terça-feira, 13 de agosto de 2013

Parábola das coisas – A LOMBADA

As lombadas, aquelas saliências que são colocadas em ruas e estradas também conhecidas como quebra-molas, imagino que elas foram criadas junto com a transformação de nossas cidades ao se privilegiar os carros como ícones máximos da civilização.  Imagino também que sua colocação foi resultado da necessidade de se disciplinar o uso de automóveis frente a outros similares e demais transeuntes.
Mas há aquelas lombadas que não fazem parte de qualquer projeto ou planejamento de trânsito, elas estão ali como inconvenientes: aleatórios e circunstanciais.  São rugas em nossas vias que as enfeiam e maculam e tornam nosso ir-e-vir mais chato e desconfortável.
Seja qual for a sua origem ou a sua configuração, uma lombada é uma coisa que nos serve de parábola para compreender a caminhada da vida.  Acompanhe comigo como acontece: indo ou vindo, dirigindo por estas ruas, a lombada me força a frear, reduzir a marcha, olhar e passar com cuidado.  Depois posso seguir em meu trajeto, até que outra lombada me faça repetir o procedimento e então, finalmente, chegue ao meu destino.
É claro que sei que quando é o caso de lombadas planejadas, a redução de velocidade se mostra necessária e é então, por isso mesmo, forçada.  Mas quando é apenas imperfeição do terreno, pode nem haver justificativa circunstancial, mas resulta no mesmo: tem que passar devagar.
Vejo que assim é a vida.  Enquanto transito por ela, buscando alcançar o meu destino, em diversos momentos me vejo obrigado a passar por lombadas, e então é imperioso frear a vida, reduzir a marcha, olhar e passar com cuidado antes de seguir mais um pouco.  E não importa quem, ou o que, colocou o obstáculo ali.
Mas vou um pouco à frente nesta parábola.  É passando devagar na lombada da vida que tenho a oportunidade de perceber em detalhes da vida que tenho levado, as pessoas que me cercam e a própria estrada da vida que tenho trilhado.  E dando atenção a isso posso inclusive corrigir meus posicionamentos e rotas quando necessário.
Ainda outra observação sobre a lombada que deve-se fazer nesta parábola.  A reação a ela depender não somente do seu tamanho mas também, e em grande parte, do veículo com o qual se trafega.  Se viajo com um off-road, ou algo parecido, as lombadas poderão ser superadas com menos sacrifício.  Se meu carro é um modelo mais delicado e sensível, as imperfeições do terreno haverão de parecer mais incômodas.
Então volto a olhar a vida.  Se já estou calejado, chego a entender que as lombadas são parte integrante da paisagem e as supero como quem prossegue com mais robustez e experiência em direção ao desafio seguinte.  Se a vida me fez frágil, cada nova lombada é um novo suplício a encarar.
Seja como for, parece inevitável que na viagem da vida algumas lombadas estejam espalhadas pelo trajeto – algumas propositais, outras acidentais.  A diferença será como eu passo por cima delas.  Que Cristo – o caminho, verdade e vida – possa me fazer vencê-las e nunca desistir da caminhada.  Para a glória dele.

2 comentários:

  1. "Volta para tua casa,e conta tudo quanto Deus te fez".Lucas 8:39.

    Bom dia,Meu querido Pastor/Professor.Amo tudo o que escreves.

    Um Abraço.

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    1. Obrigado,querida.
      A glória seja a Deus.
      Um abraço

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