terça-feira, 2 de junho de 2015

JESUS – O nome de Deus no Novo Testamento

A fé e a doutrina abraçadas pelos cristãos do primeiro século e expressas nas páginas do Novo Testamento atesta que era ponto inquestionável que em Jesus Cristo  “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 1:2).  Para a igreja primitiva, Jesus de Nazaré é a encarnação do Deus vivo que conduziu o povo de Israel, se revelou a ele e agora completa a sua obra, tornando-a definitiva.  Ao ler nos lábios de Jesus a frase: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30), na verdade o evangelista está afirmando categoricamente que há não apenas uma relação de continuidade entre Jesus e o Deus do antigo pacto mas que os dois compartilham da mesma essência.  E sendo assim, todos os atributos e predicados que podessem ser reconhecidos como de Deus, deveriam igualmente ser atribuídos a Jesus Cristo.
Alguns aspectos deste reconhecimento divino da pessoa de Jesus podem ser compreendidos a partir da análise dos nomes atribuídos a Deus e a Jesus.  A palavra grega Θεός que se traduz Deus é usada como termo genérico e, em relação às citações do A.T., traduz Elohim.  Já a palavra Κύριος – Senhor – traduz o Tetragrama Sagrado e igualmente é usada como uma referência a Jesus.   Mas é do mesmo evangelista João a expressão mais significativa de reconhecimento da divindade de Cristo: no verso 8:58 Jesus diz que antes de Abraão “Eu sou” – Έγώ είμί  – e, compreendendo como verdadeira a relação entre o nome de Deus revelado no Sinai e o verbo ser, como propõe Êx 3:14, então na verdade Jesus está se declarando como o Javé encarnado.  Os judeus devem ter compreendido esta relação, assumida por Jesus ao se apresentar como Javé, pois o acusam de blasfêmia e procuram apedrejá-lo.
Teologicamente é compreensível a implicação soteriológica presente pouco antes no verso 24: “... se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.”  A única possibilidade de não se morrer nos pecados, e alcançar a salvação, é crendo que Jesus é o “Eu sou” – Έγώ είμί / יהוה.   Paulo escrevendo aos Romanos atrela definitivamente a soteriologia à invocação, ao reconhecimento e à confissão do nome do Senhor: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (10:13), afinal “se com tua boca confessares a Jesus como Senhor (...) serás salvo” (10:9).  E aqui novamente a palavra grega – Κύριος – que deve ser confessada em relação a Cristo é a mesma que no verso 16, pouco abaixo, é usada para traduzir o Tetragrama citado em Is 53:1.
Ainda é bom lembrar que o nome que o anjo anunciou a Maria que deveria ser colocado no filho que estava sendo gerado em seu ventre pelo Espírito Santo era Jesus (Lc 1:31) – em hebraico יהושע que pode ser traduzido: Javé é Salvação/Salvador.  E a José o anjo explica a razão do nome: “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1:21).  O nome de Jesus já anuncia a sua missão.  Mantendo a maneira oriental de compreender o nome como uma expressão exata do ser que o possui, então aquela criança ser chamada de Jesus, desde a sua concepção, é um atestado de que ele seria o instrumento no projeto de Deus para salvar a humanidade.
Deus se apresentou a Abrão como o El Shadday, o Deus Todo-Poderoso.  No N.T. Jesus reivindica para si todo o poder (Mt 28:18), e é no seu nome que este poder se faz manifesto.  Ao voltarem de sua missão, os setenta reconhecem a Jesus: “Senhor, em teu nome, até os demônio se nos submetem” (Lc 10:17).  Também é através do poder contido no nome de Jesus Cristo que Pedro e João fazem o coxo se levantar na porta do templo (At 3:1-10 e 4:10).  No nome de Jesus há poder suficiente para submeter os demônios e para curar os males humanos.  Todo o poder expresso no nome Sagrado revelado agora está disponível no nome de Jesus; nome pelo qual os cristãos oram e em quem depositam confiança.
Finalmente, no hino cristológico, o apóstolo Paulo reconhece que Deus está convergindo todas as coisas para a glorificação do nome de Cristo Jesus.  Deus entregou o seu próprio Filho à humilhação da cruz e no fim “Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra, e debaixo da terra” (Fl 2:9-10).  Todo o culto e toda a adoração, por toda a eternidade, está destinada ao nome Jesus – o verdadeiro Filho do verdadeiro Deus.  E é exatamente este o canto triunfal que João testemunha no céu:

Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso;
justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos.
Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará teu nome?
Pois só tu és santo.
(Ap 15:3s)

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