terça-feira, 21 de janeiro de 2020

NÚMEROS DO BRASIL EVANGÉLICO

Na segunda-feira passada (dia 13/01), o Instituto Datafolha de São Paulo publicou uma pesquisa intitulada PERFIL E OPINIÃO DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL.  O documento consta de 199 paginas com números, tabelas e gráficos planilhando os resultados da pesquisa realizada nos dias 07 e 08 de dezembro em 176 municípios e que procura demonstrar a realidade dos evangélicos no país e compará-los com outros segmentos religiosos.
Os resultados até mereceram algum destaque nas mídias, principalmente na internet, mas numa primeira olhada, o documento mais parece uma interminável sequência de dados.  É número que parece que não vai acabar mais!!!
Fui então dar uma passada de olho no material e, como não sou estatístico de profissão, nem tenho a intenção de fazer uma análise técnica dos dados ali apresentados – tem gente com expertise suficiente para fazer isso – vou apenas destacar algumas informações que me chamaram a atenção.
# Inicialmente os dados apontam a um percentual de 50% de brasileiros que se declaram católicos, diante de 31% evangélicos (há 25 anos a diferença era de 75 a 14) e outros 10% não se ligam a nenhuma religião.
Não fui entrevistado na pesquisa, mas posso me incluir nesses números.  Há 25 anos eu já fazia parte do percentual evangélico – e continuo nele.  Esse percentual aponta para uma realidade de mais ou menos 65 milhões de brasileiros que reconhece evangélico.  É muita gente e já deveria está exercendo sua boa influencia nesse país.
# E outro detalhe: quase metade desses evangélicos se apresenta como ex-católicos.  Também há um numero significativos de pessoas que passaram em diferentes modalidades de igreja evangélica recentemente.  Claramente falta convicção e firmeza doutrinária nessa gente.
Volto já a falar disso.  Antes, veja como a pesquisa descreve o brasileiro evangélico: é majoritariamente mulher (58%), de pele escura (59%), tem entre 35 e 59 anos (45%), estudou apenas até o ensino médio (35%) e, em média, frequentam e se sentem comprometidos com as suas congregações por 12 anos.  Um retrato interessante do nosso povo.
Voltemos às questões sobre o que pensa e o que crer o evangélico brasileiro, segundo a pesquisa.
# O que mais atrai o evangélico para sua igreja é busca por Deus e o comprometimento dos púlpitos com a Palavra.  Sinceramente questiono essa avaliação, até porque, também uma maioria reconhece não seguir piamente o que é dito pelos seus líderes espirituais.
Penso que aí o problema está dos dois lados: carece em muitos púlpitos seguir as instruções paulinas em 2Tm 4:2 – isso é fato; e aos ouvintes sobra mimimi de crente e falta atentar para o que Cristo diz em Lc 9:23.
# Um exemplo interessante é sobre usos e costumes – especialmente no que diz respeito a trajes e vestimentas.  Os números apontam para uma maioria (quase dois terços dos pesquisados) que reconhece que há instrução na igreja sobre quais roupas são adequadas para o momento do culto.  Mas por outro, apenas uma minoria desses (um terço) assumem que seguem tais instruções quando decidem o que vai vestir e como vai se portar.
É verdade que ninguém é salvo pela roupa que veste, e nem é isso que me faz cristão.  Mas ignorar que deve haver uma conduta digna a ser buscada e que isso é parte indispensável à nossa fé, é ser desleixado com o compromisso cristão (atente o que é dito em 1Co 10:32).  Isso é grave.
# Há outros dados sobre temas relativos a aborto, ensino religioso promovido pelo estado e questões de gênero e homossexualidade.  Mas me vou dar a liberdade de não comentar sobre isso.  E ponto.
# Uma outra grande quantidade de dados circunda questões políticas e de escolha de voto.  Observe: apenas cerca de um terço indicam haver influência da religião no momento da escolha do seu candidato para voto nas eleições, enquanto que os outros dois terços então não levam isso em consideração, ou pelo menos como fator principal de escolha. 
Talvez aqui indique um bom sinal de amadurecimento político do nosso povo.  Talvez!  Mas tenho minhas dúvidas.  Talvez seja apenas falta de credibilidade dos nossos representantes.
# Sobre isso também, é extremamente significativo que, para bem mais da metade do povo evangélico, os políticos que se apresentam como vinculados às suas igrejas são iguais ou até piores que os demais políticos no país. 
Entendo que isso reforça a convicção de que transformar o Brasil em uma nação cristão-evangélica a partir das esferas estatais – com esses representantes que aí estão – seria uma catástrofe para todos nós.  E eu sinceramente tenho vergonha de vários políticos que se apresentam como evangélicos e da dos pastores e líderes que os apóiam – e os coloco nos mesmo nível (ou falta de nível!) tanto políticos de direita como de esquerda.
Vou finalizar essa passada de olho nos dados da pesquisa – já disse lá em cima que não sou estatístico de profissão – citando a Palavra de Deus na inauguração do templo em Jerusalém, respondeu a oração de Salomão – ela vale ainda o Brasil evangélico:

Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar,
buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos,
dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra.
(2Cr 7:14 – NVI)



2 comentários:

  1. Parabéns, excelente texto, meu querido Pr Jabes!
    Dados estatísticos podem ser uma excelente ferramenta de análise da realidade! Que Deus nos ajude, como igreja, a sermos obedientes na prática da busca do reino e de sua justiça, em nome de Jesus!

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    1. Obrigado querido.
      Que sejam mais que apenas números, mas que saibamos interpretá-los como indicadores do quem somos, onde estamos e o que estamos fazendo para cumprir nossa missão.
      Essa deve ser a nossa oração pela ajuda divina e nosso empenho em estabelecer o Reino de Deus com seus valores entre nós.

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