terça-feira, 4 de novembro de 2014

Uma visão da liturgia protestante brasileira contemporânea

O protestantismo nunca foi um movimento que apresentasse um corpo unificado, mas por diversos vieses históricos o movimento que chegou ao Brasil com as missões no século XIX apresentou uma certa unicidade.  Sem dúvida, a principal razão foi que as principais denominações trouxeram uma forma semelhante de cultuar; o avivalismo metodista norte-americano foi o mote desta liturgia que aliava as propostas tradicionais protestantes a uma tendência espiritualizante da fé.  Assim razão e emoção foi o binômio que impulsionou a nascente igreja protestante no Brasil.
Passado pouco mais de um século e meio constatamos que o que mantém o protestantismo brasileiro unificado, muito mais que templos, como edificações para a realização do contato com o sagrado – já que teologicamente o protestantismo brasileiro não deu muita importância ao santuário em si – continua sendo sua liturgia: denominações diferentes cantam os mesmos cânticos – agora já bem mais abrasileirados que no princípio – já que é isto o que os mantém cônscios de estarem dentro de um mesmo universo sagrado.
Se é verdade que “dizei-me como e onde cantas e dir-te-ei quem és!” então poderemos dizer que mesmo o protestantismo brasileiro estando cada vez mais preocupado com seus templos, mas é cantando que se sente unido.  Certo também que mesmo não abandonando as tradições recebidas dos primeiros missionários, o protestantismo canta cada vez mais brasileiro e canta a certeza do senhorio de Cristo e a sua vitória final desde agora, pois é nisto que ele crê e espera.
O protestantismo chegou cantando a salvação e a esperança de sair deste mundo e se reunindo em salas que não se pareciam templos.  Hoje continua cantando só que agora acontece sua liturgia em espaços sagrados que se destacam como símbolos de um novo tempo que já irrompe com o anúncio da marcha triunfal da igreja de Cristo.  

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