terça-feira, 5 de novembro de 2019

MARCAS DO MEU PAI




Ontem celebramos um culto em ação de graças pelo aniversário de minha irmã.  Ao final da festa, enquanto ficávamos por ali gastando os últimos fiapos de conversa, flagramos essa imagem aí: meu pai, num canto à parte com a velha amiga – uma Bíblia.
Filhos e neto se voltaram para a cena (o registro foi de André, o neto, em seu celular).  Apesar do peso dos anos, do brilho na mente cada vez mais ausente, do opaco insistente da visão, a intimidade de uma vida dedicada ao Livro ninguém apaga.
Lá estava ele como quem busca mais um diálogo com Aquele que sempre teve tanto a lhe dizer – a nos dizer.
Passei a madrugada tentando achar as palavras certas para citar e reconhecer o registro do legado incalculável do meu pai mas o novo dia amanheceu sem que as tenha encontrado. 
– Como colocar numa frase toda uma vida?
Ali estava o Pastor Jabes Nogueira e uma Bíblia.  Simplesmente eles.
E por me faltarem expressões, vou me permitir fazer uma citação.  Entendo que o Logos na canção "Marcas de Valor" consegue dizer com sua poesia melhor que qualquer descrição.
Esse tem sido meu pai:

Iguais a eles são bem poucos hoje em dia
Que realmente andam perto do Senhor
Que, já libertos de seus vícios e pecados, vivem como perdoados
Propagando a salvação
São tais pessoas que são fortes, sendo fracas
E, por isso, deixam marcas para outros como eu
Andarem perto do Senhor, verem milagres de amor
Pisar em marcas.

Oh!!! Glória!!!

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

HABITANDO NA SOMBRA


O Salmo 91 é certamente um dos mais conhecidos do Saltério.  Sem dúvida muitos já utilizaram suas palavras como expressão de sua súplica em momentos de angústia e temor.  Realmente a sua poesia é rica e seu conteúdo inspirado: Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo... Estas palavras nos dão conforto e alívio.
Buscando isto, quero me deter um pouco em duas destas palavras que se destacam no texto – ambas no verso um: entendo que elas nortearão todo o salmo.
SOMBRA – esta palavra pode ter duplo sentido.  Em diversos textos sombra está associada à morte; mas aqui no Sl 91 ela é sinal da proteção divina.  A referência é ao cuidado de uma grande ave que acolhe sua ninhada sob a proteção de suas poderosas asas. 
Na mesma linha, o Sl 57:1 expressa a oração do salmista suplicando pela sombra divina no momento de calamidade.
É bom saber que seja qual for a circunstância, ainda que um sol causticante, seco e desértico venha a me assolar, posso encontrar abrigo sob as asas do Senhor. 
Como é reconfortante ter uma sombra acolhedora onde é possível descansar das labutas desta vida!
HABITAR – também este verbo pode oferecer diversidade de interpretações.  Porém o que parece claro no salmo é que se faz uma mesma referência ao Sl 23:6.  Mais do que simplesmente passagens esporádicas diante do Senhor, é fundamental habitar – fazer morada – nos átrios do Senhor.
Não há outro lugar melhor que estar na presença divina.  E necessário que se viva nesta presença.  Toda a proteção da sombra de Deus pode ser dispensada para aqueles que habitam em sua presença.
Somente quando verdadeiramente habitamos na sombra Altíssima do Onipotente é que experimentaremos o cumprimento da promessa contida no último verso: Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação (Sl 91:16).

terça-feira, 29 de outubro de 2019

RUSSELL SHEDD E A ADORAÇÃO BÍBLICA

Apesar de não ser brasileiro de nascimento, o Dr. Russell P. Shedd (1929-2016), desenvolveu o seu ministério missionário e acadêmico no Brasil por várias décadas.
Depois da publicação de várias outras obras de caráter mais exegético-teológica, em 1987 veio à luz a obra Adoração Bíblica que, segundo é dito pelos editores no prefácio, tinha por objetivo levar os que acham a “rotina dominical vazia” a repensarem “todas as nossas idéias sobre o culto e a verdadeira adoração ao soberano Deus”.
Assim se estrutura o livro:

Capítulo I – O culto e a Adoração que Deus almeja
Capítulo II – O Vocabulário Bíblico
Capítulo III – A essência do Culto na Bíblia
Capítulo IV – A adoração e os sentidos
Capítulo V – O preparo para a adoração
Capítulo VI – A prática da adoração
Capítulo VII – Os efeitos da adoração
Capítulo VIII – Exemplos de adoração
Capítulo IX – Obstáculos à adoração
Capítulo X – A adoração na Igreja contrastada com a do Antigo Testamento

Vejamos um pouco sobre o pensamento de Shedd expresso no livro.
A base de toda a argumentação apresentada por Shedd é que toda expressão cultual e litúrgica cristã é motivada pelo fato de que “Deus ordena que o adoremos”.  A adoração bíblica é sempre uma resposta do crente obediente de estar na presença de Deus buscando obedecê-lo e comungar com ele daquilo que lhe foi feito em Cristo Jesus. 
Citando um escritor desconhecido, ele afirma que “a adoração transforma o adorador na imagem do deus diante do qual ele se curva”, o que o leva a refletir sobre a adoração na “igreja secularizada” onde é comum “professar a fé em Cristo, mas não se preocupar em expressar amor a Deus, que exige toda a sua força”. 
O que leva ao questionamento sobre se a Igreja no Brasil tem feito de sua adoração e liturgia alicerces para a suas vidas cotidianas.  Ao que o próprio Shedd responde:

Dividimos nossas vidas em dois compartimentos.  Um, envolvendo nossas atividades religiosas, exemplificadas pelo nosso cantar, orar, falar e testemunhar; outro envolvendo todas as atividades não religiosas: nossa conversa, sociabilidade, tempo de trabalho e lazer, sentados à mesa, ou atentos aos programas de televisão.  Uma dicotomia notável caracteriza a vida daqueles que reivindicam comunhão com Deus, afirmando ser residência do Seu Espírito.

Para Shedd, esta compartimentalização da vida do cristão secularizado é a completa desvirtuação do sentido próprio da adoração bíblica, que propõe a união entre Deus e seres humanos, união não somente expressa na liturgia mas que deve se estender em todos os aspectos da vida do crente,

Porque essa união sincera com Deus, em si mesma, juntamente com a prontidão em obedecer e adorar a Deus de modo aceitável, o conduz a louvá-lo através de seu ser e a glorificá-lo por meio de todos os seus atos.

Também deve ser notado que Shedd compreende a adoração bíblica não se revestindo somente se obrigações e responsabilidades.  Tem que ser prazerosa.  Ele cita Agostinho: “Deus encontra prazer em nós quando encontramos prazer nele”.  Assim, Shedd compreende com sendo estes os efeitos da adoração:

1.      Segurança;
2.      Comunhão e reconhecimento mútuos;
3.      Santificação;
4.      Visão transformada;
5.      Evangelização;
6.      Preocupação com a alegria de Deus.

Relacionando a liturgia com a responsabilidade cristã no mundo, Russell Shedd conclui que a adoração cristã traz implicações claras:

As reuniões públicas da igreja devem ter constantemente este objetivo em vista.  Seus membros, ao participarem da liturgia, devem ser estimulados a praticar atos de amor agapë e boas obras (Hb 10:24).  Reunida ou dispersa, a Igreja deve ser uma comunidade glorificadora.  Apenas esta adoração de duas faces é digna dele, que Se entregou pela Igreja com a intenção de garantir a sua perfeição (Ef 5:27). (...)  Pois não somos de nós mesmos, mas fomos comprados por um preço (1Co 6:20), e isto significa que os cristãos têm tanto tempo livre quanto os escravos!  Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (1Co 10:31).

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

SABEDORIA E MILAGRE


Duas linhas disputam a primazia das idéias do ser humano de hoje: de um lado o conhecimento representado pela ciência e por outro a fé exposta na religiosidade.  Com ênfases diferenciadas e apelos mais ou menos populares, a nossa cultura nos ensinou que tudo deve passar ou pelo crivo do que dominamos pelo saber ou pelo que subjugamos pelo crer.
Mas esta dualidade não é novidade.  O apóstolo Paulo parece que já enfrentava questões assim quando se debatia com gregos e judeus em seu trabalho missionário de divulgação da fé cristã.  Os gregos exigiam sabedoria, conhecimento e ciência – diziam que sem estes não era possível seguir o cristianismo.  Os judeus queriam ver o milagre, o sobrenatural, o fantástico para poderem atestar a sua crença. 
Aos coríntios Paulo reconheceu a exigência (leia em 1Co 1:22).  Diante deste impasse, o apóstolo respondeu aos dois lados: a. nem um conhecimento árido do cristianismo seria a resposta à alma humana; e b. nem a demonstração de poder nos milagres será suficiente para responder ao chamado de Cristo. 
A mensagem que ele anunciava não atendia à curiosidade natural da busca pelo conhecimento.  Embora seja preciso conhecer a verdade, isto só não é suficiente! (considere Jo 8:32).
Também não se resume a uma fé milagreira que esteja disponível para atender às necessidades.  Mesmo sabendo que em Cristo está depositado todo o poder (considere também Mt 28:18).
Mas nós pregamos a Cristo crucificado (1 Co 1:23).  Aqui está a essência da mensagem cristã: o centro do que pregamos é a renúncia e crucificação do nosso Senhor.  Jesus se esvaziou até a morte de cruz para que, e somente então, Deus o recolocasse em seu lugar de glória (Fl 2:5-11). 
A vida cristã que anunciamos é em primeiro lugar uma vida de renúncia e crucificação.  Daí o regozijo na presença de Deus-Pai (Mt 16:24).  Nunca vai se reduzir a adquirir sabedoria e conhecimento, nem de vivenciar o milagre e a fé.
Para que sabedoria e milagre, conhecimento e a fé, nos sejam outorgados, é preciso tomar primeiro o caminho da cruz – assim se faz o cristianismo que pregamos e devemos viver. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

QUEM FOI O PROFETA EZEQUIEL?





Pouco apreciado pelos cristãos modernos por suas visões, oráculos e ações não muito comuns, Ezequiel é um dos profetas que, depois de estudado a fundo, desponta no horizonte do fenômeno profético israelita com uma mensagem das mais belas, um forte engajamento sócio-político e uma firmeza inabalável.
Em hebraico o nome do profeta – e o título do livro – é יחזקאל, nome comum a outras pessoas no tempo do Antigo Testamento e significa Deus é Fortaleza ou Deus é Força.  A forma "Hezekiel" (donde vem o aportuguesamento: "Ezequiel") foi formada por Lutero da versão da Septuaginta (Ιεζεκιήλ) e se assemelha a "Iezekiel" usada pela Vulgata Latina.
Este pregador do exílio, apesar de não ser citado no Novo Testamento, é um desafio para qualquer um que se diga despenseiro da Palavra de Deus, em qualquer lugar ou época, pelo seu método, seu estilo, seu zelo, seu carinho próprio pelo povo de Israel, mas principalmente pela solidez e convicção da sua mensagem.

Mas, quem foi o profeta Ezequiel?

Não há muitas informações extra bíblicas sobre o profeta, sua vida e atividade, mas o que, à leitura de seu livro, podemos perceber é que o profeta Ezequiel nasceu de uma linhagem sacerdotal.  Seu pai, Buzi, foi sacerdote provavelmente do clero de Jerusalém e Ezequiel, assumindo o sacerdócio, assumiu também a responsabilidade da direção espiritual do povo judeu nas terras babilônicas, para onde foi levado na primeira deportação em 597 a.C. 
Passou a morar em Tel-Abibe perto da cidade de Nipur, nas margens do grande canal, ou seja, o rio Quebar, de onde, devido a liberdade de movimento que os exilados tiveram deve ter conhecido a cidade da Babilônia, o que certamente influenciou a sua mensagem e atividade, quer no seu espírito, quer na sua forma. 
(Prova da liberdade de movimento do povo no exílio babilônico são os achados em forma das tabuinhas cuneiformes referindo-se a Joaquim, rei de Judá, na corte babilônica).
Com trinta anos, idade em que um levita, ou sacerdote, começaria a servir no Templo, Ezequiel começou seu ministério profético (pelo menos é o que deixa transparecer o primeiro verso do livro da profecia – embora alguns estudiosos citem a data deste verso como sendo uma data internacional). 
Posso pensar que talvez Deus o tenha escolhido para a missão profética como compensação pela impossibilidade de ele servir no Templo em Jerusalém, que seria o sonho de todo o sacerdote.  
Casou-se no sexto ou nono ano depois do exílio, porém a delícia dos seus olhos (cf. 24:16) morreu pouco antes da queda final de Jerusalém em 587 a.C.  Mas por ela o profeta não chorou nem se enlutou, segundo as ordens do Senhor, fato este que serviu de sinal para o que haveria de acontecer por ocasião da queda de Jerusalém.
Já foi dito que Ezequiel era "um cataléptico, um neurótico, uma vítima do histerismo, um psicopata, e até mesmo um esquizofrênico paranoico específico, além de ter sido creditado com poderes de clarividência e de levitação" (citado por John B. Taylor).  Porém esta afirmação é contestada pelo fato de que todas as ações do profeta são baseadas num zelo excessivo pela Lei e Palavra de Javé e por uma compaixão indescritível pelo seu povo; fato que é peculiar a quase todos os profetas de Israel.
Quanto a sua morte, ainda por não haver outra informação segura, nenhum dado concreto ou documento arqueológico, além da tradição dos seus discípulos, e de que seu livro se encerra com uma visão futurista, no estilo apocalíptica, não é possível afirmar nada, porém fala-se que ele foi morto por um príncipe, provavelmente em Judá, ou ainda por um colega seu por pregar contra a idolatria. 
É verdade, também, que seus discípulos e seguidores guardaram vivos seus ensinos e tradições durante vários séculos chegando até o tempo neotestamentário e de Flávio Josefo.
(Na imagem lá em cima, a escultura do Profeta Ezequiel feita por Aleijadinho na virada do século XVIII no adro dianteiro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas – Minas Gerais.  Crédito da imagem: iphan.gov.br)


Você pode ler um estudo sobre o PROFETA EZEQUIEL no livro ENSAIOS TEOLÓGICOS

Disponível no:
Clube de autores
amazon.com

Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse
DE ADÃO ATÉ HOJE – Um estudo do Culto Cristão
PARÁBOLA DAS COISAS

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A PIEDADE QUE AGRADA A DEUS


Na história da humanidade, o ser humano sempre buscou praticar atos de piedade e religiosidade que representasse a sua busca em relação à divindade.
Lendo em minha Bíblia o capítulo 58 do livro da profecia de Isaías, parece-me é que o profeta tem esta percepção como pano de fundo para sua palavra.  Assim é que ele apresenta a palavra divina sobre qual é exatamente a prática da piedade – jejum – que agrada ao Senhor.
Tomando o jejum como exemplo, em primeiro lugar é preciso deixar claro que Deus não é contra atos de piedade ou jejum em si.  Em outras palavras, a religiosidade não ofende o Senhor nem afasta o adorador verdadeiro do seu trono.  Apenas que se cuide de o fazer do modo que agrade a ele.
No texto de Isaías, agrada mais a Deus a prática da justiça que os atos rituais (v. 6-7).  O Senhor busca fiéis que expressem em suas vidas diárias o senso de justiça e retidão que encontram no caráter do seu Deus.  Vida de oração e piedade sem comprometimento cristão não resulta em favor divino (veja ainda Mt 7:2).
O profeta também alerta para a necessidade de haver amor verdadeiro para com o próximo como credencial indispensável à prática da espiritualidade (v. 9).  O cuidado em preservar o direito do outro e tratá-lo como gostaria de ser tratado deve ser característica do fiel (veja ainda 2Ts 3:11 e Mt 22:39).
Por fim, o capítulo da profecia se refere à guarda do dia do Senhor como critério de piedade (v. 13).  Não que o Mestre faça diferença entre dia e dia; mas a verdade é que quando descuidamos de priorizar a busca do Senhor separando-lhe um tempo que seja particularmente seu, acabamos por fraquejar em nossa fé e piedade – não existe vida cristã sem exclusividade (veja ainda Hb 10:25).
Certamente nosso objetivo maior é encontrar nosso Pai divino e nos ver aceitos em sua presença, pois só assim alcançaremos sua mercê e graça.  Então que Deus nos faça piedosos e religiosos segundo o seu querer para sua glória.  Amém!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A DOXOLOGIA DE JUDAS


A pequena Epístola de Judas, que em nossas Bíblias fica lá no finalzinho do NT, é uma das menos citadas e estudadas.  É até compreensível.  Ela tem relativamente pouco material – se comparada a outros escritores – e faz umas citações meio esquisitas: comenta uma disputa entre Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés e faz uma citação de Enoque (ambos não encontram paralelo em outras citações bíblicas).
Quanto ao seu autor, a tradição aponta esse Judas como sendo o irmão de Jesus.  Na verdade, esse era um nome bem comum no primeiro século na Palestina e não há nenhuma indicação inquestionável sobre quem seria ele.  O que se tem é uma citação de Eusébio na sua História Eclesiástica que aponta uma tradição do segundo século se referindo ao autor como sendo “Judas – dito irmão do Senhor pela carne”.
Vou deixar estas questões introdutória e me concentrar no que se tem de melhor neste pequeno escrito: a Doxologia com a qual ele conclui seu texto.

Àquele que é poderoso para impedi-los de cair
e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria,
ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém.


Quero analisar suas palavras.  Mas antes, deixe-me compreender o que é "Doxologia".  Segundo o dicionário, é uma fórmula litúrgica de arremate nas grandes orações (hinos, preces, versículos etc.) em que se glorifica a grandeza e majestade divinas.   E é isso mesmo que Judas faz aqui, ele arremata sua epístola com uma declaração que expressa a fé a convicção dos cristãos primitivos sobre quem é Deus e como devemos adorá-lo.
Duas palavras eu destaco como descrevendo o próprio Jesus Cristo. Poderoso (em grego: δυναμένῳ – nessa forma, particípio presente).  Dessa mesma raiz é a expressão do poder que foi outorgado aos discípulos na descida do Espírito Santo (confira At 1:8). 
A outra palavra é único (em grego: μόνῳ).  O livro da revelação do Apocalipse registra que os vencedores da besta entoavam o cântico de Moisés declarando ao Rei das nações que somente – o único – ele é santo (leia em Ap 15:4).
Judas reconhece que somente o que tem todo o poder para nos guardar dos tropeços e nos apresentar ao Pai imaculados pode merecer o louvor a ser declarado a seguir.
Então a ele seja…
Glória (em grego: δόξα) – literalmente: brilho, esplendor, fama, honra.  É essa mesma expressão que traduz a glória de Senhor que encheu o templo quando Salomão o inaugurou (veja 2Cr 7:1 – veja também no mesmo sentido Ap 15:8).  Ainda foi a fumaça de glória que estava no louvor dos serafins e impactou Isaías (confira Is 6:3).
Majestade (em grego: μεγαλωσύνη) – literalmente: grandeza.  O autor aos Hebreus usa essa expressão para se referir ao lugar de destaque e majestade onde fica o trono do Deus (em Hb 8:1).  E o Salmo 150 instrui a louvar ao Senhor por sua grandeza (Sl 150:2).
Poder (em grego: κράτος) – literalmente: força, governo.  Com essa palavra os gregos antigos se referiam às suas cidades-estado.  Apresentando a armadura de Deus, o apóstolo reconhece que somente sob o governo e poder do Senhor é que seremos fortalecidos (leia em Ef 6:10).
Autoridade (em grego: ἐξουσία) – literalmente: poder, domínio, jurisdição.  É com essa palavra que Mateus descreve toda a autoridade que o próprio Jesus declara estar em seu controle no céu e na terra (confira em Mt 28:18).

Então eu me somo a Judas na adoração a Jesus Cristo, Senhor nosso, por toda eternidade, declarando o AMÉM solene (Αμήν – אמן).