabor e a consistência.
Neste tempo de celebração de páscoa, glorifico a Deus por que ninguém tem maior amor que o de Jesus Cristo estampado no madeiro de Calvário.  E sou grato, pois foi ali que meu pirão foi cozido.  Soli Deo gloria.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Parábola das coisas – a vela


Tanto a figura da vela em si quanto o seu desdobramento natural – a figura da luz – foram citadas por Jesus.  O que quer dizer logo de saída, que escrever uma parábola sobre a vela é decidir caminhar por trilhas já percorridas pelo próprio Mestre.  Mas, mesmo assim, pretendo ir a ela: a parábola da vela.
Antes de prosseguir, para que se possa conferir nas palavras evangélicas, eis aí as citações: Jesus se apresenta como a luz em Jo 9:5; compartilha esta conceituação com seus discípulos em Mt 5:14; e observa que não faz sentido acender uma vela e deixá-la em baixo de uma vasilha em Lc 11:33.
Voltemos a parábola.  Com o perdão do trocadilho: quero olhar para a vela e vê-la a partir das indicações iniciais do próprio Cristo, mas também deixar as ideias vaguearem um pouco a partir da própria luz.  Está claro que há verdades que são óbvias, e algumas vezes são estas  as lições mais marcantes de qualquer parábola.  Ora são tais lições que procuro aqui.
A primeira verdade óbvia da vela e de sua luz é que ninguém a acende apenas para olhar para ela própria.  Sempre o objetivo é iluminar algum lugar, alguma coisa, ou alguém.  E tem mais, como conselho oftalmológico, olhar diretamente para a fonte da luz não é o mais recomendável.  Assim a luz que há em mim deve iluminar este mundo tenebroso e permitir aos que possam ser alcançados por tal brilho enxergarem o caminho da vida que é Jesus.
Também me parece óbvio que a luz se expande em todas as direções, e penetra através que qualquer fresta que encontre em seu caminho.  Sei que algumas fórmulas e exposições da Física podem explicar cientificamente tal fenômeno, mas aqui não é o caso e nem esta a minha área.  O que me interessa é apenas constatar a capacidade da luz de ir adiante e encontrar um jeito de mostrar sua presença.  Isso me diz que algumas vezes vou precisar me espremer e passar por pequenas frestas para continuar indo adiante.
Há mais uma constatação igualmente óbvia que vou apontar.  A luz sempre vence a escuridão.  Por mais que o lado sombrio seja forte, o brilho de uma simples vela é capaz de se fazer notar.  A mesma coisa dita de outra maneira: não há breu, por mais denso e fechado que seja, que não seja vencido pela luz discreta da mais singela vela.  Ou seja, quando a luz eterna está em mim, as trevas jamais terão poder ou possibilidade de me vencer ou abafar. 
É claro que sobre vela e luz muitas outras percepções igualmente óbvias eu poderia listar nesta parábola, mas por agora estas já me satisfazem.  E quero concluir orando para que Jesus me faça resplandecer neste mundo com força e persistência a sua luz divina.