terça-feira, 15 de janeiro de 2013

DO PERDÃO


Logo em continuidade à Oração do Pai-Nosso – e de certo modo abrindo um parêntesis – Jesus amplia a questão da reciprocidade do perdão: “... se perdoarem uns aos outros” (Mt 6:14-15).  Em primeiro lugar é preciso reafirmar o que foi dito na última reflexão: Não é que o Mestre condiciona um ao outro: o perdão divino é gratuito.
E este é exatamente o ponto de partida para toda a reflexão sobre o perdão.  Paulo diz que por merecimento eu deveria receber a morte mas, de graça, me foi dado o perdão (em Rm 8:23).  A essência da mensagem cristã é a graça imerecida que foi outorgada por Deus em Cristo Jesus.  Isto traz duas implicações básicas: primeiro que não há nada que esteja fora do alcance da ação perdoadora de Cristo e segundo que não há como falar em retribuição ou pagamento de natureza alguma no perdão divino.
A aceitação – pela fé – deste perdão incondicional e não merecido nos apresenta o outro ponto da reflexão: Jesus disse para dar de graça o que de graça recebo (Mt 10:8).  Esta é a reciprocidade que o texto fala.  Há uma implicação necessária ao discipulado radical que é a extensão do perdão recebido.  Não mereço ser perdoado, mas Cristo de graça apagou minha dívida diante de Deus.  É baseado neste perdão – e como resposta de gratidão a ele – que devo oferecer também, de graça, o perdão ao meu irmão.  Esta é a verdadeira reciprocidade do discípulo de Cristo.
Jesus diz que o Pai Celeste tem perdão para outorgar de graça, mas exige que eu, como retribuição, também de graça perdoe.  Isto é discipulado, não opção!  E só assim poderei desfrutar toda a extensão das bênçãos advindas do perdão do Mestre.

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