O poder
estatal ou político das nações e povos antigos sempre manteve o controle da
religião e do culto de seus súditos.
Assim foi, por exemplo, com os egípcios, os babilônios, os romanos e até
entre os judeus.
Nessa concepção,
o rei era o representante máximo da divindade e cabia a ele afirmar e defender
os princípios e valores da religião nacional, e qualquer desvio ou rebelião
religiosa era considerado uma ofensa ao soberano e ao Estado.
Em 1612,
porém, o advogado inglês Thomas Helwys, um dos que consideramos como fundadores
do que hoje chamamos de Igreja Batista, teve a coragem de se opor a igreja
estatal inglesa ao declarar: “... a religião do homem está entre Deus e ele: o
rei não tem que responder por ela e nem pode o rei ser juiz entre Deus e o
homem. Que haja, pois, heréticos, turcos
ou judeus, ou outros mais, não cabe ao poder terreno puni-los de maneira
nenhuma”.
A partir de
uma compreensão como esta, os batistas se organizaram sempre se posicionando
contra a interferência do poder político em questões eclesiásticas e também se
contrapondo a manifestação da igreja em questões estatais.
Um importante
parêntese bíblico:
Quando o
apóstolo Pedro enfrentou as autoridades e precisou defender a sua fé, ele não
hesitou em declarar que mais o importante é obedecer a Deus que a homens (em At
5:29).
Nesse
episódio, ficou claro que o princípio bíblico a ser defendido é que nenhum
poder político ou estatal pode determinar a minha maneira de crer e
cultuar. Esse foi nosso princípio
norteador batista desde o início, e ele sempre será muito caro para nós.
Voltando ao comentário:
Já citei a
declaração de Helwys, lá no início da Igreja Batista. Na mesma linha de entendimento o Pr. Denton
Lotz (então secretário geral da Aliança Batista Mundial) afirmou em 2018 que “os
Batistas creem que a religião não pode ser coagida ou forçada pelo Estado ou
por qualquer autoridade religiosa. Com
certeza este conceito de liberdade religiosa e separação da Igreja do Estado é
nossa maior contribuição à história religiosa da humanidade”.
Por esse
princípio declaramos que a fé de um homem é questão exclusiva dele e ninguém,
nem o Estado, nem o Congresso, nem o presidente, nem fundamentalismo de direita
ou esquerda cristã, nem patrulha ideológica podem determinar o que eu devo crer
ou confessar. E que ninguém seja julgado
pela fé – nem pela minha fé. Pois a nenhum poder dessa
terra foi dado o direito de julgar a doutrina e o culto alheio.
(A partir de um estudo
na Revista DIDASKAIA – 1º quadrimestre / 2023 – IBODANTAS)
Para
enriquecer sua leitura sobre o tema, sugiro os seguintes artigos:
→
Helwys – Deus e o rei – link
→
Os grandes princípios batistas – a separação entre igreja e estado – link
→
Separação igreja x estado – um pouco de história
– link
→
O cristão e a política – nossa história – link
→
Vida em Comunhão – a experiencia de Finkenwalde –
link
→
O que a Bíblia diz sobre a fé e o estado – link
→
Identidade Batista em tempos de mudança – link

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