Além da mensagem profética que desafia os poderes políticos na
situação – mensagem indispensável – Jeremias também exerceu outra influência
sobre as decisões sociais e políticas do povo.
Durante o exílio, os deportados para a Babilónia estavam
desistindo de sua participação na sociedade e acreditando que não deveriam se
envolver de forma alguma naquela situação.
Foi para eles, naquela circunstância, que o profeta escreveu. Para que eles voltassem a se envolver nas
questões da cidade (confira a carta em Jr 29).
A carta foi enviada e encontrou um povo
desiludido. Era verdade que os líderes
políticos e religiosos da nação “fizeram uma loucura em Israel” (verso 23), mas
o Senhor ainda tinha controle dos seus planos para e nação, e eram “planos de
prosperidade e não de mal, para dar um futuro e uma esperança” (verso 11).
Assim os deportados deviriam edificar
casas para nelas morar; plantar pomares para comer dos seus frutos; casar e
gerar filhos para criar as novas gerações (versos 5 e 6). Em resumo: se envolver na sociedade e na
política, viver, trabalhar, crescer e prosperar.
Os planos do Senhor, mesmo naquela
situação de castigo e cativeiro, eram para que o povo contribuísse para o
progresso da cidade para onde foram levados, pois seria somente na prosperidade
de toda a sociedade que o Senhor haveria de fazer prosperar o seu povo (verso
7).
A crença inabalável num Deus que age na
história fez com que o profeta, por um lado, não renunciasse sua missão de
denunciar os desmandos políticos das lideranças e, por outro, também mantivesse
o moral e ânimo do povo em se comprometer com a construção de uma sociedade
justa, prospera e espelhasse os valores do próprio Deus. Afinal, sempre foi esse o objetivo de Deus
para seu povo: que eles fossem instrumento e canal na edificação do seu Reino.
(Da Revista
DIDASKALIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)

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