terça-feira, 22 de outubro de 2019

QUEM FOI O PROFETA EZEQUIEL?



Pouco apreciado pelos cristãos modernos por suas visões, oráculos e ações não muito comuns, Ezequiel é um dos profetas que, depois de estudado a fundo, desponta no horizonte do fenômeno profético israelita com uma mensagem das mais belas, um forte engajamento sócio-político e uma firmeza inabalável.
Em hebraico o nome do profeta – e o título do livro – é יחזקאל, nome comum a outras pessoas no tempo do Antigo Testamento e significa Deus é Fortaleza ou Deus é Força.  A forma "Hezekiel" (donde vem o aportuguesamento: "Ezequiel") foi formada por Lutero da versão da Septuaginta (Ιεζεκιήλ) e se assemelha a "Iezekiel" usada pela Vulgata Latina.
Este pregador do exílio, apesar de não ser citado no Novo Testamento, é um desafio para qualquer um que se diga despenseiro da Palavra de Deus, em qualquer lugar ou época, pelo seu método, seu estilo, seu zelo, seu carinho próprio pelo povo de Israel, mas principalmente pela solidez e convicção da sua mensagem.

Mas, quem foi o profeta Ezequiel?

Não há muitas informações extra bíblicas sobre o profeta, sua vida e atividade, mas o que, à leitura de seu livro, podemos perceber é que o profeta Ezequiel nasceu de uma linhagem sacerdotal.  Seu pai, Buzi, foi sacerdote provavelmente do clero de Jerusalém e Ezequiel, assumindo o sacerdócio, assumiu também a responsabilidade da direção espiritual do povo judeu nas terras babilônicas, para onde foi levado na primeira deportação em 597 a.C. 
Passou a morar em Tel-Abibe perto da cidade de Nipur, nas margens do grande canal, ou seja, o rio Quebar, de onde, devido a liberdade de movimento que os exilados tiveram deve ter conhecido a cidade da Babilônia, o que certamente influenciou a sua mensagem e atividade, quer no seu espírito, quer na sua forma. 
(Prova da liberdade de movimento do povo no exílio babilônico são os achados em forma das tabuinhas cuneiformes referindo-se a Joaquim, rei de Judá, na corte babilônica).
Com trinta anos, idade em que um levita, ou sacerdote, começaria a servir no Templo, Ezequiel começou seu ministério profético (pelo menos é o que deixa transparecer o primeiro verso do livro da profecia – embora alguns estudiosos citem a data deste verso como sendo uma data internacional). 
Posso pensar que talvez Deus o tenha escolhido para a missão profética como compensação pela impossibilidade de ele servir no Templo em Jerusalém, que seria o sonho de todo o sacerdote.  
Casou-se no sexto ou nono ano depois do exílio, porém a delícia dos seus olhos (cf. 24:16) morreu pouco antes da queda final de Jerusalém em 587 a.C.  Mas por ela o profeta não chorou nem se enlutou, segundo as ordens do Senhor, fato este que serviu de sinal para o que haveria de acontecer por ocasião da queda de Jerusalém.
Já foi dito que Ezequiel era "um cataléptico, um neurótico, uma vítima do histerismo, um psicopata, e até mesmo um esquizofrênico paranoico específico, além de ter sido creditado com poderes de clarividência e de levitação" (citado por John B. Taylor).  Porém esta afirmação é contestada pelo fato de que todas as ações do profeta são baseadas num zelo excessivo pela Lei e Palavra de Javé e por uma compaixão indescritível pelo seu povo; fato que é peculiar a quase todos os profetas de Israel.
Quanto a sua morte, ainda por não haver outra informação segura, nenhum dado concreto ou documento arqueológico, além da tradição dos seus discípulos, e de que seu livro se encerra com uma visão futurista, no estilo apocalíptica, não é possível afirmar nada, porém fala-se que ele foi morto por um príncipe, provavelmente em Judá, ou ainda por um colega seu por pregar contra a idolatria. 
É verdade, também, que seus discípulos e seguidores guardaram vivos seus ensinos e tradições durante vários séculos chegando até o tempo neotestamentário e de Flávio Josefo.
(Na imagem lá em cima, a escultura do Profeta Ezequiel feita por Aleijadinho na virada do século XVIII no adro dianteiro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas – Minas Gerais.  Crédito da imagem: iphan.gov.br)

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