sexta-feira, 3 de junho de 2011

ACUMULADORES

Esta semana assistindo televisão, deparei-me com um programa intitulado "Acumuladores" no canal Discovery.  Durante o episódio são mostrados três casos de pessoas que por razões distintas passaram a acumular objetos de todos os tipos em suas casas chegando a ponto de apresentarem problemas sociais.
No programa, os três casos vão sendo descritos em paralelo mostrando a que situação chegaram as pessoas por não conseguirem se desfazer de coisas que guardam, acumulando até não ser mais possível sequer entrar, caminhar, sentar ou fazer qualquer outra atividade com um mínimo de conforto e dignidade.
Ainda ao longo da apresentação, os casos vão sendo analisados buscando as razões psicológicas que os levaram àquela situação, os desdobramentos familiares e sociais e como um profissional da psicologia os estavam ajudando. Concluindo com o encaminhamento de cura para cada um.
Não desconsidero as razões históricas, sociais e psicológicas implícitas nos casos citados, mas não são elas que me interessam aqui.  Creio que já deu para perceber que minha cabeça, mesmo do cotidiano, funciona teologicamente.  Então, é claro que diante da televisão, assim funcionaram as minhas engrenagens mentais.  Para mim transpareceu de maneira nítida que, mesmo sendo extremos patológicos, mas aqueles casos se mostraram como paradigmas perfeitos do mundo e da sociedade em que vivemos – estamos em um mundo de acumuladores.
Jesus já havia previsto que a acumulação seria um problema para os seus discípulos.  No Sermão do Monte ele apresentou o problema sob dois ângulos complementares (leia em Mt 6:19-24).  Em primeiro lugar que a acumulação de tesouros materiais está condenada ao fracasso vital – além de entupir e juntar traças no coração.
Uma sociedade como a nossa que estimula o consumo e a acumulação de bens como demonstração de sucesso, prosperidade e felicidade – é curioso como já não somos cidadão, mas consumidores – é uma sociedade estrutural e essencialmente doente pois tem colocado seu objetivo de existência (coração) em bens perecíveis e que não satisfazem.  Daí a necessidade de se acumular cada vez mais e nunca se satisfazer.
Seguindo o argumento de Cristo, ninguém pode buscar os tesouros da terra e labutar ao mesmo tempo pelos que não perecem, pois há de se dedicar a um e desprezar o outro.  Literalmente: "vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (no verso 24).  Com o padrão de vida acumulador, o grande deus a quem se dobra a sociedade acumuladora é o dinheiro, prestando-lhe culto, fazendo oferendas e comprometendo até a alma com este tirano.
E ainda há cristãos que se propõem a estas esparrelas (considere Rm 12:2).
Sei que vivemos numa geração de acumuladores – e alguns realmente doentes e compulsivos.  Não quero aqui julgar ninguém, e nem tenho este direito, mas seguindo as instruções do Mestre, tenho que, antes de tudo, olhar para mim mesmo e refletir que se valorizo a acumulação de bens materiais e perecíveis como os valores deste tempo presente estou mais que com problemas sociais e psicológicos, estou em pecado (é o 1º mandamento em Êx 20:3). 
Que o Senhor livre a minha alma da acumulação terrena.

2 comentários:

  1. Concordo com você amado, e já assisti ao programa é deprimente o estado das pessoas em todos os sentidos.Literalmente é a cara do demônio, sujo, maldito. Temos que prestar muito atenção nas armadilhas do inimigo.Gostei muito da sua visão.

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  2. Querida Regina,
    Obrigado pelo comentário. Quando desviamos nosso olhar daquele que é o autor e consumador de nossa fé, fatalmente entulhamos nossa vida com o lixo demoníaco deste mundo. Que o Senhor nos livre de tal coisa.
    Um abraço

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