terça-feira, 21 de agosto de 2018

ENTENDES O QUE LÊS?


O livro Entendes o que Lês dos norte-americanos Gordon D. Fee e Douglas Stuart foi publicado originalmente nos EUA em 1981 sob o título How to Read the Bible for All Its Worth (numa tradução livre: Como Ler a Bíblia por Todo o Seu Valor) e se propõe a ser um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica.
A primeira edição em Português saiu em 1984 e já no meu tempo de Seminário era uma leitura obrigatória nas aulas de Exegese e Hermenêutica.
A obra é dividida em treze capítulos mais apêndice e índices. Veja o que os autores dizem sobre cada assunto:

1. Introdução: a necessidade de interpretação
O alvo de toda boa interpretação é simples: chegar ao “significado claro do texto”. E o ingrediente mais importante para cumprir essa tarefa, e que nunca podemos deixar de lado, é o bom senso suficientemente aguçado. O teste de uma boa interpretação está em saber se esta expõe o correto sentido do texto. Portanto, a interpretação correta tanto consola a mente, como pode também incitar ou irritar o coração (p. 24).

2. Ferramenta básica: uma boa tradução
Há dois tipos de opções que os tradutores têm de fazer: uma é de caráter textual e a outra de caráter linguístico. O primeiro tipo se relaciona à busca por encontrar o que realmente foi registrado no texto original. O segundo tem a ver com a teoria da tradução (p. 43).

3. Epístolas: aprendendo a pensar contextualmente
Assim, muitas vezes nos voltaremos às epístolas em busca da teologia cristã; elas estão carregadas dela. No entanto, devemos sempre conservar em mente que, em princípio, não foram escritas para fazer uma exposição da teologia cristã. É sempre uma teologia aplicada ou direcionada a uma necessidade específica (p. 71).

4. Epístolas: questões hermenêuticas
A grande questão entre os cristãos que aceitam a Escritura como a Palavra de Deus tem a ver com os problemas da relatividade cultural: o que é cultural e, portanto, pertence exclusivamente ao século I, e o que transcende a cultura e, portanto, é uma Palavra para todos os tempos (p. 87-88).

5. Narrativas do Antigo Testamento: seu emprego apropriado
Nossa preocupação é guiá-lo ao entendimento do modo como a narrativa hebraica “se desenvolve” para que você possa ler a Bíblia com mais conhecimento e mais apreciação pela história de Deus (p. 109).

6. Atos: o problema do precedente histórico
Nossa suposição, compartilhada por muitas outras pessoas, é essa: sem que a Escritura nos mande fazer alguma coisa de forma explícita, aquilo que é apenas narrado ou descrito não funciona de um modo normativo (i.e., obrigatório) – a menos que possa ser demonstrado por outros motivos que o autor pretendia que o texto funcionasse desse modo. Há boas razões para fazermos essa suposição (p. 145).

7. Evangelhos: uma história, muitas dimensões
Em certo sentido, portanto, os evangelhos funcionam como modelos hermenêuticos para nós, insistindo, por sua própria natureza, que nós também narremos de novo a mesma história em nossos próprios contextos do século XXI (p. 156).

8. Parábolas: você entende a lição?
As parábolas com história funcionam como um meio de evocar uma resposta por parte do ouvinte. Em certo sentido, a própria parábola é a mensagem. Ela é contada para dirigir-se aos ouvintes e cativá-los, a fim de fazê-los parar e pensar acerca das suas próprias ações, ou levá-los a dar alguma resposta a Jesus e ao seu ministério (p. 183).

9. Lei(s): as estipulações da aliança para Israel
E esse é o papel da Lei na história de Israel. Era uma dádiva de Deus para o povo o fato de estabelecer o modo como os israelitas tinham de viver em comunidade, relacionando-se um com o outro, e garantir a relação com Javé, seu Deus, e o culto a ele. Ao mesmo tempo, a Lei estabelecia limites no que diz respeito à relação dos israelitas com as culturas ao redor. Realmente, uma tarefa formidável! (p. 196).

10. Profetas: fazendo cumprir a aliança em Israel
Devemos, portanto, ter sempre em mente que os profetas não inventaram as bênçãos ou as maldições que proclamavam. Podem ter expressado essas bênçãos e maldições de modos novos e cativantes, como foram inspirados a fazer. Contudo, eles reproduziam a Palavra de Deus, e não a sua própria palavra (p. 221).

11. Salmos: as orações de Israel e as nossas
Como essas palavras faladas para Deus funcionam para nós como uma Palavra da parte de Deus? A resposta? Exatamente como funcionaram primeiro para Israel – como oportunidade de falar a Deus com palavras que ele inspirou outras pessoas a falar a ele em tempos passados (p. 267).

12. Sabedoria: então e agora
A literatura sapiencial, portanto, tende a focalizar-se nas pessoas e no seu comportamento – em como elas são bem-sucedidas em fazer escolhas piedosas e se elas aprenderam ou não a como aplicar as verdades em suas experiências (p. 273).

13. Apocalipse: imagens do juízo e da esperança
Assim, o Apocalipse é a Palavra de Deus de consolo e encorajamento aos cristãos que sofrem, especialmente cristãos que sofrem nas mãos do estado por serem precisamente cristãos. Deus está no controle. O Cordeiro imolado triunfa sobre o dragão (p. 314).

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