sexta-feira, 26 de maio de 2017

ATÉ QUANDO? – uma leitura do Salmo 74

Já não vemos os nossos sinais, já não há profeta, 
nem há entre nós alguém que saiba até quando isto durará. (v. 9)
Este é o verso central do Salmo 74 que dá voz à congregação em seu lamento diante de Deus.  O tema central do salmo é a queixa por Deus ter "rejeitado" (v. 1) o seu povo.  A congregação se queixa diante de Deus questionando e requerendo atenção e lembrança divina.
Lembra-te ... (v. 2)
Levanta os teus pés ... (v. 3)
Lembra-te disto ... (v. 14)
Atende a tua aliança ... (v. 20)
Levanta-te, ó Deus ... (v. 22)
Lembra-te ... (v. 22)
Não te esqueças ... (v. 23)
Lembrando do pacto e do acerto feito entre Criador e Criaturas – Deus e seres humanos – o salmista coloca diante de Deus toda a queixa da comunidade que se vê abandonada por Deus.
Até quando, ó Deus, nos afrontará o inimigo? (v. 10)
O questionamento é assim: se Deus é o Todo-Poderoso, conforme demonstram as suas ações testemunhadas pelos antepassados, por que hoje não mais podemos testemunhar as suas ações?  E por que a todo instante os inimigos parecem triunfar?  Até quando nós deveremos supliciar esperando que "a tua mão" (v. 11) se manifeste novamente no meu do povo?  Se o Senhor é quem estabeleceu "todos os limites da terra" (v. 17), então por que "os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos" (v. 4)?
Mas ao contrário de outros salmos que apesar da angústia e da ansiedade concluem com uma palavra de louvor e reconhecimento, este salmo termina dando voz a uma comunidade que se encontra em "tumulto" (v. 23) e que por isso mesmo conclama a Deus que resolva ele mesmo a questão:
Lembra-te, ó Deus, pleiteia a tua própria causa;
lembra-te da afronta que o louco de faz cada dia (v. 22)


terça-feira, 23 de maio de 2017

CARGOS E FUNÇÕES NA IGREJA PRIMITIVA

Embora não tenhamos um manual administrativo da Igreja no primeiro século cristão, com organograma e coisa parecida – e penso que não havia isso mesmo – e nem uma estrutura única para todas as comunidades, é possível identificar alguns cargos e funções de liderança exercidos da Igreja Primitiva a partir de sugestões que encontramos no NT grego.  Vejamos:


sexta-feira, 19 de maio de 2017

O CÉU É JESUS

Eu já ouvi falar de uma terra sem igual
Aonde tudo é paz e não há lugar pro mal
Almejo este lar, tão puro e sem igual
Mas eu não sei o dia em que virá pra mim

Assim são os primeiros versos da canção "O Céu é Jesus" que Jader Santos escreveu e os Arautos do Rei gravaram no álbum "Eu não sou mais eu" em 1999.  E, preciso já confessar, desde então a tenho ouvido com renovada piedade espiritual.
Entendo em não usar este espaço para tecer comentários sobre os personagens envolvidos na música – bem que poderia, valeria ... mas não pretendo.
Também não penso em analisar seus termos com olhos técnico-teológicos, apesar dos anos em sala de aula de Teologia – magistério que exerço como ministério.  Sei que há muito a dizer: há prós e contras, sem dúvida.  Mas não quero aqui me ocupar desta tarefa.
Como disse lá em cima, eu a tenho ouvido com renovada piedade espiritual.  Assim vou ouvi-la.  A melodia, a harmonia e o arranjo, de modo geral se encaixam muito bem e são belíssimos.  São um verdadeiro convite a buscar e estar na presença de Jesus; um convite à contrição, à adoração e à meditação – disciplinas cristãs já quase fora de moda hoje em dia!
Canções como esta são verdadeiros hinos e fazem vibrar algumas cordas da alma cuja antiguidade, serenidade e profundidade nos dão força e saciam nossa existência.  É um sentimento de pertencer a algo maior e mais significativo que nossa rasa e curta história que faz a caminhada se alimentar de esperanças e presenças.
— Estou poético!!! É, a música faz isso!!!
Mas tem ainda a letra.  Sei que a própria Bíblia tenta descrever o nosso destino em linguagem figurada se referindo às moradas eternas como ruas de ouro e mar de cristal.  Mas o que conta mesmo é saber que, do outro lado, o que nos aguarda é a companhia eterna do Cordeiro que se assenta sobre o trono e só a ele se dirigirá nossa atenção e adoração eternas.
— Sentiu os tons do Apocalipse nestas linhas?
 E tem outras questões pontuais... mas vamos em frente.  É a presença de Jesus desfrutada em meio aos remidos que o louvam, é esta convicção inabalável que me faz saber que em meio a luta e dor, eu posso estar em paz pois meu viver já coloquei nas mãos do Pai
E tem mais: não existe céu sem Jesus e não existe paz sem Jesus, pois a verdade de minha fé é que sem ele a riqueza do universo é sem valor
É por isso que não pergunto quando? Onde? Como? De que modo?  Apenas sou acalentado e me deixo embalar como um suave ir-e-vir de uma rede de dormir enquanto saboreio a antecipação do céu.
Assim, diante desta presença augusta onde posso desfrutar de toda sorte de bênçãos espirituais já agora, enquanto aguardo o grande dia do encontro da noiva com o noivo, em triunfante cortejo de glória eterna, mesmo certo de que em nós haverá de ser revelado algo de modo imensurável maior e melhor que os aperitivos do agora; eu continuo cantando:

O céu é aqui, se eu tomo tempo pra louvar
O céu é aqui, se eu me ajoelho para orar
O céu é aqui, se eu aprendi a perdoar
O céu é Jesus, e, onde ele estiver, o céu será ali.

terça-feira, 16 de maio de 2017

O ALFABETO HELÊNICO

O alfabeto grego (Ελληνικό ἀλφάβητο) foi desenvolvido por volta do século IX a.C.  Inicialmente, o grego foi escrito por meio de um silabário, utilizado em Creta e zonas da Grécia continental como Micenas ou Pilos entre os séculos XVI a.C. e XII a.C.  Daí se desenvolveu para as sucessivas famílias helênicas – inclusive o koiné usado no Novo Testamento bíblico e o grego moderno, sendo usado hoje em dia inclusive como notação em Matemática e Astronomia e outras ciências.

Veja no quadro a seguir um pouco deste universo linguístico. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

SOBRE FAMÍLIAS

A Bíblia começa afirmando que "no princípio criou Deus os céus e a terra" e é neste mesmo contexto que o texto sagrado nos diz que "não é bom que esteja só ... farei uma companheira".  O que nos dá claramente a entender que foi o próprio Deus quem primeiro idealizou a família.
Mas a família idealizada por Deus não uma organização etérea.  Ela existe dentro de um ambiente humano.  Com isto afirmamos que a família é um ideal divino dentro de construções humanas.  O que nos leva a compreender algumas lições importantes.
Como construção humana, a família está culturalmente condicionada; mas como ideal divino ela deve prover um ambiente que cumpra os seus objetivos de estabelecer mutualidade, companheirismo e fraternidade.  Como construção humana ela está sempre em processo e nunca definitivamente concluída; como ideal divino a família toma como modelo o relacionamento entre Cristo e a Igreja – puro e perfeito.
Sendo a família uma moeda de dupla face – humano-divina – devemos então compreender que é o próprio Cristo quem nos capacita para exercermos nossos papéis dentro do ambiente familiar.  Embora em outro contexto, mas as palavras de Paulo aos filipenses nos esclarece: "Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar" (Fl 2:13).
Neste mês de maio, quando refletimos sobre a família em seus várias aspectos e como devemos nos comportar nela, que sejamos impelidos a voltarmos nossas atenções a Deus que idealizou a família e nos colocou como seus agentes para a construção desta sociedade é que parte fundamental para a história humana.


terça-feira, 9 de maio de 2017

Conselhos bíblicos sobre adoração e culto – ABRAÃO OFERECE SEU FILHO

Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu um altar e sobre ele arrumou a lenha.  Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.  Então estendeu a mão e pegou a faca para sacrificar seu filho.  (...)  Abraão ergueu os olhos e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto.  Foi lá pegá-lo, e o sacrificou como holocausto em lugar do seu filho.
(Gn 22:9-13)


Abraão representa para nós a demonstração da bondade voluntária de Deus em escolhê-lo e em fazer aliança, bem como em ter ele sido provado e demonstrado que através da fé podemos ser aprovados pelo Senhor e ter nosso culto e adoração aceitos.  As lições da sua prova ao oferecer seu filho ao Senhor e de como Deus providenciou um substituto devem ser aprendidas por nós.
# Ouça a voz do Senhor e sempre procure obedecê-lo.  Mesmo que as instruções divinas possam parecer muito duras, lembre-se que nosso Deus é amoroso e não cruel e que seguir suas leis é sempre a melhor escolha (considere Mt 7:13-14).
# Cultive o hábito de a cada nova circunstância de sua vida oferecer um culto ao Senhor.  Não espere apenas os grandes momentos.  A cada dia adore-o com sinceridade.  Assim, quando as provações chegarem, a adoração já fará parte de seu modo de viver e será bem mais fácil superá-las (veja o Sl 34:1).
# Lembre-se de que Deus não precisa de seu culto e por isso não se satisfaz com qualquer coisa que é colocado sobre o altar.  Ele é dono de tudo (isso está dito em Sl 24:1).  Então ofereça a Deus o que você tem de melhor e o que ele requer de você (atenda a Pv 23:26).
# Estabeleça como centro do seu culto e de sua adoração o louvor pela obra de Cristo na cruz do Calvário.  Foi aquela morte que trouxe vida e liberdade a você.  Não permita que nada, nem ninguém, desvie a intenção e o conteúdo de sua adoração (sublinhe Hb 12:2).


sexta-feira, 5 de maio de 2017

PERMANEÇO NO FUNDAMENTO

Quando me perguntam se sou tradicional, com sinceridade, tenho dificuldade em responder.  Bem assim é, se a questão envolve ser conservador – também difícil.  Já quando se fala em ser saudosista, fundamentalista ou ortodoxo, confesso que a primeira resposta que me vem é dizer não! Mas com ressalvas! E explicações.
Reconheço que, de algum modo, todas estas palavras compartilham significados comuns, porém os detalhes semânticos e as conotações históricas que elas têm assumido ultimamente me fazem preterir um ou outro termo.
Já confessei que "Meu cristianismo não nasceu nesta geração!" e continuo entendendo da mesma maneira, porque é verdade.  Então, para deixar tudo mais claro, vou tentar expor algo sobre o tema.  Venha comigo.
Vamos começar citando a Bíblia – é a nossa regra de fé e prática.  E o texto que tomo como base é a ilustração das duas casas e dos dois fundamentos (no final do Sermão da Montanha em Mt 7).  Ali Jesus diz que ouvir e praticar seus ensinos é o fundamento para a proposta de vida que ele estava anunciando, e que hoje chamamos apropriadamente de vida cristã.
E, aprofundando mais, veja o que Paulo diz sobre o assunto: "Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3:11).  Mais: na carta de Pedro eu posso ler sobre Jesus Cristo: "Pelo que também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; e quem nela crer não será confundido" (1Pe 2:6).
Então que fique definido: Jesus Cristo, sua vida, ensino, exemplo e palavras, é o fundamento da minha fé.  E nele permaneço.
Mas aí é que começa o problema! Ao longo da história tantos e quantos leram e interpretaram as páginas sagradas de tantas e quantas formas diferentes que parece até ingenuidade esse tipo de afirmação.
E para piorar, têm os exemplos deploráveis da nossa história que nos fazem corar de vergonha.  Em nome da fé, marchamos para Jerusalém deixando um rastro de sangue pelo caminho.  Condenamos mulheres ditas infiéis na fogueira.  Matamos camponeses alemães.  Desterramos peregrinos na América.  Convertemos negros e índios à força.  Perpetuamos animosidades nas ilhas britânicas.  Justificamos a barbárie nazista.  E isso sem falar nos cristãos de hoje que revestem de sua crença num verdadeiro ódio aos diferentes.  Então vou parar a lista por que o gosto indigesto de sangue já está incomodando.
Mas, quer saber de uma coisa? Permaneço firme no fundamento.  Sei que às vezes é difícil lidar com essas heranças malditas que enlameiam nossa construção histórica daquilo que temos chamado de cristandade. 
Então me vejo olhando para trás e me forçando a continuar construindo com humildade e confissão penitente.  Aquilo tudo foram paredes levantadas sem que o alicerce fosse respeitado.  Então, apenas peço perdão e sigo adiante.
É verdade que há um outro lado na história, e só para lembrar sem deixar o texto muito cansativo, vou passar a palavra a Ariosvaldo Ramos:

Nós sempre propugnamos pela liberdade.  Nós impusemos a Carta Magna ao Principe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito.  Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos.  Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão.  Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.
Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos.  Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Retomando minha reflexão.

Sendo fiel ao fundamento: há verdades essenciais que herdamos junto com todos os cristãos – os latinos diziam: Cristus Dominus.  Há verdades que compartilhamos com irmãos reformados – ainda em latim, sola gratia.  Há ainda verdades que, como Batista me são caras – em bom português, o sacerdócio universal de todos os salvos.
Sei que cada um destes princípios fundamentais pode ser destrinchado e que eles compõem um quadro maior de crenças, mas com certeza, continuam estáveis no alicerce de minha vida e fé.
Assim, em resumo, mesmo envergonhado com manchas na história.  Não importa o que outros disseram ou fizeram: permaneço no fundamento – Jesus, autor e consumador de minha fé.


terça-feira, 2 de maio de 2017

A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA DOMINICAL

A Escola Bíblica Dominical (EBD) é peça fundamental no contexto da Educação cristã. Quando pensamos na educação como mecanismo de formação e aperfeiçoamento do caráter cristão, temos, depois do lar cristão, na EBD a melhor opção, sendo esta a única ferramenta da igreja local, voltada especificamente para esta finalidade.
Apesar de seu caráter opcional para o crente, a EBD como instrumento de ensino da igreja, não pode ser opcional. A EBD não pode ser um simples apêndice ou anexo na estrutura da igreja. Ela precisa ser o elemento ministrador do ensino bíblico sistemático na igreja. E este ensino, apesar de seguir um padrão metodológico, não perde a sua essência que está subordinada a orientação do Espírito Santo, quando seus professores são também dependentes do Espírito.
Alguns anos passados, algumas de nossas igrejas tinham mais matriculados na EBD que membros da igreja, estas igrejas usavam a Escola Bíblica como instrumento de obediência da Grande Comissão (Mt 28:19-20), onde evangelização e ensino caminhavam juntos e produziam o crescimento consistente da igreja. Podemos afirmar sem qualquer dúvida que recebemos das gerações anteriores este instrumento inspirado por Deus para propagação de seu Reino, e se nossa geração não o abraçar, certamente seremos cobrados pelo legado que estamos negando às próximas gerações.
A EBD é a maior e principal agencia de ensino da Igreja, pois nenhuma outra oferece um programa de estudo da Bíblia que seja sistemático e que alcance cada faixa etária com um currículo e com metodologias próprias para cada segmento. Este estudo sistemático e contextualizado é fundamental na formação espiritual do cristão e cria raízes profundas na vida de cada crente, forjando o caráter cristão com os fundamentos da doutrina bíblica.
Assim sendo, convidamos a todos para se juntar nesta jornada de crescimento cristão que acontece dominicalmente nas nossas classes da EBD.
Venha estudar conosco na EBD e “só a eternidade poderá revelar” os benefícios para sua vida espiritual.

Jader Cervino Nogueira
Diretor da EBD da PIBA – Primeira Igreja Batista de Aracaju
(Extraído do Boletim da Igreja)