sexta-feira, 4 de março de 2016

Parábola das coisas – O VENTILADOR

Sempre achei o mês de março o mais quente do ano.  Não tenho dados empíricos que confirmem esta suspeita.  Talvez porque em geral em janeiro estou de férias, fevereiro é encurtado pelo carnaval e os trinta e um dias de março me pegam de jeito.  Mas pode ser só impressão mesmo!
Bem, agora que chegamos a março e o calor parece estar me derretendo, qualquer coisa que me traga um pouco de alívio é sempre bem-vindo.  E é aqui que o ventilador encontra seu valor.  Ali, girando na dele.  O ventilador é um bom companheiro para o verão.
Mas, pensemos bem nesta coisa: o ventilador.  Como princípio de funcionamento, é uma coisa bem simples.  Algumas pás (acho que o termo técnico é este) girando, girando, girando, e assim vai espalhando o vento por aí.
Eu sei que hoje em dia já existem ventiladores dos mais variados modelos.  De teto, de mesa, de parede, de chão, multiuso.  Simples, embutidos, acoplados.  Oscilantes, fixos, móveis.  Eletrônicos, manuais, mecânicos.  Coloridos, brilhantes, discretos.  E por aí vai, enquanto a imaginação humana for capaz de esticar o conceito.  Seja como for, dá sempre no mesmo: roda e sopra.
Quanto ao seu trabalho, então, não há muito mistério – é só espalhar o vento fazendo-o circular.
E abrindo um parêntese.  Será que algum cientista-investigador-curioso já fez um experimento ligando um ventilador num ambiente completamente sem vento – num vácuo – para ver o resultado? Eu nunca vi nada a respeito.  Fiquei curioso!
Fechando o parêntese.  Voltemos à tarefa de espalhar o vento.
O ventilador não cria o ar, apenas faz soprar e o coloca em movimento.  E o vento chega ao meu rosto dissipando o calor (gostei dessa expressão: dissipando o calor – até parece coisa importante).
Aqui o ventilador pode se apresentar a mim como uma parábola bem simples e óbvia da própria vida.  E sobre a vida, um aspecto em especial pode muito bem relacionado ao ventilador: a palavra e o uso que eu faço dela.
Ao contrário da coisa que não cria o vento, apenas o espalha, a palavra tem sim o poder de criar mundos e realidades.  Lembre que o poema sagrado da criação nos diz que Deus criou o mundo com a sua palavra (leia Gn 1).  E na mesma direção estão os poetas, profetas, romancistas, visionários e sonhadores que com o poder das palavras fazem surgir também outros mundos.
Só que há uma diferença.  Deus concluiu sua criação suspirando e constatando que tudo era bom (confira Gn 1:31).  Mas o que nós falamos e criamos com nossas palavras e verborragia (eita palavrão!) nem sempre é assim. 
Tem vezes que criamos cada coisa feia com nossas palavras!
O pior é quando entra o ventilador nesta história.  As palavras são como o vento que o ventilador de nossa boca e de nossa pena (que poético!) espalha – ah sim! agora tem as redes sociais que fazem isso.  E as palavras vão a este turbo-ventilador que passeia pelas webs e se espalham, espalham, espalham...
Então, sem ter a pretensão de estar descobrindo nenhuma novidade – o ventilador já foi inventado tem um bocado de tempo – olho para esta coisa e meço minhas palavras, inclusive as que publico aqui, para continuar as espalhando e no fim poder também suspirar e achar que valeram a pena.
Bem, por hora, deixe-me aproveitar um pouco mais do ventilador, que o calor está demais.

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