sexta-feira, 17 de novembro de 2017

SOMOS O BARRO

Ouvi, não faz muito tempo, uma valiosa mensagem proferida pelo amigo e colega pastor Pedro Alexandre (da IB de Estância – aqui em Sergipe).  A reflexão tomou como base o texto da profecia de Isaías que diz: 
Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai,
nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro;
e todos nós, obra das tuas mãos. 
(Is 64:8)
Logo depois da celebração do culto, fui falar com o colega e solicitei autorização para compartilhar pelo menos o esboço e algumas ideias principais aqui neste espaço.
Assim, com a devida aquiescência, comecemos de novo com os pontos principais e alguma pitada pessoal.

SOMOS O BARRO


O ensinamento bíblico diz que nós fomos feitos pelo próprio Deus a partir do pó da terra – do barro.  E é observando o barro que aprenderemos quem somos e quem realmente poderemos ser.
Estas são algumas características do barro.
1.       Nulidade – o barro em si não vale nada.  Não gera riqueza.  Tem muito dele por aí e ninguém luta por ele.  As nações lutam por recursos: ouro, petróleo; mas não por barro.  Ele é comum e frágil.
2.      Fragilidade – diferente de metais ou outros materiais, o barro é sempre frágil.  Em estado natural pode ser diluído facilmente com apenas um pouco de água.  Deformado e reformado.  E se vai ao forno, de lá sai quebradiço.
3.      Involuntariedade – ele pode tomar diversas formas.  Pode ser constantemente deformado e reformado – desfeito e refeito.  E qualquer punhado de barro pode servir para se fazer qualquer coisa. 
E aqui começa a diferença.  O segredo e potencial nunca está no barro – ele continua sendo sem valor, frágil e sem vontade própria.
— Barro não faz birra!
Então, exatamente por isso, o barro se converte na matéria prima perfeita nas mãos do artista.
Quando uma simples matéria prima, um barro qualquer, passa pelas mãos do artista o que era mediocridade vira arte.  O que era nulidade ganha valor – vale uma fortuna.  O que era fragilidade enriquece em densidade – alcança significado.  O que era involuntariedade se objetiva, toma forma – encontra razão de ser.
E antes que haja dúvida: Deus é um eximindo artista, criativo e fecundo!
Assim, quero terminar como o profeta, com um reconhecimento e uma oração:
Meu Deus e meu Pai.  Com alegria me entrego completamente a ti.  Tu és o gracioso oleiro e eu um simples barro.  Em tuas mãos a arte santa e eterna se fazem mim.  E que seja para tua glória.  Amém.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

O Seminário "liberal" onde estudei

"Há sempre algum proveito quando o mestre não é de inteira confiança: o aprendiz precisa convencer-se a si mesmo sobre as verdades"
(Soren Kierkgaard, em "As obras do amor")

Estudei em um seminário taxado pejorativamente de "liberal".  Digo pejorativamente porque há um misto de desonestidade e pequenez intelectual em quem a ele aplica este termo. 
DESONESTIDADE, porque a intenção de quem usa o termo não visa construir pontes em busca do fortalecimento da unidade na diversidade.  Antes, quem assim o taxa geralmente é um construtor de muros, amante da discriminação alheia, em busca de proteção do próprio status quo, de sua zona de conforto, do incômodo de quem o contesta, da hegemonia do seu poder.
PEQUENEZ INTELECTUAL porque o termo liberal pode significar tanta coisa que, por paradoxal que possa parecer, até de conservador pode ser sinônimo.  Por exemplo: o capitalista conservador é liberal, pois defende a manutenção do liberalismo nas relações de mercado.  Para ele, conservar as relações de produção e consumo distantes do controle do Estado seria o melhor caminho à vida em sociedade. 
Outro exemplo: os batistas nasceram sob a bandeira da defesa da liberdade.  Liberdade de crença, de pensamento, de opinião, de interpretação das Escrituras, de reunir-se, de organizar-se, de autogerir-se como igreja local, de cooperar com outras igrejas e não controlá-las, defendendo tudo isso bem distante das "garras" do Estado que controlava a Igreja Anglicana e as manifestações religiosas na Inglaterra do século XVII. 
Logo, ser um batista conservador deveria ser apegar-se e lutar para conservar essas raízes "liberais".  Isso, entretanto, contraria o agir daqueles que se autodenominam "conservadores", cuja práxis – teoria e prática – insiste em pretender uniformizar e controlar o pensamento coletivo, movido por uma visão político-empresarial diametralmente oposta aos exemplos de Jesus e que, sob pretexto de unificar forças visando fortalecimento denominacional e crescimento numérico, estão agindo como o Estado inglês agia com os insurgentes da igreja quando do nascimento do movimento batista.
O seminário "liberal" onde estudei era – e era aqui não significa juízo de valor sobre o que hoje é, mas minha percepção histórica dos tempos em que lá estudei – um espaço PLURAL.  Embora autônomos e com senso crítico regido por razão, não por rancor, não percebia postura desafiante da parte dos professores com os quais estudei em relação à denominação mantenedora.  Era visível o predominante conservadorismo em torno do respeito à liberdade de pensamento no corpo docente.
Essa pluralidade – que alguns equivocada, maldosa e pejorativamente classificam como "liberalismo" – foi decisiva no preparo de muitos líderes com postura de "servos não subservientes" que têm se destacado em todos os espaços decisórios dentro e fora da denominação batista.
No seminário "liberal" onde estudei, éramos estimulados a ler diretamente o que pensavam os que pensavam a teologia, a missão, a eclesiologia, enfim, em vez de ficarmos restritos ao pensamento dos professores sobre o que pensavam os que pensavam esses assuntos.  Os professores expunham seus pensamentos, tinham opinião própria, mas o espírito não era substituir a cabeça do aluno por suas cabeças, pois isso não seria educação desejável, mas lavagem cerebral. 
Ninguém é exclusivamente liberal ou conservador.  A pessoa consciente de si, do grupo com o qual caminha e dos grupos alternativos ao seu redor, reconhece que esses conceitos precisam ser continuamente entendidos, redefinidos, e se misturam em nós – trocadilho -, em maior ou menor grau, dependendo do assunto e do contexto.  Apequena-se, portanto, quem usa a palavra "liberal" politico-teologicamente de forma pejorativa, visando desvalorizar, marginalizar ou destruir o outro, seja por ignorância ou má-fé.
Tornei-me um pastor e líder conservador quanto aos princípios da tradição batista mais antiga por ter estudado em um seminário cujos professores foram competentes, honestos e tiveram autonomia para nos ensinar a estudar, em vez de programar nossas jovens mentes para tornar-nos meras mãos e mentes de obra manipuláveis por pessoas inescrupulosas que se aproveitam daqueles que cultivam boa-fé 
Qualificar o seminário onde estudei de "liberal" é um elogio, se entendido o significado amplo dessa palavra e seu vínculo com as mais remotas histórias dos batistas.  Por outro lado, chamá-lo de "conservador", em termos populares, como usado por alguns político-ideólogos de religião, pode ser agressivo às histórias dos batistas, pois esses ideólogos, em vez de conservarem o espírito de liberdade, criam camisas-de-força, identificando-se com, repito, o Estado inglês do século XVII do qual nos libertamos, quando levantamos a bandeira da liberdade para nós e para todos.
Em resumo: no Seminário "liberal" onde estudei, fomos estimulados a considerar seriamente a veracidade das palavras de Jesus: "Eis que vos envio como ovelhas em meio a lobos, portanto, sejam simples como as pombas, mas prudentes como as serpentes".  Ainda bem que estudei nesse Seminário "liberal" e aprendi bem essa lição!

Este texto foi escrito pelo colega e amigo Edvar Gimenes (ele publicou no dia 31/10/2017 no sítio blogdoedvar.blogspot.com.br) e, por ter estudado no mesmo Seminário e ter recebido as mesmas boas influências, tomo a liberdade de republicar aqui – assim com os devidos créditos.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A FORTALEZA DE LUTERO

Neste ano de 2017 celebramos os 500 anos da Reforma Protestante.  A data em si se refere ao episódio que foi tomado como marco significativo para o estopim do movimento: o momento em que o alemão Lutero fixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg em 31 de outubro de 1517 nas quais questionava várias posições da Igreja de seu tempo.
Detalhe 1: o que ficou conhecido como as 95 TESES na verdade foram 95 PROPOSIÇÕES ou FRASES que Lutero escreveu para iniciar o debate.
Detalhe 2: fixar teses a serem defendidas em um debate público na porta do principal templo, na época seria o mesmo que postar 'textão' em uma rede social hoje e se preparar para o debate pesado e acalorado quando viralizar – foi isso que Lutero fez!
Mas, voltemos ao assunto.  Neste ano de celebração – afinal 500 anos é marca mais que significativa – muito se tem falado, escrito, proposto, debatido, refletido sobre o tema.  O que realmente faz jus ao contexto e propósitos originais.  Eu mesmo, não somente já publiquei aqui uma cronologia da época aproveitando o ensejo (veja aqui), como também tive a oportunidade de participar de alguns eventos nesta intenção aqui em Aracaju.
Além do que, a própria internet aproveitou bastante a ocasião para citar e comentar (e como sempre: está inundada de gente a favor e contra).  Então vou me poupar o trabalho de citações históricas e análises mais aprofundadas.
Quero trazer a lume (gostei desta frase!) apenas algumas observações que me sobressaíram à cabeça nestes dias de reflexão sobre o assunto: a música da Reforma.
Não é segredo para ninguém que gosto de música, e relacioná-la à fé e à vida me atrela de um jeito visceral a Lutero e à herança protestante.  Entre os trabalhos e contribuições do reformador alemão estava em fazer o povo cantar a sua fé. 
Lutero sabia que a música ajuda a memorizar e acatar a doutrina, enleva a alma e produz um gracioso senso de comunidade e pertencimento – além de louvar a Deus: claro!  Ele mesmo compôs, arranjou e publicou várias canções e hinos sacros tornando o culto luterano mais alegre e participativo e deixando uma herança tão formidável que dela vem ninguém menos que J.S. Bach – mas isso já merecia uma outra crônica.
Por outro lado: como batista, sou um herdeiro indireto dos reformadores do século XVI.  Mas me sinto bem à vontade, em casa, entre eles.  Chamá-los de irmãos é reconhecer nossa raiz comum: a própria fé cristã e os ventos de renascimento social e eclesiásticos que sopraram naquela velha Europa.
Assim, eu canto os mesmos hinos dos irmãos luteranos, presbiterianos, metodistas, episcopais, e por aí vai...  alguns hinos de cinco séculos, outros recebidos da renovação wesleyana do século XIX, e outros, igualmente inspirados e abençoados dos cristãos do século XXI.  Todos fazendo jorrar o caudaloso rio da música protestante.
Nós cantamos.  Lutero nos ensinou.  E eu gosto muito de cultuar assim.
Mais uma vez, voltemos ao assunto, antes que me delongue muito – se bem que agora nem me desviei muito.
Falar da música de Lutero é lembrar de Castelo Forte – em alemão: Ein feste Burg ist unser Gott.  Linda.  Forte.  Cativante.  Inspiradora.
Para se ter uma ideia de como esta música está entranhada em nossa tradição, veja onde eu posso encontrá-la em português: No Cantor Cristão (é o hino de número 323), no HCC (# 406) – ambos batistas; no Hinário Luterano (# 165); no Hinos do Povo de Deus (# 97 – também luterano); e mais: Salmos e Hinos (#640); Hinário Adventista (# 33); Harpa Cristã (# 581); Hinário Presbiteriano Novo Cântico (# 155).  E se procurar mais, sei que vai achar.
Quanto ao hino?
Lutero, em meio as muitas batalhas travadas enquanto prosseguia tentado reformar a igreja, ele sempre teve como alento o Salmo 46 que diz: O Senhor é nosso refúgio e fortaleza.  Foi daí que ele tirou a inspiração para cantar (aqui na versão em português do HCC):
Castelo forte é nosso Deus, escudo e boa espada.
Com seu poder defende os seus, a sua igreja amada
com força e com furor nos prova o Tentador,
com artimanhas tais e astúcias infernais
que iguais não há na terra.
(...)
Sim, que a Palavra ficará sabemos com certeza,
pois ela nos ajudará com armas de defesa.
Se temos de perder família, bens, poder,
e, embora a vida vá, por nós Jesus está
e dar-nos-á seu Reino.
Deus é o nosso castelo forte, a nossa fortaleza sólida.  É esta convicção que mobilizou e animou Lutero, e ainda nos inspira hoje.  Um Deus forte que nos forma – reforma, sustenta e protege.  É o socorro bem presente na hora da angústia.  E nos somamos a Lutero neste canto de afirmação de fé e adoração.
=> E quanto as imagens:
Lá em cima, Retrato de Martinho Lutero pintado por Lucas Cranac em cerca de 1540. 
Aqui em baixo uma reprodução de Castelo Forte com a assinatura de Lutero

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Geração resgatada por Deus, restaurada por Jesus

Faço parte de uma geração que viu a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética; que ouviu falar pela primeira vez no vírus da AIDS; que migrou das fitas cassetes e discos de vinil para os CDs e DVDs; que começou a usar computadores em casa; que lutou pelas DIRETAS JÁ e viu o fim do governo militar; que comprou com Cruzeiro, Cruzado e Real.
Faço parte de uma geração que viveu a década de ouro dos Vencedores por Cristo; que ficou chocada com a morte trágica do cantor Jairinho, do Grupo Ele, e viu nascer o Grupo Logos; que começou a ouvir os cantores Armando Filho e Jailton Santos; que adotou os cânticos  das Comunidades Evangélicas nos momentos de louvor.
Faço parte de uma geração que viu o antigo templo da PIBA ir ao chão e viu erguer-se o novo, inclusive ajudou a limpar para a inauguração; que entrava no micro-ônibus para fazer evangelismo nos bairros de Aracaju e no interior, contribuindo para a formação de congregações e igrejas; que começou a frequentar o Manaim quando só existia uma casa velha; que timidamente começou a usar guitarra e bateria nos cultos, mas que também levantava a voz com um entusiasmo contagiante para louvar com cânticos e hinos (até do Cantor Cristão, acredita!?).  participei do Conjunto Embaixadores de Cristo e ouvi o Grupo Alfa.
Mas não sou saudosista.  Não quero dizer que "no meu tempo é que era bom".  Foi bom mesmo, mas "esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo" (Fl 3:14-15).
Faço parte da Geração Retrô (palavra que significa algo que remete ao passado, mas volta a estar na moda).  Faço parte da geração que volta a entrar no ônibus, ou em seus próprios carros, para percorrer Sergipe de alto a baixo cantando a levando a Palavra; da geração que faz acampamento no Manaim e também no Coco Beach; que se encontra para orar juntos ou só mesmo para rir.
Que privilégio!  Faço parte de uma geração que foi resgatada por Deus e restaurada por Jesus;  toda a glória a Deus!

Emilia Cervino Nogueira – Retrô
(do Boletim da PIBA em 05/11/2017)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

LOUVORES DO APOCALIPSE

Apocalipse – o último livro da Bíblia cristã – foi escrito como uma ode de alegria e esperança.  Com base nessa compreensão, tenho lido e interpretado o texto.  Não tenho dúvidas que em Apocalipse há mais expressões de louvor e adoração Àquele que é Digno que em qualquer outro texto no Novo Testamento.
Isso eu tenho repetido sempre que falo, estudo ou escrevo sobre este livro.  Mas aqui não quero apresentar um tratado exegético sobre o Livro da Revelação, suas visões, vaticínios e profecias. Estou trabalhando nisso, mas não aqui.
Então, pensando em Apocalipse como um compêndio de adoração e louvor, resolvi fazer uma lista de hinos e canções baseados no livro bíblico.  Não será uma lista extensa, apenas algumas me vieram à mente em meia horinha de exercício de memória.  Sei que há inúmeras outras composições baseadas em Apocalipse.
Veja a relação, como sugestão de louvores do Apocalipse:
A primeira canção que me vem naturalmente é o Canto do Apocalipse.  Em português gravada pelo grupo Diante do Trono em 2010.  O original em inglês – Revelation Song – foi composto por Jennie Lee Riddle no ano anterior.  Gosto em particular desta música.  Melodia e harmonia se casam bem e posso crer que consiga reproduzir um pouco do que foi a canção triunfante que João testemunhou.
Penso que o trabalho de Sérgio Lopes gravado em 2004 intitulado Carta às 7 Igrejas apresentou um grau maior de dificuldade para ser confeccionado.  Mas ficou muito bom o resultado.  O que seria naturalmente esperado, considerando o compositor.
Tem mais.  No Hinário para o Culto Cristão (HCC) temos o de número 43, uma composição de P.M. Mills em 1963 e baseada em Ap 4:11 – Tu és Digno.  Melodia que nos conduz à reflexão e à adoração.
Ainda no HCC (número 80 – este eu já conhecia antes de ir para o hinário) – da obra de Guilherme Kerr de 1985: Bendito Seja sempre o Cordeiro (a gravação original foi intitulada: De Todas as Tribos).  Uma excelente adaptação do Ap 7:9-10.
Também me ocorre lembrar da música Primeiro Amor, de Aurélio Rocha gravada pelo Rebanhão em 1988 que dizia "eu quero voltar ao primeiro amor" e que claramente tem por base Ap 2:4.  Este se tornou um hino – um clássico.
Outros louvores que nós, da igreja brasileira, aprendemos e cantamos com alma:
-) Alfa e Ômega do compositor Livingston Farias, baseado em Ap 1:8 / 21:6 / 22:13.  Já cantei tanto em versões congregacionais quanto corais.
-) Glória pra Sempre.  A autoria é de A.T. Queiroga e foi gravado por Vencedores por Cristo em 1975.  A base é o capitulo cinco de Apocalipse.  Indispensável em qualquer relação de louvores para a igreja.
-) Santo é o Senhor.  Refrão que conheci gravado na voz de Asaph Borba em 1984 e que repete as palavras de Ap 4:8.  Fácil de decorar e de cantar.
-) Ao que Está Sentado.  Também de Vencedores por Cristo gravado em 1980.  O texto base é Ap 5:13.  Nunca nos cansamos de entoá-lo novamente.
-) Rei das Nações.  Ainda Vencedores por Cristo, desta vez em 1988 com as palavras de Ap 15:3.  Desde o começo do louvor que diz: "Grandes são as tuas obras" até o refrão, sempre eleva a igreja em adoração.
-) Aleluia, Salvação e Glória.  Este é do grupo MILAD, trabalho de 1986.  Cantamos Ap 19:1.  A sequência melódica é gostosa e a letra bíblica, um canto completo.
E antes que fique cansativa a lista – observe que todas aqui listadas são do fim do século XX e início do XXI – vou terminar com a obra atemporal do grande G.F. Handel.  No magnífico oratório "O Messias", a sua mais significativa música: ALELUIA toma as palavras de Ap 11:15 – estes são os louvores do Apocalipse:
O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. (NVI).
Aleluia!


terça-feira, 31 de outubro de 2017

CRONOLOGIA DA ÉPOCA DA REFORMA

Pensando neste 31 de outubro, quando celebramos os 500 anos da Reforma Protestante, resolvi atender a minha curiosidade e ver um pouco o contexto.
Os 100/150 anos que viram a Reforma Protestante acontecer na Europa podem ser muito bem descritos nas palavras de 2Tm 3:1 – tempos trabalhosos ou tempos terríveis.  Penso que, na história ocidental, não há outro momento em que as mudanças tenham sido tão radicais e profundas – nem os dias atuais!
Para entender um pouco esta tese, acompanhe a lista a seguir.  Tomo a liberdade de voltar a 1415 para contextualizar, mas foi, com certeza, a partir dos finais do século XV e os séculos XVI e XVII que o mundo do Ocidente mudou.


1415 – João Huss é queimado em Constança
– Têm início as grandes navegações portuguesas com a conquista de Ceuta por D. João I
1439 – O alemão Johannes Gutenberg cria o método gráfico por tipo móveis (imprensa)
1442 – O Concílio Ecumênico de Florença acata o Cânon Alexandrino (Deuterocanônicos)
1453 – O sultão Maomé II conquista Constantinopla pondo fim ao Império Romano do Oriente
1455 – A Bula Romanus Pontifex reconhece o direito da coroa portuguesa sobre os mares do sul
1474 – Isabel de Castela é coroada rainha da Espanha
1476 – Morre Vlad III, príncipe da Valáquia que ficaria conhecido Vlad, o Empalador
1478 – Instala-se oficialmente o Tribunal do Santo Inquérito (Inquisição) na Espanha
1483 – Nasce Martinho Lutero em Eisleben / Alemanha (10/11)
1487/88 – O português Bartolomeu Dias dobra o Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Esperança)
1489 – Primeira epidemia de tifo na Europa flagela a Espanha
1492 – O genovês Cristóvão Colombo chega à América sob ordens dos reis católicos espanhóis
– Conquista de Granada – fim da Guerra de Granada e da Reconquista cristã espanhola
– O Decreto de Alhambra ordena a expulsão dos judeus da Espanha
– E.A. de Nebrija publica uma gramática espanhola – primeira neolatina na Europa
1492/93 – São concluídas as pinturas da Capela Sistina em Roma
1494 – Assinado o Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha com o aval do Papa
Invasão da Itália por Carlos VIII de França
1497 – O português D. Manoel I manda sequestrar crianças judias para serem criadas como cristãs
1498 – Concluída a pintura do afresco A Última Ceia por Leonardo da Vinci em Milão
– É enforcado o dominicano Savanarola, considerado precursor da reforma
– Em  Mesina / Itália se registra um terremoto de 4,6 graus na Escala Richter
1499 – Michelangelo esculpe a obra Pietá – colocada na Basílica de São Pedro em Roma
– O Cardeal Cisneros funda a Universidade de Alcalá de Henares / Espanha
– Américo Vespúcio publica suas Cartas Geográficas
1500 – O português Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil (22/04)
1501 – O italiano Ottaviano Petrucci imprime pela primeira vez uma partitura musical
– Por decreto espanhol, os mulçumanos são obrigados a se converterem ao cristianismo
1504 – O português Pedro Reinel publica o primeiro mapa mundi com indicação de latitude
– Morre Isabel, a Católica, regente de Castela
1505 – Lutero ingressa no Convento dos Agostinhos
– Aparição da Virgem na Espanha dá origem à adoração mariana da Virgem do Caminho
1506 – Da Vinci pinta o quadro Monalisa – La Gioconda
– É criada a Guarda Suíça Pontifícia como braço militar do papado
– No Massacre de Lisboa, centenas de judeus são mortos
1507 – Lutero é sagrado sacerdote
– Fim da Guerra Civil de Navarra (iniciada em 1451) unificando os reinos de Castela e Aragão
1508 – Lutero torna-se professor na Universidade de Wittenberg / Alemanha
– Um terremoto de sete grau na Escala Richter acontece na Escócia
1509 – Nasce João Calvino em Noyon / França (10/07) – reformador na França e Suíça
– Erasmo de Roterdã publica O Elogio da Loucura
– Terremoto e tsumani em Istambul deixa pelo menos 10 mil mortos
1510/11 – Viagem de Lutero a Roma
1511 – Um terremoto arrasa o centro da Europa deixa cerca de dez mil mortos
1512/17 – V Concílio de Latrão
1513 – O italiano Nicolau Maquiavel publica sua obra O Príncipe
– João de Lourenço de Médici assume o papado (09/03) adotando o nome de Leão X
1514 – Publica-se a primeira edição da Bíblia Poliglota Complutense
1516 – Erasmo de Roterdã publica uma edição crítica no Novo Testamento Grego
– Tomas Mores publica seu livro Utopia
1517 – O Papa institue a Ordem dos Frades Menores – franciscanos (29/05)
– Lutero afixa as 95 teses na porta da Igreja do Castelo, em Wittenberg (31/10)
1518 – Lutero comparece perante o Cardeal Caetano
1519 – Na disputa de Leipzig, Lutero e Karl von Miltitz enfrentam J. Eck
– Carlos V assume o Sacro Império Romano-Germânico
1519/22 – Fernão de Magalhães faz a primeira circunavegação da Terra
1520 – Lutero escreve 3 livros fundamentais da Reforma e queima a bula de excomunhão (10/12)
1521 – Lutero é excomungado pela Bula Decet Romanum Pontificem do Papa Leão X (03/01)
– Lutero comparece diante do Imperador no parlamento, em Worms (17 e 18/04)
1521/22 – Lutero traduz o Novo Testamento para o alemão em Wartburg;
1522 – Lutero volta a Wittenberg e abafa o fanatismo iconoclasta
– 1ª edição do livro Rechnung auff der linihen vnd federn, do matemático alemão Adam Ries
– Terremoto na ilha de São Miguel provoca a destruição de Vila Franca do Campo / Açores
1523 – Morre Franz v. Sickingem: fim da revolta dos cavaleiros
– Um terremoto da Romênia atinge oito graus na escala Richter
– Eclipse Solar duplo de Vênus com a lua (15/08)
1524 – Convenção católica de Regensburg / Bavária / Alemanha
– Cerca de vinte mil londrinos fogem da cidade temendo uma profecia sobre o fim do mundo
1525 – Lutero se casa com Catharina von Bora
– É fundada a primeira comunidade anabatista em Zurique / Suíça (25/01)
– Tropas espanholas a mando de Carlos V derrotam os franceses e capturam o rei Francisco I
– William Tyndale publica uma tradução do Novo Testamento para o Inglês
1526 – É criada a Torgauer Bund, uma união príncipes alemães contra os católicos
– A Dieta de Speyer / Alemanha decreta a tolerância pelas doutrinas de Lutero
1527 – No Saque de Roma o imperador Carlos V derrota as tropas francesas e papais
– O Protestantismo é introduzido na Suécia
1528 – Paracelso é expulso da Universidade da Basiléia 
1529 – Martin Lutero escreve o Catecismo Menor e Maior
– Acontece o Colóquio de Marburg sobre a Santa Ceia (contra Zwinglio)
– O Parlamento de Speyer assina um protesto solene contra a Igreja Católica e a sua
    Contra-Reforma, donde se forja o termo Protestantismo.
1530 – Sob ordem do Imperador Carlos V é assinada a Confissão de Augsburg (25/06)
– Dois dias depois, os católicos respondem com a Refutação Pontifícia
– Formação da Ordem dos Cavaleiros de Malta pelo Papa Clemente VIII
– Uma inundação mata cerca de cem mil pessoas na Holanda
1531Henrique VIII da Inglaterra se declara o chefe supremo da igreja inglesa
– Fernando I de Habsburgo se torna Rei dos Romanos.
1532 – Criação da Liga Smalkalde para lutar contra os católicos ligados ao imperador Carlos V
– Celebrada a Paz religiosa de Nürnberg entre católicos e protestantes alemães
– O Sudário de Turim é seriamente danificado por um incêndio
1533 – Casamento de Henrique VIII de Inglaterra com Ana Bolena (25/01)
– Henrique VIII é excomungado pelo Papa Clemente VII (11/07)
– Ivan, o terrível torna-se Grão-Príncipe de Moscou (03/12)
1534 – A Coroa Portuguesa institui o sistema de capitanias hereditárias no Brasil
– Lutero publica sua tradução do Antigo Testamento
1536 – Henrique VIII e o Parlamento inglês separam a Igreja da Inglaterra da de Roma
1437 – O Papa Paulo III assina a bula pontifícia Sublimis Deus, onde declara que os habitantes indígenas do Novo Mundo são seres racionais detentores de uma alma
1539 – O rei Francisco declara o francês a língua oficial da França.
1540 – A Companhia de Jesus, criada por Ignácio de Loyola em 1534, é reconhecida pelo Papa
1543 – Copérnico publica De revolutionibus orbium coelestium propondo o heliocentrismo
1545 – Começa a Contra-reforma católica com o Concílio de Trento.
1546 – Morre Martinho Lutero em Eisleben (18/02)
1547 – Nasce Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol autor do Dom Quixote
1549 – É publicado na Inglaterra o Livro de Oração Comum (em inglês: Book of Common Prayer)
1555 – Nostradamus começa a publicar As Profecias
1562 – Conflitos religiosos na França matam cerca de mil hugenotes
1572 – Acontece o massacre de protestantes na Noite de São Bartolomeu na França (24/08)
– O português Luiz de Camões publica Os Lusíadas
1564 – Nasce Galileu Galilei
1569 – Primeira publicação da Bíblia em Espanhol por Casiodoro de Reina
1577 – Assina-se a Fórmula da Concórdia, unificando o Luteranismo


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

UM NOVO ZAQUEU

É verdade que é impossível alguém se encontrar com Jesus e não ser tocado e transformado!  Na Bíblia não faltam exemplos desta verdade. 
Há aqueles que não saíram agraciados do encontro, como foi o caso do homem rico que procurou Jesus querendo saber como herdar o reino (contado em Mc 10:17) e, por não aceitar a proposta de Jesus, chegou esperançoso e saiu triste.  Mas até esta narrativa só comprova a tese: É impossível alguém se encontrar com Jesus e não ser tocado e transformado!
Não quero me deter nesta história infeliz.  Bem melhor observar o outro lado – uma transformação para melhor, bem melhor.
Veja a história de Zaqueu que ficou conhecida pelo inusitado de seu ato de subir numa árvore para ver Jesus passar (em Lc 19:1-10) e teve sua vida maravilhosamente transformada.
Detalhando um pouco o encontro com Zaqueu posso detectar que pelo menos em quatro áreas de sua vida houve transformação.
Tudo começou com o arrependimento interior.  Sua vida pessoal e íntima mudou.  A verdadeira transformação que Jesus oferece começa de dentro para fora: começa mudando o coração do ser humano. 
O profeta Ezequiel, falando à nação caída de Israel, anunciou que o próprio Senhor daria um coração e um espírito novo (Ez 36:26). 
No encontro com Jesus nosso interior é completamente refeito à imagem de Deus (leia ainda 2Co 3:18).
Uma segunda transformação experimentada por Zaqueu foi em sua família.  Aquele homem atendeu o desafio do Mestre e levou Jesus para sua casa.  Havendo transformação em minha vida, logo eu a amplio para aqueles que estão mais próximos de mim. 
Foi isto que Josué determinou em seu coração ao decidir servir ao Senhor junto com sua família (já é conhecido o verso de Js 24:15). 
A vida nova que Cristo traz contagia a todos ao redor.
Há ainda a transformação da vida social.  O encontro com Cristo fez com que Zaqueu decidisse entregar parte de sua fortuna aos pobres.  Se antes ele era ambicioso e arrogante, depois de ser transformado Zaqueu se tornou misericordioso. 
O profeta Oséias ouviu instrução neste sentido para ser passada ao povo (Os 6:6). 
Jesus sabe que vivo em sociedade e pode me transformar para ser instrumento dele para abençoar esta sociedade (lembre-se do sal e luz falados por Jesus em Mt 5:13-16).
E finalmente Jesus transformou o destino de Zaqueu abrindo-lhe as portas da vida eterna.  Ninguém pode mudar o destino eterno do ser humano além de Jesus, e ele o faz de graça por nos amar. 
É o próprio Jesus Cristo quem afirma esta dádiva (compare os versos de Jo 10:28 com 15:13).  Por maior que seja o pecador, Paulo observa que também é alvo do amor de Cristo (está escrito em Rm 5:6-8). 
E ainda mais um detalhe: é bom saber que há festa nos céus quando acontece tal transformação (como Jesus observa em Lc 15:7).
Por se encontrar com Jesus, Zaqueu mudou – houve transformação.  Daquele encontro nasceu um novo Zaqueu.