quarta-feira, 21 de outubro de 2026

O ESTADO FORA DA IGREJA

O poder estatal ou político das nações e povos antigos sempre manteve o controle da religião e do culto de seus súditos.  Assim foi, por exemplo, com os egípcios, os babilônios, os romanos e até entre os judeus.

Nessa concepção, o rei era o representante máximo da divindade e cabia a ele afirmar e defender os princípios e valores da religião nacional, e qualquer desvio ou rebelião religiosa era considerado uma ofensa ao soberano e ao Estado.

Em 1612, porém, o advogado inglês Thomas Helwys, um dos que consideramos como fundadores do que hoje chamamos de Igreja Batista, teve a coragem de se opor a igreja estatal inglesa ao declarar: “... a religião do homem está entre Deus e ele: o rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o homem.  Que haja, pois, heréticos, turcos ou judeus, ou outros mais, não cabe ao poder terreno puni-los de maneira nenhuma”.

A partir de uma compreensão como esta, os batistas se organizaram sempre se posicionando contra a interferência do poder político em questões eclesiásticas e também se contrapondo a manifestação da igreja em questões estatais.

 

Um importante parêntese bíblico:

Quando o apóstolo Pedro enfrentou as autoridades e precisou defender a sua fé, ele não hesitou em declarar que mais o importante é obedecer a Deus que a homens (em At 5:29).

Nesse episódio, ficou claro que o princípio bíblico a ser defendido é que nenhum poder político ou estatal pode determinar a minha maneira de crer e cultuar.  Esse foi nosso princípio norteador batista desde o início, e ele sempre será muito caro para nós.

 

Voltando ao comentário:

Já citei a declaração de Helwys, lá no início da Igreja Batista.  Na mesma linha de entendimento o Pr. Denton Lotz (então secretário geral da Aliança Batista Mundial) afirmou em 2018 que “os Batistas creem que a religião não pode ser coagida ou forçada pelo Estado ou por qualquer autoridade religiosa.  Com certeza este conceito de liberdade religiosa e separação da Igreja do Estado é nossa maior contribuição à história religiosa da humanidade”.

Por esse princípio declaramos que a fé de um homem é questão exclusiva dele e ninguém, nem o Estado, nem o Congresso, nem o presidente, nem fundamentalismo de direita ou esquerda cristã, nem patrulha ideológica podem determinar o que eu devo crer ou confessar.  E que ninguém seja julgado pela fé – nem pela minha fé.  Pois a nenhum poder dessa terra foi dado o direito de julgar a doutrina e o culto alheio.

(A partir de um estudo na Revista DIDASKAIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)

 

Para enriquecer sua leitura sobre o tema, sugiro os seguintes artigos:

→ Helwys – Deus e o rei – link 
→ Os grandes princípios batistas – a separação entre igreja e estado – link 
→ Separação igreja x estado – um pouco de história – link 
→ O cristão e a política – nossa história – link 
→ Vida em Comunhão – a experiencia de Finkenwalde – link 
→ O que a Bíblia diz sobre a fé e o estado – link 
→ Identidade Batista em tempos de mudança – link

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário