sexta-feira, 13 de março de 2015

A MULHER SAMARITANA

Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
(Jo 4:24)
Conversando com uma mulher samaritana (Jo 4), Jesus nos diz que Deus procura adoradores que o façam em Espírito e em Verdade.  A samaritana estava preocupada com a forma e as circunstâncias e Jesus – embora não negue a importância disto – queria dar maior ênfase ao conteúdo e significado.
Em primeiro lugar a adoração proposta por Jesus deve ser em Espírito.  Isto é conteúdo.  Uma adoração assim não é simples reflexo de emoções, mas resultado de uma vida de contato espiritual com Deus que preenche e completa toda a vida do adorador.  Uma adoração em espírito restaura a imagem de Deus no ser humano.
E Jesus completa a sua instrução à samaritana afirmando que a adoração também deve ser revestida de verdade.  Isto é significado.  Aquele que se aproxima de Deus para adorá-lo não deve fazer desta atitude um ritualismo vazio.  Deve o cristão buscar conhecer o Deus a quem adora para assim prestar-lhe a veneração devida.
Que nos faça o Senhor da Igreja, uma comunidade de adoradores em Espírito e em verdade.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 10 de março de 2015

MIA FINESTRA MUSICALE

Decidi abrir mais uma janela em meu inventário musical – ou como diriam os italianos: mia finestra musicale.  Então recorri a alguns contatos e a um pouco de pesquisa, incluindo a internet e seus links incontáveis, para conhecer um pouco mais da música cristã italiana.  Mas não estava interessado na exuberante música erudita sacra italiana. 
Nomes como Giovanni Pierluigi da Palestrina, Antonio Vivaldi ou Giovanni Battista Pergolesi têm obras memoráveis, porém todos são de séculos passados e estava disposto a abrir mia finestra para a música que se canta nas igrejas cristãs de hoje.  Então fui atrás de canções atuais.  Ainda não descobri muita coisa, mas quero já compartilhar um pouco.
Vivendo em Aracaju – no Nordeste do Brasil – não me é possível estar presente em cultos cristãos em língua italiana.  Então a partir informações de amigos e sites de igrejas européias, aí vai uma pequena lista do que tenho ouvido na língua de Dante Alighieri.
Quero citar de início três canções ligadas a RNS que realmente me trouxeram inspiração:
(1) Davanti a questo amore (composição de A. De Luca, F. Marranzino e B. Conte) – uma declaração de amor e reconhecimento pelo que Cristo nos fez, ao nos estender suas mãos, mesmo com nosso pecado.  Concluindo que diante deste amor demonstrado pelo Rei humilde e glorioso até a morte fugirá.
(2) Invochiamo la tua presenza (de A. Napolitano e D. Bruno) – tomando como base o texto de Lc 4:18, a canção é uma súplica – invocação – ao Espírito para que desça sobre nós.
(3) Tu sei misericordia (obra de S. La Porta) – canta a misericórdia e a verdade que levou Cristo à cruz.  Lembra que ele foi morto por mim, mas ressuscitou para a vida e com o seu sangue me tem purificado.
Enriquecendo a lista, devo incluir as composições de Marcelo Simòn Rodriguez.  Nascido na Argentina e radicado na Itália, ele é compositor de diversas músicas (inclusive de algumas que conhecemos por aqui), destaco algumas:
(1) Prezioso Dio – não há outro nome tão precioso como o de Jesus, o qual derramou seu sangue por mim, mesmo sem eu merecer.
(2) Ti benedirò – pelas bênçãos que tu me dás, eu te louvarei; mas se a tempestade vier, eu ainda assim vou cantar.
(3) Voglio mirar la tua bellezza – eu quero olhar para tua beleza e  contemplar tua majestade.  Abro os olhos, Jesus Cristo, mostra-me tua glória e bondade.
(4) La tua fedeltà – ninguém há como tu, Deus bendito.  Grande é a tua fidelidade.
Deixe-me acrescentar mais duas melodias: Adoro Te, o mio Signore (não sei quem é o compositor, eu a achei ligada a Chiesa Cristiana Evangelica in Santa Maria a Vico, provincia di Caserta) – gostei da melodia e principalmente da letra que reconhece a presença de Deus na brisa que refresca o coração e por isso nos chama à adoração prostrada.
E a outra: de Franco Faro intitulada Dal cielo scende la benedizione – um precioso canto que declara que quando olho para os céus de lá vêm as bênçãos; então vou adorar em espírito e em verdade por toda a eternidade.
Como disse lá no início, estou apenas começando a abrir mia finestra musicale italiana.  Sei que ainda há muito a descortinar nesta busca, para a glória de Deus.


sexta-feira, 6 de março de 2015

TRÊS MULHERES

Neste domingo – oito de março – se comemora o Dia Internacional da Mulher.  Sobre este dia e sua conquista muito poderia ser dito, mas quero voltar meus olhos aqui para Jesus e como ele se relacionou com elas.  Tenho certeza que da vivência do Mestre muito podemos aprender.
Para tanto, vamos citar três mulheres: a samaritana (em Jo 4:1-26), a adúltera (em Jo 8:1-11) e a hemorrágica (em Mc 5:25-34).  São três mulheres distintas e três observações.
A primeira observação é que nenhuma deles é citada pelo nome.  Elas ficaram registradas na história como mulheres anônimas. Talvez por que os escritores não julgaram importante a citação, ou talvez por que apenas refletiam os preconceitos de sua comunidade.  O certo é que no seu anonimato tais mulheres trouxeram para si o paradigma da mulher no meio de uma sociedade decaída pelo pecado e injusta, mas que individualmente precisam ser alcançadas.
O posicionamento de Jesus vai na direção oposta.  A cada uma delas o Mestre dá uma atenção diferenciada e particular.  Jesus fala, toca e acolhe tais mulheres dando-lhes o valor que deveriam receber.  Mais do que apenas uma no meio da multidão, Cristo cuida de todas e de cada uma em especial.  Assim ele nos criou, é assim que ele quer que sejamos tratados.
Também observamos que estas mulheres chegaram a Jesus por circunstâncias diversas.  Uma foi abordada diretamente por Jesus; outra foi trazida por seus acusadores; e a outra tomou a iniciativa movida pela necessidade.  O certo, contudo, é que elas entraram em contato com Jesus e foram recebidas – tiveram um verdadeiro encontro pessoal com o Mestre.
É então fácil compreender que seja qual for o motivo ou a forma como cada uma chegou até Jesus, elas tiveram acesso imediato a Cristo.  Não faz diferença o que – ou quem – efetivamente nos leva ao Senhor, ele está sempre disposto a nos receber.
E em última análise, observamos que as três mulheres tiveram suas vidas profundamente modificadas por causa do encontro com Jesus.  A samaritana viu renovada sua dignidade e a sede espiritual saciada; a adúltera teve seus pecados perdoados e uma nova oportunidade para acertar na vida; e a hemorrágica sentiu a cura de seu mal e recebeu a paz divina.
O encontro com Jesus sempre muda a história humana.  Mesmo vivendo como e onde viviam, cada mulher que foi alcançada pelo Mestre pode experimentar uma novidade de vida – isto é que faz toda a diferença.  Ainda hoje, quando se dá um encontro real e pessoal com Cristo, toda a estrutura de nossa vida é alterada, e para melhor.
Que em nossas histórias possamos aprender com as mulheres do passado, famosas no seu anonimato, que se encontraram com Jesus Cristo e vivenciaram um novo nascimento para a glória de Deus.

(Este texto apareceu pela primeira vez no sítio ibsolnascente.blogspot.com em 06/mar/2009.  A imagem lá em cima é a reprodução de um frame da obra cinematográfica "A Paixão de Cristo" de Mel Gibson)  

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ADORANDO COM OS LEVITAS

Bendigam o Senhor, ó israelitas!
Bendigam o Senhor, ó sacerdotes!
Bendigam o Senhor, ó levitas!
Bendigam o Senhor os que temem o Senhor!
(Sl 135:19-20)
No AT um grupo distinto dos Filhos de Israel esteve envolvido na ministração da adoração ao Senhor: os levitas. 
Sobre o ofício dos levitas, a primeira observação a se fazer é que eles foram alvos de uma escolha especial da parte de Deus.  Em Nm 3:12-13 nós lemos que o próprio Senhor separou os filhos de Levi para serem sua possessão, tendo primazia no serviço cultual.
Esta escolha especial conduz à compreensão de que deveriam ter atribuições específicas.  Já no Pentateuco tínhamos normas objetivas, mas só com a ordenação do culto com o Templo é que o Rei-Poeta Davi estabeleceu atribuições para os levitas.  No texto de 1Cr capítulos 23 a 26 Davi distribuiu funções de modo que todo o serviço litúrgico e estrutural do templo pudesse ser exercido pelos levitas.
Voltando às instruções contidas no livro de Números, chama-nos a atenção o fato que se por um lado há honra e privilégio em ser escolhido por Deus e ter atribuições específicas a cumprir; por outro isto exige de cada um uma consagração bem distinta e uma vida inteira exclusiva dedicada ao serviço sagrado.  Em Nm 8:6 lemos: "Separe os levitas (...) e purifica-os".
Peçamos a Deus que nos dê levitas verdadeiros que cumpram sua missão diante de Deus.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

CURIOSIDADES BÍBLICAS – você sabia?

O nome “Bíblia” vem do grego Βίβλος (Biblos), nome da casca de um papiro do século XI a.C.  Os primeiros a usar a palavra “Bíblia” para designar as Escrituras Sagradas foram os discípulos de Cristo, no século II d.C.
Foi a primeira obra impressa por Gutenberg, em seu recém inventado prelo manual, que dispensava as cópias manuscritas.
A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois.  
A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus.
Foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época e cultura das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo cacos de cerâmica.
Com exceção de alguns textos do livro de Ester e de Daniel, os textos originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da família das línguas semíticas, caracterizada pela predominância de consoantes.
A palavra “Hebraico” vem de “Hebrom”, região de Canaã que foi habitada pelo patriarca Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur.
Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento (sem a inclusão dos apócrifos) estavam compilados desde cerca de 400 a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também pelos Protestantes, Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da Igreja Católica tradicional.
A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748.  A tradução foi feita a partir da Vulgata Latina e iniciou-se com D. Diniz (1279-1325).

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A IGREJA E SUA MISSÃO

Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.
(Jo 13:14)
Um dos conceitos que perpassam toda a Bíblia é o conceito de povo: No AT com a nação de Israel e no NT com a Igreja.  A Igreja é o povo de Deus, a comunhão dos santos reunidos por Cristo Jesus para executar os seus propósitos.
No trato espiritual, poderíamos compreender a missão da Igreja como tendo três ênfases principais: 1. Correta administração das ordenanças – Jesus deixou instruções claras sobre como a igreja deveria partilhar a sua mensagem com todos e celebrar a presença e atuação de Cristo no meio do seu povo. 2. Reconhecimento da soberania de Cristo – deve a igreja viver sob o senhorio de Cristo que detém para si o poder de posse e mando sobre toda a obra criada. 3. Louvor a Deus – é parte indispensável e fundamental da missão da igreja ministrar o louvor diante de Deus.
No texto de Mt 13 Jesus nos diz que para ser discípulo do Reino é preciso estar disposto a abrir mão de tudo pelo Reino e que isto deve implicar em saber reconhecer as marcas verdadeiras do Reino de Deus nas velhas e novas expressões que a Igreja de Cristo tem assumido quando cumpre a sua missão. 
Como Igreja, Deus nos fez seu povo – cumpramos a nossa missão!

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)