terça-feira, 5 de maio de 2015

O profeta Ezequiel – prisma de visão

Ezequiel nasceu sacerdote mas Javé o fez profeta.  Simplesmente esta afirmação já pode demonstrar todo o prisma de visão do profeta.  Ezequiel recebeu uma educação típica de um filho de sacerdote que haveria de assumir as suas funções do Templo de Jerusalém, educação esta recheada de regras de pureza particulares deferentes das dos outros jovens contemporâneos seus.  É interessante verificar até que ponto ele acumula as funções e implicações do sacerdócio e do profetismo já que seu livro está consideravelmente mesclado de elementos de tradições sacerdotais.
O século VI a.C. em que viveu Ezequiel foi marcado para as Escrituras como a época da formação e compilação do documento sacerdotal e Ezequiel, sendo do auto clero judaico, participou ativamente deste trabalho.  A teologia sacerdotal com suas fórmulas jurídicas ou ligadas à casuística, sua ideia de sábado (Sabath) e circuncisão ia de encontro a toda a ideologia da Obra Historiográfica Deuteronomista – OHD formada por volta da reforma de Josias cem anos antes.  Por ser influenciado pelo trabalho de Jeremias, que por sua vez foi profundamente pela OHD, Ezequiel deve ter sentido o peso desta obra, porém, como sacerdote, sua maior influência deve ter sido recebida pela obra sacerdotal da qual foi um importante colaborador.
J.M. Asurmendi o descreve assim: Homem da instituição por nascimento, em estreita dependência da monarquia, volta para o passado onde colhe as instruções que transmite ao povo, Ezequiel, sacerdote do santuário principal da nação, não era, a priori, o homem mais apto para realizar a missão profética.
Mas Ezequiel tem convicção de que Deus o escolhe e, a partir deste ponto de vista, sente que a palavra profética é colocada com todas as suas características e implicações na sua boca.

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