terça-feira, 23 de junho de 2015

HEBREUS E O ANTIGO TESTAMENTO

Um dos fatores principais para a compreensão global de texto aos Hebreus é a sua percepção e como  ele usa e entende os textos do Antigo Testamento.  Maneira esta que parece destoar de todo o restante dos escritos do Novo Testamento.
A visão peculiar e característica que Hebreus tem do AT começa pela forma própria de suas citações.  Usando sempre a LXX numa versão similar ao Codex Alexelandrinus, sem dar muita importância ao texto massorético, o autor introduz as citações de maneira única no NT: "Deus (ou Cristo, ou ainda o Espírito) diz: ..." mesmo quando o texto do AT se refere a Deus na terceira pessoa.  Demonstrando que as palavras saíram diretamente da boca divina.  Com essa fórmula introdutória – diferente da: "Está escrito..." mais comum no restante do NT – o autor se libera para obter uma "nova compreensão da Escritura a partir do discurso escatológico da parte de Deus através de Cristo" (L. Goppelt).
Livre desta forma, o autor segue um método exegético distinto do restante do NT não vendo a relação AT-NT com uma relação apenas profecia-cumprimento mas sim um diálogo com Deus falando a Cristo ou esse à igreja e esse e aquela respondendo através dos próprios textos sagrados.  Mas tais associações não são feitas de modo aleatório.  Segue algumas regras: a) aplicadas a Cristo são as palavras sobre o rei de Israel (Sl 2 em Hb 1:5 e 5:5), sobre o caminho do justo (Sl 22 em Hb 2:12), referente aos profetas (Sl 110 em Hb 1:10) e b) em analogia, uma palavra dirigida a Israel é aplicada diretamente à igreja (Sl 95:7 em Hb 3:7).
Porém o elemento mais importante para observação de como Hebreus vê o AT é a sua tipologia.  Com base na compreensão tipológica, a migração israelita pelo deserto mostra-se com tipo para a situação atual da igreja e o ato expiatório do sumo sacerdote no AT com modelo da obra e sacrifício de Jesus.  Para justificar essa interpretação ele usa então um texto do próprio AT – compare Jr 31 com Hb 8:8).  "Portanto não se trata de um jogo alegórico com letras inspiradas mas do aproveitamento de uma relação entre a ação de Deus na antiga e na nova aliança, relação esta instituída pelo próprio Deus" (L. Goppelt).

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