sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O ESPÍRITO SANTO NA ADORAÇÃO

Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.
(Jo 4:24)
Logo após a ressurreição, estavam os discípulos reunidos quando Jesus apareceu no meio deles e assoprou sobre eles e disse-lhes: "Recebam o Espírito Santo" (Jo 20:22).  Com este gesto simbólico, o Jesus ressuscitado outorgou aos seus discípulos o Espírito e transformou para sempre a reunião dos seus seguidores.
A reunião dos discípulos era saudosa, o Mestre já havia partido, um sentimento de frustração e solidão dominava o ambiente – o Espírito soprado na reunião era a garantia da companhia solidária do divino no meio dos seus: Ele é o outro Consolador (Jo 14:16).  O encontro dos discípulos era sombrio e silencioso, a dor da saudade ocultava-lhe o cântico – o Espírito soprado entre eles deveria encher-lhe de palavras de salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5:18-19).
Culto cristão sem a presença do sopro do Espírito é pasmaceira triste e sem sentido.  Não há vida nem sentido em reunião de discípulos de Cristo sem que já se tenha recebido este sopro, que é vento e alma da Igreja. 
Vivamos e cultuemos nesta experiência espiritual.

(do livro "No Baú da Adoração" publicado em 2004)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O SUPÉRFLUO É ESSENCIAL

Terminei este final de semana de ler o livro do Tostão: A Perfeição Não Existe.  Logo que eu o vi numa livraria aqui em Aracaju em 2012 eu o comprei e desde então venho lendo aos pouquinhos – como doses homeopáticas receitadas pelo Dr.  Eduardo Gonçalves de Andrade.
Eu não tive o privilégio de ver Tostão jogando futebol – quando eu comecei a me interessar pelo ludopédio, lá pelo final dos anos 1970, ele já não frequentava os gramados – ficou o mito.
E com essa referência tomei o volume na livraria e resolvi me dar à sua leitura, já ali em pé mesmo.
Mas quem é Tostão?  O jornalista Juca Kfouri, que prefaciou o livro, assim o descreve:
Tostão foi um dos maiores craques que eu já vi.  E ele escreve como jogava.  Também em suas crônicas, consegue enxergar o que nós nem suspeitávamos e resolve tudo com simplicidade minimalista e delicadeza tocante.
O livro é uma "seleção das colunas publicadas na Folha desde 2000".  Mas como também não tive a oportunidade de ler no veículo original, para mim, todas eram inéditas.
E as li com gosto.  Então por que só terminei agora?
Como disse, os olhos percorreram as primeiras linhas ainda na livraria, só que a citação das pílulas homeopáticas, lá no primeiro parágrafo, foi só para apontar o autor.  Na verdade não me pareceu remédio a ser tomado de forma obrigatória e necessária.  Estava mais para uma caixa de bom-bom que um menino ganha e, para que não acabe logo, fica se deliciando aos poucos, um a um, os doces.  Tentando fazer render o máximo.
Assim eu fui lendo que a perfeição pode até não existir, mas que com um pouco de simplicidade e uma exorbitância de genialidade dá para chegar perto.
Coisa que só quem brincou como menino pode entender.
E entre várias boas tiradas do Tostão encontrei esta: o supérfluo é essencial – numa crônica de janeiro de 2009 em que trata de objetivos e objetividade, citando Millôr Fernandes e Nelson Rodrigues.
Só as companhias já valem o proseado!
Como pastor e escrevinhador – é isso que tenho sido – futebol para mim está longe de ser essencial.  Mas gosto de ver e ouvir gente que trata o assunto com profunda seriedade, mas sem nunca esquecer que é apenas futebol.
Tostão fez isso com a maestria que lhe é devida.
Futebol é realmente supérfluo, mas tratado como foi, acrescentou muita bagagem em meu repertório cultural e humano.  E com ele pude caminhar mais alguns passos.
O próprio Mestre Jesus já havia ensinado que a vida é mais que o alimento.  Nossa humanidade consiste em subsistência, trabalho, anseios, expectativas, mas também sonhos, beleza, arte, paixão.
Repito: coisa que só quem, depois da aula, escolheu correr atrás de uma bola ao invés de um prato de comida sabe o que é.
Então, que me perdoem a heresia, mas o futebol bem pode servir de metáfora para isso além de nós, e que nos faz humanos!
É verdade que futebol não coloca feijão na minha panela – como de resto para a maioria de nós – mas depois da magia da bola nos pés de um menino só resta concordar com a verdade que a perfeição não existe, mas para ser tornar como criança (insisto na citação de Zc 8:5 e Mt 18:3) é preciso reconhecer que o supérfluo é essencial.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Parábola das coisas – O TRAVESSEIRO

Tenho mantido o costume de olhar as coisas presentes no cotidiano.  Nelas busco enxergar sempre fagulhas de lições me ajudem na caminhada da vida.  E de vez em quando escrevo sobre elas – são as parábolas das coisas.
Mas antes que estas linhas se tornem muito cansativas, vamos olhar para uma coisa que temos próximo todos os dias – ou melhor as noites: o travesseiro.
Vejamos de início o que encontramos, lendo sobre o tema.  No dicionário, a definição de travesseiro é uma espécie de almofada comprida que se atravessa sobre o colchão de lado a lado, para descansar a cabeça.
Como objeto útil, serve muito bem para as funções propostas: acalentar o descanso e o sono.  Fica ali, deixa-nos confortáveis e embala nossos sonhos – e há toda uma intimidade desenvolvida.  E é exatamente daqui que quero tomar o ponto de partida para examinar o travesseiro.  Como companheiro do recolhimento íntimo do sono, ele é excelente parábola da própria consciência.
Atentemos à consciência:
Algumas vezes a consciência pesa e as ideias tornam-se uma turbilhão.  Quando a vida e as decisões nos levam a caminhos dos quais a culpa e a vergonha são inseparáveis, o travesseiro da consciência fica duro e o sono terrível.
Para entender melhor, das páginas da Bíblia eu me lembro da narrativa do patriarca Jacó.  Quando fugia da casa de seu pai, em meio a viagem, ele parou e dormiu usando um pedra como travesseiro.  Longe de casa, tendo trapaceado seu irmão e mentido para seu pai, a noite do patriarca foi dura, como um travesseiro de pedra (leia a narrativa em Gn 28).
Mas há uma outra situação da consciência: limpa, leve, fluida, equilibrada, saudável.  Em perfeita harmonia com sua própria história e trajetória.  É um travesseiro macio para um sono reparador.  E não importa que o mundo lá fora esteja um caos.  A mente e corpo repousam tranquilos.
Ainda é na Bíblia que eu posso ler um exemplo perfeito para esta condição. 
Depois de um dia cansativo de trabalho na missão, Jesus instruiu seus discípulos a procurarem um repouso na outra margem do lago da Galileia.  E o texto diz que enquanto atravessam, Jesus apenas dormia na popa do barco, sobre um travesseiro – que sono gostoso! E um detalhe importante, enquanto dormia sossegado, uma tempestade assolava as águas (leia em Mc 4).
Quando a noite chega e a sós com meus pensamentos, lembranças, ideias e reflexões, apenas o travesseiro embala meu sono.  Então a pergunta final é inevitável: de pedra ou de pluma, onde tenho reclinado minha cabeça?


Você encontra textos como esse no livro PARÁBOLA DAS COISAS

 


Disponível no:
Clube de Autores
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Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse
DE ADÃO ATÉ HOJE – Um estudo do Culto Cristão


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Deus Existe

Como não ter Deus?!
 Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve.
Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vaivém, e a vida é burra.
É o aberto perigo das grandes e pequenas horas,
não se podendo facilitar – é todos contra os acasos.
Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo.
Mas se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma!  Porque existe dor.
E a vida do homem está presa encantoada – erra rumo, dá em aleijões como esses,
dos meninos sem pernas e braços.
Dor não dói até em criancinhas e bichos, e nos doidos – não dói sem precisar de se ter razão
nem conhecimento?  E as pessoas não nascem sempre?
Ah, medo tenho não é de ver morte, mas ver nascimento.  Medo mistério.  O senhor não vê?
O que não é Deus, é estado de demônio.  Deus existe mesmo quando não há.
Mas o demônio não precisa existir para haver – a gente sabendo que ele não existe,
aí é que ele toma conta de tudo.
O inferno é um sem-fim que nem se pode ver.  Mas a gente quer Céu é porque quer um fim:
mas um fim com depois dele a gente tudo vendo.
Se eu estou falando às flautas, o senhor me corte.  Meu modo é esse.
Nasci para não ter homem igual em meus gostos.
O que eu invejo é sua instrução do senhor...


Extraído do livro "Grande Sertão: Veredas" (1956) do mineiro Guimarães Rosa.
A foto lá em cima é do sertão do Piauí.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A cronologia do profeta Ezequiel

O livro da profecia de Ezequiel é um dos livros com mais e melhor referências sobre datas que encontramos no Antigo Testamento.  Aqui procurei listar algumas destas datas que aparecem no texto bíblico com a provável equivalência em nosso calendário.




Você pode ler um ensaio sobre o Profeta Ezequiel no livro ENSAIOS TEOLÓGICOS

Disponível no:
Clube de autores
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Conheça também outros livros:
TU ÉS DIGNO – Uma leitura de Apocalipse
DE ADÃO ATÉ HOJE – Um estudo do Culto Cristão
PARÁBOLA DAS COISAS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

PERGUNTAS QUE PRECISAM DE RESPOSTAS

Antes dos feriados de fim-de-ano dei uma passada na casa dos meus pais.  Vou lá com frequência.  Sempre aproveito para dar uma olhada no que restou de sua biblioteca.  Sobre ela – a biblioteca – lembro que na minha infância ela enchia tudo um cômodo.  Hoje, por razões variadas, não ocupa mais que uma pequena estante, meio que esquecida, em um canto do quarto.
Lá não há mais muitas novidades, mas eu gosto de buscar velhas letras.
Só que não é sobre a biblioteca e os velhos livros que eu quero compartilhar.  O que me chamou a atenção foi um título de Philip Yancey: "Perguntas Que Precisam de Respostas".  E considerando os outros tomos que o ladeavam naquela estante, a edição é consideravelmente nova (uma cópia da segunda edição de 2003).
Como de costume, deixei-me levar pela experiência sensorial.  Folheei, observei a figura da capa, senti-lhe o tato, o cheiro.  Depois destes sentidos primários, entreguei o volume ao lado racional.  Li a contracapa, as orelhas, os dados da catalogação e o índice.
Primeiras percepções.  O título da edição em português nada tem a ver com o original em inglês – lá é I Was Just Wondering (minha opção de tradução seria: Eu Apenas Queria Saber).  Já no final da leitura descobri de onde tiraram o título.  A introdução da sexta e última parte termina com as palavras:
Eu só queria saber...
São perguntas que precisam de respostas.
E na orelha do livro encontrei a descrição do que se trata o livro: "Esse livro é uma coletânea de artigos publicados na revista Christianity Today".
Mais.  A primeira edição americana é de 1989 e a brasileira de 2001.
Então resolvi levar e ler.  O que revelou-se uma excelente leitura – o que seria natural em se tratando de Yancey – não apenas como passatempo de natal mas principalmente como estímulo à reflexão teológica e cotidiana.  Coisa que a igreja precisa fazer de maneira constante e saudável.  E antes de recomeçar as lidas de 2016 já tinha concluído 190 páginas de leitura.
O livro em si está subdividido em seis partes.  Antes porém, no prefácio, Philip Yancey discorre de maneira magistral sobre o ato de escrever em si e de como ele encara o desafio.  Bom começo.
Vamos lá: a primeira parte trata da vida com Deus e reúne reflexões que primariamente têm como ponto de partida a própria Bíblia.  As propostas de leitura que Yancey faz dos temas e nas metáforas bíblicas com certeza ajudam a fomentar uma leitura menos quadrada do texto cristão.  E ao longo do texto várias análises de autores clássicos a cristãos enriquecem as referências.
As páginas se sucedem e a atração das letras só se reforça até que chego à ultima parte que pretende dar atenção ao animal humano, abordando assuntos que vão da crise da meia-idade à questão das piadas sujas e o problema do prazer, quando ele questiona: Por que o sexo é uma fonte de prazer? Por que comer acarreta prazer? Por que existem cores? De onde vem o prazer? Ao que ele confessa: ainda estou à espera de uma boa explicação que não inclua a palavra Deus.
Realmente uma excelente maneira de terminar 2015 e começar 2016.  Eu recomendo.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

AGUARDANDO O MÉDICO

Depois de um mês da primeira consulta, volto ao médico trazendo os exames para que ele os veja.  Não que tenha uma queixa específica hoje para relatar, mas há um mês eu estava cheio delas: o ácido úrico tinha se acumulado nas juntas, as costas (rins? coluna?) me doíam, um mal-estar disperso na barriga – coisas que a idade vai inventando!
— Já ando beirando o meio século de vida!
Uma crítica pontual – boa expressão no contexto.  A consulta de retorno está marcada para as sete da manhã, chego pouco antes das oito.  E...  Serei o décimo segundo e o médico ainda sequer viu o primeiro.
Então pouco resta a fazer além de esperar.  A ante-sala do consultório está razoavelmente lotada e assim ficamos.  Que jeito!?
E como estrategicamente trago um tablet na mochila, então resta o consolo de colocar frases na tela enquanto o tempo vai passando.  Reconheço a praticidade da tecnologia, tanto é que a uso, mas a expressão frases na tela não tem o mesmo efeito de palavras no papel! Mas vamos lá.
E os minutos se seguem às dezenas.
Não tenho um esboço ou roteiro para o texto.  Faço-o por fazer.  Quem sabe o tempo adianta!
Outra coisa, também possível é observar meus companheiros de espera.  Alguns conversam timidamente, outros de maneiras mais descontraída.  Ninguém fala alto, mas o coletivo dos sussurros faz naturalmente o volume do zum-zum-zum parecer maior.  Há ainda os que cochilam e os que gastam os dedos nos celulares.  Assim é esse tempo.
Como a espera é pela consulta médica, não é difícil deduzir que cada um nesta ante-sala tenha sua história e suas queixas...
(Começou a atender)
Voltando: é fácil saber que aguardando o momento de ser atendido há toda espécie de paciente.  Há os que vem por necessidade, os por urgência, os por rotina e até os por mania mesmo.  Há novos e velhos, pobres e mais pobres – ninguém é rico na fila da saúde!
E mais giros nos ponteiros do relógio.
A posição sentado vai se tornando incômoda e as idéias vão vagueando.  Hinos e canções antigas e novas, versos bíblicos, citações, imagens do cotidiano, política, futebol – tudo pulula.  Vale quase tudo para ocupar a mente: relembrar velhos textos escritos, idealizar novas produções, e, sei lá mais o quê! Já refiz na cabeça até as linhas de ônibus de Aracaju!
Acho que devo terminar por aqui este texto, o tédio é meu e não tenho por que cansar mais ninguém.  O problema é que, como não tinha nada planejado para escrever, também não sei como terminar.
Não tenho nenhuma reflexão profunda sobre a vida, sobre a fé ou sobre a condição humana.  Não me ocorreu nenhuma epifania (muitos menos uma teofania).  Não encontrei soluções para problemas existenciais ou filosóficos – nem nada parecido.  E o pior é que já está me dando fome!
Ah! e a bateria do tablet também já está acabando.

Bem, então por enquanto vou ficar por aqui...  Esperando...