terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CARTA AOS EXILADOS

 


Além da mensagem profética que desafia os poderes políticos na situação – mensagem indispensável – Jeremias também exerceu outra influência sobre as decisões sociais e políticas do povo. 

Durante o exílio, os deportados para a Babilónia estavam desistindo de sua participação na sociedade e acreditando que não deveriam se envolver de forma alguma naquela situação.  Foi para eles, naquela circunstância, que o profeta escreveu.  Para que eles voltassem a se envolver nas questões da cidade (confira a carta em Jr 29).

A carta foi enviada e encontrou um povo desiludido.  Era verdade que os líderes políticos e religiosos da nação “fizeram uma loucura em Israel” (verso 23), mas o Senhor ainda tinha controle dos seus planos para e nação, e eram “planos de prosperidade e não de mal, para dar um futuro e uma esperança” (verso 11).

Assim os deportados deviriam edificar casas para nelas morar; plantar pomares para comer dos seus frutos; casar e gerar filhos para criar as novas gerações (versos 5 e 6).  Em resumo: se envolver na sociedade e na política, viver, trabalhar, crescer e prosperar.

Os planos do Senhor, mesmo naquela situação de castigo e cativeiro, eram para que o povo contribuísse para o progresso da cidade para onde foram levados, pois seria somente na prosperidade de toda a sociedade que o Senhor haveria de fazer prosperar o seu povo (verso 7).

A crença inabalável num Deus que age na história fez com que o profeta, por um lado, não renunciasse sua missão de denunciar os desmandos políticos das lideranças e, por outro, também mantivesse o moral e ânimo do povo em se comprometer com a construção de uma sociedade justa, prospera e espelhasse os valores do próprio Deus.  Afinal, sempre foi esse o objetivo de Deus para seu povo: que eles fossem instrumento e canal na edificação do seu Reino.

(Da Revista DIDASKALIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A FÉ

 


“Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.”

II Coríntios 13.5

 

            Se na palavra de Deus encontramos o desafio de nos examinar e provar para ver se permanecemos na fé, consequentemente nos vem à mente que somos falhos, sendo necessário sempre pararmos para rever nossos conceitos .  A questão é: “Por quanto tempo permanecemos com nossa fé firmada sem ser abalada/influenciada pelas circunstâncias?”

            Talvez pareça absurdo pensar que a fé seja influenciada pelas circunstâncias, porque não dizer que não deveria ser assim mas, o que dizer dos homens de Deus como Elias, que após tamanha demonstração do poder de Deus diante dos profetas de Baal foi se esconder com medo de Jezabel? Ou Moisés que mesmo diante da maravilha da sarça ardente relutou diante do chamado de Deus, sendo necessário a manifestação de vários sinais para que ele obedecesse?  Imagine nós?  Nossa fé é sim abalada pelas circunstâncias da vida.  Entretanto diante da admissão desse fato resta-nos lidar conscientemente com a realidade, tendo certeza que apesar da nossa pouca fé, com base na palavra de Deus, precisamos acreditar que “Jesus Cristo está em nós” e que ainda que não entendamos as situações enfrentadas o Deus da Palavra está no controle de tudo. Precisamos nos recordar que “sem fé é impossível agradar a Deus”; e fé é viver experiências DIÁRIAS com Deus.  E nunca esquecer também que avaliar faz parte da vida.  É necessário perguntar sempre:

  • O que eu estou fazendo em minha Vida Cristã é suficiente ou eu posso fazer mais?
  • Eu realmente estou entendendo o que Deus quer de mim?
  • Eu consigo ver o agir de Deus em minha vida?

Com as respostas sinceras, nós saberemos em que grau a fé que professamos nos aprova diante de Deus.

Reflexão escrita por Elda Linhares Lima Nogueira – esposa que o Senhor me deu – e que publico aqui com distinção.

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

SALMO 8 - leitura africana

 

Entre os diversos poemas que compõem o Livro do Saltério hebraico – O Livro dos Salmos – o de número oito é assim intitulado no original: Para o mestre de música.  De acordo com a melodia Os Lagares. Salmo davídico.  E como o próprio título indica esta é uma canção atribuída à lavra de Davi. 

 


 

 

Um pouco de com um africano lê esse Salmo:

 

O salmista começa esse salmo como se tivesse falando à comunidade e se dirige a Deus como “Senhor nosso” (8:1).  Quando se assenta ao ar livre à noite e observa as miríades de estrelas, porém, deixa de falar em nome de outros e louva a Deus pessoalmente: Quando contemplo (8:3).  Ele considera os céus [...] a lua e as estrelas obra das mãos do Senhor que leva suas impressões digitais.

(...)

Diante de tal majestade, ninguém pode permanecer calado.  Até mesmo os pequeninos, as crianças, os fracos, louvam ao Senhor (8:2a).  A referência ao louvor oferecido pelas crianças não tem paralelo no AT.  Quando, porém, as crianças louvaram a Jesus, ele citou esse versículo para aqueles que o criticavam por aceitar o louvor (Mt 21:16).

(...)

Existe uma ligação estreita entre o papel e o lugar da humanidade nesse salmo e o relato da criação dos seres humanos em Gênesis 1 e 2.  O fato de termos sido criados à imagem de Deus significa que todo ser humano merece ser tratado com respeito e considerado precioso aos olhos do Senhor.

Não é de se admirar que o salmista encerre da mesma forma que começou: Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnifico em toda terra é o teu nome! (8:9).

(Nupanga Weanzana – no Comentário Bíblico Africano)

 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

E 2025 JÁ ESTÁ INDO

 


 

Na primeira postagem de 2025 aqui no Escrevinhando eu escrevi: JÁ É 2025 (está neste link).  E com certa admiração matemática constatei que nesse ano o longínquo ano 2000 distava a mesma lonjura (ou proximidade como queira perceber) de 2050!

 

Ali eu refleti sobre essa marca irresistível do tempo, e escrevi:

 

O tempo insiste em ter essa característica:  independente de nossa vontade ou expectativa, ele continua passando.  Mais lento ou mais rápido. Com tédio ou adrenalina.  Trazendo boas ou más lembranças.  O tempo continua implacável e passando.

 

Mas agora, nessa última postagem de 2025 – já beirando mais um novo ano – volto a deixar escorrer as ideias e tentar pescar o que vem daí.

 

Veja: o Brasil (acho que o mundo também) continua polarizado – o que não é bom para ninguém!  Mas ainda permaneço no fundamento e, radical mesmo, só sou em ser servo de Cristo (insisto na palavra servo).  E isso basta.

Também: a igreja segue triunfante e perseguida (aqui e ali). Sinal que o Apocalipse já está em andamento e os sons da eternidade estão a ecoar (como o fazem há 20 séculos). E eu somente declarando minha adoração ao Único que é Digno.

(Por falar nisso: tenho um livro comentando o Apocalipse nessa perspectiva – recomendo a leitura. Para achá-lo, clique no link.)

Sobre Ciências e tecnologias não vou nem comentar.  Rapidamente ficaria obsoleto.  A humanidade continua criativa e o capital insiste em inventar soluções para problemas que eu nem sabia que tinha.  E talvez outros humanos também não.

 

E 2025 já está indo...
Continuamos correndo — prá onde?
Agenda cheia — de quê?
Muito barulho — o que se canta?
Brilhos intensos — algo a ver?
Relações intensas — efêmeras?
Ansiedade à flor da pele — e o que somamos?

 

Além do mais, a essa altura, começamos a perder a ilusão da eternidade.

 

Então, daqui a pouco vai amanhecer o ano novo, e a ampulheta continuará seu sucessivo derrame de areia: inflexível e constante.

Assim, antes que o último grão escoe, preciso apurar meus ouvidos para me deixar ser tomado pelas palavras daquele que desde sempre está assentado sobre o trono. Pois é dele que vem a reconfortante promessa:

 

"Eis que faço novas todas as coisas." (Ap 21:5)

 

 

Aproveitando, aí vai uma relação de postagens aqui no Escrevinhando sobre passagens de ano:

 

Já é 2025link
Ele faz nova todas as coisaslink
E o fim do mundo?link
Um Salmo fúnebre para 2021 – link
Esse anolink
Apenas hojelink
A primeira segunda de 2014link
Não por enquantolink

 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O CÂNTICO DE MARIA

 


O Evangelho de Lucas é recheado de cânticos e expressões de louvor.  Lucas entendeu que Deus decidiu entrar na história humana, cumprindo as profecias e demonstrando favor e graça.  E já deste o início nos diz que, diante desta graça, devemos oferecer uma resposta de louvor e adoração com cânticos e disposição de se entregar à sua vontade.

 

E o Cântico de Maria é um bom exemplo disso.  Registrado nos versos 46 a 55 do primeiro capítulo, este cântico é um modelo de adoração. 

 

Vejamos:

 

Ela começou engrandecendo ao Senhor (v. 46).  Assim deve começar todo louvor e adoração.  Mas não o faz de maneira aleatória ou sem propósito.

Maria cantou e engrandeceu com a sua alma por que, na sua grandeza, o Senhor baixou-se para contemplar a sua serva (v. 48).  Ela adorou o Deus grande que se importa com os humildes.

E no verso 49 Maria reconheceu em sua adoração que Deus a merece tanto pelo que ele faz – realizou grandes coisas – quanto pelo que ele é – Santo é o seu nome.

(A partir de um extrato da Revista "Lucas" – Editora Sabre)

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

DEUS CUIDOU

 


O profeta Ezequiel estava vivendo os primeiros anos da deportação para a Babilônia e apresentava uma mensagem de que a sentença de Deus estava selada e que Jerusalém certamente cairia devido aos pecados nacionais.

No exercício do ministério profético, Ezequiel tinha consciência da história e do contexto do povo. É sempre assim: um profeta enviado por Deus não ignora a realidade para a qual ele foi chamado a pregar.

O profeta então partiu da citação da narrativa histórica para acusar Jerusalém por seus atos abomináveis (Ez 16.2) e chamar Israel à responsabilidade. E fez isso com acusações diretas (em segunda pessoa), usando da figura da menina abandonada ao nascer.

A narrativa começou lembrando que ninguém teve piedade de Jerusalém ao nascer, pelo contrário, tiveram nojo (Ez 16.5).

E continuou indicando que o Senhor, ao ver aquela menina em estado tão deplorável, decidiu cuidar dela, lavando-a e ungindo com óleo (Ez 16.9). Porém o mais importante foi que fez com ela um juramento e uma aliança. A implicação dessa aliança era clara: “tu passaste a me pertencer” (v. 8).

Deus não considerou a situação inicial em que Israel se encontrava, mas decidiu a tornar muito bela, cheia de esplendor, elevando-a a realeza (Ez 16.13).

O que aconteceu em seguida, contudo, foi que a menina – agora já mulher – colocou sua confiança em sua própria beleza e fama (Ez 16.15) e passou usar de seu encanto se prostituindo de forma abominável, edificando um “altar em cada canto do caminho” (v. 25).

O mínimo de decência moral e espiritual que se esperaria de uma cidade e povo que foi tão bem cuidado e protegido por Deus seria que se lembrasse “dos dias da tua juventude” (Ez 16.21). Mas não foi isso que aconteceu. O que restou foi o lamento: “Ai, ai de ti!, diz o SENHOR Deus. Depois de toda a tua maldade” (v. 23).

0 que levou o profeta a duas constatações. Primeiro que “porque desprezou o juramento e quebrou o pacto firmado com aperto de mãos, e ainda praticou todas essas coisas; ele não escapará” (Ez 17.18). Ou seja, o erro sempre traz consequências.

Também, que mesmo ali Deus sempre se mostraria fiel, pois ele mesmo garantiu: “Mas eu me lembrarei da minha aliança. Firmarei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o SENHOR (Ez 16.60,62).

 

(Da revista “COMPROMISSO” – Convicção Editora – Ano CXVII – nº 468)

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

NÃO SE PROSTRARAM



Em certa ocasião, o rei Nabucodonosor mandou erguer uma estátua de ouro para que todos se prostrassem e a adorassem (Dn 3.1,5).

Chegado o momento da adoração à estátua, os três amigos judeus se recusaram a prestar culto ao ídolo, sendo denunciados ao rei (Dn 3.12).  Então, na sua ira, o rei os ameaçou jogar numa fornalha, questionando: “Quem é esse deus que vos poderá livrar das minhas mãos?” (v. 15).

A resposta dos jovens foi firme: “O nosso Deus nos livrará da tua mão” (Dn 3.17), mas, mesmo que venhamos a morrer, “não cultuaremos teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro” (v. 18).  Assim, por conta disso, eles foram lançados no fogo (v. 21).

Estando lá no meio do fogo, eis que o sobrenatural aconteceu e o rei olhou e percebeu que eram quatro os que passeavam entre as chamas.  E mais, nas palavras do próprio Nabucodonosor: “o quarto homem é parecido com um filho dos deuses” (Dn 3.25).

Então a firmeza dos judeus foi reconhecida e o Deus dele adorado com as palavras reais: “Bendito seja o Deus que enviou seu anjo e livrou seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, preferindo entregar os seus corpos a cultuar ou adorar outro deus, senão o seu Deus” (Dn 3.28).

 

(A partir da revista COMPROMISSO – Convicção Editora – Ano CXVII – nº 468.  Na imagem: xilogravura retratando Nabucodonosor II pelo gravador alemão do século XVI Georg Pencz, de uma série de xilogravuras intitulada Tiranos do Antigo Testamento atualmente no Cleveland Museum of Art / USA – fonte: wikipedia.org)