sexta-feira, 1 de junho de 2012

O FARISEU E O PUBLICANO


A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano”.  Assim Lucas introduz a bem conhecida parábola do Fariseu e do Publicano (este é o verso 18:9 e a parábola é narrada a seguir até o verso 14).
Permita-me uma análise rápida da história.  O fariseu e o publicano eram dois personagens bem comuns dos dias de Jesus, e com alguns deles o próprio Jesus se deparou várias vezes em seu ministério.  E são estes os personagens que ele escolheu para usar como ilustração nesta parábola.
Na parábola os dois sobem ao templo para orar e lá se diferenciam enormemente na busca da súplica ao céu.  É exatamente esta diferença, a princípio absurda e incoerente, que Jesus destaca.
A distinção pode ser observada por três ângulos distintos: (1) olhando-se pela ótica popular, (2) pela ótica dos próprios orantes e (3) pela ótica divina.  Analise comigo cada uma delas. 
(1) Para o povo: o fariseu seria aquele que estaria ritualmente limpo e apto para comparecer diante de Deus em oração.  O publicano seria o avarento traidor do povo – e de Deus – logo sem condições de estar na presença sagrada.  Assim, o primeiro receberia coerentemente uma resposta ma sua oração.
Mas estas observações são apenas exteriores.  O inusitado da parábola está em o Mestre propor uma leitura alternativa do episódio.  Continuo com outra perspectiva.
(2) Para os próprios personagens: o fariseu é aquele que não se compara com os demais pecadores pois estaria acima dos vícios e defeitos dos outros – comparativamente melhor!  Por sua vez o publicano se sabe o indigno pecador e – sem comparações – apenas suplicante das misericórdias divinas.
Jesus não credita ao próprio coração humano a prerrogativa de bom juiz.  O desfecho da parábola também não será determinada por direitos reivindicados.  Contudo, falta ainda o último ângulo de visão.
(3) Para Deus, que ouve a oração: o fariseu é o arrogante que, preso às suas convicções, não é capaz de merecer nada além do que ser estimado pelo populacho – pois só é isto que receberá!  Por outro lado, o publicano é o humilde que, buscando a Deus em sua sinceridade e a despeito de todos os pecados e falhas, pode voltar para casa abençoado, pois foi ouvido por Deus.
Certamente estes dois personagens estão ainda hoje diante de nós: a qual dos dois nos compararemos.

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