sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VENTO LIVRE


Ouvi pela primeira vez o musical Vento Livre ainda no meu tempo de seminarista, logo depois de ele ter sido produzido pela Igreja Batista do Morumbi, lá pelo final da década de 1980.  Lembro-me bem que na época nos juntamos e realizamos uma encenação da obra – nada muito profissional, mas com um verdadeiro espírito amador – e o apresentamos no Recife (confesso que ainda sonho em refazê-la aqui em Aracaju).
Voltei a ouvi-lo recentemente (agora em CD) e devo reconhecer que aquele som ainda continua me tocando a alma.  É sempre assim com a boa música: não tem idade.  E quando consegue aliar a qualidade musical com a história sagrada, seus efeitos são eternos.
A história, resultado da lavra de Guilherme Kerr Neto e Nelson Bomilcar, apresenta a vida de Jesus sob a ótica do evangelho de João.  Ela começa com a declaração de que desde o princípio era o Verbo e que este virou gente e habitou entre nós para, em seguida, serem citados episódios da vida e ministério de Jesus. 
Com certeza, contudo, para mim em particular, a mais significativa e tocante canção é a que dá voz à mulher samaritana.  Num musical cantado por vozes masculinas, o solo à beira do poço, em primeira pessoa, de certo modo instiga a olhar diferente para o episódio.  É tudo surpreendente!
Nos campos de Samaria, uma mulher apresenta seu desalento: cansada sob o sol, sem vislumbrar um fim e, mesmo com uma fugaz alegria, só lhe restava a exclamação: não sei o que fazer!  Mas, parem tudo.  Eis ali um homem judeu, é estranho querer conversar.  E do inusitado diálogo sobre a água, aquela que se via desiludida encontrou razão para viver.
A presença e a história da samaritana sobressai no musical como uma declaração de que o Vento Livre, entrou na história concreta das pessoas, ocupou-se de questões bem humanas, olhou para os marginalizados, atentou para nossas frustrações e apresentou novas perspectivas.
O musical prossegue para mais adiante pontuar a crucificação, cantada como uma noite de horror, e a contrapor com a alegre madrugada da ressurreição, dando ênfase no enxugar das lágrimas de Maria e na necessidade de missão: ide dizer que Cristo ressuscitou. 
Na conclusão, quase como um recitativo, ouvimos João lembrando que há, porém, tantas outras que Cristo fez e falou, mas estas que foram escritas são suficientes para crer nele e ter vida eterna em seu nome.  Um amém final fecha a obra e só nos resta dizer: Glória a Deus pelo Vento Livre!

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