terça-feira, 26 de janeiro de 2016

AGUARDANDO O MÉDICO

Depois de um mês da primeira consulta, volto ao médico trazendo os exames para que ele os veja.  Não que tenha uma queixa específica hoje para relatar, mas há um mês eu estava cheio delas: o ácido úrico tinha se acumulado nas juntas, as costas (rins? coluna?) me doíam, um mal-estar disperso na barriga – coisas que a idade vai inventando!
— Já ando beirando o meio século de vida!
Uma crítica pontual – boa expressão no contexto.  A consulta de retorno está marcada para as sete da manhã, chego pouco antes das oito.  E...  Serei o décimo segundo e o médico ainda sequer viu o primeiro.
Então pouco resta a fazer além de esperar.  A ante-sala do consultório está razoavelmente lotada e assim ficamos.  Que jeito!?
E como estrategicamente trago um tablet na mochila, então resta o consolo de colocar frases na tela enquanto o tempo vai passando.  Reconheço a praticidade da tecnologia, tanto é que a uso, mas a expressão frases na tela não tem o mesmo efeito de palavras no papel! Mas vamos lá.
E os minutos se seguem às dezenas.
Não tenho um esboço ou roteiro para o texto.  Faço-o por fazer.  Quem sabe o tempo adianta!
Outra coisa, também possível é observar meus companheiros de espera.  Alguns conversam timidamente, outros de maneiras mais descontraída.  Ninguém fala alto, mas o coletivo dos sussurros faz naturalmente o volume do zum-zum-zum parecer maior.  Há ainda os que cochilam e os que gastam os dedos nos celulares.  Assim é esse tempo.
Como a espera é pela consulta médica, não é difícil deduzir que cada um nesta ante-sala tenha sua história e suas queixas...
(Começou a atender)
Voltando: é fácil saber que aguardando o momento de ser atendido há toda espécie de paciente.  Há os que vem por necessidade, os por urgência, os por rotina e até os por mania mesmo.  Há novos e velhos, pobres e mais pobres – ninguém é rico na fila da saúde!
E mais giros nos ponteiros do relógio.
A posição sentado vai se tornando incômoda e as idéias vão vagueando.  Hinos e canções antigas e novas, versos bíblicos, citações, imagens do cotidiano, política, futebol – tudo pulula.  Vale quase tudo para ocupar a mente: relembrar velhos textos escritos, idealizar novas produções, e, sei lá mais o quê! Já refiz na cabeça até as linhas de ônibus de Aracaju!
Acho que devo terminar por aqui este texto, o tédio é meu e não tenho por que cansar mais ninguém.  O problema é que, como não tinha nada planejado para escrever, também não sei como terminar.
Não tenho nenhuma reflexão profunda sobre a vida, sobre a fé ou sobre a condição humana.  Não me ocorreu nenhuma epifania (muitos menos uma teofania).  Não encontrei soluções para problemas existenciais ou filosóficos – nem nada parecido.  E o pior é que já está me dando fome!
Ah! e a bateria do tablet também já está acabando.

Bem, então por enquanto vou ficar por aqui...  Esperando...

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