sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

O texto de 1Sm 7:12 narra que o profeta Samuel, tendo subjugado os filisteus em Mispá, ergueu uma pedra de testemunho e a chamou de Ebenézer, dizendo: "Até aqui o Senhor nos ajudou".  Aquele era um momento singular na vida pessoal e no transcorrer da história nacional de Israel. O sacerdote Eli já havia morrido; a Arca da Aliança que fora tomada, com o líder Samuel à frente, retornara ao seu lugar; e a vitória contra seus inimigos fechava um ciclo.  Logo depois Israel pediria um rei e a história prosseguiria.
Mas o que me interessa hoje é a pedra.  Ela é um marco.  Foi colocada ali com um propósito.  E hoje, onde estão e quais são as nossas pedras?  E mais: o que a pedra de Ebenézer tem a me ensinar sobre a atitude de Samuel?  Creio que posso buscar respostas em dois planos: no horizontal e no vertical.
Olhando Ebenézer pela linha do horizonte, num plano bem humano, aquela pedra deveria representar para os filhos de Israel um importante monumento histórico.  Com ela Samuel estava ensinando a sempre manter a vista também no passado, ou seja, a ler a história, pois ela é importante.
Nos relatos bíblicos muitas vezes os herois da fé assim fizeram (o próprio texto de Hb 11 é uma excelente resenha histórica que trata de tais herois).  Poderia citar Josué sua na despedida (Js 23), ou o profeta Ezequiel ao lembrar os pecados nacionais (Ez 20).  No NT o bom exemplo vem de Estêvão em sua defesa (At 7) que a partir da narração da história de Israel, fez a aplicação devida.
Neste mesmo plano, a pedra é ainda o registro do testemunho daquilo que o Senhor fez, para que tais intervenções sejam anunciadas às próximas gerações.  Um monumento estrategicamente colocado é um recurso válido de divulgação de uma mensagem.
Depois de repetir as Leis ditadas pelo Senhor, Moisés no Deuteronômio enfatizou para que além do coração, aquelas palavras deveriam estar amarradas fisicamente nos braços e na testa e fixadas nos batentes e portais de cada casa (Dt 6:8-9).  O testemunho de Deus precisa ser visivelmente divulgado, ocupar espaços e ser constantemente lembrado (acrescente aqui a ordem do registro em Ap 21:5).
Olhando Ebenézer num ângulo em que ela aponta para o alto, verticalmente: aquela pedra era o reconhecimento de que tudo o que aconteceu a Israel era por ação do Senhor.  Todas as vitórias e conquistas, a terra em paz e a ordem estabelecida eram dádivas divinas.
Anos depois, Davi soube bem cantar esta certeza de fé quando declarou que se não tivesse sido o Senhor intervindo em sua história, há muito já teria sido engolido pelos seus inimigos (leia o Sl 124).
Deste ponto de vista, ainda resta algo que a presença da pedra naquele lugar trazia para o povo e que também deve trazer para nós.  Ela esteve não somente no meio da história e do caminho onde Israel tinha que passar, ela também apontava para cima.  Olhá-la seria como ser chamado a encarar o Senhor e os compromissos com ele (penso que Am 4:12 vai neste sentido). 
Ebenézer para mim hoje é a pedra no meio do caminho que me desafia ter e manter um tempo reservado exclusivamente para a aliança e a busca sincera pelo Senhor.  Não há como evitá-la.  Entre lutas a serem travadas e vitórias a serem conquistadas; entre idas e vindas de cada história pessoal e familiar; por entre o caminhar da igreja e da sociedade será sempre preciso reservar um tempo e um lugar para o Senhor.
Que o Senhor me faça colocar uma pedra assim no meio do meu caminho.  Para a glória dele.

(Publiquei esta reflexão em 30/12/ 2010 no sítio ibsolnascente.blogspot.com)

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