terça-feira, 22 de maio de 2012

Disciplina cristã II – ORAÇÃO


A oração é a segunda disciplina cristã que queremos estudar.  Para aprofundarmos mais no conhecimento da disciplina cristã da oração, é preciso em primeiro lugar ler as instruções do Mestre: mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto (Mt 6:6).  Contrariando a visão de religiosos que buscavam ostentar a sua espiritualidade em belas e longas orações públicas, Jesus instrui os seus discípulos a desenvolverem uma vida de oração baseada na experiência que denominamos do "quarto fechado".
De acordo com a indicação de Cristo, a oração deve acontecer primordialmente no ambiente de intimidade e privacidade.  Em se tratando de disciplina, de uma vida completamente comprometida com o Reino de Deus, tudo deve começar no interior de uma vida que se encontra como seu Deus. 
A oração é encontro marcado, é lugar de convivência entre Deus e seu servo.  E isto implica em intimidade.  Na oração íntima o ser humano se deixa ser tomado pela maravilhosa companhia do seu Senhor, aqui não há barreiras nem impedimentos de qualquer natureza entre o Pai e seu filho que se acham em contato tão próximo neste momento.  Toda a vida: alma, projetos, anseios, dúvidas, problemas e alegrias do que está em oração estão expostos; e toda a santidade e divindade do Pai estão tocando o fiel.
Como disciplina, porém, a oração deve ser uma decisão aprendida e praticada com determinação e vontade, mas não pode acontecer simplesmente como fruto da ação humana.  O crente pode – e deve – plantar e buscar uma intimidade com Deus, mas somente o próprio Deus dará o crescimento espiritual necessário para que esta intimidade aconteça (veja 1Co 3:7).
Nas palavras de Paulo: orem continuamente (1Ts 5:17).  É preciso deixar claro que a disciplina cristã da oração – embora seja uma intimidade profunda entre o Criador e sua criatura – não pode ser encarada como um momento distinto e isolado na vida do crente.  É certo que deve haver momentos exclusivos, mas o texto nos indica que toda a vida do crente tem que ser uma vida de oração.  Repito: a intimidade com Deus expressa no "quarto fechado" não pode ser momento único na vida disciplinada, mas o reflexo de toda uma vida de oração constante.
Um último detalhe deve ser destacado aqui.  A oração sempre deve ser feita em nome de Jesus Cristo.  Sendo verdade que nada podemos sem a participação do Senhor (veja Jo 15:5), também é verdade que Ele mesmo nos autorizou a irmos ao Pai em seu nome (veja mais Jo 14:13).  Ou seja, não há oração cristã – por mais sincera e piedosa que seja – que atinja o Pai e nos traga intimidade com Ele que não seja em nome de Jesus.

2 comentários:

  1. Excelente reflexão Pr. Jabes. Fico a refletir como estaria hoje o mundo se Descartes e Kant tivessem cultivado essa vida de oração ao invés de isolarem-se em seus pensamentos antropocêntricos. Deus te abençoe.

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    1. Querido, reconheço que embora o pensamento antropocêntrico tenha o seu valor, mas nada supera a experiência do quarto fechado, da intimidade com Deus, da oração sincera. Que bom seria se homens de ciência fossem também homens de oração.
      Um abraço.

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