sexta-feira, 18 de setembro de 2020

DEMONSTRANDO PODER

  


Uma maneira de Jesus evidenciar o Reino de Deus foi através de operação de milagres, curas e outras demonstrações públicas de seu poder e autoridade.  Não que com isso Jesus estivesse interessado em transformar seu ministério em espetáculo, mas com a realização de tais atos sobrenaturais, Jesus estaria tanto atendendo as pessoas em suas necessidades quanto atestando sua autoridade.

É interessante, contudo, observar que a cada nova manifestação de poder, as reações eram sempre diferentes.  Embora acompanhadas de temor e admiração.

Note alguns: a) quando acalmou a tempestade, seus discípulos questionaram seu poder (em Lc 8:25); b) quando tratou do endemoniado gadareno, seus conterrâneos pediram que se retirasse (em Lc 8:37); c) quando ressuscitou a filha de Jairo, este ficou maravilhado (em Lc 8:56); d) igualmente os pais do jovem possesso que foi liberto (em Lc 9:43); e e) a multidão ficou saciada depois de se alimentar com os pães e peixes multiplicados (em Lc 9:17).

Ou seja, é impossível ficar indiferente diante da manifestação do poder e autoridade de Jesus e do que ele realiza na vida de seus discípulos.  Alguns sempre perceberão o que Jesus tem realizado e, tomados de temor, o reconhecerão como o verdadeiro Cristo, o filho de Deus; enquanto outros, por causa de igual temor, procurarão fugir e não se comprometer com ele.

(Extraído da Revista “Lucas” – Editora Sabre)

terça-feira, 15 de setembro de 2020

TABELA DE MEDIDAS BÍBLICAS – Distância e área

Ainda oferecendo recursos para um estudo mais detalhado da Bíblia e do seu contexto, apresento aí uma tabela com as principais medidas de distância e área utilizadas no tempo em que o texto foi escrito.


 

 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

LEMBRE-SE ANTES

 

Há certa poesia melancólica no final do livro de Eclesiastes (Qohelet)

Na verdade, todo esse livro do Antigo Testamento destila um sentimento de frustração e nulidade. — "Tudo é vaidade e correr atrás do vento" – esse é o mote que percorre todo esse escrito sapiencial hebreu.

Mas, no final do seu texto, o pregador deixa seu desencanto ser tocado pela beleza do entardecer e faz uma descrição do ocaso da vida, pintando-o com belas cores do poente.

No texto, o convite à alegria da juventude (Ec 11:9) contrapõe-se aos dias nos quais não restam deleites (Ec 12:1).  E segue-se a descrição desses dias, completamente carregada de melancólica poesia:

 

Reavive em sua mente o seu Criador
Enquanto você é jovem.

Antes que cheguem os dias e os anos nos quais venha a confessar
não ter mais com o que se satisfazer.

Antes que a luz do sol se obscureça.
E lua e estrelas sejam encobertas por nuvens,
mesmo depois das primeiras chuvas.

Pois vão chegar dias em que até os guardiões da casa vão tremer
E os varões vão se encurvar.

Dias nos quais os raros moedores cessarão
E pelas turvas janelas já não se verá mais o brilho

Dias quando estarão cerrados os portais externos,
Quando será difícil ouvir o ranger das moendas
E até o assobio dos pássaros parecerá silêncio.

Dias em que qualquer altura o assustará como perigos nas ruas.
Dias em que o gafanhoto será um fardo.

Quando já não se despertar, nem pulsar o desejo.

 

Reavive em sua mente o seu Criador
Enquanto você é jovem.

 

Porque vai chegar o tempo do homem voltar para a casa eterna.
É só restarão dele as lágrimas das carpideiras errantes.

 

Lembre-se daquele que o criou antes que a vida vá se pondo como um entardecer.  Antes que olhos, braços, dentes, ouvidos, passos, e desejos se esvaiam.  Enquanto há alegria e folguedo na vida, lembre-se daquele que te fez brotar em pulsos de vida.

Lembre-se agora.

 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

DE BONS PODERES

 


De bons poderes sinto-me cercado,
Bem protegido e de fato consolado:
Assim desejo eu passar os dias
E ter convosco um ano de alegrias.

 

Ainda o passado nos tortura,
De dias maus nos pesa a amargura:
Senhor, concede às almas espantadas
A salvação, para a qual são preparadas.

 

Estende-nos o cálice amargo da dor,
E o bebemos sem embaraço,
Porque nos vem das tuas boas e queridas mãos;
Até sofrer com gratidão tu nos ensinas.

 

Mas se quiseres dar-nos alegrias
Ainda sob o sol dos curtos dias
Do mundo, lembraremos o passado,
E entregamo-nos ao teu cuidado.

 

Deixa que estas velas que chamejam
Um bom sinal de Ti, nas trevas sejam:
Permite que mais uma vez nos encontremos
Pois Tua luz brilha à noite, bem sabemos.

 

E quando se fizer silêncio ao nosso redor,
Deixe-nos ouvir os seus sons aumentarem,
Do mundo invisível em crescente abundância,
E todas as crianças cantem hinos de louvor.

 

De bons poderes protegidos,
Aguardamos tranqüilos o que há de vir.
Deus está conosco à noite e pela manhã,
E com certeza, a cada novo dia.

Dietrich Bonhoeffer
Ano Novo -1945

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

QUANDO LOUVAR A DEUS


 

A adoração a Deus é parte integrante da vida de qualquer cristão autêntico.  Ele precisa viver a todo e qualquer momento em espírito de devoção, piedade e reverência diante do seu Senhor (veja o que diz o Sl 34:1).

Mas, por outro lado, mesmo que o louvor seja constante, isso não invalida a verdade que a vida do cristão nesse mundo está pontilhada de batalhas, lutas e aperreios.  Jesus já havia predito isso (registrado em Jo 16:33).

Então, vamos juntar essas duas realidades para responder à questão: se a adoração é um imperativo e as batalhas inevitáveis, quando devo louvar a Deus?

E das páginas sagradas vamos buscar as respostas.

 

* Antes da batalha

Em um pequeno versículo e que fica quase escondido no meio da narração, Mateus nos conta que depois da última celebração pascoal e antes de sair para o Getsemani, Jesus cantou um hino com seus discípulos (o verso é Mt 26:30).

O texto é belo, simples e solene.  Não há extravagâncias, nem arroubos. Jesus sabe que dali ele enfrentaria a maior de todas as batalhas que lhes estavam reservadas e ele prepara seu espírito para o enfrentamento com serenidade e confiança.

Antes da batalha o louvor coloca em ordem o espírito, traz à alma resolução, coragem e limpidez, mas principalmente faz aflorar um ânimo de dependência e submissão àquele que sempre segue em triunfo.

Quando louvar a Deus?  Quando a batalha se avizinha de minha vida.

 

* Durante da batalha

Lucas conta que, mesmo presos por fazer o bem a uma jovem, Paulo e Silas cantavam e louvavam a Deus em pleno cárcere durante as horas da noite.  Essa é daquelas histórias que parecem absurdas na Bíblia (a narração toda está em At 16 – e o verso em destaque é o 31).

As circunstâncias não determinaram as atitudes dos prisioneiros.  Os servos de Cristo vivenciavam as piores condições possíveis, mas foi em meio à batalha que o louvor aflorou em seus lábios.  Independente do que os levou àquelas condições, do quão intensas sejam as dores e de que desfechos os esperavam, louvar a Deus era uma atitude indubitável.

Enquanto as lutas estão sendo travadas, o louvor e a adoração colocam o meu foco no que realmente importa: aquele que tudo pode e cujos planos nunca são frustrados.

Quando louvar a Deus?  Quando a batalha está acontecendo em minha vida.

 

* Depois da vitória

Agora vou citar dois episódios.  Depois que saiu da batalha do diluvio, Noé ofereceu a Deus um sacrifício de louvor e gratidão (leia em Gn 20-21).  Depois que atravessaram o mar e viram os egípcios sucumbirem a ele, Moisés e Miriam aclamaram em adoração ao Senhor (em Êx 15).

Ao final do embate, antes que a adrenalina se arrefecesse, os patriarcas de Israel reconheceram que todo louvor deve ser dado ofertado e cantado ao Senhor que triunfou gloriosamente. Só ele é digno de receber os louros da conquista.

Ao final da peleja, o espírito de gratidão e adoração é humanamente nobre e nos faz aceitar que somente a ele pertence a vitória e a ele tem também que pertencer minhas intenções de celebração.

Quando louvar a Deus?  Quando já há vitória e triunfo em minha vida.

 

Que possamos louvar a Deus em todo o tempo.

 

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

TABELA DE MEDIDAS BÍBLICAS – Peso, volume e dinheiro


Uma das dificuldades de todo intérprete e estudante da Bíblia está em traduzir e fazer referência a pesos, medidas, quantidades, volumes e dinheiro no texto.  Além das próprias dificuldades da versão do texto em si, é preciso lembrar que muitas vezes os números e valores não indicam diretamente quantidade e sim conceitos.

Para ajudar nessa compreensão, vou listar aí algumas expressões encontradas no texto bíblico e que indicam peso, volume e dinheiro.  Decidi incluir nessa lista o dinheiro citado no texto por que, em geral, o valor atribuído ao dinheiro estava relacionado ao peso e ao metal usado.

 

Vou usar como referência a versão de Almeida em Português.  Veja a lista:

 

Bato (em hebraico: בת – em grego: χοῖνιξ) – No AT indicava cerca de 40 litros (veja Ez 45:10).  Também chamado de Queniz (em Ap 6:6).

Coro (em hebraico: כר – em grego: κόρος) – A medida descreve o equivalente a um tonel ou entre 200 e 450 litros/quilos (no AT em 1Rs 5:11 e no NT em Lc 16:7).

Dárico (em hebraico: רכמוןד) – Moeda cunhada em ouro pelo Império Persa com peso médio de 8,5 gramas e que estampava a imagem do rei Dario I (citado em Ed 2:69 e Ne 7:70-72).

Denário (em hebraico: דינר – em grego: δηνάριον) – A menor moeda romana, cunhada em prata (em latim: denarius).  Em geral um Denário correspondia ao salário diário de um trabalhador braçal.  Com um Denário seria possível comprar cerca de oito quilos de pão (citado no NT em Mt 22:19).

Dracma (em grego: δραχμή) – Na época do NT era uma moeda grega de prata com 3,4 gramas.  Os romanos a equipararam ao Denário.  Jesus a cita em uma de suas parábolas (leia em Lc 15:8).

Efa (em hebraico: איפה – em grego: μετρητής) – Equivalente a três medidas ou arrobas ou 45 litros.  Também chamado de Almude no AT (por exemplo, em Lv 5:11) ou Metreta no NT (em Jo 2:6).

Estáter (em grego: στατήρ) – Moeda ática cunhada em prata com valor equivalente a quatro Dracmas ou 10 gramas.  No NT, ela aparece citada quando Pedro encontra uma delas na boca de um peixe (em Mt 17:27).

Him (em hebraico: הין – em grego: ἴυιον) – Medida para líquidos equivalente a 8 ou 9 litros (em Nm 28:5).

Homer (em hebraico: חמר) – Medida de capacidade, geralmente associada à carga de um burro ou pouco mais de 200 litros/quilos (citado em Nm 11:32 e Ez 45:11).

Medida (em hebraico: מדד) – No AT equivalia a aproximadamente 15 quilos/litros (Rt 3:15 / 1Sm 1:24).  Também chamada de Alqueire ou  Arroba.  Na língua grega é usado o particípio do verbo medir (μετρέω – ἐμέτρησεν – como em Ap 21:16).

Mina (em hebraico:מנה – em grego: μνᾶ) – Uma medida de peso (algo em torno de 570 gramas) e ou de dinheiro (no AT é citada em 1Rs 10:17 e no NT na parábola registrada em Lc 19:11-27).

Siclo (em hebraico: שקל) – Uma medida de peso e também de valor monetário no Israel antigo equivalente a cerca de 10 gramas.  Também chamada de Shequel (no AT, citado em Êx 30:13).  O seu valor se equipara a duas dracmas no NT.

Talento (em hebraico: ככר – em grego: τάλαντον) – Como medida de peso equivale a pouco mais de 34 quilos (como em Êx 38:24-29).  Como unidade monetária de origem grega se equipara a cerca de seis mil dracmas (citada em Mt 25:14-30).