quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

VIRTUDES DIVINAS

 


 

Em linhas gerais a resposta é bem simples e direta:  sobre Jesus Cristo, sendo 100% humano e 100% divino, não há como falar em maior ou menor virtude.  No homem de Nazaré está encarnado toda a divindade, então ELE personifica o absoluto de toda e qualquer virtude.  ELE é a referência das virtudes.

 

Mas como esse é um tema fundamental de nossa fé – a divindade e a humanidade do filho de Maria – vou destrinchar um pouco.

 

Começando pelo Credo Cristão declarado no Século IV.  No texto aprovado pela Igreja é dito explicitamente:

 

Cremos em um só Senhor: Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não feito; consubstancial com o Pai, por quem todas as coisas foram feitas; que, por nós e por nossa salvação, desceu dos céus, e se encarnou, por obra do Espírito Santo, da virgem Maria, e se fez homem.

Veja os destaques nas línguas originais:

→ Em Português – consubstancial com o Pai
→ Em Grego – ομοούσιον τώ Πατρί
→ Em Latim – consubstantialem Patri

→ Em Português – desceu dos céus, e se encarnou
→ Em Grego – κατελθόντα εκ τών ουρανών καί σαρκωθέντα
→ Em Latim – descendit de cælis et incarnatus est

Ou seja, o legado que os Pais da Igreja nos deixou foi a crença e a convicção absoluta de que Jesus Cristo (e somente ELE) possuiu de igual modo as duas naturezas: humana e divina.  E isso é fundamental para nossa Teologia.

 

Aproveitando.  Deixe-me citar versículos bíblicos sobre o tema:

 

& João 1.1 –
No princípio [só] havia a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.

& João 1.14 –
E a Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós, e a glória dele nos chamou a atenção – glória como de um unigênito do Pai, completo de graça e verdade.

& Colossenses 2.9 –
Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade...

& Hebreus 1.3 –
[0 Filho] é a expressão exata da substância de Deus.

& 1 João 4.2 –
... todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus.

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DEUS E O TEMPO

 


Quando estudamos sobre a doutrina da eleição e predestinação é importante antes estabelecer outra doutrina teológica indispensável para a compreensão do tema: a eternidade de Deus.  O Salmo afirma uma verdade que ecoa desde antes que a própria terra tivesse sido criada: “de eternidade a eternidade tu és Deus” (Sl 90:2).

Essa é uma verdade fundamental na relação dos atributos que reconhecemos no nosso Deus: ele não se subordina ao tempo, mas, existindo fora e acima dele, tudo conhece e tudo domina.

Para tentar explicar essa verdade que, em certa medida, escapa a capacidade de compreensão da mente humana, Agostinho de Hipona começou estabelecendo uma definição para o próprio conceito de eternidade.  Diz ele: "Na eternidade nada passa, tudo é presente, ao passo que o tempo nunca é todo presente."

Então, comparando como Deus e os humanos encaram a realidade do tempo e da eternidade, o teólogo africano considera: "Em Deus não há, como em nós, a previsão do futuro, a visão do presente e a recordação do passado.  É totalmente diferente a sua maneira de conhecer, ultrapassando, muito acima e de muito longe, os nossos hábitos mentais."

Por tal afirmação, compreendemos que, por ser eterno em sua essência divina, Deus nunca está preso à sucessão dos tempos e das eras e que, sendo assim, o passado, o presente e o futuro como nós vivenciamos, são superados por uma existência em que toda e cada circunstância é vista e experimentada por Deus como um eterno agora.

Indo um pouco além nessa compreensão, tendo já afirmado que para Deus não há sucessão de tempo – logo sem antes ou depois – sendo que ele divinamente conhece o agora, como conhece o passado e conhece o futuro (e não há distinções nesses conhecimentos dele), vamos entender que torna-se impossível afirmar que “antes” que algo ocorresse, Deus o previu ou pré-determinou. 

Se nele não há “antes” nem “depois”, mas existe num eterno agora, então devemos reconhecer como verdadeiras as palavras de Eusébio de Cesareia quando afirmou que “o conhecimento prévio dos eventos não é a causa de que tenham ocorrido.  As coisas não ocorrem [somente] porque Deus sabe.  Quando as coisas estão para ocorrer, Deus o sabe”.

 

Texto extraído da Revista DIDASKAIA (2023) – IBODANTAS. 
A imagem é uma reprodução da obra “La persistència de la memòria” (1931) do pintor espanhol Salvador Dali, atualmente exposto no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque