sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Parábola das coisas – O MAPA


Desde tempos muito antigos, é uma prática claramente humana desenhar o mundo em que vive, as coisas e os espaços. Prova disso são as pinturas de Lascaux na França ou da Serra da Capivara no Piauí.
Nossa capacidade de ver, compreender e representar a realidade ao redor nos fez sermos humanos. Foi com nossa arte em desenhar o mundo e lhe atribuir significado que a existência passou a ter contornos humanos.
Sei que lá nos começos as pinturas rupestres indicavam apenas animais, plantas ou outras coisas do seu mundo físico conhecido. Mas daí vieram os rituais, símbolos, ideias, abstrações e suas representações.
O passo seguinte não foi tão longo. Do desenho das coisas para o desenho dos espaços. Do registro do mundo físico para a demarcação do mundo humano.
Assim os mapas passaram a fazer parte de nossa existência e realidade e lhe apresentar a sua compreensão.
Mas, nesta linha de entendimento, como posso definir o que é um mapa. Que coisa é essa?
Diria, grosso modo, que um mapa é um desenho geral de um lugar, um espaço. Ou mais: o desenho do que existe, do que está lá. E não apenas elevações e vales, rios e árvores; mapa pode ser a descrição da natureza, mas é também o registro do que fazemos com ela, como a interpretamos, como humanizamos e lhes damos contornos. Urbi et orbi.
Mesmo com o acúmulo das modernas tecnologias, o conceito básico continua o mesmo. Fotos de satélite, topografia, GPS, geodésia, cartografia, geografia. Também sociedade, política, economia, exércitos, etnias, religiões. E os mapas continuam norteando ou orientando nossa concepção do lugar em que vivemos – apontando o norte, indicando o leste.
Então comecei a pensar sobre como essa coisa – o mapa – poderia me servir de ilustração, de parábola para ver e compreender meu mundo, minha vida. E realmente não me veio nenhuma ideia além do lugar-comum: a Palavra de Deus é o nosso mapa.
Mesmo sendo lugar-comum, a comparação da Palavra de Deus, a Bíblia, como um mapa pode indicar onde as coisas estão, ou deveriam estar, o que fizemos com o mundo, como o construímos e desconstruímos. Onde o Criador colocou cada coisa e onde colocamos nossas marcas e interferências.
Mas num mapa, algumas observações pertinentes precisam ser tomadas. Mapas nos orientam a olhar em direção ao nascer do sol e nós transformamos a fascinação em adoração. Mapas nos apontam fronteiras e limites e nós evitamos comer a fruta interdita. Mapas indicam fontes de água e nós nos achegamos para saciar. Mapas podem descrever caminhos e nós é que decidimos seguir o Caminho.
É verdade: desenhamos e construímos mapas para dar contornos e significados a nossa existência, deixar mais humano o mundo cru, tornar um espaço em meu canto, meu lugar.
E que ele me guie à casa do Pai.
(Na imagem lá em cima, o mapa de Luís Teixeira de cerca de 1580,
indicando as capitanias brasileiras e o Meridiano de Tordesilhas.
O original atualmente se encontra na Biblioteca da Ajuda – Lisboa/Portugal
)



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