sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A SEMENTE E O CORAÇÃO

 


 

Um dos métodos que Jesus se utilizou para ensinar aos seus discípulos as lições e verdades sobre o evangelho que estava anunciado foi o de contar histórias.  Elas sempre traziam alguma luz para melhor entender o que Jesus estava ensinando.

Entre tais histórias, a do semeador foi contada para que seus discípulos compreendessem como se dá a propagação e aceitação do evangelho.  Na narrativa, um semeador saiu a espalhar a sua semente, porém ela caiu de maneira indistinta em terrenos diferenciados: à beira do caminho, sobre pedras, entre espinhos e em boa terra (leia a narração em Lc 8:4-8)

O problema é que, mesmo os discípulos continuaram sem entender o significado daquela história, gerando a necessidade do próprio Jesus explicar o seu significado (leia também a explicação em Lc 8:9-15).

Pela explicação dada por Jesus, a semente é a palavra de Deus e os diferentes tipos de terrenos onde a semente cai são os tipos diferentes de coração onde a semente-palavra é lançada, resultando assim, diferentes maneiras de aceitação do evangelho do Reino de Deus que Jesus estava anunciando.

Assim, aplicando as lições apresentadas na parábola do semeador, podemos notar que a semente da palavra de Deus está sendo lançada e que cada ser humano reage de uma forma própria a esta palavra.  Alguns ouvem, mas logo o diabo lhes tira a semente, não produzindo nenhum efeito.  Outros até ouvem e aceitam de início, mas as preocupações ou as ilusões desta vida não a deixam criar raízes e frutificar.

Mas há ainda aqueles que, tendo recebido a mensagem de bom coração, aceitam e permitem que ela germine e produza os frutos.  Cabe ao discípulo dispor de sua vida e coração como uma boa terra para que o evangelho do Reino possa ser plantado e frutifique.

(Da revista “Lucas” – Editora Sabre.  Na imagem, reprodução do quadro “O Semeador” de Vincent van Gogh pintado em 1888 cujo original atualmente encontra-se no E.G. Bührle Foundation, Zürich, Suíça)

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

AMÓS E O INÍCIO DO PROFETISMO CLÁSSICO EM ISRAEL

 

Nos meados do século IX a.C. Jeú, chefe do exército de Israel, tomou o trono de Samaria e numa ação sangrenta exterminou com a casa de Omri e extirpou o culto a Baal.  Javé ficou, pelo menos oficialmente, o Deus de Israel.  E mesmo Jeú estabelecendo uma dinastia secular, a quebra dos acordos com seus vizinhos e a falta de lideranças nacionais fez com que seu reinado não fosse tão próspero.

Chegando ao século VIII a.C. aconteceu uma reviravolta no quadro internacional o qual foi bem aproveitado pelos regentes de Samaria e de Jerusalém.  O ressurgimento de Israel começou com Joás, neto de Jeú, que começou a reconquista das cidades perdidas.  Contudo, só veio a conhecer seu esplendor com Jeroboão II (em Israel) e Azarias (em Judá).  Nesse período a extensão somada dos dois reinos parece ter atingido os limites da época de Salomão, de modo que houve uma prosperidade desconhecida desde a dinastia davídico-salomônica.  Foi esse luxo e esplendor da elite de Israel que Amós conheceu.

Esse quadro brilhante, porém, precisa ser confrontado com a decadência social, moral e religiosa.  Havia flagrantes injustiças e um grande contraste entre extremos de riqueza e de pobreza.  A ganância dos ricos – que recorriam a práticas ilícitas – e a falta de juízes justos pioravam a situação.  A antiga aliança tribal baseada na solidariedade e no pacto com Javé estava gradativamente sendo esquecida, inclusive pela absorção de canaanitas e a introdução das práticas comerciais com eles.  Nesse tempo, a religião passou a acompanhar a desintegração social, entrando consequentemente em decadência.  O culto a Baal voltou a se infiltrar, e os profetas – profissionais – mantinham-se calados.

Foi nesse ponto da história que nasceu o profetismo clássico em Israel com o conhecemos hoje.  E nasce com Amós.  Fortemente influenciado pelo passado, os profetas passaram a renunciar suas credenciais profissionais para poderem denunciar os erros de Israel e pregarem o monoteísmo ético, anunciarem a sentença de Javé. Mas também apontarem esperanças futuras em novas dimensões.

Com Amós começou uma nova fase no profetismo em Israel – o chamado profetismo clássico – mas essa nova fase não foi marcada por uma ruptura com as tradições proféticas de Israel, mas por uma releitura e reaplicação dessas tradições.  Assim, o que liga Amós a Moisés, Samuel e Elias que o antecederam e a Isaías, Jeremias e Ezequiel que o sucederam foi a relação pessoal deles com Javé, o Deus de Israel, e o apego às tradições da nação.

 

 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

JESUS TRANSFORMA

 


Há quase meio século os Batistas Brasileiros através de sua Junta de Missões Nacionais têm desenvolvido o Projeto Jesus Transforma – ou apenas trans como se tornou conhecido.

Segundo define a própria Junta em seu site: a Operação Jesus Transforma é uma ação missionária que envolve centenas de voluntários na proclamação do evangelho em cidades e bairros não alcançados, onde o conhecimento do verdadeiro Deus está ausente, objetivando ao fim a plantação ou a revitalização de uma igreja.

Os resultados em termos quantitativos dessas realizações, mesmo que se calcule em número de visitas, estudos, presença em culto ou manifestações de conversão, com certeza não representarão a verdadeira dimensão da conquista para a igreja de Cristo no Brasil.

 

Pensando no tema do projeto, à luz da Bíblia, sou levado a constatar que é impossível alguém se encontrar com Jesus e não ser tocado e transformado.

Dois episódios são bons exemplos.  De um lado há o homem rico que procurou Jesus querendo saber como herdar o Reino (contado em Mc 10:17) e, por não aceitar a proposta de Jesus, chegou esperançoso e saiu triste.  De outro vejo a história de Zaqueu que ficou conhecida pelo inusitado de seu ato de subir numa árvore para ver Jesus passar (em Lc 19:1-10) e teve sua vida maravilhosamente transformada.

Detalhando um pouco o encontro com Zaqueu posso detectar que pelo menos em quatro áreas de sua vida houve transformação.

Tudo começou com o arrependimento interior.  Sua vida pessoal e íntima mudou.  A verdadeira transformação que Jesus oferece começa de dentro para fora: começa mudando o coração do ser humano.  O profeta Ezequiel, falando a nação caída de Israel, anuncia que o próprio Senhor dará um coração e um espírito novo (Ez 36:26).  Quando nos encontramos com Jesus nosso interior é completamente refeito à imagem de Deus (leia ainda 2Co 3:18).

Uma segunda transformação experimentada por Zaqueu foi em sua família.  Aquele homem atendeu o desafio do Mestre e levou Jesus para sua casa.  Havendo transformação em minha vida, logo eu a amplio para aqueles que estão mais próximos de mim.  Foi isto que Josué determinou em seu coração ao decidir servir ao Senhor junto com sua família (já é conhecido o verso de Js 24:15).  A vida nova que Cristo traz contagia a todos ao redor.

Há ainda a transformação da vida social.  O encontro com Cristo fez com que Zaqueu decidisse entregar parte de sua fortuna aos pobres.  Se antes ele era ambicioso e arrogante, depois de ser transformado Zaqueu se tornou misericordioso.  O profeta Oséias ouviu instrução neste sentido para ser passada ao povo (Os 6:6).  Jesus sabe que vivo em sociedade e pode me transformar para ser instrumento dele para abençoar esta sociedade (lembre-se do sal e luz falados por Jesus em Mt 5:13-16).

E finalmente Jesus transformou o destino de Zaqueu abrindo-lhe as portas da vida eterna.  Ninguém pode mudar o destino eterno do ser humano além de Jesus, e ele o faz de graça por nos amar.  É o próprio Jesus Cristo quem afirma esta dádiva (compare os versos de Jo 10:28 com 15:13).  Por maior que seja o pecador, Paulo observa que também é alvo do amor de Cristo (está escrito em Rm 5:6-8).  E ainda mais um detalhe: é bom saber que há festa nos céus quando acontece tal transformação (como Jesus observa em Lc 15:7).

É verdade que JESUS TRANSFORMA, mas para completar o raciocínio deixe-me apenas lembrar que, como no caso de Zaqueu ao aceitar receber Jesus em sua casa, quando assim o fizermos, também seremos transformados e abençoados.

 

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

PROFETAS CLÁSSICOS DO ANTIGO TESTAMENTO – Profetas Menores

Na semana passada publiquei uma relação com os Profetas Clássicos do Antigo Testamento (Profetas Maioreslink aqui).

Agora estou completando a relação com a sequência daqueles que conhecemos como Profetas Menores.

Só para lembrar:  esta classificação de maiores e menores foi atribuída a eles levando em consideração apenas o tamanho dos livros e não quanto a sua importância ou relevância.  Todos foram chamados por Deus, todos foram profetas escritores e todos os textos são igualmente bíblicos.

Veja na relação aí um pouco sobre os que chamamos agora de profetas menores.  Lá no final desse post eu ainda deixo três links onde eu falo sobre o profetismo bíblico.  Dê uma olhada. 

 









 

 

 

 


 

  

 

 


 

 

 

 

O Profetismo Clássico em Israellink aqui

Por que Deus dá a Profecia? - link aqui

Sobre Sacerdotes e Profetas - link aqui

Cronologia dos Profetas do Antigo Testamento - link aqui