sexta-feira, 21 de setembro de 2018

APRENDENDO COM O PRIMEIRO CASAL


O texto que tomo como base para esta reflexão é Gn 3:8 – Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
A lição aprendida com o primeiro casal deve ser o ponto de partida para toda nossa compreensão da adoração e do culto hoje.
A essência do relacionamento entre a divindade e a humanidade que encontro demonstrada nas narrativas do paraíso não está na forma ou estrutura cultual – lá não existe liturgia ou sacerdócio. O primordial que é destacado está no encontro.
Veja o que posso então aprender em relação a nossa adoração a partir desta compreensão bíblica.
Primeiramente que na intenção original de Deus ao criar os seres humanos está a glorificação do próprio Senhor (leia Is 43:7). E isto era o que acontecia com regularidade no Éden. Antes do pecado não havia necessidade de intermediários entre o Criador e as suas criaturas, logo a glória divina podia ser contemplada e exaltada diretamente.
Aqui destaco o encontro. Toda a adoração e culto que o ser humano presta ao Deus verdadeiro deve se iniciar com um encontro real entre eles.
Lembre-se de que Jesus veio para se encontrar com os que eram seus, mas como isso não aconteceu, a possibilidade de encontro foi ampliada para quem quisesse recebê-lo (este é o sentido de Jo 1:11-13).
Sendo criados exclusivamente para a glória de Deus, homens e mulheres só voltarão a experimentar das delícias do paraíso com a companhia divina. Sem um encontro com Deus não há adoração e não há culto. Disto todos sentimos falta enquanto vivemos esta vida natural, e isto o culto tem que proporcionar: um encontro verdadeiro com o Deus verdadeiro.
Em segundo lugar aprendo que no meio do jardim o homem e sua mulher detectaram a presença de Deus de forma bem nítida e clara (é verdade que depois do pecado esta percepção tornou-se assustadora para o casal). Deus demonstra que também tem prazer no encontro como suas criaturas. Ao colocar sua imagem no ser humano ele indica que pretende se relacionar de maneira mais direta com eles – daí a busca pelo encontro.
Deus sempre procura suas criaturas prediletas, mesmo que estas estejam escondidas (como fez na parábola da ovelha perdida em Lc 15:1-7). E mais, nesta busca pelo encontro, o Senhor dar-se a conhecer, mostra-se perceptível, deixa clara sua intenção de encontrar-se com o primeiro casal.
Assim a adoração e o culto devem ser uma resposta a esta iniciativa do Senhor em buscar o encontro. Adoramos e cultuamos quando percebemos claramente quem é o Deus que com a sua voz, naquele lugar e momento nos chama ao encontro com ele mesmo; e percebendo desta forma, respondemos a ele.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Sobre ministério pastoral


Recentemente a acadêmica Taynara Barreto, curso de Jornalismo da UFS – Universidade Federal de Sergipe, me procurou. Para atender a requisitos estudantis precisava fazer algumas perguntas. Foi um privilégio participar.
Com a devida autorização, reproduzo aqui perguntas e respostas.

Como funciona a organização da Igreja? (Hierarquia)
Numa igreja Batista não há hierarquia propriamente dita. Todos os membros regulares têm iguais direitos e responsabilidades. Aqui se vive o princípio de “um membro, um voto”. Todos podem falar e decidir sobre questões administrativas. Há liderança que ajuda a conduzir o povo, principalmente nas questões de cunho espiritual.

É necessário ter algum conhecimento específico para ser pastor? Qual? Como funciona esse aprendizado?
As igrejas batistas mantêm Seminários onde os candidatos ao pastorado podem estudar e se preparar para melhor exercerem as funções pastorais. Os cursos de Teologia oferecidos vão desde ensino médio até pós-graduação. Porém em geral as próprias comunidades podem escolher livremente suas lideranças.

Em que momento decidiu ser pastor? Por qual motivo? Quais os acontecimentos políticos e sociais que estavam acontecendo na época?
A minha escolha pelo ministério pastoral se deu no final de minha adolescência. Desde muito cedo eu sabia que me envolveria com trabalho eclesiástico, espiritual e pastoral, mas foi somente ao final do curso médio (2º grau) que entendi de Deus que deveria estudar e me preparar melhor para a vida ministerial.

Na família, mais alguém é pastor? Diria que houve influência, ainda que indireta, para essa decisão?
Na minha família, há uma linhagem e lista bem significativa de pastores e líderes eclesiásticos. Sobre a influência: claro que sempre há. Mas eu destacaria o termo: influência indireta. Em cada caso a decisão é sempre uma resposta pessoal à vocação.

Sempre foi dessa religião? Se não, qual a outra e por que mudou?
Sou de família tradicional evangélica/batista já de algumas gerações. Como se costuma dizer: eu nasci na igreja!

Como pastor, seu comportamento difere dos demais membros da igreja? De que forma?
Compreendendo a igreja na metáfora do corpo – foi o apóstolo Paulo quem a usou – cada membro tem uma função e tarefa a desempenhar para que o corpo funcione adequadamente. Assim, como pastor, tenho atribuições que me são peculiares que implicam nas ministrações de prédica, acompanhamento do rebanho, amparo e suporte espiritual, entre outros.

Ser pastor é uma vocação ou uma profissão?
De modo bem direto: em primeiro lugar é uma vocação. A resposta tem de ser dada nesta perspectiva. Mas acaba também se tornando uma profissão.

Como são tomadas as decisões importantes para a Igreja? Existe alguma reunião com todos os membros, por exemplo?
Como já citei lá na primeira pergunta, as decisões administrativas são tomadas dando-se ouvido a todos os membros regulares da igreja. Para isso temos reuniões administrativas periódicas onde tais decisões podem ser debatidas e decididas. Mas circunstancialmente também é possível se utilizar de outros mecanismos de consulta e decisão.

Em sua opinião, quais as principais situações vividas que influenciam o indivíduo a se tornar pastor?
O ponto principal é a consciência espiritual de vocação. Homens e mulheres precisam ter isso bem definido. Sem tal certeza vocacional a coisa não funciona. É aquela certeza de que foi Deus que o escolheu para a tarefa que o move em direção ao ministério. Mas outros instrumentos que ajudam a confirmação, como a orientação de outros pastores que atuam no ministério, o apoio da igreja e comunidade local e espírito e desejo de liderança e serviço por exemplo.



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

PENSEM NESSAS COISAS


O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos de Filipos, dá a seguinte instrução:

Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro,
tudo o que for nobre,
tudo o que for correto,
tudo o que for puro,
tudo o que for amável,
tudo o que for de boa fama,
se houver algo de excelente ou digno de louvor,
pensem nessas coisas
.
(Fl 4:8 – NVI)

Vamos detalhar um pouco cada palavra:

Verdadeiroἀληθής – confiável, sincero, genuíno – também em Jo 19:35 e 1Pe 5:12
  • Jesus, falando aos seus discípulos, se apresentou assim: “Eu sou a verdade” (confira Jo 14:6). Pense na Verdade.

Nobreσεμνός – digno de respeito, sério, acima de reprovação – também em Tt 2:2
  • Através do profeta, o Senhor exige silêncio nobre e respeitoso diante de sua presença (leia em Hc 2:20). Pense na Dignidade.

Corretoδίκαιος – reto, justo, equânime – também em Mt 13:43 e 2Tm 4:8
  • Também é pelo profeta que o Senhor declara sua essência imutável, justa e correta (em Ml 3:6 e também Jr 23:6). Pense na Justiça.

Puroἁγνός – santo, casto, inocente – também em 2Co 7:11
  • Pedro repete a declaração lida no AT que Deus é santo e é o nosso padrão (1Pe 1:16 citando Lv 11:44 – confira ainda Is 5:16). Pense na Santidade.

Amávelπροσφιλής – aceitável, agradável – somente aqui no NT grego
  • É bem conhecida a declaração de João em sua primeira carta: “Deus é amor” (lá em 1Jo 4:8). Pense no Amor.

Boa fama – εὔφημος – digno de louvor, atrativo – somente aqui no NT grego
  • A conduta de Jesus era irretocável e conhecida de todos a ponto de ele poder enquadrar seus opositores (ateste em Jo 8:46). Pense no Irrepreensível.

Excelente – ἀρετή – virtuoso, disposto a fazer o bem – também em 2Pe 1:5
  • Um dos atributos divinos mais citados nos Salmo é que Deus é bom (veja por exemplo Sl 25:8 / 73:1 / 145:9). Pense na Bondade.

Digno de louvor – ἕπαινος – aprovado, reconhecido – também em Ef 1:6 e 1Co 4:5
  • Apocalipse é enfático em afirmar que somente o que está sentado no trono e o Cordeiro são dignos de louvor e adoração (nunca se esqueça de Ap 5:13). Pense no Adorado.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

O DESTINO DOS APÓSTOLOS


Os Evangelhos dizem que entre seus discípulos, Jesus escolheu doze e os designou para serem apóstolos (no grego: μαθητής – discípulos e ἀπόστολος – apóstolos – confira Mt 10:1-4; Mc 3:13-19 e Lc 6:12-16).
Seguindo a ordem como Mateus apresenta, vejamos um pouco sobre cada um deles e o destino que tiveram.

Simão PedroΣίμων Πέτρος – o nome original dele era apenas Simão. Jesus o apelidou de Pedro (veja Jo 1:42 – no aramaico: כיפא Cefas) por seu temperamento duro. Era gagileu e deve ter morrido em Roma sob a perseguição de Nero.
AndréἈνδρέας – era irmão de Simão Pedro. Depois de evangelizar por regiões da Ásia Menor e Grécia, fixou-se em Bizâncio (hoje Istambul) onde fundou a igreja ali. Conta a tradição que morreu em uma cruz em forma de “X”.
TiagoἸάκωβος – o primeiro dos filhos de Zebedeu. A tradição o chama de Tiago Maior. Jesus chamou os dois irmãos de Boanerges (veja Mc 3:17), que quer dizer: filhos do trovão, por causa do temperamento altivo e zelo. A sua morte foi ordenada por Herodes (confira At 12:1-2).
JoãoἸωάννης – o outro dos filhos de Zebedeu. Provavelmente o mais novo dos apóstolos. Seu nome está ligado ao Evangelho, a três cartas e ao livro de Apocalipse no Novo Testamento. Policarpo, seu discípulo, atesta que ele faleceu em Éfeso no ano 103 com 94 anos.
FilipeΦίλιππος – era natural de Betsaida, na Galileia e apresentou Natanael a Jesus. Diz a tradição que foi casado e teve duas filhas. Desenvolveu seu ministério no norte da África e na Ásia Menor, onde deve ter sido executado.
BartolomeuΒαρθολομαῖος – a única citação dele no Novo Testamento é na relação dos doze. Mas a tradição o associa ao nome de Natanael. Por relatos antigos, diz-se que ele viajou e pregou na Armênia, Etiópia e Arábia.
ToméΘωμᾶς – ficou conhecido como o discípulo incrédulo (veja o episódio em Jo 20:24-25). Foi um dos ativos pregadores em direção ao leste, fundando igrejas na Síria e na Índia, onde sofreu martírio.
MateusΜαθθαῖος – coletor de impostos que Jesus encontrou em Cafarnaum (veja Mt 9:9). Também conhecido como Levi. Desenvolveu seu ministério na Pérsia e na Etiópia, onde foi apunhalado e morto. Foi o escritor de um dos Evangelhos do Novo Testamento.
Tiago Ἰάκωβος – o Novo Testamento indica este como filho de Alfeu para o diferenciar do outro. A tradição chama de Tiago Menor. Levou o seu ministério para as regiões da Síria, onde foi apedrejado.
TadeuΘαδδαῖος – ficou conhecido por esse nome para diferenciar do outro Judas. Foi martirizado a machado por autoridades persas, depois de ter pregado na Judeia, Samaria e Mesopotâmia.
SimãoΣίμων – também para diferenciar de Simão Pedro, esse ficou conhecido Zelote, provavelmente por estar ligado ao grupo judaico radical assim chamado. Foi martirizado a mando do imperador Trajano por se recusar a adorar o deus-sol.
Judas Iscariotes – Ἰούδας ὁ Ἰσκαριώτης – o apóstolo traidor. Suicidou-se por enforcamento (confira Mt 27:5).

OUTROS NOMES DO NOVO TESTAMENTO –

Paulo – Παῦλος – unanimemente reconhecido em toda a cristandade como apóstolo. Seu nome original era Saulo (em hebraico: שאול), mas ele passou a usar o romanizado Paulo ao iniciar sua jornada missionária. Prisioneiro em Roma, morreu decapitado.
Matias – Μαθθίας – escolhido para ocupar o lugar de Judas depois de sua morte. Judeu de nascimento, pouco se fala sobre ele. Há informações de ele ter pregado tanto na Judeia, quanto na Etiópia e na Geórgia, nos limites da atual Rússia.



terça-feira, 4 de setembro de 2018

100 nomes que todo evangélico brasileiro precisa conhecer – 2ª parte

Vamos continuar com a lista dos 100 nomes que entendo que todo cristão evangélico brasileiro precisa conhecer. Só relembrando: aqui apresento em ordem alfabética (veja aqui a primeira parte dessa listalink).

Johann Sebastian Bach (1685-1750) – Alemanha – Músico luterano, compositor, multi-instrumentista, professor, cantor e maestro. Na posteridade tornou-se conhecido como o quinto evangelista pela espiritualidade, piedade, devoção e fervor de sua música.
John Bunyan (1628-1688) – Inglaterra – Teólogo batista, pregador e romancista. Autor de O Peregrino (em inglês: The Pilgrim's Progress), provavelmente a alegoria cristã mais conhecida em todos os tempos.
John Smyth (1570-1612) – Inglaterra – Considerado um dos fundadores da igreja batista moderna ao defender a necessidade do batismo adulto e consciente dos crentes.
John Stott (1921-2011) – Inglaterra – Pastor e teólogo anglicano. Um dos principais formuladores da fé cristã no século XX. Em 2005 foi considerado pela Revista norte-americana Time entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.
John Wesley (1703-1794) – Inglaterra / EUA – Líder do movimento metodista e um dos principais avivalistas do século XVIII.
Jonatan Edward (1703-1758) – EUA – Pregador e missionário congregacional, também considerado um dos maiores pensadores norte-americanos do século XVIII.
José Manuel da Conceição (1822-1873) – Brasil – Ex-sacerdote católico-romano. Ingressou na Igreja Presbiteriana do Brasil e tornou-se o primeiro pastor evangélico brasileiro.
José Rego do Nascimento (1922-2016) – Brasil – Pastor batista. Um dos principais líderes do movimento de renovação espiritual a partir dos anos 1960 e da Convenção Batista Nacional.
Júlio Andrade Ferreira (1912-2001) – Brasil – Pastor, escritor e teólogo presbiteriano. Foi fundador da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE).
Justino Mártir (100-165) – Cisjordânia / Roma – Um dos primeiros cristãos a usar a apologética racional para defender o cristianismo frente aos ataques da filosofia.
Karl Barth (1886-1968) – Suíça – Teólogo Reformado. Um dos principais pensadores do início do século XX. Usou sua teologia para desafiar a igreja a se opor ao regime nazista. A principal obra literária é o comentário à Carta aos Romanos.
Luigi Francescon (1866-1964) – Itália / EUA / Brasil – Fundador da Congregação Cristã no Brasil, além de outras igrejas e comunidades de linha pentecostal na América e Itália.
Marcolina Magalhães (1909-1988) – Brasil – Primeira missionária batista nomeada pela Junta de Missões Nacionais. Fundou escolas e igrejas no centro do Brasil (principalmente em Tocantins).
Mário Barreto França (1909-1983) – Brasil – Poeta, professor e militar. Publicou mais de uma dezena de livros e é considerado uma dos mais influentes poetas evangélicos brasileiros.
Martin Luther King Jr. (1929-1968) – EUA – Pastor batista. Ativista político e defensor dos direitos civis. Ganhou o Prêmio Nobel em 1964.
Martinho Lutero (1483-1546) – Alemanha – Principal e mais conhecido reformador da igreja no século XVI. Entre as ênfases de sua obra e pregação está a suficiência da graça de Cristo. É dele a primeira tradução da Bíblia para o alemão.
Menno Simons (1468-1561) – Holanda – Convertido aos anabatistas, liderou e influenciou um movimento de reforma no centro da Europa.
Myrtes Mathias (1933-1996) – Brasil – Poetisa evangélica brasileira. Seus poemas sacros são reconhecidos no Brasil e internacionalmente.
Nicolau Zinzerdorf (1700-1760) – Alemanha – Reformador religioso e líder da Igreja Morávia. Escreveu diversos hinos e sermões e influenciou o surgimento do pietismo alemão.
Nílson do Amaral Fanini (1932-2009) – Brasil – Pastor batista. Por mais de quatro décadas, líder evangélico no Brasil. Foi presidente da Aliança Batista Mundial.
Oral Roberts (1918-2009) – EUA – Um dos mais notáveis pregadores e televangelistas pentecostais. Fundou escolas e universidades.
Paul Tillich (1886-1965) – Alemanha / EUA – Um dos mais influentes teólogos acadêmicos do século XX. Entre suas principais obras estão: A Coragem de Ser e Teologia Sistemática.
Paulo Leivas Macalão (1903-1982) – Brasil – Pioneiro pastor da Igreja Assembleia de Deus. Fundador do Ministério Madureira. Pregador e compositor, participando na formação da Harpa Cristã.
Pelágio da Bretanha (350-423) – Britânia (Inglaterra) – Monge ascético que defendia que a salvação humana era de inteira responsabilidade do próprio ser humano.
Philip Jacob Spener (1635-1705) – Alemanha – Luterano ortodoxo, é considerado um dos pais do pietismo protestante por sua pregação contra o que ele considerava ser o cristianismo decadente de sua época.
Phineas F. Breese (1838-1915) – EUA – Teólogo, professor e pastor. Considerado o principal responsável pela fundação da Igreja do Nazareno.
Policarpo de Esmirna (69-155) – Ásia Menor – Discípulo direto do apóstolo João, de quem foi sucessor. Morreu martirizado.
Robert Kalley (1809-1888) – Escócia / Brasil – Missionário e fundador da Igreja Presbiteriana em Funchal/Portugal e da Igreja Evangélica Fluminense.
Robinson Cavalcanti (1956-2005) – Brasil – Bispo Episcopal Anglicano. Foi professor, pregador, escritor e influente pensador protestante brasileiro.
Rosalee M. Appleby (1895–1991) – EUA / Brasil – Missionária batista. Uma das principais influenciadoras da Renovação Espiritual dos anos de 1960.
Rubem Alves (1933-2014) – Brasil – Pastor presbiteriano. Destacou-se como educador, escritor, poeta e psicanalista. Um dos primeiros a refletir sobre a Teologia da Libertação.
Russell Shedd (1929-2016) – Bolívia / Brasil – Filho de missionários da Missão Batista Conservadora. Também veio ao Brasil como missionário. Tornou-se um mais influentes biblistas e professores evangélicos.
Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) – Polônia / Brasil – Judeu convertido ao cristianismo. Como líder batista, fundou diversas igrejas e seminários no Brasil. Também foi responsável pela criação do Cantor Cristão e de O Jornal Batista.
Sérgio Pimenta (1954-1987) – Brasil – Um dos principais compositores cristãos brasileiros, com mais de 300 composições. Foi também responsável pela renovação musical e litúrgica evangélica no Brasil dos anos 1970 e 1980.
Simão Teólogo (949-1022) – Grécia – Monge, poeta e músico carismático ligado à Igreja Ortodoxa. Notabilizou-se por seus estudos bíblicos e seus relatos sobre experiências espirituais e dons.
Søren Kierkegaard (1813-1855) – Dinamarca – Teólogo, poeta, crítico social e filósofo existencialista. Seu trabalho buscou respostas para a angústia e o desespero humano.
Tácito da Gama Leite Filho (1951-2011) – Brasil – Pastor, escritor, filósofo, pensador e influente líder batista e metodista.
Teodoro de Beza (1519-1605) – Suíça – Discípulo de Calvino a quem sucedeu na liderança da Igreja Reformada em Genebra.
Tertuliano de Cartago (160-220) – Cartago (África) – O primeiro e mais prolífico autor latino da igreja. Foi o primeiro a usar o termo Trindade para se referir ao Deus cristão.
Tomás Cranmer (1489-1556) – Inglaterra – Arcebispo anglicano de Cantuária e líder da reforma da Inglaterra. Escreveu e compilou as primeiras edições do Livro de Oração Comum.
Tomás de Aquino (1225-1274) – Itália – Principal doutor e sistematizador da doutrina cristã na Idade Média. Também é um importante intérprete da filosofia de Aristóteles. Sua obra principal é a Suma Teológica.
Tomás de Kempis (1380-1471) – Alemanha – Em seu livro mais conhecido, Imitação de Cristo (quatro volumes), ele desafia a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.
Ulrich Zwinglio (1484-1531) – Suíça – Teólogo e um dos principais líderes da Reforma Protestante da Suíça. Preocupou-se, em sua teologia, com a salvação de seu povo.
Waldemiro Tymchak (1937-2007) – Brasil – Pastor batista, missionário e evangelista. Foi um dos missiólogos mais destacados do século XX.
William Booth (1829-1912) – Inglaterra – Filantropo e pregador de origem metodista. Foi o fundador e primeiro general do Exército da Salvação.
William Buck Bagby (1855-1939) – EUA / Brasil – Missionário pioneiro que fundou a Primeira Igreja Batista na Bahia e a no Rio de Janeiro, além de outras sete igrejas. É também um dos principais influenciadores na criação da Convenção Batista Brasileira.
William Carey (1761-1834) – Inglaterra / Índia – Considerado o “pai das missões modernas”. Realizou trabalhos sociais e de evangelização. É um dos fundadores da Sociedade Batista Missionaria de Londres.
William Edwin Entzminger (1859-1930) – EUA / Brasil – Um dos pioneiros do trabalho evangelístico batista no Brasil. Foi também músico editor e diplomata.
Zacarias Clay Taylor (1851-1919) – EUA / Brasil – Pastor e missionário batista. Participou na fundação da Primeira Igreja Batista na Bahia.
Zênia Birzniek (1917-2012) – Letônia / Brasil – Enfermeira e missionária batista. Atuou no interior nordestino (principalmente em Sergipe) abrindo igrejas e cuidando da saúde.

Sei que a lista não completa nem definitiva, até eu mesmo já senti falta de alguns nomes que poderiam enriquecê-la.  Se você quiser acrescentar com alguém que ainda precisaria ser citado: contribua.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

COMO TRATAR O PECADO?


No último domingo, celebramos em nossa Congregação a Ceia do Senhor. E como costumo dizer, dia de celebração de Ceia é dia de dizer as mesmas coisas… de novo… e de novo… Assim tem de ser, pois Ceia é memorial. Então, para lembrar, repete-se as mesmas histórias, as mesmas afirmações, as mesmas crenças. E toda a celebração se enche de significado e vida.
Mas, onde entra o pecado nessa conversa? – até para justificar o título lá em cima!
Eu até confesso que pecado não é meu assunto preferido para falar. Mas, fazer o quê!? Está na Bíblia, e não tenho como fugir dessa realidade.
Paulo, escrevendo aos cristãos da Igreja de Roma, afirmou que todos pecaram e por isso estão destituídos da graça de Deus (confira Rm 3:23).
Permita-me logo duas observações sobre os verbos encontrados na língua original do texto apostólico. 1. O primeiro verbo ali usado deve ser traduzido mesmo como pecar, mirar num alvo errado – o mesmo verbo que Lucas usa para se referir a atitude do filho pródigo em Lc 15:18; e 2. O outro permite conceitos mais amplos, porém todos implicando em falta, carência e exclusão – na mesma parábola contada no Evangelho, é o que o garoto começou a sentir depois de ter desperdiçado a herança, em Lc 15:14.
Nessa perspectiva, é certo dizer que pecado, não somente é uma infeliz realidade espiritual, como também que provoca carências na alma que por si mesmas são incuráveis.
E foi e com essa certeza que celebramos a Ceia do Senhor. Se o pecado é real e um mal incurável por esforços humanos (a carência e vazio são gigantescos!), como remediá-lo sob a ótica da cruz que rememoramos na Ceia cristã? Como tratar o pecado? Que fazer com ele?
Então fomos buscar na Bíblia exemplos e lições que nos guiassem. E pelo menos três atitudes se mostraram possíveis – duas trágicas e uma recomendável. Vamos a elas:
A primeira atitude em relação ao pecado foi a de Judas Iscariotes. Tomado de profundo remorso e tristeza, ele tentou por si só desfazer a besteira que tinha feito, devolvendo o dinheiro da traição. Como não foi possível – nunca é! – ele acabou se enforcando (leia em Mt 27:5). Uma tragédia.
Outra atitude também de fim trágico foi a dos filhos do sacerdote Eli. O texto bíblico os descreve como não se importando com as coisas do Senhor (vá a 1Sm 2:12-17). E essa postura de desleixo, desprezo e descuido com o sagrado, como se o pecado realmente não provocasse nenhuma consequência, deu lugar à sentença divina.
Mas há a atitude do rei Davi. Essa sim deve servir de modelo e parâmetro para nossa ação em relação ao pecado. Depois de ser confrontado pelo profeta Natã em relação ao seu pecado de adultério e assassinato, Davi escreveu o Salmo 51. E é esse padrão de conduta ditado por disposição interior que deve orientar nossa postura quando celebramos a Ceia diante da cruz:
Tem misericórdia de mim, ó Deus,
por teu amor;
por tua grande compaixão
apaga as minhas transgressões.
Cria em mim um coração puro, ó Deus,
e renova dentro em mim um
espírito estável.
Não me expulses da tua presença,
nem tires de mim o teu Santo Espírito.
Arrependimento verdadeiro – não remorso emocional. Confissão sincera – não descaso arrogante. E da cruz nos vem a graça e perdão imerecidos que recebemos com piedade e adoração. É assim de se deve tratar o pecado. É assim que celebramos a Ceia do Senhor.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

100 nomes que todo evangélico brasileiro precisa conhecer – 1ª parte


Os anos de história do cristianismo nos deixaram de herança incontáveis nomes de homens e mulheres. Alguns nos dão orgulho, outros nem tanto. Alguns estão entre os preferidos, outros os conheço por obrigação.
Aqui fiz uma lista com os 100 nomes que entendo que todo cristão evangélico brasileiro precisa conhecer. A lista não é completa – nunca é. Aqui apresento a primeira parte em ordem alfabética.

Adoniram Judson (1788-1850) – EUA – Missionário na Birmânia. Tradutor da Bíblia. Através de seu trabalho foi criada a primeira associação de apoio missionário da América.
Agostinho de Hipona (354-430) – Hipona (norte da África) – Bispo e principal pensador cristão antigo. Refletiu sobre todos os mais importantes temas da fé cristã. Principais obras: A Cidade de Deus e Confissões.
Aimee Semple McPherson (1890-1944) – Canadá / EUA – Evangelista e pregadora. Fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Pioneira do uso das mídias modernas como instrumento de evangelização.
Albert Schweitzer (1875-1965) – Alsácia (Alemanha) / Gabão – Doutor em Filosofia e Teologia. Trocou a academia teológica europeia pelo trabalho missionário e humanitário na África. Ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1952.
Antônio Teixeira de Albuquerque (1840-1887) – Brasil – Considerado o primeiro batista brasileiro e o primeiro pastor batista brasileiro.
Antônio Vieira (1608-1697) – Portugal / Brasil – Padre católico, foi exímio orador e pregador, além de filósofo e escritor. Contestou a ordem vigente religiosa e politica no Brasil colônia. Deixou mais de 200 sermões escritos.
Arthur Lakschevitz (1901-1980) – Letônia / Brasil – Tendo nascido na Europa, migrou para o Brasil com os cristãos letos no início do século XX. Músico excepcional, foi um dos mais respeitados compositores e arranjadores da música evangélica no Brasil.
Ashbel Green Simonton (1833-1867) – EUA / Brasil – Missionário norte-americano fundador da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro.
Bartolomeu de las Casas (1478-1566) – Espanha / México – Considerado o primeiro sacerdote ordenado na América. Foi cronista e teólogo. Viajou por toda a América espanhola pregando o cristianismo e defendo os indígenas dos abusos dos conquistadores.
Bento de Núrsia (480-574) – Úmbria (Itália) – Monge asceta. Criador da principal regulação da vida e ordens monásticas.
Bernardo de Claraval (1090-1153) – Itália / França – Líder espiritual da igreja durante a Idade Média. Pregava a necessidade da meditação e leitura bíblica como disciplinas indispensáveis ao cristão.
Billy Graham (1918-2018) – EUA – Principal pregador batista norte-americano do século XX. Sua ação evangelística chegou a todos os continentes alcançando mais de dois bilhões de pessoas e influenciando sucessivos líderes políticos dos EUA,
C.S. Lewis (1898-1963) – Reino Unido – Professor universitário, crítico e ensaísta. Suas principais obras foram: Cristianismo Puro e Simples e a coletânea As Crônicas de Nárnia.
Charles Finney (1792-1875) – EUA – Pregador, professor, teólogo, abolicionista e avivalista. Considerando um dos líderes do Segundo Grande Despertar Espiritual dos EUA.
Charles Spurgeon (1834-1892) – Inglaterra – Pregador batista. A ele são atribuídos os títulos de Príncipe dos Pregadores e Último dos Puritanos.
Charles Wesley (1707-1788) – Inglaterra / EUA – Junto com seu irmão John, foi um dos principais pregadores responsável pelo avivamento protestante-evangélico do século XVIII.
Daniel Berg (1884-1963) – Suécia / Brasil – Missionário e evangelista pentecostal. Fundador da Igreja Assembleia de Deus no Brasil.
David Gomes (1919-2003) – Brasil – Pastor e um dos principais líderes entre os batistas brasileiros. Missionário e executivo da JMN/CBB. Fundador da Escola Bíblica do Ar. Escritor e conferencista internacional.
Davíd Martins de Miranda (1936-2015) – Brasil – Pastor evangélico pentecostal. Fundador da Igreja Pentecostal Deus é Amor.
Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) – Alemanha – Pastor luterano. Líder da Igreja Confessante alemã de resistência ao nazismo. Mártir cristão do século XX (morreu num campo de concentração). Entre seus principais escritos estão: Resistência e Submissão, Ética e Vida em Comunhão.
Dwight L. Moody (1837-1899) – EUA – Ficou conhecido como o maior evangelista do século XIX. De linguagem simples, fez diversas campanhas evangelísticas no EUA e Canadá.
Elias Brito Sobrinho (1922-1974) – Brasil – Pastor batista. Pioneiro do trabalho evangélico em Brasília. Um dos líderes da Renovação Espiritual a partir dos anos 1960 e da Convenção Batista Nacional.
Enéas Tognini (1914-2015) – Brasil – Pastor batista. Um dos mais influentes líderes da renovação no Brasil a partir dos anos 1960.
Erasmo de Roterdã (1466-1536) – Holanda / Suíça – Teólogo e humanista. Um dos principais influenciadores da Reforma Protestante. Publicou uma edição crítica do Novo Testamento Grego que serviu de base para diversas traduções modernas.
Eurico Nélson (1891-1975) – Suécia / Brasil – Primeiro missionário batista a pregar e fundar igrejas evangélicas na Amazônia.
Eusébio de Cesareia (265-339) – Palestina – Bispo e historiador da igreja. Sua principal obra foi História Eclesiástica que narra sobre os primeiros anos do cristianismo.
F.F. Bruce (1910-1990) – Escócia – Professor, escritor, erudito da Bíblia, e um dos fundadores da moderna compreensão evangélica da Bíblia.
Fanny Crosby (1820-1915) – EUA – Fiel metodista. Cega desde a infância. Ela é uma das compositoras mais conhecidas de hinos sacros da América do Norte.
Feliciano Amaral (1920-2018) – Brasil – Pastor batista. O mais longevo cantor evangélico brasileiro (contanto inclusive do Livro dos Recordes).
Felipe Melancton (1497-1560) – Alemanha – Discípulo de Lutero. Um dos primeiros sistematizadores do protestantismo. Também discorreu sobre Astronomia, Física e Psicologia.
Fountain E. Pitts (1808-1874) – EUA – Ministro metodista e Capelão Confederado. Ele estabeleceu missões metodistas no Brasil e na Argentina.
Francis Schaeffer (1912-1984) – EUA – Filósofo, teólogo, pastor e ativista político. Ele defendeu o envolvimento cristão nas questões humanitárias e de direito civil.
Francisco de Assis (1182-1226) – Itália – Depois de uma significativa experiência de conversão, tornou-se um homem de espiritualidade profunda, chegando a ser citado pelos seus contemporâneos como “o mais perfeito seguidor de Jesus Cristo”.
Friedrich Osvald Sauerbronn (1784-1867) – Alemanha / Brasil – Primeiro pastor luterano no Brasil e na América Latina.
George Müller (1805-1898) – Inglaterra – Evangelista e filantropo. Notável por sua fé na providência de Deus e pela sua obra em favor das crianças desamparadas, através da construção de orfanatos.
George Whitefield (1714-1770) – Inglaterra / EUA – Pastor anglicano. Foi um dos principais influenciadores da Grande Renovação nas colônias britânicas norte-americana. Seu nome também está ligado a origem da ideologia americana.
Gilberto Freire (1900-1987) – Brasil – Grande expoente da cultura brasileira. Foi sociólogo, antropólogo e ensaísta. Teve formação evangélica, manifestando inclusive desejo de seguir a vocação pastoral na juventude.
Gunnar Vingren (1879-1933) – Suécia / Brasil - Missionário e evangelista pentecostal. Um dos fundadores da Igreja Assembleia de Deus no Brasil.
Harold Edwim Willians (1913-2002) – EUA / Brasil – Missionário e pregador. Trouxe a Igreja do Evangelho Quadrangular para o Brasil.
Helena de Constantinopla (250-330) – Constantinopla – Mãe do imperador Constantino. Numa peregrinação à Palestina ela se dedicou a identificar os alegados locais da vida de Jesus.
Henry Maxwell Wright (1849-1931) – Portugal / Brasil – Filho de ingleses. Foi o compositor e tradutor de mais de 200 hinos que formaram o repertório evangélico brasileiro, contribuindo com hinários de diversas denominações.
Irineu de Lyon (130-202) – Turquia / França – Bispo, escritor, teólogo e apologeta cristão. Defendeu firmemente a doutrina cristã contra as heresias gnósticas.
Isaltino Gomes Coelho Filho (1948-2013) – Brasil – Pastor batista. Foi um dos principais pensadores evangélicos brasileiros.
Jaci Correa Maraschin (1930-2009) – Brasil – Professor, mestre, poeta, músico e pastor da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
Jacob Armínio (1560-1609) – Holanda – Significativo formulador da doutrina da graça como ação preveniente de Deus mas que exige uma resposta humana.
Jerônimo (347-420) – Dalmácia / Judeia – Teólogo, historiador e doutor da Igreja. Sua obra mais conhecida é tradução da Bíblia para o latim chamada de Vulgata Latina.
João Calvino (1509-1564) – França / Suíça – Principal líder e influenciador da Reforma no centro da Europa. Os pontos de sua doutrina são: Depravação total do ser humano; eleição incondicional; expiação limitada; graça irresistível; perseverança dos santos. Nunca foi ordenado pastor ou bispo.
João Crisóstomo (374-407) – Síria / Ponto (Ásia Menor) – Seu nome deriva do apelido dado a ele em língua grega: o boca de ouro, pela força e eloquência de suas pregações e defesa da fé cristã.
João Ferreira de Almeida (1692-1691) – Portugal – Primeiro missionário reformado no sul da Índia. Seu trabalho mais conhecido foi a tradução da Bíblia para o português.
João Wycliff (1328-1384) – Inglaterra – Um dos principais precursores da Reforma Protestante na Europa ao defender que somente a Bíblia deveria servir de base doutrinária para a igreja.