sexta-feira, 28 de março de 2014

CAVANDO POÇOS

A água é um dos recursos mais preciosos na região que hoje chamamos Oriente Médio.  Na época dos patriarcas penso que mais ainda.  Quando Abraão, Isaque, Jacó e seus filhos andaram por aquelas terras, uma fonte confiável de água era certamente um bem inestimável e uma garantia de provisão, sobrevivência e prosperidade.
O livro de Gênesis nos conta que Abraão cavou poços, mas teve que disputá-los com Abimeleque, o rei dos filisteus (confira em Gn 21:22ss).  Anos mais tarde, seu filho Isaque se viu envolvido com a mesma questão da água e dos poços e os servos de Abimeleque.  Lendo o capítulo 26 de Gênesis o que mais me chama a atenção é que Isaque não somente reabriu as fontes que os filisteus tinham entulhado como repetidas vezes se mudou e cavou novos poços.
É desta atitude repetitiva e cansativa do patriarca diante das investidas dos seus adversários que quero tomar como modelo para minha vida quando também sou afrontado.
A primeira característica que transpareceu em Isaque neste episódio é que ele se mostrou um homem pacificador e humilde.  Mesmo sabendo que tinha sido seu pai que cavara os poços, ele não se constrangeu em mudar de lugar e cavar novamente.  São a homens como tais que Jesus os nomeou bem-aventurados por receberem a terra por herança e serem filhos de Deus (leia em Mt 5: 5 e 9).
Também Isaque se mostrou um homem de visão diferenciada.  Cavar um poço era atividade necessária, porém de risco.  Sem água só restaria a morte, mas nunca se tinha garantia de encontrá-la até se ter todo o trabalho de cavar e cavar.  Lá pelas tantas da história quando finalmente conseguiu um poço não disputado, o patriarca expressou sua capacidade de visão: agora o Senhor nos abriu espaço (em Gn 26:22).  Só quem enxerga a provisão de Deus pode se dá ao trabalho de cavar na certeza de que o Senhor vai abrir novos horizontes.
Uma terceira marca de Isaque era a determinação.  Nada o faria desistir de chegar a um veio seguro de água.  É importante também ressaltar que seu objetivo não estava em derrotar os filisteus, mas em conseguir água.  São os objetivos certos que tornam um servo de Cristo imbatível em suas conquistas.  Aqui devo apontar tanto a instrução aos Hebreus de ter sempre a Cristo como alvo (leia em Hb 12:2), quanto à advertência de que só estarão aptos para o Reino os que persistirem com determinação sem olhar para trás (vá a Lc 9:61).
É a um homem como este que o Senhor aparece e fala: não tema, porque estou com você; eu o abençoarei (em Gn 26:24).  E o texto prossegue com a atitude correta de Isaque.  Ao ver o resultado de seu trabalho (lembre de 1Co 15:58) e a promessa divina refeita, Isaque construiu um altar e invocou o nome do Senhor.  Tudo o que faço deve me conduzir à adoração (lembre também de Rm 11:36).
E o texto termina: ali armou acampamento, e seus servos cavaram outro poço (em Gn 26:25).

(publicado pela primeira vez em 12/11/2010 no sítio ibsolnascente.blogspot.com)

terça-feira, 25 de março de 2014

Sete conselhos bíblicos sobre a AMIZADE

Uma das maiores glórias que o Senhor Jesus nos outorga é o privilegio de nos considerar amigos.  Embora ainda continue havendo uma gigante e significativa diferença entre o Senhor Todo-Poderoso e nós seus servos – e a amizade não invalida tais diferenças, mas são estabelecidas apesar delas
Jesus disse: Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que seu senhor faz.  Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes dei conhecimento (Jo 15:14)
E com esta amizade profunda e verdadeira em mente devemos aplicar em nossas vidas as lições aprendidas aqui.
a) Entenda a diferença entre os amigos verdadeiros e aqueles que se aproximam por interesse.  E estabeleça para sua vida sempre um compromisso de amizades mais achegadas que irmãos (considere sempre Pv 18:24).
b) Não seja bajulador, insensível ou fingido (aplique Rm 12:9). 
c) Quando firmar uma amizade sincera e verdadeira, que ela seja profunda e duradoura (lembre-se de Pv 17:11).
d) Mesmo diante dos inimigos, não deixe de mostrar uma atitude cristã (veja que Paulo cita Pv 25:21-22 em Rm 12:20).
e) Tenha sempre uma palavra doce e agradável para dizer.  É isto que mantém e alimenta a amizade (ainda leia Pv 27:9).
f) Quando tiver que corrigir um amigo, faça-o com amor e delicadeza, isto é lealdade e prova de verdadeira amizade (coloque lado a lado Pv 27:6 e 1Co 16:14).
g) Assim como Jesus nos considerou seus amigos, faça as alianças de suas amizades também baseadas no Senhor (cito a aliança de Davi e Jônatas e as palavras de Jesus em Jo 15:14).

(Lá em cima, na imagem, os eternos amigos: Cebolinha e Cascão.  Da obra do genial brasileiro Maurício de Souza)

sexta-feira, 21 de março de 2014

AGINDO EU

No capítulo 43 do livro da profecia de Isaías, o Senhor se apresenta como o único salvador de Israel.  A palavra de Deus foi dirigida originalmente àqueles que estariam exilados mas que deveriam manter a esperança na ação divina em resgatá-los (veja o verso 1º).  No contexto temos uma visão comparativa entre o verdadeiro Deus que criou Jacó e agiu em sua história e outros deuses estrangeiros.
A citação profética termina de maneira triunfante com o próprio Senhor questionando: Agindo eu, quem o pode desfazer? (no verso 13).
Neste momento então, quero tomar a citação do profeta para reafirmar minha fé inquestionável naquilo que o Senhor tem a realizar na sua Igreja.  Veja o que esta argumentação tem a nos dizer.
Em primeiro lugar, no texto o próprio Deus se apresenta.  Com isso deixa claro dois aspectos.  De um lado Deus é o Todo-Poderoso.  Ele diz: Eu, eu mesmo, sou o Senhor, e além de mim não há salvador algum (verso 11).  Deus é o que detém poder e autoridade suprema e não há poder na criação que se rivalize a Ele.
Diante dos questionamentos de Jó, o Senhor desafia o patriarca a responder sobre quem faz todas as coisas (leia os capítulos 38 a 40 – em especial o verso 40:1).  Ainda Paulo reconhece que ele é o transcendente Rei dos reis e Senhor dos senhores (em 1Tm 6:15-16).
Mas este Deus Todo-Poderoso é também o que se revela, se dá a conhecer (vejo o verso 12).  O Deus exaltado em glória desce para se mostrar ao seu povo e realizar maravilhas em seu meio.  E mais: o povo é testemunha!
Num contexto semelhante, Jeremias anuncia que Deus está ao alcance do clamor de seus filhos (não se esqueça de Jr 33:3).  Mas é no NT que a revelação máxima de Deus foi entregue aos seres humanos: João na introdução de seu evangelho diz: Vimos a sua glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (Jo 1:14).
Há ainda outro aspecto. Mais uma verdade que deve ser extraída da profecia: o Todo-Poderoso revelado tem uma vontade específica para o seu povo, e a executa.  Quanto a isso é bom reafirmar que a vontade de Deus sempre se cumpre; não há nada que possa impedir o seu livre agir.
Volto a Jó.  Depois de seus questionamentos, ele foi convencido de que nenhum dos planos divinos pode ser frustrado (em Jó 42:2).  O patriarca aprendeu na experiência que diante da vontade soberana de Deus em cumprir os seus planos, não há força que o detenha.  O próprio Jesus vai declarar com ênfase que todo o poder lhe foi dado no céu e na terra (leia Mt 28:18).  Ora, quem tem todo o poder, pode fazer o que quer!
Contudo, sobre a vontade de Deus não podemos deixar de ler na Bíblia que ela é agradável e perfeita.  Tiago já nos diz que tudo de bom vem de lá (no verso de Tg 1:17).  Ou seja, se há algo de bom em nossa vida e em nossa igreja, com certeza a origem é divina.  E mais: Paulo afirma que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (em Rm 12:2).
Assim, voltando ao método comparativo sugerido pelo profeta, podemos declarar hoje, quando vislumbramos o agir soberano de Deus, que sem dúvida ele fará sobressair a sua vontade – porque tem poder para isso – e tal vontade será o melhor que poderemos esperar – porque ele não se contradiz.  E louvaremos a Cristo pela vitória.

(Publicado pela primeira vez no sítio http://ibsolnascente.blogspot.com em 03/07/2009, aqui com a devida contextualização)

terça-feira, 18 de março de 2014

Parábola das coisas – O ESPELHO

Publiquei recentemente uma reflexão sobre a imagem de Deus que havia escrito em 2009.  Desde então venho pensando sobre o espelho em si e nas possíveis lições que ele pode nos trazer.  Como simples coisa do nosso cotidiano, o espelho pode nos ensinar muito.  Basta olhar para ele mais acuradamente – gostei deste jogo de palavras e significados.
Reflexos, espelhos, olhares, ideias, imagens.  Observou? Este é o nosso mundo.  Vivemos entre as palavras e as imagens.  Elas parecem que não somente contam o que é o nosso mundo mas também dão forma e conteúdo a ele.  Talvez seja por isso que estou com dificuldades em transformar em texto as ideias que o espelho está me evocando.
Mas vamos lá em primeiro lugar à definição, para depois ver o que podemos aprender.
O que chamamos de espelho é toda superfície polida e plana (ou não) que reflete as imagens que estão diante dele.  Note que a principal característica da coisa é: capacidade de refletir, devolver a imagem daquilo que está diante dele.  Mas note também que aspectos como material, forma, dimensão ou coloração não define algo como espelho, embora possam influenciar no resultado final daquilo que o espelho vem a ser em sua essência: uma coisa que reflete imagens.
Então vamos ligar a compreensão de espelho com a convicção de que fomos criados para sermos a imagem de Deus.  Para refletirmos quem ele é.  Exatamente.
Sei que aqui caberia uma interessante discussão teológica sobre a imagem degradada pelo pecado e restaurada em Cristo Jesus, mas não vou me aprofundar por estas sendas.  Para mim, por agora basta pontuar dois aspectos:
Primeiro, como disse lá em cima, a forma é irrelevante para me definir como espelho que reflete Deus.  Se sou baixo ou alto; magro ou gordo; preto, branco, azul ou verde não importa, isto é apenas a moldura do espelho.
Segundo, para devolver uma imagem límpida, sem distorção e clara de Deus eu preciso apenas ser fiel em mostrar o que ele é.  Afinal, espelho bom é aquele que apenas reflete a imagem do jeito que é (o resto é Photoshop).
Espelho é isso.  E que isso aconteça comigo, refletindo Deus e sua glória

sexta-feira, 14 de março de 2014

QUEM ADORA AO SENHOR?

O Deus Santo e Todo Poderoso, amoroso e compassivo é o Deus que é reverenciado na adoração cristã.  Ele criou os céus e se encarnou em Jesus Cristo.  Assim, por estes atributos não pode ser adorado por qualquer ser humano.  Logo, posso questionar:  Quem são as mulheres e homens que comparecem diante de Deus para adorá-lo?  Como identificar o povo que em verdade presta culto ao Senhor?
Vamos à Bíblia procurando respostas...
O Sl 24 me dá a primeira indicação.  Depois de levantar o mesmo questionamento que fiz acima, o salmista responde: Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente.  O povo que comparece no lugar santo para cultuar a Deus é aquele que já foi limpo pelo próprio Senhor e traz na alma o espírito de humildade perante a face sagrada do Rei a quem louva.  Para cultuar a Deus, cada um no meio do povo precisa ter a sua vida lavada pelo sangue do Cordeiro.
Outra indicação vem das palavras de Jesus.  Ele diz que no meio de dois ou três que se reunam em seu nome, ali ele se faria presente (Mt 18:20).  A gente que se reúne e faz desta reunião um verdadeiro culto ao Senhor, é aquela que o faz no nome de Jesus.  Toda reunião só será culto e adoração – mesmo que de crentes! – se esta for feita em nome de Cristo Jesus.  Se não for assim, será apenas um punhado de pessoas, ou qualquer coisa, menos culto e louvor a Jesus.
Que Deus nos conceda estar limpos e humildes na presença de Jesus e em nome dele reunidos a cada semana para podermos verdadeiramente cultuar e adorar ao nosso Deus.

terça-feira, 11 de março de 2014

Cinco conselhos bíblicos sobre a JUSTIÇA

Sabemos pela Bíblia que é do Senhor que procede a justiça (leia em Pv 29:26) e que por isso mesmo a vida do servo de Cristo tem que ser resultado da graça que o faz justificável diante de Deus (leia em Rm 4:25) e deve demonstrar em todos os momentos a justiça divina como uma luz que brilha e aponta para a própria glória de Deus (leia no Sermão da Montanha em Mt 5:13).
Com estes ensinamentos em mente, devemos aplicá-los em nossa vida prática para que nos tornemos santos e justos (a expressão em Fl 2:15 é irrepreensível na tradução costumeira, mas que pode ser entendida como justo a partir do contexto).
a) Comece compreendendo que a sua justiça é dádiva de Deus (confira em 2Co 5:21) e procure viver na dependência dele.
b) Faça da justiça um estilo de vida – uma vereda – e não apenas o acúmulo de atitudes justas (lembre ainda de Pv 15:19).
c) Demonstre em todas as suas ações ser sua justiça maior que a do mundo ao seu redor, por ela resultar de um coração justo (considere a oração que está em Ef 3:14-19).
d) Procure excluir de sua vida atitudes que ferem a justiça divina.  Não dê espaço para subornos (veja Pv 17:23) nem para julgamentos e avaliações tendenciosas (veja também Pv 20:23).
e) Louve sempre o Senhor – e produza a mesma atitude nos outros – com a sua justiça, pois isso o agrada (considere lado a lado Pv 21:3 e Mt 5:13).