terça-feira, 13 de novembro de 2012

DO DESEJO SANTO


O segundo tema reinterpretado por Jesus é o tema do adultério (Mt 5:27-32).  Aqui vale o mesmo princípio interpretativo.  Jesus não vem abolir a Lei, mas cumpri-la e levá-la a seu real significado e extensão.
Aos antigos foi dito: “Não adulterarás” (Êx 20:14).  Neste sétimo mandamento Deus apresenta o alto valor dado à família, a pureza e a santidade.  Deus criou o homem e a mulher com suas diferenças e seus desejos.  E os fez assim para serem santos e puros na sua vida aqui nesta terra.  É isto que Deus intenta preservar neste mandamento.
Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la... (Mt 5:28).  Jesus vai além do ato conjugal em si.  Todo o corpo, mente e intenções têm de ser consagrados ao Mestre, logo não podem se desviar, tornando-se impuros em nada, nem desviando de sua intenção original.  Os desejos do discípulo podem ser santos (leia Hb 13:4) ou podem ser impuros, obstruindo a visão do Reino de Deus.  Se o coração do discípulo se enche de desejos vãos, então não poderá desejar a pureza que vem do Mestre.
E Jesus vai mais além: se tiver que escolher entre um objeto de desejo transitório e a fonte suprema de todo bem – que se faça a escolha pelo eterno em detrimento do passageiro.  O Mestre oferece aos seus discípulos gozo perene.  Mas é preciso não trocá-lo por prazeres banais!
Ainda tratando do desejo, Jesus o canaliza para o matrimônio que só deve ser celebrado em amor.  E isto é fácil de compreender.  Para o discípulo, qualquer vinculo ou compromisso somente será celebrado se for embasado em amor (confira Cl 3:14), pois qualquer outro vínculo que haja entre cristãos, será abandono do discipulado. 
Considerando o Amor de Cristo, razão de ser do discipulado, que eu possa dedicar ao Mestre meus desejos santos.

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