sexta-feira, 9 de março de 2018

JUSTIÇA E VINGANÇA EM APOCALIPSE


No contexto das batalhas do Apocalipse, principalmente quando é mostrada a queda a Grande Babilônia, aparece o tema da justiça e da vingança de Deus sobre os arrogantes, infiéis e adoradores do mal (Ap 18). Este é um tema por vezes complicado. Mas acredito que mesmo não sendo central – o importante é a verdadeira adoração ao Cordeiro – mas vale uma reflexão. Acompanhe o raciocínio.
Uma luta feroz foi travada entre os agentes da maldade – o dragão, as bestas e seus seguidores – e os que permaneceram fieis a Deus e somente a ele prestaram culto. E a Babilônia representa tudo de ruim e diabólico que pode se juntar para tentar afrontar Deus e sua dignidade única de receber adoração. É neste contexto beligerante que a justiça de Deus será exercida e a exultação dos seus ocorrerá.
De um lado estão os agentes da morte, do caos, da destruição: aquele que só vem para matar, roubar e destruir (fraseado de Jo 10:10). São estes que ao longo da história humana se concentraram na Babilônia sempre e de diversas formas para atentarem contra os que se mantiveram santos.
Do outro lado está o Cordeiro que é digno de toda adoração porque foi morto e com seu sangue comprou gente de todo canto da terra. E embora em alguns momentos até tenha parecido que o dragão da maldade estivesse ganhando a luta, a história sempre se manteve sob o controle do único que pode abrir os selos do livro da história humana (leia Ap 5:9).
Mas onde entra a vingança e a exultação neste arrazoado todo? Prossiga comigo. Há pontos a se considerar. Primeiro que a ação divina na história humana não é resultado de um intento apenas punitivo. Ou seja, Deus não almeja punir, mas purgar a terra e a humanidade decaída (considere Rm 8:18-25).
Ao contrário de Satanás que planeja se vingar de Deus destruindo sua obra-prima, o próprio Deus tem um plano para remir e trazer para junto de si toda a criação, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (o bem conhecido Jo 3:16). E enfatizo o pronome todo. Deus providenciou o meio de resgatar a sua obra das consequências do mal. Ora, isso não é vingança pura, é ato corretivo apaixonado e gratuito.
E tem mais. Apocalipse não traduz a história com olhos universais. Isso seria pura ingenuidade e certamente haveria de desconsiderar a realidade de que ao longo do tempo muitos se deixaram seduzir (embriagar) pelo poder e fascínio da besta encarnada na Babilônia (considere Ap 13:8-9 e 17:6). E contra estes Deus certamente exercerá seu justo juízo (indispensável ler Jo 3:36).
Antes de terminar, vou estender um pouco mais esta reflexão. Durante este processo de justiça e purgação que Deus tem produzido na obra criada, é certo que até os crentes fieis acabam sofrendo – e algumas vezes antes dos outros e de forma mais dura! – então, por que isso acontece?
Entendo que é na carta de Pedro que a resposta está mais clara e ajuda a entender todo este desenrolar da purificação. A epístola apostólica me diz que Deus já começou o julgamento (purificação) pelos seus (confira 1Pe 4:17) e continua: “Qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?”
Assim, volto ao Apocalipse entendendo o cântico de gratidão, alívio e principalmente louvor executado pelos santos pois finalmente chegou o momento de Deus colocar todas as coisas nos seus lugares devidos e agora a história humana pode encontrar seu destino apropriado.
Aleluia! A salvação, a glória e o poder
pertencem ao nosso Deus,
pois verdadeiros e justos
são os teus juízos.
(Ap 19:1-2)

2 comentários:

  1. Você é sem dúvida um homem usado poderosamente por Deus.

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    1. A glória seja unicamente àquele que é digno de nossa adoração e nos julga com sua justiça: O Cordeiro.
      Abr.

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