Na última sexta-feira a Orquestra
Sinfônica de Sergipe – ORSSE esteve tocando no templo de nossa Igreja aqui em
Aracaju. Foi um privilégio. A Orquestra tem um projeto – ou algo parecido
– que eles chamam de Série Músicas nas Igrejas,
quando eles levam a música erudita orquestrada para ser executada nos templos
das igrejas. Desta feita foi no templo
da Primeira Igreja Batista de Aracaju.
Que noite excepcional! Diferente. Foi realmente muito bom ouvir aqueles acordes. A casa estava repleta. Havia gente que não estava acostumada a ouvir
este tipo de música e gente que dificilmente frequenta templos evangélicos. Sei que foi bom para ambos. E a Orquestra Sinfônica de Sergipe esteve
brilhante naquela noite, sob a batuta do Maestro Guilherme Mannis.
Não posso aqui deixar de destacar
o casamento perfeito na escolha do repertório.
Três alemães de nascimento que fizeram de suas obras músicas magníficas
para um Deus grandioso. E tocá-los
juntos numa mesma noite em nossa igreja foi maravilhoso.
Foram apresentada apenas três
peças. Não havia necessidade de mais. A primeira foi a introdução do oratório
"O Messias" de Handel. Já tive
a oportunidade de escrever sobre esta obra (acesse aqui: O
Messias e leia mais). Dispensa
maiores apresentações.
A segunda peça da noite foi o
"Concerto de Brandemburgo" nº 4 em sol maior de J.S. Bach. Obra composta no início do século XVIII em
três movimentos, com direito a cravo no centro do palco (como eram as
apresentações barrocas) e solos de violino e flauta.
O Concerto já começa com um alegro
(seguem-se andante e presto) e nem precisava a orquestra estar ali completa – e
não foi carência da ORSSE, Bach compôs assim mesmo – a música é completa por si
só.
Mas deixemos as notas técnicas de
lado e vamos à música. Nomear o luterano
Bach como genial é ser simplório. A sua
música é sublime, gostosa de ouvir e vai mexer lá na alma. Ouvi-lo sempre será uma inspiração. E como foi maravilhoso perceber o santuário
cheio dos acordes barrocos de Bach!
Na música, o que se ouve é um
diálogo muito interessante entre os protagonista: flautas e violino parecem
estar conversando, e mais que isso, estão nos convidando para apenas sentar e
ser envolvido pelo estado de arte.
A última peça da noite foi a
Sinfonia nº 5 em ré maior de Felix Mendelssohn, também conhecida como a
Sinfonia da Reforma. Esta música foi
composta em 1830 para as comemorações dos 300 anos da Confissão de Augsburgo – marco
da Reforma Protestante alemã – e não é difícil perceber em seus compassos as
referências ao espírito e as ideias que moveram o movimento do século XVI mas
também, e principalmente, ouvir Mendelssohn prestando tributo a Bach.
A sinfonia é envolvente e
exuberante e quando em meio às notas musicais é possível reconhecer o tema de Ein’ feste Burg ist unser Gott – o nosso
já conhecido Castelo Forte, de Lutero – dá até vontade de ficar de pé e cantar
junto a melodia, como um ato de louvor e gratidão pela herança da reforma
expressa em música.
E então, seguiram-se os aplausos
merecidos.
Parabéns, Orquestra Sinfônica de
Sergipe, e pessoalmente gostaria de vê-los outras vezes em nossa igreja.
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